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quinta-feira, 23 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Seleção Brasileira | 11:39

HOJE COMEMORA-SE 25 ANOS DA MAIOR FAÇANHA DO NOSSO BASQUETE

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Hoje completa-se 25 anos da maior façanha do nosso basquetebol. Que me perdoem Wlamir Marques, Amaury Pasos e aquela geração extraordinária e maravilhosa que conquistaram duas medalhas de bronze olímpicas. Mas o feito de Oscar Schmidt, Marcel de Souza e Ary Vidal transcendeu fronteiras.

Hoje faz 25 anos que a seleção brasileira foi a Indianápolis e bateu os EUA na final dos Jogos Pan-americanos por 120-115.

Os que têm idade, como eu, e presenciaram o feito, sabe o que aquilo significou. Os que não têm e estão interessados na história, se sensibilizam, reconhecem o fato e se encantam igualmente com a efeméride. Os que não viram e são obtusos, perdem a chance de viver, mesmo que nas páginas da história, a grandiosidade daquele feito.

Há que se frisar dois pontos nessa história de gloriosa: 1) naquela época os Jogos Pan-americanos tinham uma grande dimensão e não era encarado como nos dias de hoje, como uma competição menor e apenas preparatória para Mundiais e Olimpíadas; 2) naquela época, os EUA jogavam com seus jogadores universitários todas as competições na qual participavam, fossem Pan-americanos, Mundiais e/ou Olimpíadas. A garotada bastava para que eles continuassem soberanos.

Até que chegou aquele 23 de agosto de 1987.

Pela primeira vez na história os EUA perderam dentro de casa. Pela primeira vez na história os EUA tomaram mais de cem pontos em uma partida (não importa se dentro ou fora de casa).

O feito, repito, é grandioso, o maior da história do nosso basquete. A Market Square Arena estava lotada. Saía gente pelo ladrão. Todos esperavam ver mais uma vitória do time norte-americano, que tinha a comandá-lo David Robinson, que dispensa apresentação, e Danny Manning, um ala que jogava em Kansas e que foi considerado um dos maiores desde sempre na história dos Jayhawks, campeão universitário em 1988 e MOP do Final Four e que jogou no Clippers e no Phoenix, entre outros. Além deles, havia Willie Anderson (que depois foi para o San Antonio), Rex Chapman (Charlotte), Pervis Ellison (Boston) e Pooh Richardson (Indiana).

O primeiro tempo terminou com os EUA na frente em 68-54. Esses 14 pontos de diferença subiram para 20 no começo do segundo tempo. Isso mesmo, 20 e no segundo tempo! Aí Oscar e Marcel resolveram barbarizar a defesa norte-americana, defesa, diga-se, que sempre foi orgulho dos gringos.

Oscar tinha anotado apenas 11 pontos no primeiro tempo. No segundo, anotou 35! Encaixou nada menos do que seis bolas de três e terminou a contenda com 46 pontos, tendo acertado 7-15 (46,7%) nas bolas de três. Marcel, seu fiel escudeiro, repetiu Oscar e marcou apenas 11 pontos na etapa inicial. Na final, adicionou mais 20 e terminou a partida com 35. Os dois, juntos, anotaram 55 dos 66 pontos do Brasil no segundo tempo. Isso mesmo, você não leu errado: o Brasil enfiou 66 pontos goela abaixo dos norte-americanos no segundo tempo, graças, principalmente, às bolas de três. Ao final da partida, o Brasil tinha anotado 39 pontos nas bolas triplas e os EUA apenas seis.

Naquela época, fazia apenas cinco anos que a linha dos três pontos tinha sido adicionada ao jogo de basquete. Era ainda inexplorada por muitos. Mas Marcel e principalmente Oscar tinham uma relação idílica com o arco e sempre que acabam os treinos eles ficavam horas a fio arremessando, arremessando e arremessando. E Ary Vidal, nosso treinador, assistindo a tudo, deu corda para os dois e incentivou-os a fazer esse tipo de jogo, pois ele percebeu que aquilo poderia ser um diferencial a nosso favor. E os tiros de três ficaram sendo a marca registrada principalmente na carreira de Oscar Schmidt.

