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quinta-feira, 16 de agosto de 2012 NBA | 00:33

FUTURO SERÁ DE JOGADORES DE MÚLTIPLAS FUNÇÕES COMO MIAMI E A SELEÇÃO DOS EUA MOSTRARAM

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A discussão ainda é tímida nos EUA, mas pode aumentar ao final da próxima temporada se o Lakers não for campeão e o Miami bisar o feito. E qual é a discussão? Se de fato tamanho é documento.

Depois que o Miami foi campeão jogando sem pivô, com LeBron James e Shane Battier fazendo o papel do ala de força sem serem ala de força e com Chris Bosh jogando no pivô sem ser pivô, agora foi a vez de a seleção dos EUA mostrar isso nos Jogos Olímpicos.

O selecionado norte-americano levou apenas Tyson Chandler para Londres. Mas pouco usou-o. Usou-o, aliás, como o Miami usou Joel Anthony e Ronnie Turiaf. Ou seja: colocou-os em quadra apenas em casos extremos.

Miami e a seleção dos EUA trocaram os brutamontes por jogadores talentosos, rápidos e versáteis. O Miami superou o Oklahoma City de Kendrick Perkins e Serge Ibaka, enquanto que os EUA bateram a Espanha do mesmo Ibaka e dos irmãos Gasol.

E por que o Lakers pode contrariar essa tendência? Porque acabou de apostar em um pivô de ofício: Dwight Howard. Se o time californiano ganhar o título desta temporada e D12 tiver papel importante, se for dominante e decisivo para a conquista, poderá abafar essa discussão que começa a ganhar corpo.

Quem frequenta esse botequim sabe o que eu penso. Sabe que estou cantando essa bola há algum tempo. Jogador com função limitada em quadra estará em desuso num futuro não muito distante. Mesmo que o Lakers ganhe o campeonato e D12 seja decisivo ao lado de Kobe Bryant, ainda manterei minha opinião de que o basquete moderno reservará espaço apenas para os jogadores de múltiplas funções em quadra.

Sempre menciono a situação dos armadores. Esse tipo de jogador, que foge da cesta, que se engana ao achar que sua função única é organizar o jogo, esse jogador também tenderá a desaparecer no futuro. Organizar o jogo os talentosos e versáteis também o farão. Vejam o caso do próprio Miami, que usa LeBron na armação, ele e Dwyane Wade, reservando a Mario Chalmers e Noris Cole, os dois armadores do time, espaço mais reduzido.

Rajon Rondo cresceu dramaticamente de produção na temporada passada por quê? Exatamente porque entendeu que esse negócio de fazer três pontos e dar 17 assistências não é muito produtivo. Jogador tem que pontuar, dar assistência e pegar rebotes, tudo isso num nível semelhante, com intensidade, como fazia Magic Johnson no passado e agora Rajon faz no presente. Ele e LeBron James.

Por que LBJ está sendo olhado e cotado para ser o maior jogador depois da era Michael Jordan? Exatamente por conta disso, exatamente porque ele faz de tudo em quadra e com muita intensidade: pontua, dá assistência, pega rebotes, defende, ataca e joga em quatro posições — talvez nas cinco se for preciso. É o exemplo mais bem acabado do jogador talentoso, rápido e versátil.

A discussão, como disse, ainda é tímida, mas creio que será amplificada com o tempo. Pois acredito piamente que o futuro será dos jogadores talentosos, rápidos e versáteis.

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domingo, 10 de junho de 2012 NBA | 11:30

MIAMI VENCE O BOSTON, VAI À FINAL CONTRA O OKC E UMA NOVA RIVALIDADE PODE SURGIR NA NBA

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Estava dando a impressão de que o Miami iria perder novamente em casa depois de LeBron James ter carregado nas costas o time em Boston, na vitória da última quinta-feira por 98-79. Estava dando esta impressão porque LBJ fez um primeiro tempo muito abaixo do que dele se esperava (havia anotado 45 pontos no jogo passado dentro do TD Garden de Boston) e Dwyane Wade seguia apagado. E o Boston, mesmo sem jogar um grande basquete, mantinha-se na frente do marcador e o jogo ia se encaminhando para o seu final.

Aí veio o quarto decisivo. O Miami, que fazia um jogo de recuperação, conseguiu empatar a partida em 73 pontos quando a buzina estridente soou indicando que o terceiro período havia terminado. LBJ acumulou 20 pontos nestes 36 minutos, mas mostrava um aproveitamento ruim nos arremessos se comparado com o que havia feito em Massachusetts: 41,6% (5-12). É bom dizer que a defesa do C’s teve muito a ver com o desempenho de LeBron. Doc Rivers, como havia prometido, mudou o marcador: ao invés do cansado Paul Pierce (o que fazer com um cara que tem garantido US$ 16,8 milhões na próxima temporada e que na hora de a onça beber água teve média de 18,0 pontos por jogo e aproveitamento de apenas 34,4% nos arremessos?), ao invés de Pierce o ala-pivô Brandon Bass foi designado para marcar LBJ. O fez a maior parte do tempo, tendo contado com auxílio de Mickael Pietrus quando foi preciso descansar. Doc talvez tenha encontrado a fórmula tarde demais; não fosse isso, talvez a derrota de Massachusetts tivesse sido evitada. Talvez; não sabemos.

Mas eu relatava que o quarto decisivo estava por vir. LBJ já somava 20 pontos, o jogo estava empatado em 73 depois de o Miami ter ficado atrás no marcador o tempo todo. O quarto decisivo veio, o Boston sentiu o peso da idade, o Miami não. O Big Three do Boston, quando a partida ia ser decidida, anotou apenas sete pontos e teve um desempenho nos arremessos de 3-10 (30,0%), com 1-5 (20,0%) nos tiros longos. Pior: mostrando fragilidade, não bateu nenhum lance livre. Era praticamente Rajon Rondo contra a rapa. O armador do C’s, que terminou a partida com um “triple-double” (22 pontos, 14 assistências e 10 rebotes), fez seis pontos neste quarto (3-6; 50,0%).

