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quinta-feira, 10 de maio de 2012 NBA | 16:32

MIAMI ELIMINA NEW YORK E CONFIRMA SER A PRINCIPAL FORÇA DO LESTE

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Aconteceu ontem em Miami o que já era para ter acontecido no domingo. O Heat passou pelo New York (106-97) e colocou um ponto final na série. Com o resultado, está nas semifinais do Leste e terá o “encardido” Indiana pela frente, série que começa no próximo domingo em Miami.

Do Pacers a gente fala depois; do embate diante do Knicks falamos agora.

Bem que tentamos ver uma nesga de luz neste confronto, de modo a imaginar que o New York pudesse oferecer alguma resistência. Mas não teve jeito: o Miami é muito mais time e isso ficou claro em todos os embates, mesmo na derrota de domingo passado.

Tudo bem que o NYK perdeu seus dois principais armadores, Jeremy Lin e Baron Davis. Mas Mike Bibby entrou bem no jogo de ontem e mostrou que poderia e deveria ter sido mais usado por Mike Woodson nesta série. O grande problema do time nova-iorquino, no entanto — e volto a dizer —, é a individualidade de alguns jogadores. Carmelo Anthony, Amar´e Stoudemire e — pasmem! — até mesmo um cara mediano como J.R. Smith formam um trio onde o ego é inflado demais, a ponto de não sobrar qualquer espaço para que seus companheiros consigam respirar. Jogar ao lado deles é sufocante.

Melo arremessou ontem 31 bolas. Neste confronto, teve média de 25 chutes por partida. J.R., vindo do banco — e com menos minutos em quadra do que Melo — atirou 15 bolas ontem. Na série, pouco mais de 15 por cotejo. Quer dizer: os dois juntos arremessam cerca de 40 bolas por peleja. O Knicks chutou em média pouco mais de 73 por embate. Resumindo a história para não me tornar chato: Melo e J.R. foram responsáveis por quase 55% dos arremessos da equipe. E os demais? Ficaram chupando o dedo, é claro.

Envolver os companheiros. É isso o que um grande jogador faz. É isso o que um grande treinador determina.

Claro que Melo não pode ser equiparado a J.R., ele é muito melhor, mas muito melhor mesmo. Ele não é caso perdido e nem causa perdida. Com um treinador de verdade ele pode ser muito útil ao time.

Que tal Phil Jackson?

NOJENTO

Quanto a Amar’e Stoudemire, o que dizer de um ser humano que faz o que ele fez a Shane Battier? Stat deve se achar o rei da cocada preta. E não passa e nem nunca passou de um jogador nota 6,5. Em seu melhor momento atingiu a nota sete.

FORÇA

Falem o que quiser, mas time que tem LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh é muito forte. Ou melhor: é fortíssimo. Time que tem LBJ, D-Wade e CB1 é forte candidato ao título. Ou melhor: é fortíssimo candidato ao título.

Esqueçam o técnico, esqueçam a falta de pivôs e nem se fiem nessa história de que o time não tem armador. Os três podem resolver essa questão em quadra.

É claro que o basquete é diferente do futebol e a participação do treinador é muito mais importante e notada. Mas os três são experientes e craques de bola. Podem resolver no jogo qualquer dificuldade que surja. Aliás, acho que vocês sabem, P-Jax acredita que o amadurecimento de um jogador se dá também quando eles, em quadra, sozinhos, sem pedido de tempo, conseguem sair do buraco. Muitas vezes, ele deixava de pedir tempo exatamente para ver como os jogadores reagiam; e consequentemente amadureciam. King James, D-Wade e CB1 já passaram por poucas e boas desde que se juntaram em Miami na temporada passada. Podem, perfeitamente, sair de muitas ciladas que deverão aparecer até o final da temporada sem a mão tutora de um treinador.

Quanto a falta de pivôs e um armador de ofício, digo que a falta de homenzarrões não me preocupa, pois pode-se perfeitamente ganhar o jogo de outra maneira. O basquete te dá muitas variantes para construir vitórias e evitar derrotas. E a questão da armação, vocês bem sabem o que eu penso sobre o assunto. LBJ é o armador do Miami sem ser da posição. Mas é inteligente, forte, hábil e rápido.

No Oklahoma City, Russell Westbrook e James Harden são os condutores do time em quadra e não foram feitos na mesma forma de Jason Kidd e Rajon Rondo. Mesmo no Boston, nos finais das partidas, é Paul Pierce quem fica com a bola nas mãos. Funciona assim também no San Antonio, onde Manu Ginobili desempenha este papel “down the strecht” e, convenhamos, Tony Parker foi moldado na mesma forma de Westbrook. E mais: um dos melhores armadores da NBA na atualidade, Derrick Rose, não é bem um armador na extensão da palavra. E não se esqueçam: quando Chris Paul pontua, dá poucas assistências.

Portanto, caros amigos, o Miami é muito forte sim senhor. Entra como favorito nesta série diante do Indiana. Entra como favorito; não disse que vai vencer.

ADIADO

O Memphis não tomou conhecimento do Clippers e venceu por 92-80. Não vi o jogo. Por isso, se alguém quiser o microfone para comentá-lo, fique à vontade. Mas constatei pelo “box score” que a vitória do Grizzlies foi construída nas costas de seus dois pivôs titulares: Zach Randolph e Marc Gasol.

Os dois juntos anotaram 42 dos 92 pontos da equipe (45,6%). Z-Bo cravou um “double-double” ao marcar 19 pontos e dez rebotes. Marc ainda deve nos ressaltos, mas melhorou na pontuação.

O Grizz está nas mãos dos dois também. Jogar tudo nas costas de Rudy Gay é cruel e injusto demais.

Pra encerrar: a chance do Clips é vencer o confronto desta sexta-feira, em Los Angeles. Se não o fizer, o Memphis ficará com a faca e o queijo nas mãos para encerrar a série como vitorioso.

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sexta-feira, 4 de maio de 2012 NBA | 12:29

KNICKS E MAVS ESTÃO COM UM PÉ FORA DOS PLAYOFFS. PHIL JACKSON EM NOVA YORK?