Aqui cabe a abertura de um parêntese: muitos imputam a Oscar o momento negro de nosso basquete, período de sua aposentadoria até a chegada de Moncho Monsalve como treinador de nosso selecionado. Segundo muitos, Oscar foi o responsável único pela cultura do “crazy shots”. Visão míope, obviamente. Oscar não tem nada a ver com isso. Oscar fazia o que tinha que fazer; ou seja, usava sua melhor arma para vencer adversários e vencer na vida. Os maiores culpados pela cultura do “crazy shots” em nosso basquete foram nossos treinadores que deixaram nossos jogadores fazerem isso, principalmente nossos treinadores da base, que deveriam ter evitado isso e não evitaram. E no adulto, muitos deles, sem pulso, não conseguiram também inibir esse tipo de ação em quadra. Fecho aqui o parêntese, que, na verdade, nem deveria ser um parêntese, mas objeto de muita discussão para que, a bem da história e para justiçar uma figura genial como é a de Oscar Schmidt, esse assunto deveria ser discutido com mais profundidade e não pela superficialidade que nos caracteriza como povo.

Fechado o parêntese, há que se dizer que os jogadores brasileiros eram bem mais experientes que a garotada norte-americana. Oscar e Marcel contavam, com 29 anos e jogavam na Itália. Cadum Guimarães, um dos nossos armadores, tinha 28. Cadum, aliás, quando o Brasil começou a reagir na partida, ficava provocando os americanos. Foi um mestre no “trash talk”. Desestabilizou a armação adversária, principalmente Pooh Richardson. Ele gesticulava para os adversários, pedindo para eles virem pra cima; arremessarem. Eles vinham e se atrapalhavam; arremessavam e erravam.

Foi uma festa. Foi muito emocionante e divertido ter visto tudo aquilo. Ver a cara frustrada de David Robinson ao final da partida, ele que anotou 20 pontos e pegou dez rebotes e nada pôde fazer para evitar aquele momento de constrangimento diante de toda a nação norte-americana. Foi emocionante ver Oscar e Marcel caídos na quadra, chorando e gritando: “Ganhamos!” Foi hilário ver Maury levar um dos maiores tombos de sua vida, ele que estava em pé na mesa da cronometragem e achando que ela se prolongava, pisou em falso e foi para o chão. Maury, aliás, recuperava-se de uma cachumba e não participou da competição.

Esse divertimento, essa alegria, até hoje é lembrada e comemorada por todos e por aquele grupo de pessoas diferenciadas. Eles merecem viver o que ainda vivem. A riqueza de nosso basquete passa por esses personagens que num primeiro momento pareciam ser quixotescos, mas que ao final da história transformaram-se em super-heróis.

HERÓIS

Nossos heróis foram:

Jorge Guerrinha
Marcel de Souza
Oscar Schmidt
Gerson Vitallino
Israel Andrade
(quinteto titular)
Cadum Guimarães
Maury de Souza
Paulinho Villas-Boas
Pipoka
Silvio Malvezi
André Stoffel
Rolando Ferreira
Ary Vidal (treinador)
José Medalha (assistente técnico)

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011 basquete brasileiro, Seleção Brasileira | 23:47

O DIA EM QUE OSCAR VIROU AS COSTAS PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA

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O parágrafo que reproduzo abaixo foi retirado da edição do dia 19 de julho de 1983 do jornal “Folha de S.Paulo”. O título da matéria era: “Oscar dispensado”. Diz o texto:

“Na apresentação da seleção brasileira masculina de basquete, ontem, às 17 horas, no Monte Líbano, para o início dos treinos com vistas aos Jogos Pan-Americanos (Caracas), o técnico Renato Brito Cunha foi surpreendido com o pedido de dispensa do jogador Oscar, que vai retornar à Itália, onde está sendo solicitado pelo seu clube, na cidade de Caserta”.