Enquanto isso, os Três Magníficos do Miami anotaram nestes 12 minutos finais, quando a parada foi resolvida, nada menos do que 28 pontos (10-17; 58.8%). O Miami venceu o quarto por 28-15 e fechou a contenda por 101-88 e classificou-se, pelo segundo ano consecutivo às finais da NBA. E sempre é bom lembrar que há dois anos o trio foi reunido no sul da Flórida. Muitos, quando isso aconteceu, apostaram que não iria dar certo porque o time a) não tem técnico; b) não tem armador; c) não tem pivô; d) faltariam bolas para os três em quadra; e) outras coisas mais que eu já não me lembro; f) o ódio por LeBron James era (como ainda é) grande demais.

LeBron James , disparado o melhor jogador do Heat nesta final do Leste, encerrou a partida com 31 pontos e 12 rebotes. Dwyane Wade deu um pouco mais o ar da graça ao apresentar os seguintes números: 23 pontos, seis rebotes e igual número de assistências. E Chris Bosh, mostrou que está definitivamente curado da distensão no abdômen: 19 pontos (3-4 nas bolas de três; 75,0%) e oito rebotes. Quanto as bolas de três, a performance de ontem à noite foi a melhor da carreira. Até então, com a camisa 1 do Miami, tinha feito 13-56 (23,2%).

O Miami ganhou a série por 4-3 porque LeBron James (foto acima Getty Images) jogou como um MVP tem que jogar. Desta vez não houve bloqueio mental. E sem bloqueio mental seu jogo fluiu, pois confiança não era artigo em falta em sua prateleira. Terminou estas finais com médias de 33,6 pontos e 11,0 rebotes. Não fosse LBJ e o Miami teria sucumbido neste enfrentamento diante do Celtics. Repito: King James jogou estas finais o tempo todo com o cetro na mão e a coroa na cabeça.

Do lado oposto, como já disse, o peso da idade foi companheiro inseparável da equipe. Enquanto o trio do Miami fez 73 pontos no jogo de ontem, o Big Three do Boston ficou em 48. Enquanto o trio do C’s fez 79 pontos nos dois últimos e decisivos jogos da série, LeBron James, sozinho, marcou 76. Os três juntos, neste duo decisivo de contendas, anotaram nada menos do que 142 pontos. Ou seja, 63 pontos a mais. Muita coisa; muita diferença.

O Boston sucumbiu por conta do peso da idade de seus principais jogadores. O San Antonio provou do mesmo dissabor na série diante do Oklahoma City. O OKC valeu-se da jovialidade e do talento de seu trio avassalador (Kevin Durant, Russell Westbrook e James Harden). O Miami também. Filosofia barata à parte, é importante dizer que a vida é assim mesmo: tudo tem começo meio e fim. É a ordem de tudo, é a lei da vida quando o assunto envolve seres humanos e não baratas, essa praga que ninguém consegue acabar e que habita esse mundo desde que ele é mundo. Não posso afirmar que os trios de Boston e San Antonio estão no fim, mas que estão perto do fim, isso eles estão. Quanto tempo mais eles vão durar eu não sei, mas dure enquanto durar, dificilmente terão condições de suplantar a energia dos trios de Oklahoma e da Flórida. O Boston provocou pelo segundo ano consecutivo esse contratempo. O SAS sentiu na pele pela primeira vez.

Chegou a final que muitos queriam e esperavam: OKC x Miami. Essas duas equipes podem fazer o que Boston e Lakers fizeram por muito tempo e dominar a cena da NBA por mais de meia década. O time do OKC é jovem e terrivelmente espetacular; a equipe do Miami é igualmente sensacional, e embora mais velha demonstra ter energia de sobra em seu tanque de combustível. Boston e SAS, como vimos, envelheceram, enquanto o Lakers apoia-se em Kobe Bryant, um jogador que está igualmente entrando na fase do envelhecimento e que, por conta disso, não sabemos se terá forças para ajudar na reconstrução da franquia. E o Chicago tornou-se um grande ponto de interrogação por conta da contusão de Derrick Rose. OKC e Miami, ao contrário, friso uma vez mais, são times bem mais jovens. Por isso, a tendência é de se ver criar uma rivalidade que vai durar algumas temporadas.

E quem vai levar a melhor nesta primeira final entre eles? O time da terra dos tornados tem a vantagem de quadra por ter feito a melhor campanha, seria favorito por isso? Ou é favorito porque Durant é melhor que LBJ? Ou não é? LBJ é melhor, pois é o MVP? E quem tem o trio mais gabaritado? E a experiência de já ter disputado uma final poderá ter peso importante na balança em favor do Miami? E no banco, quem tem o treinador mais esperto? E o banco melhor, é de quem?

São perguntas que começarão a ser respondidas a partir da próxima terça-feira, 22h de Brasília. Façam suas apostas!

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sábado, 9 de junho de 2012 NBA | 13:33

DOC RIVERS PERDE O SONO PARA TENTAR CONTER LEBRON JAMES

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LeBron James é a preocupação do Boston; LeBron James é a esperança do Miami. Nas mãos e no emocional de King James está a sorte dessas duas equipes, que vão decidir, a partir das 21h30 de Brasília, o título do Leste e, consequentemente, o segundo finalista desta temporada.

Doc Rivers perdeu horas de sono e de repouso. Dormir e repousar agora pra quê? Não faz sentido. O momento é de estudo, de traçar planos, de encontrar a melhor maneira de segurar LBJ (foto Getty Images).

“Vocês verão quando o jogo começar”, disse Rivers em resposta a uma pergunta sobre se algo diferente será feito nesta noite para conter LeBron James. “Não vamos fazer muita coisa (diferente), mas temos que defender melhor. Aliás, não fizemos muito do que tínhamos planejado para marcá-lo (no jogo passado). Essa é a primeira coisa que temos que mudar”.

O maior problema do jogo passado, segundo Doc, não foram os 45 pontos de LeBron, mas sim como ele conseguiu fazer 45 pontos. “Se LeBron fez 45 pontos e perdeu sete, oito arremessos, aí fica difícil vencer”, disse o treinador do Boston. “Mas se ele precisar de 45 arremessos para fazer 45 pontos, aí nós temos uma chance de vencer”.

LBJ esteve impecável no primeiro tempo. Anotou 30 pontos e errou apenas dois de seus 14 arremessos. No segundo, marcou outros 15 pontos e acertou sete de seus 12 arremessos. Terminou o confronto com 19-26; ou seja: 73,1% de aproveitamento. Errou apenas sete arremessos durante todo o jogo. Muita coisa.

