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segunda-feira, 1 de outubro de 2012 NBA, outras | 23:26

NA NBA TÉCNICO NÃO GANHA MAIS QUE JOGADOR. NO FUTEBOL BRASILEIRO, SIM

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Tom Thibodeau assinou na tarde desta segunda-feira um novo contrato com o Chicago. Serão US$ 20 milhões por um acordo de quatro anos.

Isso vai dar a Thibs US$ 5 milhões por temporada. Por mês, US$ 416,67. Em nossa moeda, o salário anual do treinador do Bulls (foto) equivale a R$ 10,13 milhões. Se dividirmos por 12, teremos cerca de R$ 850 mil por mês.

Muricy Ramalho é o técnico mais bem pago do Brasil: renovou recentemente com o Santos por mais um ano em troca de R$ 750 mil e quando Neymar não joga, o aproveitamento da equipe é apenas 25,0% — melhor apenas do que o do Atlético-GO, lanterninha do campeonato, que tem 24,0%. Luís Felipe Scolari recebia do Palmeiras R$ 700 mil por mês. Pediu demissão há algumas semanas, pois não conseguia tirar o time da zona do rebaixamento. Tite (exceção neste deserto de competência) teve seu salário reajustado pelo Corinthians e receberá R$ 550 mil mensais. Wanderley Luxemburgo fatura R$ 520 mil do Grêmio e não ganha um campeonato importante desde 2004, quando foi campeão brasileiro com o Santos. Completando esse “top 5”, aparece Dorival Júnior, técnico do Flamengo, que recebe R$ 450 mil e não faz o time deslanchar: no returno, o rubro-negro é o 19º colocado.

Os salários de Muricy e Felipão se aproximam ao de Thibs. E olha que existe um abismo, uma distância colossal, entre os faturamentos da NBA e do futebol brasileiro.

Além disso, enquanto no basquete o técnico tem uma importância considerável, no futebol ela é muito pequena. No basquete, os treinadores podem tirar e colocar jogadores de acordo com a conveniência da partida, têm à disposição sete pedidos de tempo, mais os tempos da televisão, têm a seu favor o fato de a quadra ser bem menor do que o campo de futebol, o que permite uma interação maior entre treinadores e atletas. No futebol isso não existe. Os técnicos podem trocar apenas três jogadores, não têm os pedidos de tempo a seu favor e o campo é gigantesco se comparado com uma quadra de basquete.

Muricy (foto) mesmo costuma dizer que a importância de um treinador é de 25% no rendimento de um time de futebol. Se é tão pequena assim (e o depoimento é de um treinador que tem quatro títulos brasileiros e uma Libertadores), por que nossos cartolas pagam tanto para um treinador?

Aqui no Brasil, treinador ganha mais que a estrela do time. Vejam o caso de Neymar. O Santos paga a ele R$ 500 mil. Os outros R$ 2,5 milhões vêm de patrocinadores. Ou seja: Muricy ganha mais do que Neymar! Valdívia, maior salário do Palmeiras, ganha R$ 600 mil. Ou seja: Felipão também faturava mais do que a estrela da companhia. No Grêmio, Kléber é o maior salário: R$ 400 mil, R$ 120 mil a menos do que Luxemburgo.

Na NBA, nenhum treinador ganha mais do que a estrela do time.

Se Thibs vai ficar com US$ 5 milhões nesta temporada, Derrick Rose, o astro da franquia, tem garantido US$ 16,4 milhões. No Oklahoma City, Scott Brooks também acabou de renovar o contrato: US$ 16 milhões por quatro temporadas; US$ 4 milhões por campeonato trabalhado, enquanto que Kevin Durant, o melhor jogador do time, ganha US$ 16,6 milhões por ano. No Lakers, Mike Brown recebe US$ 4,5 milhões e Kobe Bryant US$ 27,8 milhões. Querem mais? Pois não: Doc Rivers ganha por ano do Boston US$ 7 milhões e Paul Pierce, maior salário do time, vai amealhar US$ 16,7 milhões; Gregg Popovich vai faturar US$ 6 milhões do San Antonio, já Manu Ginobili ficará com US$ 14,1 milhões.

Na Europa, treinadores também não ganham mais do que os astros. Tito Villanueva não recebe mais do que Messi; nem mesmo Pep Guardiola tinha um salário maior do que o argentino. Idem para Mourinho em relação a Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Não sei quanto ganha Roberto DiMateo, mas eu duvido que ele fatura mais do que Frank Lampard.

Enquanto isso, aqui no Brasil…

Tudo errado, minha gente. Escrevi esse post para mostrar outra das aberrações do futebol brasileiro, embora o nosso botequim seja um botequim de basquete. Mas o fiz traçando um paralelo com o basquete e principalmente com a NBA. Os cartolas brasileiros ainda não perceberam que técnico não entra em campo. Na Europa todos sabem disso; na NBA também.

Os treinadores no basquete, como disse, têm uma importância muito maior do que no futebol. Mesmo assim, eles não entram em quadra. E no futebol, onde a relação dos “professores” com o jogo é muito menor, aí é que eles têm que ganhar menos mesmo.

Nossos cartolas, lamentavelmente, ainda não se aperceberam disso. E lesam os combalidos cofres de suas respectivas agremiações pagando verdadeiras barbaridades para quem tem uma influência muito pequena no espetáculo.

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012 NBA | 11:18

THIBODEAU DEVE ESTENDER CONTRATO COM O CHICAGO. PRÓXIMO PASSO DEVERIA SER A CONTRATAÇÃO DE D’ANTONI

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Tom Thibodeau deve estender seu contrato com o Chicago. O atual termina ao final desta temporada que vai começar.

Dizem que Thibs (foto) estava taciturno e sorumbático. Dizem que estava melindroso porque não havia sido procurado pela direção da franquia para renovar seu vínculo. Dizem que não se conformava porque nas duas primeiras temporadas foi o condutor do time com a melhor campanha entre todos os 30 da liga durante a fase de classificação e também porque levou o Bulls à final do Leste na primeira delas — e poderia ter repetido na passada se Derrick Rose não se machucasse.

Thibs merece ter seu vínculo renovado. Afinal, mostrou que é mesmo um dos melhores da atualidade. Sua capacidade defensiva talvez seja a melhor de todos os treinadores da NBA. Ele peca na parte ofensiva, mas ninguém é perfeito. O que Thibs deveria fazer era sugerir à direção do Chicago a contratação de Mile D’Antoni como seu auxiliar e incumbir-lhe da missão de melhorar o desempenho ofensivo do time.

Feito isso, o Bulls cresceria dramaticamente. E se assim fosse feito, eu acreditaria em uma classificação para os playoffs. A gente bem sabe que o ataque do Chicago se resume a D-Rose. Mas D-Rose deve perder toda esta próxima temporada. Sem ele e sem a imaginação ofensiva de Thibs, o Bulls vai sofrer. E pode sucumbir.

Tudo vai cair nas costas de Luol Deng. Luol não é D-Rose. Não tem cacife para resolver todos os problemas ofensivos do time como o armador adoentado fazia.

Se D’Antoni (foto) estivesse na franquia, ele poderia tentar encontrar atalhos para a cesta adversária, como sua imaginação ofensiva tem nos mostrado ao longo desses anos como treinador na NBA. D’Antoni, se você não sabe, é o assistente ofensivo de Coach K na seleção dos EUA.

A contratação de D’Antoni, para mim, seria tão importante quanto a renovação de Thibs. Os dois juntos poderiam formar o Casal 20 (coisa velha!!!) dos treinadores da NBA e serem como Yin e Yang, os opostos que se complementam segundo a filosofia chinesa e dão equilíbrio a tudo.

Basquete é assim, um jogo de equilíbrios. Ataque e defesa se equilibrando e se completando. Tudo em harmonia.

Com Thibs a defesa vive, mas o ataque sobrevive. Com D’Antoni a seu lado, o ataque seria oxigenado e se encontraria o equilíbrio, mesmo sem Derrick Rose.

E quando D-Rose voltasse, a cama estaria pronta. E, quem sabe, como disse meu amigo Luis Avelãs, o time só pararia com o anel no dedo.

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sexta-feira, 11 de maio de 2012 NBA | 12:48

DENVER CAMINHA PARA SER O DALLAS DESTA TEMPORADA?

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O Denver arrebentou o Lakers ontem à noite no Colorado. Os 17 pontos que marcaram a diferença do marcador em 113-96 em favor do Nuggets não revelam o que aconteceu em quadra. O time das montanhas rochosas poderia ter vencido por 30 ou mais pontos. Como disse, o Denver triturou o Lakers.