Surpreso? Eu também fiquei, pois não me lembrava disso.

Ou seja: caem por terra todas as críticas que Oscar Schmidt tem feito sobre os jogadores brasileiros que estão na NBA e pedem dispensa por serem pressionados pelas suas equipes.

Oscar também fez o mesmo. O Mão Santa também capitulou um dia.

O nosso Mão Santa também virou as costas para a seleção porque foi pressionado por seu clube, assim como um dia fizeram Leandrinho Barbosa e Anderson Varejão.

O nosso Mão Santa também virou as costas para a seleção brasileira para cuidar da vida, assim como Nenê Hilário tem feito e tem merecido críticas alucinadas por parte dele.

Oscar errou naquela época?

Claro que não, ele tinha mais é que cuidar de sua vida, pois era casado e tinha família pra sustentar. Oscar não errou como não erraram os brasileiros da NBA que um dia tiveram que dizer não à seleção por motivos particulares mais do que justificáveis.

Oscar erra, isto sim, no presente. Erra ao condenar os brasileiros por um “crime” que ele também cometeu e se esqueceu.

Nosso Mão Santa precisa urgentemente se conter. Ele é uma instituição do nosso basquete e tem que zelar pelo seu nome.

Espero que a partir de agora, com este passado vindo à tona, Oscar Schmidt se controle e pare com seus discursos exacerbados, carregados de um nacionalismo idiota e de um autoritarismo anacrônico.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011 basquete brasileiro, Basquete europeu | 20:20

O EQUÍVOCO CORINTIANO

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Oscar Schmidt (foto) será homenageado neste sábado (8) pelo Corinthians. Vai deixar para a posteridade suas mãos no concreto da Calçada da Fama Alvinegra.

Homenagem justa, mas precipitada. Sim, pois pelo que informa o Corinthians através de sua assessoria de imprensa, o nosso Mão Santa será o primeiro jogador da história do basquete corintiano a eternizar suas mãos.

Por que o Corinthians erra? Porque o primeiro jogador de basquete da história do Corinthians a ter suas mãos perpetuadas deveria ser Wlamir Marques e não Oscar Schmidt. Ninguém jogou mais ou foi mais importante para o Corinthians do que Wlamir.

Oscar não tem culpa, mas trata-se de uma gafe imperdoável da diretoria corintiana.

Vocês sabem do meu apreço e da minha admiração por Oscar Schmidt, mas ele não jogou mais e nem foi mais importante para o Corinthians do que Wlamir. Wlamir foi o maior jogador não só da história corintiana, mas do nosso basquete também.

Bicampeão Mundial com a seleção brasileira, duas medalhas de bronze em Olimpíadas e oito vezes campeão paulista pelo time corintiano, numa época em que o Campeonato Paulista era o torneio mais importante disputado no Brasil. Numa época em que o Paulista era o atual NBB. E, é importante ressaltar, naquele tempo nossos principais jogadores atuavam por aqui e ostentavam o status de melhores do mundo ao lado de americanos e soviéticos.

HISTÓRIA

Wlamir Marques (foto) jogou muito com a camisa 5 do Corinthians. Muitos foram os jogos inesquecíveis do nosso ala, mas um deles é considerado pelo próprio Wlamir como o jogo de sua vida com o fardamento alvinegro.

Ele aconteceu no dia 5 de julho de 1965. Local: Parque São Jorge. Adversário: Real Madrid. Foi um amistoso e no final deu Corinthians: 118-109.

ADVERSÁRIO

O Real Madrid tinha acabado de conquistar o bicampeonato europeu, que na época era chamado de Copa dos Campeões, hoje em dia batizado de Euroliga. Os merengues venceram o CSKA de Moscou na decisão.

Na primeira partida, realizada no dia 8 de abril, na capital da então União Soviética, o time da casa fez 88-81. Nada menos do que 15 mil pessoas compareceram ao Palácio dos Esportes de Moscou.