Na série, LBJ está com média de 34,0 pontos. Apenas em uma oportunidade nesta série o Boston segurou LeBron abaixo dos 30. Foi no jogo quatro, quando o ala do Miami foi excluído da contenda, já na prorrogação, por ter cometido seis faltas. Na ocasião, LBJ marcou 29 pontos. E o Boston venceu. Mas isso também não significa muito, pois na outra vitória, em Miami, no quinto jogo deste embate, LBJ anotou 30 pontos; um a mais. É, apenas um pontinho a mais. Talvez não deixar LBJ superar a marca dos 30 pontos seja decisivo no jogo desta noite.

“Acho que a gente ainda não o marcou como devemos marcá-lo”, finalizou Rivers.

Doc não dá pistas, não sabemos quem ou como será feita a marcação em LeBron James. O que sabemos é que Paul Pierce não tem cacife para isso. “The Truth” tem sido uma mentira até agora na tentativa de conter LBJ. Tanto não tem conseguido que, além dos números mostrarem isso, as faltas que ele comete também são um indicativo de sua falência defensiva. Em três dos seis jogos desta série Pierce foi excluído do jogo com seis faltas.

Portanto, num primeiro momento, esse cara não pode ser Pierce. Ele pode até ajudar, mas não pode ser o único e nem o principal defensor do Boston. E, pra piorar, PP não consegue machucar LBJ ofensivamente falando. O ala do Boston tem sido um fiasco na série, com média de apenas 17,8 pontos e um aproveitamento de 33,6% de seus arremessos.

Alguém sugeriu Brandon Bass. O biotipo de Bass é bem semelhante ao de LBJ. Têm o mesmo tamanho (2,03m), mas o ala-pivô do Celtics é mais leve: 113 quilos contra 116 de LeBron. Essa diferença de peso poderia indicar um ligeiro favorecimento a Bass, mas não é bem assim. Esses três quilos a mais não são de gordura, mas de massa muscular, o que torna LBJ mais forte do que Bass. Mais forte e mais ágil, pois enquanto LeBron é um jogador de múltiplas, que corre por todos os cantos da quadra, o jogo de Bass é limitado ao garrafão basicamente, onde movimenta-se muito pouco e a defesa é feita sem muita necessidade de locomoção. Bass pode ajudar na marcação, claro, mas não pode ser a primeira opção. Pode fazer isso quando LBJ jogar como ala de força, o que ele tem feito muito nesta série.

Rajon Rondo é um tremendo defensor, mas ele leva muita desvantagem em relação a LeBron por causa do seu tamanho. Rajon mede apenas 1,85; tem quase 20 cm a menos. Numa situação dessas (“mismatch”), LBJ levaria Rajon para o “low post” e tiraria proveito disso. Ou pontuando ou fazendo o passe em caso de dobra na marcação. Com esta segunda opção, alguém sobraria livre para um arremesso curto, longo ou mesmo para uma bandeja. E LeBron, todos nós sabemos, tem ótimo passe.

Mickael Pietrus surge, para mim, como a melhor alternativa. Com ele em quadra, Ray Allen passaria para o banco e Pierce marcaria Dwyane Wade. O francês é mais agressivo, tem melhor jogo de pernas e mãos nervosas. Eu começaria o jogo desta maneira. Com o desenrolar, faria as modificações necessárias para: 1) descansar Pietrus; 2) responder a possíveis alterações táticas do Miami, que deverão ocorrer.

Essa marcação a LBJ, claro, não pode ser individualizada o tempo todo. A zona que o Boston tem usado nesta série tem que ser requisitada, especialmente se as bolas de LeBron não caírem e ele procurar o jogo de aproximação com a cesta. Essa marcação a LBJ tem que ser feita sempre me maneira agressiva, de modo a tirá-lo de seu espaço preferido, de seu conforto, empurrando-o para os cantos da quadra de modo a vir a dobra numa situação em que o passe será feito de maneira dificultosa.

Agora, é evidente que Erik Spoelstra está preparado em caso de o Boston tentar e conseguir subtrair o jogo de LeBron James. Sua melhor alternativa é D-Wade, mas Chris Bosh também será muito usado. Sem falar nos tiros longos de Mario Chalmers, James Jones, Shane Battier e Mike Miller. Lembre-se que LeBron estará sendo marcado com o que o Boston tem de melhor e muitas vezes em dobras. Isso, consequentemente, trará certo alívio na marcação dos demais jogadores do Heat.

Enfim, teremos uma grande partida esta noite. Daquelas imperdíveis, em que a patroa vai esbravejar porque é sábado à noite, mas que ela tem que entender que o embalo será mesmo dentro de casa, com tevê ligada, um tira-gosto ao alcance da mão e uma cerveja geladinha.

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quarta-feira, 6 de junho de 2012 NBA | 11:38

BOSTON VENCE EM MIAMI E COLOCA UM PÉ NA FINAL DA NBA

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Sinceramente? Acho que esta série acabou. Depois da vitória de ontem em Miami, diante do Heat por 94-90, pra mim o Celtics tem a faca e o queijo na mão para vencer novamente amanhã à noite, em Boston, e ir para a sua terceira final nos últimos cinco anos.

Mas o San Antonio não vive a mesma situação e eu disse que a série ainda não está findada? A diferença do Miami para o SAS é grande. Enquanto o time texano é forte mentalmente, tem jogadores experientes, com vários anéis de campeão no dedo, e um treinador que dispensa comentários quanto aos seus conhecimentos do jogo, o Miami é o oposto. É um time fraco mentalmente, seus jogadores não têm tanta experiência assim, apenas dois têm apenas um anel de campeão, e seu treinador não tem o respeito do grupo.

Diante de um quadro desses, fica difícil bater um adversário que não é o Indiana Pacers. O Boston é o Boston. Vencê-lo diante de seus fãs é muito difícil. O torcedor do Boston é um torcedor cevado com títulos. Muitos viram pouco; mas poucos já viram muito. E esses poucos contaram para muitos como esse time venceu ao longo de sua história, sendo o maior campeão da história da NBA.

Pressionar a arbitragem é com os torcedores do C’s. Eles sabem como fazer isso. Pressionar o time adversário é com eles também. E incentivar o time, do começo ao fim, é uma prática que eles tanto adoram, pois o amor pelo time é grande demais.

É esse o clima que o Miami vai encontrar amanhã em Boston. O TD Garden estará uma vez mais com todos os seus 18.624 lugares tomados por torcedores eufóricos. Em quadra, eles verão um time não eufórico, mas confiante, pois ontem no sul da Flórida foi dado o passo mais importante do time até agora nestes playoffs.