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O campeonato acabou para New York e Dallas. Ambos voltaram a perder e agora estão em desvantagem de 0-3 em suas respectivas séries. Em toda a história da NBA, nunca um time conseguiu sair de uma situação dessas. Tabus foram feitos para serem quebrados, dizem por aí. Pode ser, mas, sinceramente, pego a mesma onda da mídia em todo o planeta: o campeonato acabou mesmo para New York e Dallas.

E cada um sai de um jeito melancólico. O Knicks batendo o recorde de maior número de derrotas consecutivas na história da NBA (somou sua 13ª ontem) e o Mavs, como atual campeão, correndo o risco de ser varrido na primeira rodada, o que, convenhamos, não é nada legal para quem ostenta o status de campeão do mundo, como os americanos gostam de dizer.

RECORDE

Ao perder ontem para o Miami por 87-70 o time nova-iorquino somou seu 13ª revés, como disse. O recorde negativo anterior era do Memphis, que ficou 12 contendas em playoffs sem saber o que era vencer. E mais: se perder novamente, no domingo, será a terceira varrida consecutiva do time da “Big Apple” em playoffs. Outro recorde para o livro de recordes da NBA.

FOMINHAS

O Knicks esbarrou em seus próprios problemas e em um adversário que, queiram ou não, é um dos mais fortes destes playoffs. Os erros do NYK saltaram aos olhos, pois numa noite onde LeBron James teve mais erros e faltas do que cestas feitas, nem assim foi possível aproveitar-se dessa debilidade para conseguir sua primeira vitória. Não foi possível porque Carmelo Anthony beira o insuportável. Fez 7-23 nos arremessos (30,4%) e não se mancou que o jogo era outro. J.R. Smith, outro fominha contumaz da NBA, que também dá nos nervos, fez 5-18 (27,7%) e igualmente não teve “semancol”.

Os dois juntos arremessaram 41 bolas. O Knicks chutou ao todo 69. Ambos atiraram 59,4% das laranjinhas que o NYK mandou contra a cesta adversária. Se estivessem com a mão quente, tudo bem: bola pra eles porque ambos vão decidir a partida. Mas não foi o caso. Em quadra, alucinados, perdidos, olhando apenas para o próprio umbigo, esqueceram-se que o basquete é um esporte coletivo e que o jogo tinha que passar por outras mãos.

No banco, o técnico Mike Woodson nada fez. Ao contrário: deu corda para ambos deixando-os praticamente o tempo todo em quadra. Melo jogou 43:13 minutos; J.R. atuou 38:58. Uma vergonha o comportamento do treinador.

Desta maneira, não tinha mesmo como ganhar. Nem mesmo numa noite onde LeBron James teve um aproveitamento ruim nos arremessos: 9-21 (42,8%). Num comparativo, nos dois confrontos anteriores, LBJ fez 18-32 (56,2%).

O jogo foi definido no segundo tempo, quando o Miami fez 51-30, placar este que frutificou no último quarto, numa corrida espetacular de 29-14.

Como no ano passado, o Heat é o time a ser batido nos playoffs do Leste.

MÁQUINA

Em Dallas, a surpresa da rodada. Pelos dois jogos feitos em Oklahoma City, não dava pra imaginar que o Mavs fosse levar uma tunda do Thunder. O placar de 95-79 poderia ter sido muito mais expressivo se os visitantes não poupassem os anfitriões. A diferença chegou a bater na casa dos 24 pontos. O final do jogo, dada a facilidade, virou um constrangedor “garbage time”.

O OKC foi um exemplo de como se deve jogar basquete. Cinco jogadores tiveram duplo dígito na pontuação (Kevin Durant, 31; Russell Westbrook, 20; e com dez pontos apareceram Serge Ibaka, James Harden e Derek Fisher), forçou o adversário a cometer 15 erros (oito foram os equívocos do Thunder), roubou 11 bolas (seis foram os desarmes do Mavs), deu sete tocos na partida (quatro saíram das mãos de Ibaka) e limitou o adversário a um aproveitamento modesto nos arremessos: 34,2% no total (26-76), sendo 31,8% nos triplos (7-22).

Tudo o que o OKC não tinha conseguido jogar diante de seus fãs ele jogou ontem à noite nas barbas da torcida adversária. E aquela impressão que a gente tinha de que o time ainda é inexperiente e carece de mais rodagem para ser um campeão de conferência, aquela impressão parece que é mesmo apenas uma impressão. Pelo que jogou ontem na vitória diante do atual campeão da NBA, o OKC deixa claro que vai mesmo brigar pelo título do Oeste.

A menos que tudo não passe de outra impressão.

FUTURO

A mídia americana diz que só há uma maneira de o New York se reencontrar: contratar Phil Jackson . P-Jax, como se sabe, está aposentado. Poupança gorda, escrevendo um livro, pescando, morando no meio do mato. O treinador mais zen de toda a história do esporte mundial não procura holofotes. Mas é um cara competitivo. E todo cara competitivo não se contenda em competir com o vizinho pra ver quem fisga mais peixes.

P-Jax pode voltar. A saúde, dizem, está ótima. E dirigir o Knicks é algo que o atrai barbaramente. Afinal de contas, foi em Nova York que ele conquistou seus dois anéis de campeão da NBA como jogador. O segundo deles, P-Jax nem conta como ganho, pois, contundido, ficou de fora a maior parte da temporada. Talvez ele queira compensar isso.

E tentar arrumar o passado recebendo por isso US$ 40 milhões em três anos de contrato, convenhamos, é tentador.

Tomara que seja verdade e isso se concretize. Ver P-Jax de volta seria espetacular. Em Nova York seria um “blockbuster”.

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terça-feira, 24 de abril de 2012 NBA, outras | 20:49

NEW JERSEY NETS, UMA HISTÓRIA DE 35 ANOS QUE CHEGA AO FIM

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Mal acabou o jogo de ontem entre New Jersey e Philadelphia e o Nets tornou-se Brooklyn. A franquia ainda tem uma partida a realizar como New Jersey (nesta quinta, em Toronto), mas no site oficial, assim que você o acessa, se depara com a seguinte frase: “Hello Brooklyn”. E apenas o contorno do logo, que deverá ser modificado (foto reprodução).