A pergunta que martela a minha cabeça é: estaremos diante de um novo Dallas?

O Dallas foi campeão na temporada passada mais ou menos assim. Ninguém dava nada por ele. Foi comendo pelas beiradas e acabou campeão. Todos falavam em San Antonio e Lakers. Sem contar o Miami. E no final deu Dallas.

Claro que há diferenças. O Mavs tinha um Dirk Nowitzki e o Denver não tem ninguém que chegue perto dele. O Mavs tinha um armador de talento, rodado e experiente em Jason Kidd. Ty Lawson parece ter um grande futuro, mas ainda é uma promessa, e Andre Miller já rodou muito, mas não é J-Kidd. E não vejo no Denver um cara como Jason Terry, vindo do banco e destruindo defesas, pois não creio que Al Harrington possa fazer isso.

De qualquer maneira, como a ordem das coisas foi subvertida na temporada passada, eu já começo a achar que o Denver pode eliminar o Lakers, depois o Oklahoma City e na final bater, por exemplo, o San Antonio. Afinal de contas, o Dallas não fez isso no torneio passado, contrariando todos os lúcidos prognósticos?

SINTOMA

O Lakers hoje se comporta como time médio — pra não dizer pequeno e ferir suscetibilidades. Se enrosca com um adversário bem mais fraco e Kobe Bryant termina os jogos com montanhas de pontos. Podem olhar: quando os pontos de um time ficam sempre nas costas de um jogador, esse time está desequilibrado.

PERGUNTA

Até onde esse time do Denver pode ir? Do jeito que está, tem grande chance de eliminar o Lakers amanhã à noite em Los Angeles. E depois? Depois eu acho que não passa pelo OKC. E se passar, eu acho que para no SAS. Mas se passar também, não creio que ganhe do Miami, por exemplo, na final, Miami que é o favorito da maioria no Leste. Mas se ganhar do Heat, o Denver será o campeão!!!

Isso pode mesmo acontecer?

Diante dos meus olhos o Denver é apenas um time apenas mediano participando dos playoffs. Mas esse time mediano está engrossando a série diante do poderoso Lakers e, já disse, tem grande chance de eliminá-lo. E se isso acontecer, esse time pode se encorpar, ganhar moral, confiança, e aí, sai debaixo! Pode se tornar o novo Dallas.

ANÁLISE

Quanto ao jogo, Ty Lawson foi a estrela da noite: 32 pontos. George Karl acertou em cheio ao conceder-lhe o status de dono da posição em detrimento do experiente Andre Miller. Kenneth Faried voltou a se destacar com um duplo-duplo: 15 pontos e 11 rebotes.

Por falar em Gasol… O que dizer de seus míseros três pontos? O que dizer de um jogador internacional que faz apenas 1-10 sendo marcado por Faried, um “rookie” que nem está sendo cotado para ganhar o troféu “Rookie of the Year”?

ADIANTE

Abri nossa conversa com o Denver e não com os classificados Boston e Philadelphia porque o Nuggets, repito, pode se tornar o Dallas desta temporada. Mas não posso fechar os olhos para os dois classificados de ontem à noite: Boston e Philadelphia.

C’S

O Boston fez o que dele se esperava: eliminou um adversário mais fraco e que passou parte da série desfalcado. Mas eliminou com dificuldades, o que me deixou assustado. A vitória de ontem por 83-80 foi novamente no final, no bico do corvo. O que eu acho que isso significa? Significa que o Boston não aparenta ter, no momento, time para eliminar o Miami numa final. Digo Miami porque, concordamos, o Heat é o time mais forte do Leste.

Mas a gente bem sabe que o Celtics é um time experiente e tinhoso. Conhece o caminho das pedras, já esteve em outras finais. Vai fazer um jogo mental muito forte numa provável decisão contra o Heat. Desequilibrar emocionalmente LeBron James é a primeira missão do C’s. E isso Paul Pierce sabe fazer. Intimidar Chris Bosh: isso Kevin Garnett (foto AP) o fará sem o menor problema. Acuar Dwyane Wade: deixem a missão para Ray Allen, pois ele é do ramo.

Ao contrário do Denver, o Boston é um time campeão, tem história e uma camisa muito forte. E conta com quatro jogadores que fazem parte da nata do momento: o Big Three e Rajon Rondo. Sendo assim, se esse time passar por cima do Miami, na bola e no mental, não me causaria nenhuma surpresa.

O Denver, sim; se o Denver for campeão do Oeste eu ficaria surpreso. Aliás, quer saber, eu não ficaria surpreso. Afinal, o Dallas não fez o mesmo na temporada passada? Por que eu haveria de me surpreender novamente? Ora, faça-me o favor, Sr. Sormani… Nem parece que o senhor tem a idade que tem!

SIXERS

O Philadelphia aproveitou-se de um adversário desfalcado para seguir adiante na competição. Venceu o Chicago por 79-78 e, repito, só venceu porque o Bulls não pôde contar com Derrick Rose e Joakim Noah. Não creio, por isso, que o Phillies possa seguir surpreendendo. Não creio que passe pelo Boston.

Mas o Dallas não foi campeão assim na temporada passada? É, verdade… Então eu apago o que disse acima e escrevo: tudo pode acontecer.

ERRO

Sobre a eliminação do Chicago:

1) A 12 segundos do final do jogo, como é que C.J. Watson passou a bola para o horroroso do Omer Asik, um jogador medíocre quando o assunto é fazer cesta? Por que C.J. não ficou com a bola nas mãos à espera da falta que o levaria aos lances livres? Ele, e não Omer.

2) Por que Tom Thibodeau não foi econômico nos pedidos de tempo, a ponto de não ter nenhum disponível naqueles 12 segundos derradeiros?

3) Se alguém tiver algo mais a dizer, que diga.

BLOQUEIO

Já disse: Tom Thibodeau é um grande treinador, mas ele comete muitos equívocos. Ele parece ser o LeBron James dos treinadores. Quando os playoffs chegam ele parece sofrer um bloqueio mental.

REFLEXÃO

Será mesmo verdadeira a frase de que em série melhor de sete o melhor sempre vence?

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quarta-feira, 9 de maio de 2012 NBA | 11:30

INDIANA SE CLASSIFICA E LAKERS VOLTA A VACILAR

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O Indiana foi o único time na rodada de ontem que se classificou para as semifinais dos playoffs. Esperava que fossem dois. O Lakers deveria estar nessa relação também. Ao contrário do Pacers, que deu apenas um pequeno vacilo na série, perdendo o primeiro jogo em casa, o time californiano vem titubeando demais. Tivesse o Nuggets um time melhor e mais experiente poderíamos ter uma surpresa neste confronto.

Jogando em casa, o Indiana, ao contrário do Lakers, não deixou escapar a oportunidade de avançar na competição. Fez incontestáveis 105-87 e mostrou uma vez mais que o revés da primeira partida foi apenas um acidente de trabalho, como eu disse aqui neste botequim aos parceiros que falaram em “decepção”. Playoff é assim mesmo. Muitas vezes um time com a vantagem de quadra perde um jogo em casa e se recupera logo na sequência. Lembro-me que nas finais de 1991, o Chicago tinha melhor campanha que o Lakers e fez o primeiro jogo em seu extinto Chicago Stadium. Perdeu. Muita gente achou que não tinha como reverter diante de uma equipe que contava com Magic Johnson, James Worthy e Byron Scott. Mas o Chicago era mais time que o Lakers e venceu os quatro jogos seguintes, três deles em Los Angeles.

Playoff, como disse, é assim mesmo. A menos que seja uma série como a do Memphis contra o Clippers. Há muita igualdade. Uma vitória roubada na casa do inimigo pode determinar o classificado. Não é o caso do confronto entre Lakers e Denver e nem era na série Indiana x Orlando. O Lakers vacila — e isso é algo que deve preocupar a todos que estão ligados à franquia, seja afetiva ou profissionalmente.

SURPRESA

O confronto contra o Denver era para estar resolvido. Mas o time angelino, como se diz por aí, tem dado um mole danado, volto a dizer. Por mole danado podemos entender a fragilidade de Andrew Bynum em alguns jogos desta série. Ontem o pivô do Lakers voltou a hesitar. Disso se aproveitou JaVale McGee, um jogador mediano, que tornou a deitar e rolar em cima de Bynum, tido por muitos (inclusive por mim), como um dos melhores da posição na atualidade.