A NBA tem nos revelado surpresas ao longo dos últimos tempos. A maior delas foi o título conquistado pelo Dallas na temporada passada. Costumo dizer que depois que o Dallas foi campeão qualquer coisa pode acontecer. A NBA dos últimos tempos tem até contrariado a máxima de que em sete jogos o melhor vence. Por conta disso, eu digo que se o imponderável der as caras amanhã em Boston, o Miami vence e leva novamente para sua American Airlines Arena a decisão do título do Leste. O imponderável, repito, e não LeBron James e Dwyane Wade. É nele, agora, que o Miami tem que se apegar.

GIGANTE

Novamente Kevin Garnett foi um gigante em quadra. Defendeu seu garrafão com unhas e dentes, feito um leão ferido. E no ataque, esteve igualmente soberbo. Anotou 26 pontos. Pegou 11 rebotes. E no final da partida encestou dois lances livres a 8,8 segundos do final com uma frieza que apenas os campeões costumam mostrar neste momento. Eu disse “campeões”, não se esqueçam. Por isso KG derruba esses arremessos e LeBron James, por exemplo, não consegue. KG é um campeão, LBJ ainda não é. Talvez venha a ser no futuro. Mas quando será este futuro? Ele está próximo ou ainda distante?

COMPLEMENTOS

Kevin Garnett não jogou sozinho. Teve ótimos complementos. O melhor deles, como tem sido nos últimos tempos, foi Rajon Rondo. O armador do Boston deu 13 assistências, complementadas por sete pontos e seis rebotes. Mickael Pietrus fez 13 pontos e ajudou pra burro. Suas duas bolas de três, no último quarto, ajudaram a aniquilar o Miami. E Paul Pierce (foto Getty Images) foi importante por conta também de uma bola de três, igualmente nos estertores. Ele, que vinha muito mal nos arremessos, não afinou, e diante de LeBron James disparou o tiro certeiro, a 52,9 segundos do final do jogo vitorioso.

ESTATÍSTICA

A NBA informa que apenas 16% dos times em desvantagem em 2-3 na série conseguiram revertê-la. Pouco, convenhamos. 84% deles seguem em diante. Neste caso, torna-se campeão da conferência e vai disputar o título da temporada.

MIAMI

O que dizer do Miami? Magic Johnson, depois da partida, comentou na ESPN que o Heat não parece um time. Quando há um pedido de tempo, cada um vai para um lado. O Boston, não; o Boston está sempre agrupado, os jogadores sentindo o jogo, querendo vencer.

Parece que falta ao Miami um líder. Não sei se dentro ou fora da quadra. Mas falta-lhe um líder. E onde arrumar esse líder? Se as vitórias aparecerem, ele estará inserido neste contexto.

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segunda-feira, 4 de junho de 2012 NBA | 12:26

LEBRON JAMES E DWYANE WADE FALHAM E BOSTON VENCE MIAMI NO TEMPO EXTRA

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O Miami teve o jogo nas mãos em duas oportunidades. A primeira delas, no final do tempo normal; a segunda, no final da prorrogação. Em ambas o time vacilou. E o resultado disso foi uma derrota por 93-91 que poderia ter sido vitória e o decreto do final desta série. Tivesse vencido e aberto 3-1 neste confronto, babau; dificilmente o Boston teria estofo para vencer duas partidas no sul da Flórida. Mas a vitória não veio.

Não veio porque no final do tempo normal, com a partida empatada em 89 pontos, numa jogada toda enrolada, LeBron James fez um passe meia-boca para Udonis Haslem tentar o último arremesso. Ele saiu, mas todo torto, e, claro, nem aro deu. No final da prorrogação, com o C’s na frente em dois pontos (93-91), foi Dwyane Wade quem tentou o tiro que daria a vitória ao Heat. Bateu no aro e caiu do lado de fora. Vitória do Boston. E a primeira derrota do Miami em sua história em uma prorrogação de uma contenda de playoffs.

No primeiro lance, a impressão que dá é que a jogada foi armada para a definição de Haslem. Com o corte da meia esquerda para o meio e a marcação dobrada (leia-se Kevin Garnett), Haslem ficaria livre. E foi o que aconteceu. Mas a marcação não dobrou, ela triplicou. LBJ teve dificuldade para fazer o passe e KG se recuperou. Deu no que deu.

No segundo lance, a jogada foi mesmo armada para um tiro de três. Tanto que D-Wade, se tivesse projetado seu corpo à frente no corpo de Marquis Daniels, que o marcava, poderia ter cavado a falta para os dois lances livres. Mas ele preferiu a finta e o tiro de três que não foi certeiro.

Quanto ao jogo, chamou a atenção a debacle do Celtics no segundo tempo. Depois de um primeiro tempo primoroso, quando marcou 61 pontos e abriu 18 de vantagem, o time sumiu na etapa final. Anotou apenas 28 e quase viu escapar entre os dedos uma vitória que parecia tranquila. O time, que na etapa inicial teve um aproveitamento de 48,9% (22-45) em seus arremessos (43,8% nas bolas de três; 7-16), definhou no período final. Fez 12-24 (35,3%) nos tiros de um modo geral e 2-8 (25,0%) nos lançamentos de três pontos.

Qual foi o motivo dessa queda? A defesa do Miami, quando o Boston fazia o corta-luz para Rajon Rondo, dobrava no armador alviverde, dificultando a finalização da jogada. Tanto assim que no primeiro tempo Rajon (foto Getty Images) teve dez assistências, fundamento este cortado pela metade na etapa final. No improviso na maior parte do tempo, os ataques que eram proveitosos no primeiro tempo deixou de sê-lo no segundo.

Kevin Garnett voltou a ser um gigante. Anotou 17 pontos e pegou 14 rebotes. Além disso, foi o dono do garrafão defensivo. Com ele em quadra LeBron e D-Wade não conseguiram infiltrar para bandejas ou enterradas. Com KG fora, isso foi possível.

Paul Pierce fez 23 pontos, mas pela terceira vez nesta série deixou o jogo mais cedo. Isso é problema. Ontem o time venceu, mas poderia ter perdido.