Depois de 35 anos como New Jersey Nets, a franquia agora será Brooklyn Nets. É oficial.

Assim que você entra no site, bem ao lado direito há um cronômetro em contagem regressiva dizendo que faltam seis dias e algumas horas, minutos e segundos para que o torcedor compre tíquetes para a próxima temporada. Entre os assuntos em destaque, um aviso: no próximo dia 2 de junho a franquia fará testes para escolher suas novas “cheerleaders”. Local: Long Island University Brooklyn Campus.

É possível ver também a quantas anda a construção da nova arena, o Barclays Center (foto reprodução). E como vocês bem sabem, a arena será de multiuso. Por isso, a abertura do ginásio vai ser com um show do rapper Jay-Z, um dos donos da franquia, no dia 28 de setembro próximo. No dia 2 de outubro haverá uma partida de hóquei entre o New Jersey Devils e o New York Islanders. E dá pra saber também que Andrea Bocelli fará um show no dia 5 de dezembro e que os ingressos já estão à disposição, que de 14 a 17 de março acontecerá o Tournament da Atlantic 10 Conference; e por aí vai.

Depois de 35 anos como New Jersey Nets, a franquia agora será Brooklyn Nets.

É uma história que se acaba; como acontece, já aconteceu e acontecerá com outras franquias norte-americanas, não importa a modalidade. É claro que há franquias que têm um grande comprometimento com a cidade, como Lakers, Knicks, Celtics e Bulls, por exemplo. Mas há muitas que não estão nem aí para a comunidade local e se mandam rapidinho se o lucro desaparece e surge no lugar dele o prejuízo; ou então, se dá pra ganhar mais dinheiro lá do que cá, vamos embora! O dinheiro fala mais alto, ainda mais no berço do capitalismo.

O Nets muda de endereço, mas isso também aconteceu com o Jazz, que deixou Nova Orleans e foi para Salt Lake City e transformou-se em Utah. Foi assim também com o Hornets, que deu adeus a Charlotte e foi para Nova Orleans e com o Seattle SuperSonics, que não apenas mudou de cidade, mas também de nome, transformando-se no Oklahoma City Thunder. Ah, sim, estava me esquecendo do Vancouver Grizzlies, que agora é o Memphis Grizzlies. Hoje é o Nets que muda de endereço e amanhã poderá ser o Kings, que pode deixar Sacramento e ir para Anaheim.

Voltemos ao New Jersey Nets, uma franquia que perambula não apenas de cidade, mas de liga também. Nos primórdios, ela se chamava New Jersey Americans e pertencia à ABA, American Basketball Association, que em 1976 foi encampada pela NBA e que trouxe consigo duas outras franquias: San Antonio Spurs e Indiana Pacers. Nos primórdios, eu dizia, o Americans não ficava em Newark, ficava em Teaneck, igualmente subúrbio de Nova York. Lá ficou até 1968, quando se transferiu para Long Island (norte de Nova York) e mudou seu nome para New York Nets. Foi então que em 1977 foi voltou para New Jersey, mas fixou endereço em Newark, igualmente subúrbio de Nova York, e passou a se chamar New Jersey Nets.

Agora essa história chega ao fim. Por New Jersey jogaram relíquias do basquete norte-americano, como Dr. J (foto), Nate Archibald, Rick Barry, Drazen Petrovic e Jason Kidd. E Phil Jackson, não como treinador, mas como jogador. Mas isso fica pra história, pois a mudança de endereço era questão de tempo.

Nova Jersey, infelizmente, não tem como comportar uma franquia de basquete. O Estado, aliás, é muito esquisito. A cidade mais conhecida é Atlantic City por conta de seus cassinos. A mais famosa é Hoboken, por causa de Frank Sinatra. Mas você anda por New Jersey e parece que não vê cidade alguma. O que a gente vê se parece com um bairro de Nova York. É esquisito, como disse. O aeroporto de Newark fica em Newark, mas você não vê o downtown de Newark. Eu pelo menos nunca vi.

Dizia que o fim dessa história era questão de tempo. O magnata russo Mikhail Prokhorov comprou a franquia em 2009 e por ela pagou US$ 200 milhões. Vendeu 5% de suas ações para Jay-Z. E embalado pelas ideias do rapper mudou de endereço.

Não tinha mesmo como ficar em New Jersey. Nesta temporada, por exemplo, a menor média de público entre os 30 times da liga foi exatamente do Nets: 13.961 pagantes por partida. Lembrando que o Prudential Center tem capacidade para 18.500. O novo lar, o Barclays Center, acomodará menos gente, 18.103, mas Prokhorov e Jay-Z esperam vê-lo sempre “sold out” e os ingressos sendo vendidos por um preço bem maior.

Estive no ginásio do Nets em Newark quando ele se chamava Continental Center, porque a defunta companhia aérea, comprada pela United Airlines, tinha sede em Newark. Estive no ginásio em três oportunidades: no Final Four de 1996 (o último disputado em ginásio; depois dele, o evento passou a ser jogado em domes) e em duas partidas da temporada regular do Nets contra Boston e Lakers. Não me lembro exatamente dos anos, foi no começo deste século (esquisito escrever e ler isso, não é mesmo?), mas dos jogos sim.

Lembro-me que Kentucky foi a escola campeã do Final Four batendo na final Syracuse. A universidade era dirigida por um ítalo-americano que despontava como um treinador de talento. Seu nome? Rick Pitino. Tony Delk , o armador da equipe, na época namorava a atriz Ashley Judd (foto), que tinha estudado em Kentucky e não perdia nenhum jogo do time. Delk foi eleito o MVP (no “college” é Most Outstanding Player) do torneio. Os dois perdedores do sábado foram U-Mass e Mississippi State. Em Massachusetts jogava Marcus Camby e o time era dirigido por outro ítalo-americano: John Calipari, que neste ano foi campeão com Kentucky, que naquele ano também ganhou o Final Four, como disse. Em Mississippi atuava Erick Dampier.