É inadmissível Bynum deixar McGee anotar 21 pontos e pegar 14 rebotes, seis deles no ataque. Não bastasse isso, Kenneth Faried pegou nove ressaltos. Faried tem 9,8 rebotes de média nesta série é de responsabilidade de Pau Gasol. Que o espanhol é soft, isso a gente sabe. Os longos cabelos de Faried, aos olhos de Gasol, devem transformá-lo numa espécie de Sansão, impossível de ser dobrado. Deve ser isso.

O que quero dizer é que Bynum e Gasol não podem tomar um vareio de bola de McGee e Faried. McGee, como disse, é um jogador mediano; Faried, já falei, é apenas um “rookie”, com muito potencial, é certo, mas ainda assim um novato.

Os dois, Bynum e Gasol (ou McGee e Faried, depende de sua leitura), são os maiores responsáveis por esta série ainda não estar resolvida.

DIFERENÇA

Tendo um adversário fragilizado pela frente, desfalcado de Dwight Howard, seu principal jogador, o Indiana liquidou a fatura e agora descansa à espera do vencedor da série entre Miami e New York, que deve ser definida esta noite, com vitória do Heat no sul da Flórida.

Mas eu dizia que o Indiana deu um pequeno tropicão, mas nada que tirasse o time do eixo. Ontem, comandado mais uma vez por Danny Granger (25 pontos; foto Gety Images), o time liquidou a fatura. Leandrinho fez apenas sete nos 20:29 minutos em que ficou em quadra. Atirou apenas quatro bolas contra a cesta adversária (pouco para o potencial dele), mas ajudou nos rebotes, por incrível que possa parecer: pegou seis.

Por falar em rebotes, a decepção desta série, pra mim, foi o pivô Roy Hibbert. Selecionado para o “All-Star Game” desta temporada, cantado em prosa e verso por muitos frequentadores deste botequim, indicado por mim mesmo como um dos candidatos para ocupar a vaga de Dwight Howard na seleção dos EUA que vai a Londres, Hibbert fraquejou diante de Glen Davis, o substituto de D12. Davis terminou a série com médias de 19,0 pontos e 9,2 rebotes. Mesmo tendo 2,06m de altura, impôs-se diante dos 2,18m de altura de Hibbert, que terminou este confronto passando-nos a impressão de ser um molengão. Teve médias de 11,0 pontos (só isso?) e 10,8 rebotes. Alguém pode apontar o dedo para os tocos que ele deu neste embate: 3,8 de média. Realmente, extraordinário. Mas aí eu aponto o dedo novamente para a altura de Hibbert: 2,18m.

FELICIDADE

Fiquei feliz com a classificação do Indiana. Feliz por Frank Vogel, que parece despontar como um dos melhores treinadores desta nova safra da NBA. E feliz porque o Pacers jogou basquete e não se preocupou em baixar o sarrafo, como fez no ano passado na série diante do Chicago.

É claro que muito disso tem a ver com a aposentadoria do obtuso Jeff Foster.

IRONIA

Coisas da vida, muitos costumam dizer nesta situação. E é verdade: o melhor jogador do Boston foi o responsável pela derrota do time ontem diante do Hawks.

Quem acompanhou o jogo de Atlanta viu Rajon (foto Getty Images) interceptar um lateral cobrado por Josh Smith a pouco mais de dez segundos para o final e o placar mostrando os definitivos 87-86 a favor do time da casa. E o que fez Rondo? Nada; ou melhor, atrapalhou-se com a bola, indo para o canto da quadra depois de Kevin Garnett ter feito o corta-luz em cima de Smith, que o marcava. Armou para si mesmo uma armadilha, pois ao ir para o canto da quadra, facilitou a marcação de Al Horford, que apareceu em socorro a Josh Smith. Rajon se enroscou com a marcação e o ataque que poderia ter dado a vitória e a consequente classificação ao Celtics, não existiu.

Coisas da vida, digo eu agora. Rajon Rondo tem uma gorda poupança no C’s. Pode errar que não dá pra reclamar dele.

DIFERENÇA

Al Horford fez ontem seu segundo jogo nesta série. Marcou 19 pontos e pegou 11 rebotes. Deu ainda três tocos e igual número de assistências e desarmes.

Ficou muito claro que com ele desde o início o Celtics teria muitas dificuldades para reverter a série como reverteu.

O próximo confronto está marcado para quinta-feira, agora em Boston. Não acredito que o C’s vai dar o mesmo vacilo que o Lakers deu em Los Angeles.

MUDANÇA

O Chicago saiu da UTI. Está agora no quarto. Venceu ontem o Philadelphia em seu United Center por 77-69 e prolongou a série. Quinta-feira os dois times volta a se enfrentar, desta feita na Pensilvânia. O Sixers deve liquidar a fatura neste jogo.

O Bulls faz o que pode. Enfrenta problemas sérios como a contusão de seu melhor jogador e a ausência de seu principal pivô. Derrick Rose, o comandante do time, não volta mais nesta temporada. Joakim Noah, que mais uma vez ficou no banco em trajes civis e com o pé engessado, quem sabe possa jogar amanhã à noite.

Some-se a isso o fato de o Chicago ser um time completamente sem noção quando ataca. Não consigo detectar nenhuma jogada ensaiada. Os jogadores jogam por instinto. A única coisa que eu ouço Tom Thibodeau dizer é: “Move the ball!”. OK, vamos rodar a bola, mas em que direção? Pra quem? Pra onde?

Thibs é um excelente técnico, todos nós sabemos. Mas ele sofre de miopia ofensiva. Quando o time não tem D-Rose e quando Luol Deng não está inspirado, fica difícil vencer. A direção do Chicago deveria pensar seriamente em contratar Mike D’Antoni para treinar o time ofensivamente. Se isso acontecer, o Bulls vai sofrer bem menos quando não puder contar com D-Rose e quando Luol estiver com bloqueio de criatividade.

Fica a sugestão.

REFORÇOS

Muitos torcedores do Bulls dizem, e com razão, que o time precisa ser reforçado. Eu mesmo já disse isso e até sugeri, ao final da temporada passada, que se fizesse uma troca com o Orlando mandando para a Flórida Joakim Noah e Luol Deng por Dwight Howard. Hoje eu mesmo não colocaria mais Luol, mas Joakim sim. Quem sabe ele e Carlos Boozer, neste caso com o Chicago pegando o mico do Hedo Turkoglu.

Outros tantos parceiros reclamam do time e pedem o fim de tudo. Discordo. Esse time já mostrou que tem valor. Já mostrou que se bem conduzido é utilíssimo. Que o Bulls tem que arrumar outra estrela eu concordo, mas desfazer-se desse time eu discordo. Não se pode desfazer uma equipe que mostrou ser competente e competitiva da noite para o dia sem pagar um alto tributo por isso. Sim, pois a remontagem de uma equipe demanda tempo de maturação. Esse time está maturado, precisa apenas de alguns ajustes para fazer o “upgrade” rumo ao título.

Volto a dizer: o Bulls precisa de um assistente técnico que ensine o time a atacar e fazer uma troca pegando um apoio de ouro para D-Rose. Se tiver que abrir mão de dois importantes jogadores, que se abra. Caso contrário, vai continuar sempre assim: melhor campanha na fase de classificação, debacle nos playoffs.

FADA

A menos que desça em Chicago a mesma fada que esteve em Dallas na temporada passada e que com sua milagrosa varinha de condão transforme o Chicago, mesmo sem D-Rose, em um time campeão, como ela fez com o Mavs.

Eu nunca acreditei em conto de fadas, mas depois do que aconteceu na temporada passada eu já não duvido de mais nada.

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sábado, 5 de maio de 2012 NBA | 12:20

BOSTON E LAKERS: DUAS DECEPÇÕES DA RODADA DE ONTEM DA NBA

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Houve um tempo, não muito distante dos dias atuais, em que a gente afirmava categoricamente que este é melhor que aquele e ponto final. O fato de este ser melhor que aquele significava que este seria o vencedor diante daquele. Não haveria surpresa alguma.

Hoje esta ordem parece ter sido subvertida. Digo “parece” porque ainda não estou totalmente convencido de que realmente há uma nova tendência no mundo do basquete profissional norte-americano, uma tendência, digamos, importada do futebol, quando vemos, por exemplo, o Guarani disputando a final do Campeonato Paulista.

Vejamos o que aconteceu na rodada de ontem dos playoffs da NBA: de três jogos, dois tiveram resultado surpreendente, contestando o bom senso. Quando digo bom senso, não quero dizer que houve insensatez nos resultados dessas duas partidas que iremos abordar brevemente. Quando falo em falta de bom senso, quero dizer que o placar final dessas duas partidas foi surpreendente. Portanto, nada tem a ver com insensatez.