O Miami segue sentindo falta de Chris Bosh. O ala-pivô, um dos Três Magníficos, está se recuperando de uma distensão no abdômen. Com ele de fora, em muitas oportunidades o Heat joga com quatro abertos (LBJ ou Shane Battier como ala de força) e Udonis Haslem no pivô. Com esta formação, a estatística do jogo mostra que o Celtics teve 17 segundas oportunidades de pontuar, recorde da franquia nestes playoffs. O bom da história é que CB1 pode voltar na próxima partida, marcada para amanhã, em Miami.

LBJ (29) e D-Wade (20) foram novamente os cestinhas. Assim como Paul Pierce, LeBron deixou o jogo mais cedo. Foi a primeira vez, diga-se, desde que se transferiu para a franquia da Flórida, que LeBron deixou uma partida com seis faltas. Fez falta nos instantes finais da prorrogação? Pode ser, mas do jeito que LBJ se limita nos momentos decisivos, talvez não tenha feito tanta falta assim. Se bem que, a bem da verdade — e sejamos justos —, no final do tempo normal ele acertou uma bola de três que empatou o jogo em 89 definitivos pontos e cavou a falta de ataque de KG, que deu ao Miami (e a ele, no caso) a chance de definir a partida no tempo regulamentar.

Pra finalizar, Haslem merece ser citado por conta de seus 12 pontos e 17 rebotes. Com CB1 de volta (se voltar mesmo), o Miami cresce e Haslem terá oportunidade de descansar mais, o que não tem acontecido nesta série porque Joel Anthony e Rony Turiaf (ontem nem jogou) têm sido figuras praticamente nulas.

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sábado, 2 de junho de 2012 NBA | 12:44

BOSTON JOGA MUITO, VENCE MIAMI E MOSTRA QUE ESTÁ MAIS VIVO DO QUE NUNCA

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O Boston fez como o Oklahoma City: não deixou a peteca cair. Uma derrota ontem diante do Miami, em casa, e a série teria acabado. Não do ponto de vista matemático, claro, mas do ponto de vista histórico (nunca um time reverteu uma série final em 0-3) e principalmente emocional. A vitória de 101-91, portanto, além de justa, dá-nos a certeza de que este confronto ainda vem capitaneado por um grande ponto de interrogação.

O jogo no garrafão foi fundamental para a vitória do C’s. O alviverde de Massachusetts pegou 44 rebotes contra 32 do time do sul da Flórida. E anotou 58 de seus 101 pontos lá dentro, próximo à cesta, enquanto que o oponente ficou nos 46. E foi definido também na energia defensiva dos jogadores do Boston. Os caras correm de lá pra cá; de cá pra lá. Não deram espaços para o adversário. Sempre que vinha um corta-luz, havia a troca ou mesmo a recuperação de quem era bloqueado.

O Miami sente demais a falta de Chris Bosh. O jogo fica muito sobrecarregado para Udonis Haslem e LeBron James, que tem jogado muito como ala de força. Até mesmo Shane Battier vem sendo usado nesta posição por Erik Spoelstra. Rony Turiaf continua mal nesta decisão; o mesmo vale para Joel Anthony.

O Boston tem que se aproveitar disso. Tem que usar e abusar de Kevin Garnett. KG anotou 24 pontos e pegou 11 rebotes no jogo de ontem e além de jogar muito, até flexão fez em quadra, oito no total, para dizer que não tinha sentido o humilhante tombo que levou de Haslem numa disputa de bola. Não precisava. KG é veterano; isso é coisa de “rookie”. Talvez a marra tenha guiado seu intelecto. Bobagem, repito. O lance valeu apenas para a TV e o YouTube.

Com KG em quadra e o Miami jogando com quatro abertos e apenas um no pivô, o Boston fez 115-87 no Heat. Esta situação foi vista em 55 minutos desses três primeiros jogos. Portanto, o C’s tem que continuar usando e abusando de KG e o Miami não pode querer marcá-lo com apenas um grandalhão. Há que se aumentar o tempo de quadra de Turiaf e Anthony ao menos para que eles possam dificultar o trabalho de KG.

Lembro-me do Chicago de Michael Jordan. Nunca teve grandes pivôs. Mas os que lá jogavam, jogavam apenas para sobrecarregar o jogo do pivô adversário. Eram três contra um cara bom do adversário. Era assim que o Bulls subtraía o jogo de Patrick Ewing, por exemplo. Era assim que o Chicago diminuía a produção de Alonzo Mourning. E é assim que o Miami tem que fazer em mais momentos da partida.

Ao lado de Rajon Rondo, KG (foto AP) segura a onda do Boston nesta série. Isso porque Paul Pierce, se jogou muito ontem como mostram seus 23 pontos, não tem sido regular na série. É preciso que “The Truth” encontre um jeito de se manter num mesmo nível do começo ao fim para que o C’s consiga manter novamente seu mando de quadra e surpreender na Flórida na partida seguinte.

Ah, sim, vale registrar, claro: Ray Allen, aos pouquinhos, vem melhorando e contribuindo mais. E vale falar agora do jogo de Rajon: 21 pontos, dez assistências e seis rebotes. É inacreditável a melhora nos arremessos de média e longa distância de Rajon. Vale matéria. Não vi em nenhum site nenhuma matéria neste sentido. Como foi que Rondo melhor tanto seus arremessos? Treinou no verão? Se sim, com quem treinou? Quantas horas por dia? Quantos dias por semana? Mudou o posicionamento da mão no ato do arremesso? Enfim, como é que um jogador melhora tanto seu desempenho de um ano para o outro? E não apenas nos arremessos com a bola em movimento. Os arremessos com a bola parada, o tal do lance livre, esses também tiveram uma melhora dramática.

Li dia desses, acho que na coluna do Sam Smith, que o Boston ainda pensa em trocar Rajon. Não entendo. Por quê? O que acontece? Será que o cara é tão ruim assim de vestiário? O problema é outro? Qual seria? Não compreendo. É certo que Danny Ainge sempre vem a público dizer que isso não é verdade. Temos que acreditar no cara. Aliás, isso parece a novela da venda do Neymar para o futebol europeu. Agora houve uma trégua nessa história, mas quando a metade do ano chegar, janela europeia aberta, novamente as notícias da venda de Neymar ganharão destaque na mídia nacional e estrangeira. Com Rajon é assim também: fim de temporada e o nome do armador do Boston aparece entre os “negociáveis” do Celtics.