Lembro-me também da partida contra o Celtics. Eu estava sentado atrás do banco do Nets quando vi, numa das cadeiras de pistas do lado oposto, bem à minha frente, um cidadão de rosto bem familiar. Perguntei a um jornalista americano que estava a meu lado: quem é aquele cara? E ele respondeu: “Danny Aiello”. Se a ficha não caiu, Aiello é ator de cinema e participou de filmes como “O Poderoso Chefão 2”, “Faça a Coisa Certa”, “Era uma vez na América”, “A Era do Rádio”, “A Rosa Púrpura do Cairo” e “Feitiço da Lua”, entre outros. “Ele é um fã do Nets”, completou o jornalista.

Contra o Lakers eu já não sentei atrás do banco. Fiquei do lado, mas bem posicionado. Pela primeira vez eu vi uma partida do time angelino fora de Los Angeles e fiquei impressionado com o número de torcedores da equipe fora de casa. O ginásio estava dividido! Dirigido por Phil Jackson, que eu revia depois das finais de 1998, em Salt Lake City, o Lakers ganhou fácil a partida, comandado em quadra por Kobe Bryant e principalmente por Shaquille O’Neal, a grande estrela da companhia. Lembro-me que depois do jogo, no vestiário, esperando pela chegada dos jogadores, Shaq apareceu enrolado em uma toalha branca. Tinha um piercing em cada mamilo. Nós, jornalistas, caímos na risada ao vê-lo. Com aquele seu sorriso que ocupa metade da boca, bem tradicional, não se importou com a reação da mídia. Foi muito engraçada, a cena, e jamais vou me esquecer dela.

Também na Continental Arena eu me encontrei pela última vez com um amigo que me introduziu no mundo da NBA: Don Casey. Ele era treinador do Nets na ocasião. Casey começou trabalhando no “college”, dirigindo a Universidade de Temple de 1972 a 83. Depois foi ser assistente técnico do Chicago e Boston. Foi na época em que era auxiliar no C’s que Casey (foto) veio ao Brasil para uma clínica da NBA que aconteceu na Hebraica, em 1994. Apresentei-me a ele e entre uma conversa aqui, outra ali, ele me perguntou como é que eu me informava sobre a NBA. Eu disse que era com base nos noticiários das agências, pois trabalhava na “Folha de S.Paulo”, e também vendo o Sportscenter, da ESPN. Então ele me perguntou: “Você não conhece ninguém na NBA?”. Eu disse que não. Ele pegou meu bloco de anotações, minha caneta e escreveu um nome. Era o nome de um amigo dele que trabalhava no escritório da NBA em Nova York. Pegou sua agenda em seguida e me deu o fax do camarada, pois naquela época não tinha esse negócio de e-mail. E falou: “Mande um fax para ele e diga que a gente se conheceu no Brasil, que você é jornalista e que precisa de informações da liga. E peça pra ele te colocar no mailing da NBA”. Isso foi feito e desde então eu jamais me separei da liga. Graças a Don Casey.

Fiquei muito em Newark quando ia a Nova York querendo escapar dos preços exorbitantes dos hotéis. O hotel que eu ficava em New Jersey era perto do ginásio. Quando tinha que ir a Nova York, pegava o ônibus num ponto bem em frente ao hotel e descia na New York Port Authority, uma estação de ônibus e metrô que fica na Oitava entre a 41 e 42. Quando tinha jogos do New Jersey, eu pegava um táxi.

Isso agora é passado. Ir a Nova York de ônibus e aos jogos do New Jersey.

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quarta-feira, 14 de março de 2012 NBA | 16:35

MIKE D’ANTONI DEIXA O NEW YORK. CAMINHO LIVRE PARA PHIL JACKSON?

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Mike D’Antoni acabou de pedir demissão do New York Knicks. Já vai tarde. A franquia andou para trás nestas três temporadas e meia que ele dirigiu o mais caro time de basquete do planeta de acordo com a revista de economia “Forbes”.

Segundo o agente do treinador, Warren LeGarie, houve “conflito de visão” quanto ao futuro da franquia. Por conta disso, as partes entraram em um acordo e D’Antoni puxou o carro.

O ítalo-americano (foto) nunca foi engolido pela exigente torcida nova-iorquina. Sem dúvida, a mais fanática de NBA, a ponto de eu comparar o Knicks com o Corinthians exatamente por conta da força de seus fiéis torcedores.

É verdade também que quando D’Antoni começou a montar um time a direção do Knicks deu um chute no balde e fez aquela troca envolvendo Carmelo Anthony, Chauncey Billups e Renaldo Balkman. Para que esse trio chegasse à Big Apple, o time teve que abrir mão de promessas como Danilo Gallinari, Wilson Chandler, Raymond Felton e Timofey Mozgov.

Trouxe no começo desta temporada o limitadíssimo Tyson Chandler, achando que a união dele a Amar’e Stoudemire, um ala-pivô “soft”, e ao fominha Carmelo Anthony fosse dar a liga que os grandes campeões têm. Não deu.

FUTURO

Creio que neste momento existe apenas um treinador que poderia fazer esse trio jogar e arrumar a casa nova-iorquina: Phil Jackson. E agora com o caminho livre muita gente vai especular exatamente isso: P-Jax no Knicks.

É possível? Ora, pode ser; por que não?

P-Jax ganhou dois títulos como jogador do New York no começo da década de 1970. Tem grande carinho pela franquia. Adora a cidade (aliás, quem não gosta de Nova York?).

E mais: quem não vibraria ao ver P-Jax dirigindo sua equipe? Eu, como torcedor do Chicago, não pensaria duas vezes: demitiria Tom Thibodeau e contrataria P-Jax na hora!

Este deve ser o alvo do Knicks no momento. E a franquia tem que ser rápida, pois o futuro de Carmelo também depende disso e as trocas terminam amanhã à tarde.

Como Phil gosta de trabalhar com estrelas, ele seguramente não abriria mão de Melo, nem de Stats e faria de Chandler um jogador razoável. E o NYK voltaria a figurar no rol das grandes equipes da NBA.

D’Antoni já vai tarde; que venha rapidamente Phil Jackson. O New York Knicks merece isso.