Quando a gente viu que o Atlanta continuaria sem Al Horford e Zaza Pachulia (seus dois principais pivôs) e que não contaria também com Josh Smith, um dos pilares da franquia, o que o bom senso mandava dizer? Ora, mandava dizer que jogando sem esses três jogadores e no TD Garden de Boston, o time não teria a menor chance diante do Celtics, Celtics que teria de volta Ray Allen, um dos “Big Three”. Isso sem falar no peso da camisa, que é desigual. Tudo conspirava para uma vitória tranquila do time da casa.

Quando a gente viu que o Lakers abriu 2-0 na série diante do Denver e teria que jogar no Colorado, mesmo assim, o bom senso indicava que o time iria somar sua terceira vitória, ou pelo menos jogaria de igual para igual, pois o Nuggets não passa de um time aplicado, carente ainda de identidade e personalidade de vencedor — nem vou falar em personalidade de campeão, porque não me entra na cabeça a possibilidade de o Denver ser campeão ao menos da Conferência Oeste.

Mas como há uma subversão da ordem esportiva, subversão essa que teve seu apogeu no campeonato passado, quando o Dallas bateu o Miami na final e levantou o troféu, como há uma subversão da ordem esportiva, de repente o Denver ganha o campeonato e ninguém vai conseguir explicar coisa alguma. Claro que muitas pessoas vão se apegar nos números e nas estatísticas para tentar explicar o Denver campeão. Vão analisar a série como se estivessem analisando um jogo de vídeo game, aproveitando-se de números que dizem respeito apenas a jogos de vídeo game e que nada têm a ver com o que acontece em quadra, quando seres humanos estão competindo.

Ontem em Boston, o Celtics penou para ganhar de um Atlanta desfalcado de seus principais jogadores. De um Atlanta que não passa de um time mediano e que é dirigido por um técnico que cumpre apenas seu segundo ano de trabalho e que ainda é um “rookie”. Larry Drew pode vir a ser um dos maiores desde sempre, mas ainda não é. O Boston, como disse, penou para ganhar de um adversário fracote. Teve que levar o jogo para a prorrogação contra um adversário que improvisou um ala-armador (Joe Johnson) para marcar o principal jogador do oponente (Paul Pierce, um ala maior e mais forte).

O Celtics venceu por 90-84, mas a mim não convenceu. A mim apenas decepcionou. Claro que eu esperava mais. Esperava pelo deslanchar dessa equipe, de modo a imaginarmos um esquadrão que venha causar algum estrago no Miami numa provável final de conferência. Mas não foi o que vimos.

O Boston abriu 2-1 na série. Mas decepcionou.

Em Denver, o Lakers também decepcionou. Passou o jogo todo atrás, correndo feito criança perdida pela mão da mãe. Correu, correu, correu, mas não encontrou nada. O aproveitamento do time nos arremessos foi uma desgraça: 29-78 (37,2%). Kobe Bryant (foto AP), o principal jogador do time, estava, uma vez mais, com a mão descalibrada: 7-23 (30,4%). Ainda por cima, cometeu seis erros. Além disso, o banco contribuiu com apenas nove pontos. Um vexame. A humilhação torna-se ainda maior ao constatarmos que os reservas do Denver ajudaram com 39!

A fragilidade do Lakers foi tamanha e incontestável a ponto do trapalhão JaVale McGee, talvez impulsionado pelos gritos de Pam, a mãe, do lado de fora da quadra, essa fragilidade californiana foi tamanha que McGee fez nada menos do que 16 pontos e 15 rebotes.

O Denver venceu a partida por 99-84.

E o Lakers também decepcionou. E a série agora está 2-1 a seu favor.

INSENSATEZ

Na Filadélfia, o Sixers também penou para ganhar do Chicago por 79-74. Achei que não conseguiria. No quarto final o Bulls chegou a abrir 14 pontos de vantagem. Mas o tempo foi passando, passando e o Philadelphia foi encostando, encostando e o Chicago não tinha a quem recorrer, pois Derrick Rose, seu melhor jogador e um dos melhores da atualidade, não jogará mais esta temporada e, por isso, não estava em quadra.

Pressionado, foi fraquejando, fraquejando e cedeu a vitória ao Sixers. O time ficou desorientado nos minutos finais ao ver sua vantagem escapar pelos dedos, a ponto de Luol Deng, um dos mais experientes do time, tentar um arremesso de três a 20 segundos do estouro do cronômetro, num lance sem o menor cabimento. O Sixers, com isso, abriu 2-1 na série e se mantiver o mando, vence o confronto por 4-2.

Alguém disse aqui que o Chicago passaria pelo Philadelphia nesta série mesmo sem D-Rose. Duvidei. O Bulls é um time sem identidade, um time completamente diferente daquele time da fase de classificação, que mesmo sem D-Rose vencia. Mas vencia porque sabia que quando os playoffs chegassem, Rose estaria ao lado de todos, pegaria um a um pela mão e os guiaria para as vitórias. Agora, sem esta liderança, os jogadores não estão suportando a pressão e estão desnorteados. C.J. Watson e Kyle Korver saíram zerados de quadra e são o melhor exemplo deste cenário de conturbação. E conturbada também estava a cabeça de Tom Thibodeau. O técnico deixou em quadra um Joakim Noah que não tinha a menor condição de jogar e, pior do que isso, correndo o risco de ver agravada a sua situação. Depois de torcer violentamente o tornozelo esquerdo, Noah deveria ter ido para o vestiário iniciar naquele momento o tratamento do tornozelo lesionado. Mas Thibs deu provas, uma vez mais, que não tem bom senso. Neste caso, falo de insensatez.

RECORDE

O Boston decepcionou, mas Rajon Rondo não. O armador alviverde (foto Getty Images) tornou-se ontem o primeiro jogador na história dos playoffs da NBA a marcar 17 pontos, 14 rebotes, 12 assistências e quatro desarmes. Foi o sétimo jogo de playoff de Rajon que ele cravou um “triple-double”.

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sábado, 28 de abril de 2012 NBA | 18:11

CHICAGO PERDE DERRICK ROSE PELO RESTANTE DA TEMPORADA

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A notícia já se confirma: Derrick Rose rompeu os ligamentos cruzados do joelho esquerdo e com isso está fora do restante dos playoffs e também dos Jogos Olímpicos de Londres. Sem D-Rose, o Chicago é carta fora do baralho. Se bobear, terá dificuldades para passar pelo Philadelphia. Do Boston, acho difícil passar. E se chegar à final, não creio que faça frente ao Miami, o provável finalista. Enfim, o quadro é desalentador.

Mas a pergunta que não quer se calar é: o que fazia em quadra Derrick Rose com um minuto para o jogo acabar e o Bulls na frente em 12 pontos? O que fazia em quadra um jogador que passou toda a temporada quase que do lado de fora por conta das contusões? O que fazia em quadra um jogador que não está com a musculatura em dia exatamente por não estar no melhor da forma, que não foi adquirida exatamente porque ele ficou do lado de fora quase que metade da temporada?

Realmente, não dá para entender. Tom Thibodeau é um baita treinador, ninguém duvida disso. Mas é o maior responsável pela situação. Ele sabe armar times, mas não sabe poupar seus jogadores. Não tem sensibilidade alguma. E seus auxiliares, ou são insensíveis como Thibs ou não têm voz-ativa.

Lamentável.

Ah, sim: o Chicago venceu a partida por 103-91. Mas não há o que comemorar.

AVISO

Aos tontos que mandarem mensagem dizendo que escrevi esse texto com o coração de torcedor, a mensagem, informo, vai direto para a lixeira.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012 NBA | 20:41

AND THE OSCAR GOES TO… O BOTEQUIM ELEGE OS MELHORES DA TEMPORADA. CONFIRA!

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Falta ainda a rodada desta noite, desta quinta-feira à noite, mas não há mais nada a se fazer, adicionar ou subtrair. A gente já tem opinião formada sobre quem é quem nesta temporada. Por conta disso, vamos premiar os jogadores aqui no botequim? Vamos lá, então.

MVP — Kevin Durant
O ala do Oklahoma City termina a temporada como cestinha do campeonato. E pelo terceiro ano seguido. E a cada campeonato disputado, KD melhora seu nível técnico e mental. Como muita gente diz aqui, ele tem tudo para ser o substituto de Kobe Bryant, quando o astro do Lakers se aposentar. LeBron James poderia ficar com o cetro e a coroa se não se encolhesse tanto em momentos decisivos. Os números de LBJ, aliás, são até melhores do que os de Durant, mas um jogador não se mede apenas pela frieza dos números. Por isso, eu elejo o ala do Oklahoma City como o melhor jogador da temporada regular.