Se o Boston quer mesmo negociá-lo, uma troca que me parece boa seria por Chris Bosh. CB1 daria uma sobrevida a KG e Rajon faria o jogo de LBJ e Dwyane Wade crescer dramaticamente. Que tal?

Por falar em LBJ, ontem King James anotou 34 pontos. Junte-se a eles oito rebotes e cinco assistências. Coloque também mais duas roubadas de bola e dois tocos. Voltou a jogar muito. Tem sido o cara do Miami nesta série até o momento, com médias de 33,3 pontos, 10,3 rebotes, 5,0 assistências e 2,0 tocos. Um gigante.

Voltando a falar do jogo, além da soberania defensiva do Boston e da força de seu garrafão, a contenda foi resolvida na somatória dos segundo e terceiro quartos. Nestes dois períodos, o C’s fez um placar de 55-36 e liquidou a fatura.

E pra quem achava que o time iria sentir as pernas cansadas por conta dos dois primeiros jogos; pra quem achava que Rajon não iria produzir tanto por ter jogado 53 minutos na noite anterior; pra quem achava isso e aquilo e diminuía o Celtics, o que eu digo é: o Boston está vivo. E a série está mais viva do que nunca.

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quinta-feira, 31 de maio de 2012 NBA | 13:03

MIAMI VENCE BOSTON, ABRE 2-0 NA SÉRIE E CANDIDATA-SE A FINALISTA DESTA TEMPORADA

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Agora ficou difícil para o Boston; mas não impossível. Vencer quatro dos últimos cinco jogos restantes, não é mole não. Ainda mais em um time que tem uma defesa forte. Não se pegue pelo placar de ontem. Na fase de classificação, o Miami teve a quinta defesa menos vazada com média de 87,0 pontos contra por jogo. Enquanto isso, o Boston foi apenas o 10º melhor ataque, com média 89,0.

Mas, quanto ao jogo de ontem, a derrota do Boston por 115-111 (com direito a uma prorrogação) poderia ter sido uma vitória. No primeiro tempo (eu sei que tinha ainda muito tempo) o time abriu 15 pontos (47-32). No segundo, quando o Miami reagiu, passou oito pontos na frente (81-73 a seis segundos do final do terceiro período), o C’s fez uma corrida espetacular de 19-8, pulou na frente no marcador em 94-89, isso a pouco mais de três minutos do final. Parecia ter o controle técnico e emocional do jogo. Não tinha. Deixou o Heat encostar novamente, pular na frente em quatro pontos. Mas encontrou forças para reagir e empatar a partida, levando-a à prorrogação.

O problema todo, durante a prorrogação, é que Paul Pierce não pôde jogar. Fez sua sexta falta a 47 segundos do final do tempo normal e deixou o time na mão. Pierce é fundamental para o sucesso do Boston, especialmente “down the stretch”, quando ele corriqueiramente põe a bola debaixo do braço e quase sempre se dá bem e, consequentemente, o Celtics também. Mas não foi o caso do jogo de ontem. Com seis faltas, viu tudo do banco de reservas e nada pôde fazer.

Em compensação, a noite de Rajon Rondo. O armador do Boston teve uma das atuações mais espetaculares desta temporada e, fico pensando, a mais pomposa destes playoffs. Foram 44 pontos (recorde na carreira não importa a fase do campeonato, com desempenho de 16-24), dez assistências e oito rebotes. Como pontuou demais, deu pouca assistência; normal. Agora atentem para o fato: Rajon jogou o tempo todo. Ou: ficou em quadra os 53 minutos que durou a partida! Isso, diga-se, jamais tinha ocorrido em sua carreira. E na prorrogação, marcou todos os 12 pontos do Boston.

Aliás, por falar em Rajon, um lance foi muito comentado. A 1:35 minutos do final, com o placar igualado em 105 pontos, o armador do Boston tentou uma bandeja, passando por debaixo da cesta, e foi claramente acertado no rosto por Dwyane Wade. Ninguém marcou falta. Se marcada, Rondo teria ido à linha do lance livre. Ele estava com a mão quente (10-12), poderia ter colocado o C’s na frente. As reclamações dos jogadores, comissão técnica e torcedores do Boston foram grandes. E justificáveis, pois houve falta. Mas atribuir a derrota a esse lance é tentar, a meu ver, tapar o sol com a peneira. Como tenho dito, os árbitros são seres humanos e erram. Mas erram para os dois lados. No terceiro quarto, Mario Chalmers fez uma cesta do jeito que Rajon queria fazer e foi claramente atingido por Greg Stiemsma. A arbitragem nada marcou. Deveria ter marcado. Isso acontece, é do jogo. Atribuir a derrota a esse lance é se esquecer que Kevin Garnett perdeu uma bola no ataque seguinte, desarmado que foi por Chalmers. É se esquecer que o mesmo KG, malucamente, arremessou uma bola de três a 46 segundos do final e que deu “air-ball”. Esses dois lances foram comprometedores. Então, eu pergunto: por que apenas imputar à arbitragem a derrota de ontem? Não entro nessa.

Voltando ao tema “Rajon Rondo”, os 53 minutos dele em quadra são frutos do fato de que o Boston está sem Avery Bradley, que se contundiu e não joga mais nesta temporada. Com isso, Doc Rivers exigiu o máximo de Rajon. Ele correspondeu, todos vimos. Mas fica a pergunta: haverá sequelas físicas para o próximo jogo? Vamos aguardar — tomara que não.

LeBron James também se destacou na partida. Anotou 34 pontos, pegou dez rebotes e deu sete assistências. No final do tempo normal, errou o arremesso que poderia ter evitado a prorrogação. Muitos disseram que ele afinou. Não, LBJ não afinou e nem pipocou. LeBron simplesmente errou o arremesso, como muitos erram também. O importante foi que ele não se omitiu. Foi pro pau. Não deu certo, mas não se escondeu.

Udonis Haslem, disse ontem no Twitter (@FRSormani), durante a partida, que a ausência de Chris Bosh tem sido benéfica pra ele. Parece que Udonis está reencontrando parte daquele basquete de qualidade que ele jogou durante muito tempo no Miami, tendo, inclusive, sido figura de destaque na conquista do título de 2006. No confronto de ontem, anotou 13 pontos e pegou 11 rebotes, quatro deles ofensivos. Isso tudo vindo do banco.