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 NBA | 21:13

PHIL JACKSON ESCREVE SUAS MEMÓRIAS E VAI DIZER QUEM FOI MAIOR: MICHAEL JORDAN OU KOBE BRYANT?

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Phil Jackson começou a escrever suas memórias. O livro tem até nome: “Eleven Rings”; onze anéis.

Esta foi a quantidade de títulos que o maior treinador na história da NBA conseguiu. Meia dúzia deles com o Chicago Bulls de Michael Jordan, onde nunca perdeu uma decisão, e cinco com o Los Angeles Lakers de Shaquille O’Neal e Kobe Bryant, onde foi batido duas vezes na final.

O livro será editado pela Penguin Press e seu lançamento está previsto para daqui um ano. Phil (foto) terá um longo tempo pela frente para recuperar tudo o que ele fez ao longo de seus 20 anos na NBA, nove deles à frente do Chicago e os 11 restantes comandando o Lakers.

O que todos aguardam é pela palavra do aposentado treinador sobre Michael Jordan e Kobe Bryant. Quem é melhor?

Os mais novos, aqueles que não viram MJ jogar, creem que Kobe pode ser comparado ao ex-camisa 23 do Bulls e dizem que se o camisa 24 do Lakers ganhar mais dois anéis torna-se o maior de todos os tempos.

O pessoal da velha guarda como eu, que viu Jordan em ação, concorda que Kobe foi melhor que MJ, mas apenas ao MJ do Washington Wizards e não aquele do Chicago Bulls. O pessoal da velha guarda como eu, acha que é uma heresia alguém ser comparado a Michael Jordan.

Ano passado, mais ou menos nesta época, em entrevista ao jornalista T.J. Simers, do jornal “Los Angeles Times”, P-Jax disse: “Stop comparing anyone to Michael Jordan.  It’s just not fair.  He was remarkable”.

Se alguém precisa de tradutor, lá vai: “Parem de comparar quem quer que seja a Michael Jordan. Isso não é justo. Ele foi incomparável”.

Foi Phil Jackson quem disse isso. Foi o homem que dirigiu os dois jogadores quem disse isso.

Portanto, a menos que um fato novo venha ocorrer ou haja algo que nós não sabemos, este capítulo das memórias de P-Jax já é do conhecimento de todos.

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domingo, 29 de janeiro de 2012 NBA | 13:32

LAKERS: UM TIME PATÉTICO

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O Lakers é hoje um time patético. Patético principalmente quando se apresenta fora de seu Staples Center. A derrota de ontem diante do Bucks, em Milwaukee, foi mais uma prova inconteste da debilidade da equipe de Kobe Bryant quando está “on the road”.

A derrota por 100-89 foi mais uma num cartel de fracassos. A campanha do time angelino fora de casa mostra apenas uma vitória e sete derrotas. E a única vitória veio na prorrogação, diante do Utah, em Salt Lake City.

Há, é verdade, que se dar um grande desconto para o Lakers. E não é desculpa, é fato: o time mudou de treinador e não houve pré-temporada decente, de modo a fazer a equipe entender os novos conceitos do técnico Mike Brown, que foi contratado para substituir o aposentado Phil Jackson.

Além disso, o sensível Lamar Odom, um dos principais jogadores da equipe, foi negociado porque ele ficou magoado pelo fato de a franquia envolvê-lo em uma troca que acabou fracassando.

E, finalmente, a cesta de atletas que chegaram a Los Angeles não tinha nenhum que arrancou suspiros nem mesmo do mais fanático torcedor.

O Lakers hoje não é nem sombra mesmo do Lakers da temporada passada, que foi varrido pelo Dallas nas semifinais dos playoffs. O Lakers de hoje é um time sem identidade ofensiva, pois seu treinador parece só rezar na cartilha defensiva.

E o Lakers desta década e meia que ficou para trás, todos nós sabemos, era um time que ganhou cinco campeonatos e perdeu duas outras finais por se caracterizar forte no ataque e não na defesa.

Hoje, como disse, Mr. Brown tenta mudar a identidade da equipe. O Lakers tem a sétima melhor defesa da liga neste campeonato, mas seu ataque é digno de pilhérias, mesmo contando com o melhor jogador de basquete do planeta. O Lakers é apenas o 22º ataque mais competente do torneio!

Nas 20 partidas disputadas até agora, o time ultrapassou a barreira dos cem pontos em apenas uma oportunidade: vitória diante do Houston por 108-99. Nem mesmo na partida frente ao Jazz, que houve uma prorrogação que aumentou a contenda em cinco minutos, o Lakers conseguiu atingir a contagem centenária.

Faz 13 partidas que o Lakers joga abaixo dos cem pontos. Isso nunca havia ocorrido desde que o relógio dos 24 segundos foi introduzido na temporada 1953-54.

E ontem foi mais grave ainda, pois o adversário jogou desfalcado de dois titulares. O pivô Andrew Bogut quebrou o tornozelo e o ala Stephen Jackson estava suspenso.

O “front court” do Bucks foi formado por nanicos. O ala-pivô Drew Gooden, 2,08m, fez o papel de pivô, enquanto que Luc Mbah a Moute, um ala de 2,02m foi um dos alas-pivô ao lado de Ersan Ilyasova, 2,07m.

E o que se esperava? Esperava-se que o Lakers pudesse ganhar o jogo ali, no garrafão, com Pau Gasol (2,13m) e Andrew Bynum (2,13m) atropelando tudo e a todos. Mas ambos negaram fogo.

Gasol (foto AP) anotou apenas 12 pontos, frutos de um ridículo aproveitamento de 6-18 (33,3%), e Bynum ficou em um não menos silencioso 15 pontos (6-10, 60,0%).

Some-se a um técnico débil quando o assunto é a ofensiva e aos dois pivôs (principalmente Gasol) que tiveram uma noite opaca, o fato de que a segunda unidade do Lakers é simplesmente ridícula. Enquanto o banco do Milwaukee adicionou 37 pontos ao placar final, os reservas do Lakers contribuíram com 24.

O Lakers está atualmente na nona posição na Conferência Oeste com um desempenho de 11-9 (55,0%). No geral, cai para a 15ª colocação.