ROY — Kyrie Irving
O armador do Cleveland Cavaliers jogou esta temporada como se fosse a segunda ou mesmo a terceira. Não pareceu um novato à procura de identidade em quadra. Em muitos momentos decidiu partidas para o Cavs, ora pontuando, ora servindo os companheiros. Não fosse a contusão de Anderson Varejão, o Cavs poderia, ter conseguido uma vaga para os playoffs. É bem verdade que Kyrie teve sua tarefa facilitada por conta da contusão do espanhol Ricky Rubio, do Minnesota Timberwolves. Desde que Rubio parou de jogar, o Wolves travou, o que mostra o potencial e a importância de Rubio para o time. A briga seria intensa até este final, mas a lesão do ibérico facilitou a escolha de Kyrie.

MIP — Jeremy Lin
Sei que muita gente vai torcer o nariz, pois Lin jogou uns dois meses desta temporada. Mas o que ele jogou foi algo fora do normal. Ele transformou o New York. O time saiu do buraco e ganhou notoriedade graças a Lin. Ele alavancou o Knicks. O time ganhou mídia, ganhou torcida e ganhou confiança. Enfim, o time cresceu graças a ele — e num momento em que Carmelo Anthony e Amar’e Stoudemire estavam machucados. Depois foi a vez de Lin lesionar o joelho e não jogar mais. Mas ele já tinha “enfeitiçado” os companheiros, que apenas seguiram jogando do jeito que passaram a jogar quando Lin pegou o NYK, um dos últimos colocados da conferência, levou-o ao G8 e transformou sua campanha negativa em positiva. Lin, fácil, o jogador que mais evoluiu não só nesta temporada.

SIXTH MAN — James Harden
Esta escolha é uma das maiores barbadas da temporada. Não creio que algum outro jogador chegará perto do ala-armador do Oklahoma City quando os votos dos jornalistas norte-americanos forem abertos. Terceira escolha do “NBA Draft” de 2009, Harden, no começo, deixou a todos desconfiados e muitos chegaram a dizer que o OKC tinha “queimado” um draft. Mas Sam Presti mostrou, mais uma vez, que é um dos melhores GMs da NBA na atualidade: a escolha de Harden foi acertadíssima, sim senhor. O OKC cresce não apenas nas mãos de Kevin Durant e Russell Westbrook. Cresce também por conta do crescimento de James Harden.

MELHOR DEFENSOR — Serge Ibaka
O congolês naturalizado espanhol deu uma aula de como se deve defender nesta temporada. Rei dos tocos já no campeonato passado, Ibaka repetiu a dose neste. Melhorou também os fundamentos defensivos. Só não leva o troféu se a mídia puxar a brasa pra sua sardinha. Ou seja: escolher Dwight Howard ou LeBron James por eles serem norte-americanos. Se isso não ocorrer, Ibaka fica com o troféu.

COY — Tom Thibodeau
Não sei se Thibs vai levar este ano novamente. E não sei se ele leva exatamente porque seria um bicampeonato. A mídia norte-americana parece não gostar muito disso, pois nunca um treinador bisou a escolha. Some-se a este fato o excelente trabalho que Gregg Popovich fez no segundo turno do campeonato, quando o San Antonio mostrou ser um time e não um quinteto. Mas o que o Chicago fez sem poder contar com Derrick Rose, o atual MVP da NBA, seu cérebro, sua consciência e sua fortaleza em quadra, foi algo fora do normal. Some-se a isso o fato de que Luol Deng também se lesionou e não pôde participar de algumas partidas. O SAS não foi lesado como o Chicago. Mesmo com todas essas adversidades, o Bulls acabou a fase de classificação em primeiro lugar pelo segundo ano consecutivo. Por isso, Thibs, para mim, é o melhor treinador do campeonato.

NBA ALL FIRST TEAM
Rajon Rondo
Tony Parker
Kevin Durant
Kevin Love
Andrew Bynum

MELHOR TIME DEFENSIVO
Rajon Rondo
Kawhi Leonard
LeBron James
Serge Ibaka
Tyson Chandler

ROOKIE TEAM
Ricky Rubio
Kyrie Irving
Kawhi Leonard
Kenneth Faried
Greg Stiemsma

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domingo, 8 de abril de 2012 NBA | 11:31

PITACOS DA RODADA DE SÁBADO, POIS A DE DOMINGO COMEÇA DAQUI A POUCO

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Um pitaco rapidinho sobre a rodada de ontem, pois às 14h de hoje, horário de Brasília, começa a deste domingo, com o jogão Knicks x Bulls, em Nova York, cidade onde o Chicago adora jogar.

Mas vamos à rodada de ontem:

1) O Lakers que se cuide, pois do jeito que vai, o time pode acabar a fase de classificação entre os times que jamais terão vantagem de quadra nos playoffs. No momento, com a derrota de ontem para o Suns, em Phoenix (125-105), os amarelinhos somam 22 derrotas. Mantém o terceiro posto no Oeste, mas aparece com muita nitidez na alça de mira do Clippers (mesmas 22 derrotas, mas está atrás por causa do confronto direto), Memphis (23) e Houston (25). O time jogou ontem sem Kobe Bryant (foto AP), com uma inflamação nos tendões da canela esquerda. Pau Gasol (30 pontos/13 rebotes) e Andrew Bynum (23 pontos/18 rebotes) fizeram de tudo para levar o time à vitória. Não contavam, porém, com a atuação soberba de Michael Redd, que veio do banco e fez 23 pontos. Nos últimos quatro jogos, Redd, que fez parte do time olímpico dos EUA que ganhou a medalha de ouro em Pequim-08, teve duplo dígito na pontuação e acumulou média de 18,2 pontos. Ótima notícia pra gente que gosta do jogo bem jogado, pois Redd sempre foi um cara acima da média. Ficou praticamente dois anos parados por causa de uma grave lesão nos joelhos e parece estar voltando. Completa 33 anos em agosto próximo e pode ainda ter lenha pra queimar, vide o caso Grant Hill. “Nosso departamento médico cura qualquer um”, elogiou o técnico Alvin Gentry.

2) Depois de perder duas partidas seguidas (San Antonio e Chicago), o Boston fez importante vitória ontem à noite diante do Pacers, em Indianápolis: 86-72. Bom para sua recuperação, claro, mas ainda falta ao C’s vitórias sobre adversários de peso. Perdeu seus dois jogos contra o Oklahoma City, o par de partidas diante do Lakers, a única peleja feita diante do San Antonio, no confronto contra o Bulls está em desvantagem em 2-1 e tem 1-0 frente ao Miami ao vencê-lo em casa, sendo que na próxima terça-feira joga na Flórida. O Celtics é um time com jogadores experientes, acostumados a jogos decisivo e tem uma camisa forte. Mas precisa mostrar em quadra que é merecedor do status de favorito. Magic Johnson, em um de seus comentários na TNT, colocou o C’s entre seus preferidos. Eu tendo a aguardar um pouco mais, exatamente porque diante dos times poderosos ele tem um retrospecto de 2-7 (22,2%). A defesa que o alviverde de Massachusetts mostrou ontem diante do Pacers (26-74; 35,1%) tem que ser mostrada também contra as fortalezas da competição. Quanto ao Indiana, a derrota colocou um ponto final em uma sequência de quatro vitórias. Mesmo com o revés, mantém-se na terceira posição no Leste, à frente exatamente do Boston, com 22 derrotas contra 24. Efeméride: Rajon Rondo completou seu 16º jogo seguido com duplo dígito nas assistências. Ontem foi dada uma dúzia.

3) O ridículo Stan Van Gundy escalou novamente Dwight Howard, ontem na vitória frente ao Philadelphia, fora de casa, por 88-82. D12, que segundo o treinador trama nos bastidores para derrubá-lo, anotou 20 pontos e 22 rebotes. Van Gundy deve ser adepto da filosofia de que os fins justificam os meios. Ou então é um banana de marca maior — fico com a segunda opção. Com o resultado, o Sixers somou sua terceira derrota seguida e dos últimos sete jogos só venceu dois. Espero que a rapaziada dê um tempo com essa história de dar o COY para Doug Collins. Não tem o menor cabimento. Tom Thibodeau, Gregg Popovich e Scott Brooks, nesta ordem, são os meus favoritos ao galardão. Correndo por fora aparecem Frank Vogel e Doc Rivers.