Aliás, por falar em banco, isso fez a diferença também no jogo de ontem. Os reservas do Heat anotaram nada menos do que 25 pontos, enquanto que os do C’s contribuíram com apenas sete.     E aqui entra novamente em cena Avery Bradley. Com ele no time, os 13 pontos de Ray Allen durante o jogo teriam sido computados para os reservas.

Amanhã tem mais. 21h30 de Brasília, agora em Boston. A pressão será enorme pra cima do C’s. Não pode perder seus dois próximos jogos como mandante. Se perder um deles, babau.

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terça-feira, 29 de maio de 2012 NBA | 12:55

MIAMI VENCE FÁCIL, MAS NÃO SE DEIXE ENGANAR: O BOSTON JOGA MAIS DO QUE JOGOU ONTEM

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O Miami fez 1-0 na série ao bater o Boston, ontem à noite, no sul da Flórida, por 93-79. Não se deixe levar pelo placar e nem pelo domínio do Heat em ¾ do jogo. A série tem tudo para ser igual — e consequentemente longa. No que eu me pego para afirmar isso? Pelo histórico dos times, pela rivalidade, pela qualidade dos elencos.

É certo que o Miami é um time bem mais jovem e com um vigor muito maior. Mas num confronto desses, tudo se iguala, porque o mental tem uma importância grande demais. Os jogadores do Boston, quando veem pela frente LeBron James e Dwyane Wade se revitalizam e deixam no vestiário o peso da idade.

Mas ontem não foi assim.

LeBron teve uma atuação destacável. Foram 32 pontos (13-22). No primeiro quarto, ele marcou 13 e o Boston 11. E tem mais: ao longo da contenda, ele amealhou 13 rebotes. E em 43:53 minutos em quadra, a maior parte do tempo com a bola nas mãos, LBJ cometeu apenas três erros. Ah, sim, como eu podia esquecer! Deu três tocos no jogo, o último deles em cima de Rajon Rondo, como se estivesse defrontando um juvenil dada a ingenuidade do armador do Boston na jogada.

Por falar nos tocos, o Miami atropelou: 11-1. Isso mesmo, o C’s deu apenas um toco em toda a partida! E estamos falando de playoffs, onde a intensidade do jogo é muito maior. O que aconteceu com o Celtics?

Mas vamos particularizar novamente a conversa. LBJ encontrou em Dwyane o parceiro ideal. O ala-armador do Heat fez 22 pontos no jogo, mas dez deles no último quarto. Mas o melhor no jogo de D-Wade (foto AP) foi o fato de que ele bateu seis lances livres e acertou todos. Ele que vinha claudicante neste fundamento.

Os dois, calculadora em mãos, fizeram 54 dos 93 pontos do time. Ou seja: 58,1%. Encestaram de tudo quanto é canto dentro do arco dos três, pois fora dele LBJ teve 0-3 e Dwyane 0-1. Mas dentro do arco dos três, como dizia, os dois foram um tormento para a zaga alviverde. Em determinado momento do segundo tempo, Doc Rivers mudou a defesa. Passou a marcar zona, tentando evitar os pontos próximos à cesta. Não deu certo. E além de não dar, expôs Kevin Garnett, que chegou a ser humilhado pelos dois, especialmente por D-Wade.

O Miami fez nada menos do que 42 de seus 93 pontos dentro do garrafão. Percentualmente, o Heat marcou 45,1% deles “in the paint”. E olha que o Miami está jogando sem Chris Bosh. Se tivesse, seria muito pior; tudo indica.

E o que isso significa? Significa que o Boston tem que cuidar de seu garrafão nos próximos jogos. Melhorar a defesa. Se quiser marcar zona novamente, que se marque, mas que seja uma zona melhor, mais compactada e agressiva. A zona do Celtics no jogo de ontem lembrou a zona feita por muitos times brasileiros: marcação feita apenas para o descanso dos jogadores.

Além disso, Paul Pierce e Ray Allen precisam jogar mais. Os dois fizeram juntos apenas 18 pontos. Ray-Ray (seis pontos) foi uma catástrofe: 1-7 nos arremessos, sendo que nas bolas de três foi 1-4. Agora atentem para isso: nos lances livres, 3-7. Isso mesmo, 42,8% para um jogador que tem 90% de aproveitamento ao longo da carreira.

Vejam só o desempenho do quinteto titular do Celtics no jogo:
– Paul Pierce: 5-18
– Brandon Bass: 4-11
– Ray Allen: 1-7
– Rajon Rondo: 8-20
– Kevin Garnett: 9-16

KG foi quem se salvou. Somou 23 pontos e pegou dez rebotes. Mas brigou com as faltas (cometeu cinco) e por isso jogou 30:41 minutos.

Mas, sozinho, KG não foi levar o Celtics à decisão do título. Os outros precisam jogar o seu normal e não se deixar levar pela marcação adversária. Rajon, por exemplo, não fez nem sequer um “double-double”: 16 pontos, nove rebotes e sete assistências. Aparentemente, bons números, mas as sete assistências são poucas para o papel que ele desempenha em quadra.

Amanhã tem mais. Novamente em Miami. 21h30 de Brasília. O que eu disse para o Oklahoma City vale para o Boston: se o Heat vencer novamente, a situação do C’s ficará dramática na série.

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domingo, 27 de maio de 2012 NBA | 00:39

RAJON RONDO LEVA O BOSTON À FINAL DO LESTE

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O Boston está na final do Leste. Está na final por causa de Rajon Rondo. O armador alviverde foi o “key factor” do C’s “downt the strecht”, quando o time ficou sem seu “clutch player”, o cara que nos momentos decisivos pega a batuta e rege o time de Massachusetts.

Quando Paul Pierce deixou o jogo por conta de uma falta de ataque em cima de Thaddeus Young, a sexta no jogo, a 4:16 minutos do final e com o placar em 71-68 para os mandantes, confesso que vi a viola em cacos. O jogo estava parelho, no pau, e o Celtics acabava de perder seu jogador mais importante, aquele que gosta de jogar nos momentos em que a cortina está para ser cerrada.

Mas aí apareceu quem? Não foi Kevin Garnett e nem Ray Allen. Foi Rajon Rondo. O armador do Boston estava zerado no quarto até então. Fez nada menos do que 11 pontos na reta final e levou o C’s à sua terceira final de conferência nos últimos cinco anos ao comandar o time na vitória por 85-75. Rajon jogou demais. Anotou seu nono “triple-double” em playoffs ao cravar 18 pontos, 10 rebotes e 10 assistências.