A situação é preocupante.

Que o time se classifica para os playoffs eu não tenho dúvidas. O que eu duvido é que esse mesmo time possa fazer algo de proveitoso na fase aguda da competição.

Ao que tudo indica, será um ano pra ser esquecido.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 NBA | 11:07

LAKERS: É O FIM DA LINHA PARA UM TIME CAMPEÃO?

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É o fim da linha para um time que ganhou dois títulos nos últimos três anos? Kobe Bryant começa a sentir o peso da idade? Ou tudo não passa de uma questão de ajustar a equipe com os novos métodos do técnico Mike Brown?

Eu fico com a terceira opção: o Lakers vive um momento de transição de um estilo de trabalho para outro. Saiu Phil Jackson e seus triângulos ofensivos e entrou Brown, um homem que prefere dar ênfase à parte defensiva.

O fato é que o Lakers perdeu sua força ofensiva, especialmente nos quartos decisivos. Na derrota de ontem diante do Indiana, em seu Staples Center, por 98-96 (a terceira consecutiva), mais uma vez o time ficou devendo ofensivamente falando.

Alguém pode estranhar tal afirmação, pois 96 pontos são muitos pontos. Se acaba na casa dos 70, 80, vá lá, mas 96!

Fui dar uma olhada no relato do “LA Times” sobre a partida. E o jornal angelino apontou o dedo exatamente para este problema.

Segundo o “Times”, há 11 partidas o Lakers não consegue ultrapassar a barreira dos 100 pontos. Pior marca desde a temporada 2003-04, quando o time ficou 12 jogos abaixo da contagem centenária.

Brian Shaw, um dos assistentes de P-Jax, homem cotado para assumir o cargo com a aposentadoria do Mestre Zen, trabalha hoje como um dos auxiliares de Frank Vogel, treinador do Indiana. Ele viu bem de perto a secura do Lakers.

Para ele, Pau Gasol posicionou-se mal ofensivamente. Ficou muito longe da cesta.

“Se você tem dois grandalhões (Gasol e Andrew Bynum) que são uma fortaleza de seu time, você precisa tê-los perto da cesta”, disse Shaw. “Algumas vezes Pau fica posicionado na linha dos três. Então, eu acho que tudo é uma questão de tempo para que todos consigam se ajustar”.

Gasol fez apenas oito pontos, 4-12 (33,3%). Foi a segunda vez em quatro partidas que o espanhol fez míseros oito pontos.

Kobe Bryant (foto AP), que terminou a partida com 33 tentos (precisou de 30 arremessos para chegar à marca), foi um desastre no quarto final: 1-6 (16,7%). Neste período, o Lakers fez 7-23 (30,4%), enquanto que o Indiana cravou 8-17 (47,1%).

E a 1:30 minuto do final, vencendo por 94-93, Gasol, Matt Barnes e Derek Fisher falharam ao tentar a cesta. Muita coisa pra quem pretendia vencer a partida.

O problema do Lakers, no momento, parece mesmo se concentrar no quarto derradeiro, quando o time tem arriado. O Lakers já fez 18 partidas até agora no campeonato. Apenas o Bulls fez tantos jogos quanto o Lakers. Mas o Los Angeles fez 11 dos 18 confrontos em casa, enquanto que o Chicago apresentou-se 11 vezes fora de casa.

E mais: o Chicago tem jogado sem Derrick Rose nos últimos quatro jogos (ele já perdeu cinco no total), enquanto que o Lakers não teve que abrir mão de Kobe Bryant em nenhum momento nesta competição.

E o Chicago é o líder do campeonato (15-3), enquanto que o Lakers é o décimo colocado no Oeste (10-8, fora da zona dos playoffs) e o 16º no geral.

Justifica? Pode ser, mas os números do Chicago mostram que o problema do Lakers não é apenas questão de falta de pernas.

O problema do Lakers, como eu já disse aqui e o “LA Times” também mostra, é a falta de imaginação ofensiva. E isso para um time que tem Kobe Bryant é simplesmente inaceitável.

NÚMEROS

O Lakers tem a sexta melhor defesa do campeonato. Sofreu uma média de apenas 90,5 pontos por jogo. O problema é que seu ataque fez só 92,3 tentos por partida até o momento.

Nos últimos dois títulos conquistados, sob o comando de Phil Jackson, um treinador que sempre privilegiou o ataque, o Lakers fez 106,9 pontos em 2008-09 (sofreu 99,3) e 101,7 no ano seguinte (levou 97,0).

Como eu disse, a questão é de adaptação ao novo esquema do técnico Mike Brown. Quando tudo estiver ajustado, o time vai render mais do que rende no momento.

E certamente deixará esta zona na tabela de classificação que tanto constrange seu torcedor.

DÚVIDA

Não vi o jogo do Miami contra o Milwaukee. Mas vi que o time perdeu, em casa, por 91-82.

Fui correndo olhar o “box score”, certo de que Dwyane Wade tinha jogado e isso explicaria a derrota do Miami. Mas constatei que D-Wade não jogou.

O que aconteceu então? Por que o Heat não venceu?

PLANTANDO

Leandrinho Barbosa segue jogando bem com a camisa do Toronto Raptors. Fez ontem 19 pontos na derrota de sua equipe para o Clippers, em Los Angeles, por 103-91.

Foi o cestinha do time.

Leandrinho Barbosa (foto Getty Images) segue jogando bem com a camisa do Toronto Raptors. Pena que é com a camisa do Toronto Raptors.

Mas tudo bem; o paulistano segue plantando para colher no futuro. A continuar assim, ao final desta temporada vai arrumar coisa muito melhor.

E a seleção brasileira, certamente, vai se aproveitar disso nos Jogos Olímpicos de Londres.