4) O Memphis vem encostando no terceiro posto, disse acima. Isso graças também à vitória de ontem diante do Dallas, em casa, por 94-89. Dos últimos nove embates, venceu sete. Temporada passada o time cresceu exatamente na segunda metade da competição. Nos playoffs, no oitavo posto, surpreendeu o líder San Antonio e eliminou-o (4-2), para em seguida ser batido pelo Oklahoma City (4-3). A diferença desta para a temporada passada é que naquela ocasião o melhor jogador do time, Rudy Gay (foto AP), com o braço quebrado não pôde participar dos playoffs. Agora, saudável, comanda a equipe em quadra. Ontem anotou 25 pontos. Zach Randolph, que perdeu 37 partidas por causa de uma contusão no joelho, voltou e em excelente nível. Ontem, vindo do banco, marcou 15 pontos e pegou 11 rebotes. Quanto ao Dallas, o time vem de duas derrotas seguidas e neste abril fez quatro jogos e venceu só um. Mesmo com o revés mantém-se no G8 do Oeste, ocupando a sétima posição, com 26 derrotas, mesmo número do Denver, mas leva vantagem no critério de desempate. Mas se não abrir os olhos e Dirk Nowitzki não voltar a jogar o que sabe (ontem fez 5-16 nos arremessos; 31,2%), o atual campeão da NBA fica de fora dos playoffs, pois o Phoenix vem crescendo (27 derrotas). Depois do “All-Star Game”, o time do deserto vem com uma campanha de 15-7 (68,1%, que o colocaria na terceira posição da conferência). Outra coisa: eu ouvi bem? Alguns “malucos” falam em Shawn Marion para melhor defensor da temporada?

5) E o Minnesota, hein? Perdeu ontem para o pobrezinho do New Orleans (99-90) e somou sua quinta derrota consecutiva. Dos últimos dez jogos, só venceu dois. Está praticamente fora dos playoffs. A contusão de Ricky Rubio: assim a gente explica a dramática queda do Wolves na competição. Desde que o espanhol lesionou os ligamentos cruzados do joelho direito, o time de Minneapolis fez 17 partidas e venceu apenas quatro.

6) Não vi o jogo, mas o duelo entre Blake Griffin e DeMarcus Cousins, pelos números, deve ter sido de arrepiar, embora um não tenha vigiado o outro a maior parte do jogo, pois atuam em posições diferentes, mas jogam dentro do garrafão. Griffin, o sujo, anotou 27 pontos e pegou 14 rebotes; Cousins, o problemático, fez 15 pontos, mas pegou 20 rebotes, seis deles ofensivos. No final, jogando em Los Angeles, o Clips venceu por 109-94, resultado que o deixa, como disse acima, no encalço do Lakers.

7) Finalmente, quero falar do Denver. Com a derrota de ontem para o Golden State (112-97), fora de casa, o time do Colorado está ameaçado no Oeste. Caiu para a oitava posição e tem agora 26 derrotas, uma a menos que Phoenix e Utah. Na época de Nenê Hilário não era assim: o time se classificava com os pés nas costas para os playoffs. Tudo bem que havia Carmelo Anthony e Chauncey Billups — mas havia Nenê também. O time o trocou por JaVale McGee (foto AP) e apostou em Kenneth Faried. McGee é banco e de lá saiu na derrota de ontem para anotar seis pontos e pegar igual número de rebotes; Faried marcou apenas um ponto e pegou só três rebotes. O ala-pivô, que vinha causando sensação no começo da temporada, tem médias de 9,4 pontos e 7,1 rebotes. McGee, com a camisa do Denver, tem 7,7 pontos e 5,9 rebotes. Ou seja: ou o Denver avaliou mal e equivocou-se ao trocar Nenê ou tinha informações seguras de seu departamento médico de que o brasileiro está lesionado seriamente e não terá mais sequências de jogos satisfatórias. Sim, pois desde que foi para o Washington, o brasileiro participou da metade dos confrontos que poderia ter jogado: seis em 12. Acumulou médias de 13,5 pontos e 9,3 rebotes. Vamos aguardar pelos fatos futuros para vermos o que de fato significou para Nenê e o Denver sua saída do Colorado.

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sexta-feira, 6 de abril de 2012 NBA | 14:38

A SITUAÇÃO DO CHICAGO É BOA, MAS PODE MELHORAR AINDA MAIS

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O Bulls fez um segundo tempo espetacular e dobrou o Boston ontem à noite em Chicago por 93-86. Chegou a estar atrás em 13 pontos na etapa inicial, mas apoiado no jogo ofensivo de Luol Deng, que marcou 18 de seus 26 tentos no período final, e em uma defesa forte, que diminuiu o volume de jogo do adversário e subtraiu 12 pontos nos últimos 24 minutos (49-38 no 1º tempo para o Celtics), o tricolor de Illinois conquistou sua 43ª vitória e manteve-se na liderança não apenas do Leste, mas de toda a NBA também.

O Chicago vinha de duas derrotas consecutivas: a tunda levada em Oklahoma City diante do Thunder por 92-78 e o inesperado revés frente ao Houston, em casa, por 99-93. A agenda mostrava que o próximo compromisso era diante do Boston, um time que cresce nesta segunda metade do campeonato (dos últimos dez jogos tinha uma campanha de 7-3 e enfileirou cinco vitórias seguidas neste trajeto) e que tem uma camisa poderosa e jogadores experientes, que gostam desse tipo de partida. Um time, é verdade, que vinha de uma derrota diante do San Antonio (87-86), doída, pois Paul Pierce poderia ter marcado a cesta no segundo final que daria vitória ao alviverde de Massachusetts, mas que consegue sempre se reagrupar nos momentos mais difíceis — e este era um deles.

Se perdesse para o C’s, o Bulls somaria sua terceira derrota seguida. Mas ela não veio. Aliás, a última vez que o Chicago enfileirou mais de duas derrotas foi na temporada 2009-10, quando perdeu dez jogos seguidos sob a gestão do medíocre Vinnie Del Negro. E naquela época, lembram-se?, Tom Thibodeau era assistente técnico do Boston Celtics.

Aliás, foi exatamente nesta temporada 09-10 que o Boston ganhou do Bulls pela última vez em Chicago. Foi no dia 12 de dezembro, uma surra aplicada pelo Celtics por 106-80. Nesta mesma temporada, no dia 13 de abril, o Chicago bateu o Boston por 101-93 em seu United Center e de lá para cá foram mais quatro vitórias. Ou seja: o C’s não vence o Bulls em Chicago há cinco contendas.

Mas voltando ao jogo de ontem, há que se dar crédito não apenas a Luol, mas também a Carlos Boozer e Joakim Noah (foto AP). Booz deixou a quadra do United Center com 12 pontos e 14 rebotes, enquanto que o franco-americano não ficou atrás: 19 pontos, nove rebotes e três tocos.

Tudo isso sem Derrick Rose, que não atua há 12 partidas consecutivas e que perdeu 22 jogos dos 56 disputados pelo time neste campeonato. Aliás, desses 22 confrontos ausentes, a campanha do time é de 15-7. Ou seja, um aproveitamento de 68,1%. Com D-Rose em quadra, a campanha é de 28-6, aproveitamento de 82,3%.

Quer dizer: há para onde crescer. Quando o atual MVP da liga voltar, o Chicago ficará mais forte ainda. Mas ficará mais forte ainda não apenas por conta da presença marcante de seu armador, mas também pelo fato de que, sem ele, outros jogadores, especialmente Luol Deng, ganharam maturidade e estofo para as grandes partidas. Luol, mas também Boozer, que vem fazendo um campeonato muito superior ao passado, pois tem assumido mais responsabilidades em quadra e tem se tornado marcante em jogos importantes. E Noah também merece destaque pelo trabalho que tem feito.

D-Rose, Luol, Booz e Noah. Quatro jogadores sólidos, sendo que um deles é gênio. Quatro jogadores sólidos e um treinador diferenciado, que é reverenciado e respeitado pelos próprios companheiros de profissão, a ponto de Stan Van Gundy ter dito que Thibs tem que ganhar pelo segundo ano consecutivo o troféu de “Coach of the Year”.

O campeonato está espetacular. O Oklahoma City é fortíssimo, capitaneado pela dupla Kevin Durant/Russell Westbrook; o Miami é invejado por muitos por contar com os Três Magníficos: Dwyane Wade, LeBron James e Chris Bosh; o San Antonio com seus Três Tenores (Tim Duncan, Manu Ginobili e Tony Parker), mais um técnico que conhece o caminho das pedras é temido e com razão; e há também times que não podem ser desprezados por conta de suas camisas e por estarem acostumados a decidir, como Boston e Lakers.

O campeonato não está mesmo espetacular?

GOOD NEWS!