Claro que os 18 pontos e os 13 rebotes de KG foram importantes, da mesma forma que as duas bolas de três que Ray-Ray acertou neste quarto período (tinha errado, até então, todas as cinco bolas triplas arremessadas). E não se pode esquecer dos 15 pontos e nove rebotes de Pierce e os 15 tentos de Brandon Bass.

Mas o cara foi Rajon Rondo.

Rajon não tem carisma — nem liga pra isso. Sua cabeça parece estar em outro planeta. Parece que ele vive no mundo da lua. Não sabe e nem quer se aproveitar dos holofotes que o mundo da NBA proporciona para as estrelas. Ele não quer ser uma delas. Parece que Rajon quer fazer o que mais gosta de fazer e ir pra casa ou sei lá pra onde for; whatever. O que eu sei é que ele não faz pose como KG e Paul Pierce. E nem tem uma mãe sendo uma coadjuvante do lado de fora das quadras chamando a atenção das câmeras de televisão. Rajon não é esse cara. Rajon é assim: “low profile”. Isso basta pra ele, se é que ele está considerando isso. A realização se dá por si mesmo. Ele não precisa do aval de ninguém. Ele parece ser um cara muito bem resolvido. Gostam de mim?, ok; tanto melhor. Não gostam?, pouco me importo.

É esse cara que tem sido o sustentáculo do C’s nos momentos importantes.

O Boston está perdendo neste momento Ray Allen. Seus tornozelos ardem, doem, incomodam. Ele, velhote que é, em muitos momentos perde a batalha para a dor. Mas não tem importância; não tem importância porque o C’s tem Rajon.

Rajon era um cara de miolo. Mas hoje ele reluz como porcelana chinesa. Não entendeu? Hoje ele tem o brilho dos grandes jogadores. Hoje ele brilha quando os holofotes reluzem em intensidade. Não que ele ligue pra isso, como disse. Ele brilha neste momento porque o time agora precisa dele. Até então o “Big Three” reluzia e ele curtia à sua maneira. Curtia na forma de vitórias e não de mídia.

Rajon é assim: diferente das grandes estrelas, embora ele seja uma delas. É um cara recluso. E essa reclusão faz bem à saúde dele.

Que assim seja.

FRANCHISE PLAYER

O Philadelphia fez uma série e tanto diante do Boston. Vendeu caro a vitória. Levou a semifinal até seu sétimo cotejo.

O que faltou ao Sixers?

Faltou ao Phillies ao que faltou ao Indiana: um “franchise player”. Assim como Danny Granger não é esse cara para o Pacers, Andre Iguodala também não o é para o Phillies.

O time está pronto, à espera de um cara pra fazer a diferença. Mas esse cara dificilmente virá. Não virá porque um Dwight Howard da vida, que poderia fazer a diferença, jamais jogará no Philadelphia e nem no Indiana. E não virá porque esses dois times são times de semifinais de playoffs e, por conta disso, jamais conseguirão pegar um moleque bom de bola no draft porque são times de playoffs.

Não há o que fazer.

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quinta-feira, 17 de maio de 2012 NBA | 17:29

KOBE FALHA, LAKERS DÁ VEXAME E OKLAHOMA CITY ABRE 2-0 NA SÉRIE

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O sol já quer se por. O dia está dando tchau. Mas não dá para deixar passar em branco o que aconteceu ontem em Oklahoma City. A vitória do OKC sobre o Lakers por 77-75 foi espetacular sob todos os aspectos.

Do ponto de vista dos torcedores do Thunder foi uma recuperação e uma vitória maiúscula. Afinal, a 2:08 minutos para o final, depois que Andrew Bynum colocou os californianos na frente em 75-68, não se imaginava que os anfitriões fossem reverter o marcador, até porque o adversário não era qualquer um.

Mas aí começou a debacle angelina. Três erros de passe (Kobe Bryant, Steve Blake e Metta World Peace), um toco (James Harden em Kobe) e duas bolas de três que não atingiram o alvo (Kobe e Blake). O OKC dominava a bola e pontuava. Fez uma corrida de 9-0 (cinco pontos de Kevin Durant e quatro de Harden) e liquidou a fatura.

Fim de jogo: quem recuperação do OKC!, disseram os torcedores locais.

Que vergonha!, reagiram os fãs do Lakers.

Em qual trilha eu sigo? Na segunda: foi uma vergonha o que aconteceu ontem à noite em Oklahoma City. Um time que tem uma camisa histórica e um jogador que é o maior de sua geração não pode permitir uma reação como a que foi feita pelo Thunder. Repito: foi uma vergonha.

A série agora está 2-0 para o OKC. A situação do Lakers? Dramática.

BLACK MAMBA

Vocês querem que eu fale de Kobe, certo? Pois bem, nos últimos seis minutos ele fez o seguinte:

0-5 nos arremessos de um modo geral
0-2 nas bolas de três
um erro
uma falta

Um desastre.

Amarelou? Longe disso; Kobe falhou, mas não amarelou. O histórico dele é bem diferente de LeBron James. Kobe tem cinco anéis de campeão, é “clutch” e não se esconde de jeito nenhum. Ah, a última bola caiu nas mãos de Blake, alguém pode dizer. Sim, caiu, mas porque Kobe não conseguiu driblar a marcação, pois a bola era dele. Ele, no banco, no pedido de tempo, deve ter dito: façam o desenho que quiserem fazer, mas ele tem que ter a bola final nas minhas mãos. Não deu certo.

Rapaziada, por favor, não dá para comparar um e outro. A menos que vocês estejam querendo forçar a barra.

IGUALDADE

Na Filadélfia aconteceu aquilo que eu disse que aconteceria: o Boston recuperaria a vantagem. Venceu por 107-91, com muita soberania. E novamente conduzido por Kevin Garnett, que está cada vez mais se assemelhando a um vinho de grande safra: mais velho e melhor. Foram 27 pontos e 13 rebotes de KG.

Mas Rajon Rondo voltou a brilhar com seus 23 pontos e 14 assistências. Destaque também para Paul Pierce: 24 pontos e 12 rebotes.

Moral da história: se esses três jogadores (ou mesmo Ray Allen, que ontem foi mal) jogarem sempre assim, o Celtics não perde mais nenhuma partida nesta série e o alviverde de Massachusetts fecha o confronto em 4-1.

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