Leandrinho, indiscutivelmente, é outro jogador.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011 Sem categoria | 20:35

ELITISMO DA NBA É TAMBÉM RESPONSÁVEL PELO LOCAUTE

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Trapizomba, um dos mais antigos parceiros deste botequim, morador de Los Angeles e torcedor fanático do Lakers, mandou-me mensagem esta manha dizendo o seguinte:

“Uma coisa eu não entendo: se os caras se entendessem hoje e a temporada começasse amanhã, será que os torcedores dos times menos abastados (small-markets) continuariam a ser espectadores? Talvez em OKC, mas e nos outros lugares? Minnesota está prestes a formar um bom time, mas deve demorar uns dois, três anos. Cleveland? Depois de todo esse stress, eles devem abandonar de vez o basquete. Bucks? Nunca tiveram uma base de torcedores sólida. O Utah Jazz estará à venda em breve. Será que para os donos não seria melhor aliviar SÓ UM POUQUINHO e não arriscar perder quem realmente sustenta a NBA?”

Se o raciocínio do Trapizomba estiver correto, então os donos das equipes menores estão corretos também em não ceder nem um milímetro sequer. Se seus torcedores vão abandonar seus times porque o campeonato começou atrasado por causa do locaute, é porque esses times não têm razão de existir.

E eles não têm razão de existir não é porque os fãs locais não gostem de basquete. É porque esses times são saco de pancadas e os fãs querem ter o prazer de vencer também e um dia poder gritar: “É campeão!”.

Eu fui às duas finais em Salt Lake City no final da década de 1990. O envolvimento da comunidade com o Jazz na decisão contra o Chicago Bulls era impressionante.

Salt Lake City é conhecida por ter a arena mais barulhenta da NBA. Phil Jackson nunca gostou de jogar lá.

Veja o caso de San Antonio: um mercado pequeno que cresceu barbaramente porque o time ganhou quatro campeonatos.

Quer dizer: se há competitividade, a comunidade se envolve. E esse envolvimento da comunidade faz com que um time deixe de pertencer à categoria “smal-markets”. Mais do que isso: a categoria “small-markets” deixaria de existir.

Não seria interessante?

Se o Lakers passar a ser um time sem vitórias, o Staples Center ficará às moscas, tenha certeza disso.

Esta filosofia de que apenas os ricos podem ser bem-sucedidos, de que apenas os times baseados nos grandes mercados podem ser competitivos vem norteando a NBA e é uma das razões deste locaute.

Atualmente, apenas os ricos têm chance de ganhar. É só ver os campeões e olhar suas folhas de pagamento.

Acho que seria muito mais emocionante e conveniente para a NBA se todos competissem em pé de igualdade.

Foi este, aliás, o princípio que norteou a criação do “salary cap” na temporada 1984-85. E o valor determinado pela NBA para o “cap” era um valor que TODAS as equipes podiam atingir.

Só que este princípio foi desvirtuado com o passar do tempo por causa das exceções criadas pela pressão dos jogadores, que queriam ganhar mais e mais, uma vez que a NBA, nas mãos de David Stern, passou a ser uma liga extremamente milionária.

Com as exceções criadas (e as franquias têm culpa nisso), a gente viu na temporada passada um time como o Lakers liderar os gastos com US$ 94,7 milhões e o campeão Dallas Mavericks torrar outros US$ 86,6 milhões, quando o teto salarial era de US$ 58 milhões.

O teto, na verdade, é uma ficção; é história pra boi dormir.

O resultado deste desvirtuamento é que para ganhar campeonatos não basta ser competente. É preciso ser competente e milionário. Ganha campeonatos na NBA quem tem o maior “budget”, como vimos.

Isso merece reflexão.

É como casar com uma mulher e descobrir que ela se apaixonou, de fato, pelo seu dinheiro e não pelo seu caráter.

REUNIÃO

NBA e jogadores voltam a se reunir nesta sexta-feira. O jornalista Marc Stein, da ESPN, postou em seu Twitter que Miami, Orlando, Phoenix, Boston e Lakers são as equipes que estão pressionando para que o acordo ocorra neste final de semana. Faz sentido: eles pertencem ao grupo dos “times ricos”. Dinheiro, pra eles, não é problema.

Só achei estranho a presença do Phoenix.

BOTA

O ala-armador Tyreke Evans, do Sacramento Kings, assinou contrato nesta quinta-feira com o Roma. Volta imediatamente para os EUA se o locaute acabar.

Se tudo der certo, ele não terá o gostinho de vestir a camisa do time romano. E os torcedores locais ficarão chupando os dedos.

Torço para que isso ocorra — não que eu tenha alguma implicância com os romanos. Vocês me entendem, claro.

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terça-feira, 16 de agosto de 2011 NBA | 21:50

A VOLTA DO MESTRE ZEN?

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Em sua primeira aparição pública desde que deu adeus ao Lakers e ao basquete, Phil Jackson causou frisson. E foi na mídia que esteve em Springfield, sexta-feira passada, para cobrir a introdução da classe 2011 para o Salão da Fama do Basquete.

E por que P-Jax (foto) provocou arrepios nos jornalistas?

Porque ao responder sobre o futuro, disse: “Não sei o que irá acontecer no futuro. Em novembro, dezembro, janeiro, fevereiro ou quando quer que comece a temporada é que vou conseguir saber se serei capaz de ficar sem o basquete outra vez”.

Em outras palavras: P-Jax pode voltar. E voltaria para o Lakers? Claro que não, pois o time de Los Angeles acabou de assinar com Mike Brown.

E para onde então? New York Knicks. Isso foi o que o jornal “New York Post” publicou na edição desta terça-feira.

Se realmente se confirmar a ida de P-Jax para o Knicks, pra mim, essa história de cansaço, aposentadoria, dar um tempo para a mente e para o corpo, tudo isso não passou de uma grande conversa fiada.

Ao que me parece, P-Jax estava cansado é da vida em Los Angeles e do Lakers. Adorado pelos torcedores amarelinhos e com uma rica história escrita no time californiano, o treinador zen não tinha como dizer para Jerry Buss, dono da franquia: “Mr. Buss, chega de LA; quero ir para a Big Apple”.

Não ia pegar bem.

E o que ele fez? Disse que ia se aposentar.

Ficaria uma temporada do lado de fora e depois viria com essa lengalenga de que não consegue ficar parado, que o basquete está no sangue dele e que a monotonia da vida no campo em Montana o estava deixando louco etc e tal.