Derrick Rose volta a vestir a camisa 1 do Chicago neste domingo diante do New York Knicks. O jogo está marcado para as 14h de Brasília e, por conta disso, torna-se imperdível.

“Estou morrendo de vontade de jogar, mas temos que ser inteligentes”, disse D-Rose após o treino de ontem; treinos, no plural, desculpem-me, pois ele participou dos trabalhos de arremessos pela manhã e do aquecimento antes da partida diante do Boston. “Mais dois dias de descanso farão bem a mim”, completou.

Dois dias; ou seja: sexta e sábado. Como o jogo diante do Knicks é domingo, então D-Rose volta a jogar neste domingo.

Excelente notícia não apenas para o Chicago, mas também para o campeonato, que ganha mais força ainda. Ganha mais força porque os oponentes não vão querer deixar o Bulls escapulir. Miami, OKC e San Antonio perseguem o Bulls porque querem acabar a fase de classificação em primeiro lugar para terem vantagens quando os playoffs chegarem.

Mas o campeonato não está mesmo espetacular?

QUEDA DE BRAÇO

Ontem estourou na mídia norte-americana a surreal entrevista de Stan Van Gundy na qual ele acusa Dwight Howard (ambos em foto AP) de tramar com executivos da franquia sua demissão.

“Minha fonte não são jornalistas, é gente lá de dentro”, disse Van Gundy. Por lá de dentro entenda-se gente dos escritórios da franquia; gente que tem contato com o poder.

Enquanto Van Gundy falava com a mídia, D12 apareceu, deu um abraço no treinador e perguntou se havia algum tipo de preocupação dele em relação a ele, Howard. Disse-o com seu sorriso marcante e cativante, no que Van Gundy, cara amarrada, respondeu na frente de todos: “Nossa única preocupação aqui deveria ser em ganhar partidas”.

O forfé (corruptela do francês “forfait”, cuja pronúncia é exatamente forfé) acabou por aí. À noite, o Orlando entrou em quadra no seu Amway Center e perdeu vergonhosamente para o New York por 96-80. D12 jogou e marcou vergonhosos oito pontos e pegou vergonhosos oito rebotes.

Vergonhosa, aliás, é a postura de Van Gundy, um fraco apegado ao emprego e que parece não ter vergonha na cara. Primeiro, que ele deveria ter resolvido essa questão no escritório dele, conversando, pessoalmente, com o jogador, e não levar o caso para a mídia. Segundo, que se comprovada a história (vamos colocar no condicional porque Van Gundy acusa e não mostra provas), o treinador deveria afastar o jogador pelo resto do campeonato e pedir para a franquia não renovar seu contrato, pois trata-se de um mau caráter, concordam? Terceiro, que se a franquia não atendesse seu pedido, ele deveria pegar o boné e se mandar.

ESTALEIRO

Dois brasucas estão do lado de fora das quadras neste momento: Anderson Varejão e Nenê Hilário. Quem mais preocupa é Varejão.

O capixaba quebrou a munheca direita no dia 2 de fevereiro diante do Milwaukee (foto). Os doutores do Cleveland disseram à época que o jogador iria se recuperar num período de quatro a seis semanas. Atingimos a nona semana e nada de Varejão voltar.

Esta é a segunda temporada consecutiva que Varejão tem problemas sérios. Na passada, ele lesionou o tornozelo no dia 7 de janeiro numa partida contra o Golden State, o que acabou por fazer com que ele perdesse o restante da temporada; ou seja, 47 partidas. Nesta, já são 27 jogos seguidos sem entrar em quadra.

A lesão da temporada passada deixou Varejão de fora do Pré-Olímpico de Mar del Plata. Se continuar assim, sem previsão de volta, começo a ficar preocupado quanto a presença do jogador nas Olimpíadas de Londres, que começam no final de julho.

Muito tempo? Sim, muito tempo; mas se a lesão for mais grave do que se imagina e Varejão tiver que entrar na faca, adeus viola. Ele não joga as Olimpíadas.

Nenê está com um problema no pé e não joga há três partidas. Mas nesta temporada ele já perdeu 20 confrontos. Isso não ocorria desde há quatro temporadas, quando ele ficou de fora por conta do tumor testicular.

Notícias de Washington nos dão conta de que Nenê volta esta noite no embate diante do New Jersey. Vamos cruzar os dedos e torcer para que isso realmente ocorra e que Nenê engate uma sequência de jogos de modo a nos mostrar que está com a saúde em dia.

Caso contrário, do jeito que ele encara a carreira, se houver algum problema, por menor que seja, que o faça a ter dúvidas sobre sua participação em Londres, ele seguramente vai optar por não participar dos Jogos Olímpicos.

E se isso acontecer, se o Brasil não puder contar com Varejão e Nenê nas Olimpíadas, nossa participação poderá ser constrangedora.

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domingo, 25 de março de 2012 NBA | 02:51

A VITÓRIA DO CHICAGO E UMA CONVERSA DESCONTRAÍDA COM LUOL DENG

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CHICAGO — Cheguei há pouco do United Center. Escrevo agora do quarto do hotel, que está bem quentinho. Lá fora faz frio. Não chega a ser um frio danado, principalmente em se tratando da cidade dos ventos. Quando voltava do ginásio para o hotel, vi que um termômetro marcava 51 graus Fahrenheit. Traduzindo para Celsius dá algo em torno de 11 graus. Mas o vento é que pega. Quando ele dá as caras parece que as temperaturas despencam para algo próximo de zero grau.

Cheguei há pouco do United Center ainda sob o impacto da vitória conquistada pelo Chicago diante do Toronto. Vi a viola em cacos em vários momentos. Primeiro, porque o time canadense jogava bem; segundo, porque Joakim Noah foi expulso na segunda metade do segundo quarto; terceiro, porque o Bulls não conseguia pegar rebotes; quarto porque Kyle Korver estava entortando o aro canadense; quinto, porque James Johnson, aquele mesmo que era do Chicago e não jogava nada, estava inspiradíssimo, acertando tudo e mais um pouco.

Com um cenário desses, dei-me por satisfeito por ver o cotejo ir para a prorrogação, graças à imperfeição de um arremesso de três do italiano Andrea Bargnani, que segurou o placar no tempo normal em 94 pontos.

Veio o tempo extra e vi a viola em cacos novamente. Parecia que não ia dar para os 21.841 torcedores que ocuparam todas as confortáveis poltronas do United Center irem para casa nesta noite fria de sábado vibrando com mais uma vitória. Mas um par de lances livres desperdiçado por Gary Forbes foi a salvação do Chicago. Esse par de lances livres desperdiçado e a cesta derradeira de Luol Deng, no estouro do cronômetro (na foto AP, o jogador comemorando a cesta vitoriosa).

O trio de árbitros foi checar se o lance valeu ou não e enquanto ele tomava a decisão “Rock’n’Roll Part II”, com Gary Glitter, estourava os tímpanos vindos dos potentes alto-falantes do ginásio chicaguense, que voltei a pisar depois de 14 anos. A decisão foi tomada, a vitória confirmada e os torcedores explodiram de alegria.

Os jogadores rumaram para o vestiário e desta vez eu não ouvi “Sweet Home Chicago”, tema do filme “The Blues Brothers”, que sempre embalava os torcedores quando o Chicago vencia ou ganhava campeonatos no final da década de 1990. Eu presenciei esta cena várias vezes entre 1996 e 1998.

Não há mais Michael Jordan e nem Scottie Pippen. A vez agora é de Derrick Rose e Luol Deng. D-Rose não jogou neste sábado, uma vez mais, mas Luol estava lá para levar o time a mais uma vitória: 102-101, no estouro do cronômetro.

Não há mais Michael Jordan e nem Scottie Pippen. Não há campeonatos ganhos depois de 1998, mas esse time tem cheiro de campeão.

VESTIÁRIO

Fui ao vestiário do Bulls depois da partida. Está igualzinho, nada mudou desde os tempos de MJ e Pip. Apenas os nomes dos jogadores acima dos armários é que são outros.

Entrando nos aposentados do Chicago, o primeiro armário que aparece é de Brian Scalabrine. Contíguo a ele está o de Luol Deng, seguido pelo de Richard Hamilton.

A sequência é interrompida pela porta que leva aos chuveiros, onde a mídia não tem acesso. Depois vêm os guarda-roupas de Joakim Noah, Ronnie Brewer e CJ Watson.

A sala chega a seu final e vira-se, portanto, à direita, onde está o quadro-branco, que no passado a gente chamava de quadro-negro, porque era negro e não branco como hoje. Ele é grande, mas tinha algumas poucas anotações feitas pelo técnico Tom Thibodeau, que estavam num canto baixo esquerdo e que me chamaram a atenção.