Phil Jackson tem dois títulos como jogador. Ambos foram conquistados com o New York Knicks no começo da década de 1970 (foto).

Embora tenha uma história com a franquia nova-iorquina, Phil jamais dirigiu o Knicks. E sua ida para a franquia nunca foi discutida com intensidade.

P-Jax não liga para holofotes, mas não dispensa um. Nova York é o centro do mundo, o Knicks é a franquia mais valiosa da NBA segundo levantamento de revista de economia “Forbes” e é também o time que tem mais mídia dentro da NBA.

O Madison Square Garden é o templo do basquete e a torcida do Knicks é a mais fanática da NBA. Por isso, eu costumo compará-la com a torcida do Corinthians.

Os que conhecem P-Jax de perto sentem que parece faltar isso em seu currículo para que ele se complete: treinar o New York.

Os dois únicos títulos conquistados pelo Knicks foram exatamente os dois títulos conquistados na época de P-Jax. Transformá-lo novamente em um time vencedor, tirar a equipe desta fila que dura quatro décadas seria um desafio e tanto para um homem que sempre buscou desafios.

Mês que vem P-Jax completará 66 anos. Seu estado de saúde, ele disse, está bom. Os joelhos e as costas, que tanto o incomodam, não seriam, segundo ele, impeditivos para um retorno.

E Jeannie Buss, filha de Jerry, que trabalha para o Lakers como vice-presidente, não sai de Nova York. Portanto, o namoro dos dois (foto) prosseguiria sem qualquer turbulência.

Estariam, aliás, se vendo com uma frequência muito maior do que se P-Jax continuar em seu rancho em Montana.

Os ingredientes estão aí. Eles são perfeitos para se fazer bem o que se quiser fazer.

Só nos resta agora aguardar.

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011 basquete brasileiro, NBA, Seleção Brasileira | 18:59

MAGNANO ACERTA AO FECHAR OS TREINOS PARA A MÍDIA, TREINADORES E PARA QUEM QUER QUE SEJA

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A seleção brasileira de Rubén Magnano faz um jogo-treino contra a Wichita State University nesta quarta-feira, 20h (Brasília). O treinamento vai ser no ginásio do Paulistano, em São Paulo, e será fechado para o público e para a mídia.

O site do UOL publica uma matéria também nesta quarta de treinadores brasileiros reclamando do comportamento do técnico argentino que dirige a seleção brasileira. Exatamente porque Magnano trabalha, na maior parte do tempo, com as portas trancadas.

Guerrinha, técnico do Bauru, diz que o comportamento de Magnano é “antipático”. Chuí, treinador do Uberlândia, afirma que “viajar mil quilômetros para ver um treino e voltar não vai me acrescentar muita coisa”.

A mesma matéria cita o técnico norte-americano Larry Brown, que esteve ministrando clínica aqui em São Paulo. Diz Brown: “Meus treinamentos sempre foram abertos a qualquer outro técnico que queira assistir. Esta troca de informações é muito importante. Alguns treinadores nos EUA também fecham seus treinos, mas acho isso uma bobagem”.

Como vocês bem sabem, eu estive presente em três finais da NBA. Chicago x Seattle (1996), Chicago x Utah (1997) e Chicago x Utah (1998). TODOS, repito, TODOS os treinos foram fechados para a mídia.

Estive também nos “Final Four” de New Jersey (o último em ginásio, depois disso todos foram disputados em “domes”), em 1996; Indianápolis, 1997; e San Antonio, 1998. Assim como na NBA, os treinos dos quatro finalistas foram fechados. TODOS, repito, TODOS foram fechados.

O que Phil Jackson, George Karl e Jerry Sloan faziam era abrir o treinamento nos últimos 15 minutos, quando os jogadores estavam “zoando” em quadra. Ou seja: ninguém via nada. O memo se deu nas decisões do universitário.

Eram 15 minutos para os cinegrafistas fazerem imagens e fotógrafos registrarem os jogadores em movimento. E os repórteres, depois disso tudo, tinham cerca de 45 minutos para conversar com os atletas.

Não estive mais em nenhuma “NBA Finals”.

Este ano estava credenciado, mas um problema bizarro impediu-me de ir a Miami e Dallas. Não estive, portanto, nas finais de 2004, quando o Detroit de Larry Brown foi campeão em cima do Lakers de Phil Jackson.

Não sei dizer que os treinos do Pistons foram abertos para a mídia. Vou tentar me informar, conversando com meu amigo Miguel Candeias, do jornal “A Bola”, de Lisboa. Miguel não falha em nenhuma final desde 1990 se não me engano.

Mas enquanto a resposta não vem, queria dizer que este realmente não é o momento para se abrir treino pra ninguém. Magnano (foto EFE) está preparando o time para um torneio importantíssimo: o Pré-Olímpico de Mar del Plata.

O Brasil buscará nesta competição uma vaga para as Olimpíadas, o que não ocorre desde 1996, quando o time dirigido por Ari Vidal, e que tinha Oscar Schmidt em seu ocaso, esteve nos Jogos de Atlanta.

De lá pra cá, mas nada. E tome cacete de tudo quanto é lado.

Sabedor da nossa delicada situação, Magnano rala pra valer. Não tem folga pra ninguém. E não quer distrações, quer os jogadores focados.

Pergunto: vocês acham que os treinadores estão errados ao fechar os treinos nas finais da NBA? Vocês acham que Magnano está errado ao fechar os treinos às vésperas do Pré-Olímpico, um torneio que pode custar o futuro dele na seleção brasileira?

Claro que não.

Magnano, aliás, já deu várias clínicas aqui no Brasil. Se alguém estava interessado em aprender seus métodos de trabalho, que tivesse participado daqueles trabalhos.

Agora não é o momento, agora não é oportuno. Agora não é hora para se distrair. Não se pode perder o foco de jeito nenhum. Agora é hora de ralar.

Os treinadores brasileiros deveriam entender e respeitar a postura de Magnano. A crítica da parte deles não tem propósito algum, não acrescenta absolutamente nada.

A menos que elas tenham segundas intenções — o que eu me nego a acreditar que haja, a menos que alguém me prove o contrário.

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