Thibs anotou o seguinte durante o intervalo da partida:

50-55 (resultado do primeiro tempo, que mostrou vitória canadense);
Reb: 16-26 (nova vantagem do Toronto);
FG: 51,2% (foi o aproveitamento do Raptors na etapa inicial);
3PT: 1-10 (10,0%) – 1-4 (25,0%) – péssimo aproveitamento do Bulls;
FT: 5-8 – 12-14 (Thibs sublinhou os 14 lances cobrados pelos visitantes).

A palestra do intervalo, como vimos, versou sobre isso. E como é que ficaram esses números ao final do confronto? Vejamos:

102-101 (vitória do Bulls);
Reb: 44-58 (o Chicago não se recuperou);
FG: 44,8% (o aproveitamento do Raptors baixou);
3PT: 3-23 (13,0%) – 3-14 (21,4%) – pouca coisa mudou;
FT: 20-25 – 17-26 (o Bulls se recuperou).

Ou seja: como vemos, o Chicago continuou no segundo tempo e no tempo extra jogando um basquete irreconhecível. Por isso venceu na bacia das almas um time que normalmente ele venceria por uma vantagem de dois dígitos. E venceu com uma cesta no estouro do cronômetro.

“Não fizemos uma grande partida”, disse Luol, no vestiário, sentando em uma cadeira, os dois pés num balde de plástico azul cheio de gelo. E de gelo eram também as duas bolsas que estavam, uma na munheca esquerda, a machucada, e a outra no joelho do mesmo lado. Havia outra bolsa de gelo, estava me esquecendo, esta na canela direita do camisa 9 do Bulls.

Em outras palavras, ele estava estropiado depois da contenda. Mas feliz pela vitória.

APOSENTOS

Mas vamos continuar nossa visita ao vestiário do Bulls. Como disse acima, depois do armário de CJ a parede termina, vem o quadro-branco e depois mais três guarda-roupas: Omer Asik, Taj Gibson e Carlos Boozer. A sequência é quebrada por conta de outra porta, esta que leva até o escritório dos treinadores e o apartamento de Tom Thibodeau. A entrada da mídia, assim como nos banheiros onde estão os chuveiros, é proibida.

Depois há mais dois aposentos: Kyle Korver e Jimmy Butler. Nova quebrada à direta e vemos os armários de John Lucas III e Derrick Rose.

Todos os jogadores estavam no vestiário, com duas exceções: Rip Hamilton e D-Rose. Derrick viu a partida do banco do Bulls, mas assim que acabou ele picou a mula. A ausência do armador eu senti demais, pois queria ver o filho de Chicago pela primeira vez com a camisa 1 do Bulls. Não vi, pois Thibs resolveu poupá-lo novamente.

“Ele tem dor nas costas, no quadril, nas pernas, em todos os lugares”, disse-me uma senhora de uns 60 e poucos anos, que fez o meu credenciamento, assim que cheguei ao United Center, respondendo minha pergunta sobre a participação ou não de Derrick na partida. “Não vai jogar”, informou-me a gentil sexagenária, que em seguida passou-me a senha para eu poder acessar a internet do “Press Box” (onde fiquei, sentado na poltrona 25 da primeira fila).

Falando assim, dá impressão que o lugar era extraordinário: “Press Box”, o nome impressiona. Mas o tal do “Press Box” fica quase no teto do ginásio. Mas deu pra ver tudo, não posso reclamar de nada. E a cesta de Luol foi feita exatamente no lado onde eu me encontrava.

GENTIL

Quando o jogo acabou, peguei o elevador e desci até os aposentos do Bulls. O vestiário demorou para ser aberto. Quando entrei, vi Luol do jeito que eu contei sete parágrafos acima. Ele deu uma entrevista para a televisão de Chicago e depois pediu um tempo para os jornalistas: “Estou muito cansado; deixe-me relaxar, tomar um banho e depois a gente se fala”.

A tropa da mídia atendeu e entendeu o pedido de Luol, que ficou sentado por quase 15 minutos. E do jeito que eu contei oito parágrafos acima: os dois pés num balde de plástico azul cheio de gelo; uma bolsa de gelo na munheca esquerda, a machucada, outra no joelho do mesmo lado e a terceira na canela direita.

Falou ao celular com alguém. Levantou-se depois de 15 minutos e começou a tirar a camisa 9. Não conseguia. Ficou todo arqueado, fazendo um esforço maior do que fez para derrubar a bola final. Com a ajuda de um jornalista, ele finalmente teve êxito em seu intento. Agradeceu a ajuda e depois tirou o short enorme, com o logo do Bulls nas laterais, em vermelho, contrastando com o branco do calção. Em baixo dele os jogadores usam outro, esse térmico, preto, com proteção nas laterais e que vão quase que ao joelho também. Luol pegou uma toalha, enrolou-a na cintura e com muito cuidado tirou o calção térmico. Todos os jogadores fazem assim. Ninguém fica pelado na frente dos jornalistas, até porque há mulheres dentro do vestiário.

Luol foi para o banho e voltou depois de dez minutos. Com a toalha enrolada na cintura. O ritual, agora, foi outro: o sudanês naturalizado britânico colocou uma cueca. Depois, de costas para todos, foi colocando uma calça de jeans azul-escuro. Tirou a toalha da cintura. Vestiu uma camiseta branca e em cima dela colocou uma camisa xadrez de alguns tons de azul, combinando com a calça. Em seguida, passou um creme na cabeça. Penteou os poucos cabelos e os fiapos de barba também. Passou a toalha pelo rosto, virou-se e atendeu finalmente toda a mídia.

MINHA VEZ

Escutei pacientemente Luol falar com todos os jornalistas. Quando eles se foram, cheguei perto do camisa 9 e disse que era brasileiro e que gostaria de falar com ele.

“Pois não”, respondeu-me. Abaixo, a entrevista que fiz com Luol Deng.

SIMPATIA

Antes de contar a vocês sobre o que versou nossa conversa, deixe-me dizer uma coisa: Luol é um baita dum boa-praça. Brincalhão, ele sempre coloca uma pitada de humor nas respostas e deixa a conversa sempre em tom agradabilíssimo. Não há tensão em momento algum. E quando ele sente que exagerou na brincadeira, pede desculpas ao repórter, que as aceita, porque é impossível zangar-se com Luol Deng.

PINGUE-PONGUE

iG— Luol, queria falar com você sobre os Jogos Olímpicos. Em algum momento você pensa sobre a competição?
Luol — Não consigo, pois estou completamente focado na NBA. Neste momento não tem jeito.

iG — Mas como está o selecionado britânico?
Luol — Temos um bom time e vamos dar trabalho. Pode ter certeza disso.

iG — Os EUA formam o melhor time do planeta…
Luol — Certamente…

iG — Pois é, são favoritos ao título. Quem você considera os maiores oponentes ao time norte-americano?
Luol — Us (nós em português).

iG — Risos
Luol — Você ri por quê?

iG — Você está falando sério?
Luol — Ok, há várias seleções em condições de chegar à decisão do título, como a Espanha e a França. Acho que a França tem um time bem interessante.

iG — Você coloca a Espanha mesmo sem Ricky Rubio e agora com a possível ausência de Rudy Fernandez?
Luol — A Espanha tem excelentes jogadores e mesmo sem Ricky e Rudy continuam formando um grande time e em condições de chegar à decisão da medalha de ouro.

iG — E o Brasil, com os jogadores que atuam na NBA, como você vê o Brasil?
Luol — Há grande jogadores no time brasileiro e eu o coloco também entre os times que vão competir bem nas Olimpíadas.

Certamente Luol iria dizer que Tunísia também tem um grande time e que vai brigar no torneio masculino de basquete. Por conta disso, resolvei perguntar sobre a NBA.

iG — Esta temporada é finalmente a temporada do Chicago ou o Miami continua como favorito no Leste?
Luol — Miami é o favorito. Nós seguimos trabalhando para derrotá-lo, mas eles são os atuais campeões da conferência, têm grandes jogadores. Por isso, são os favoritos.

iG — E do outro lado, no Oeste?
Luol — OKC está muito bem, mas a gente não pode se esquecer do San Antonio, Dallas e do Lakers também.

Alguns jornalistas encostaram novamente e entraram na conversa. E o papo gostoso e descontraído que eu levava com Luol terminou por aqui.

Gostaria de reencontrá-lo futuramente em duas situações: na final da NBA e nas Olimpíadas de Londres. Não sei se será possível.

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