Cinco dias depois, os dois times voltaram a se enfrentar. O palco foi o acanhado Frontón “Fiesta Alegre” de Madrid, com capacidade para apenas três mil pessoas.

Pequenino, mas um caldeirão. Empurrado por três mil inflamados madrilenhos, o Real venceu facilmente por 76-62 e ganhou o campeonato pelo resultado agregado: 157-150.

Emiliano Rodriguez, um ala de 1,87m de altura, foi o grande destaque do Real no jogo decisivo. Marcou 24 pontos e foi o cestinha da peleja.

Mas muito contribuiu também para o título o desempenho do pivô norte-americano naturalizado espanhol Clifford Luyk. Na primeira partida, em Moscou, Luyk, do alto de seus 2,02m de altura, cravou nada menos do que 30 pontos e foi o cestinha do confronto.

Moncho Monsalve, que dirigiu a seleção brasileira antes de Rubén Magnano asumir o comando, fazia parte do Real Madrid. Mas, lesionado, não entrou em quadra em nenhuma das duas partidas.

(Na foto, lance da partida entre Real e Kisa-Toverit Helsinki, da Finlândia, vencida pelos espanhóis por 97-51.)

CARDÁPIO

Depois de conquistar o bicampeonato europeu, o Real Madrid presenteou seus jogadores com uma excursão pela América do Sul. Chegou a São Paulo para apenas uma partida, esta contra o Corinthians, em São Paulo.

Antes de desembarcar em terras tupiniquins, os madrilenhos fizeram três jogos na Argentina, dois no Chile e um no Uruguai. Trouxeram na bagagem, além de todo o fardamento de jogo, o pivô Bob Burgess contundido. Burgess tinha se machucado na vitória diante do União Espanhola do Chile.

O Corinthians acabara de conquistar o Campeonato Paulista. Manteve-se invicto durante todo o segundo turno. Era considerado pelos espanhóis como o maior adversário desta excursão pela América meridional.

Os espanhóis, no entanto, chegaram ao Brasil com a faixa carimbada. Isso porque perderam o primeiro jogo da excursão (mostrando nítido cansaço da viagem) para o Obras Sanitárias da Argentina.

PREOCUPAÇÃO

Wlamir Marques era dúvida para a partida contra o Real Madrid. Estava com uma alergia nos olhos fruto de um remédio que tomara um dia antes do jogo para combater um resfriado.

No dia da partida, à tarde, o médico do Corinthians foi até a casa de Wlamir e aplicou-lhe uma injeção antialérgica. Pra azar dos espanhóis, o medicamento foi eficaz: o inchaço desapareceu e Wlamir pôde jogar.

Entrou em quadra e barbarizou: marcou nada menos do que 40 pontos. Isso mesmo, 40 pontos no bicampeão europeu numa época em que não havia a linha dos três pontos.

Sua pontuação foi fundamental para que o Corinthians vencesse por 118-109.

Mas o jogo não foi eletrizante apenas por conta da atuação de Wlamir. Emiliano Rodriguez, considerado o melhor jogador europeu e que foi decisivo na final diante do CSKA, lembram-se?, foi um feroz adversário.

Rodriguez se destacou não apenas pelos 30 pontos anotados, mas principalmente por ter anulado um de nossos maiores jogadores: Rosa Branca. O brasileiro, em noite não muito feliz, não pontuava e nem conseguia conter o espanhol.

Apesar da grande atuação de Rodriguez, o cestinha do Real Madrid foi Clifford Luyk, a outra estrela do time merengue, que também foi decisivo na final europeia. Luyk anotou 33 pontos.

Moncho, recuperado da contusão, desta vez jogou. Terminou a partida com 15 pontos.

Até hoje, quando se conversa com Wlamir e o enredo se envereda pelo passado, ele faz questão de mencionar esse confronto. “Foi o maior jogo de minha carreira com a camisa do Corinthians”, diz Wlamir.

Ninguém duvida.

(Na foto, Amaury, Wlamir, Renê, Ubiratan e Rosa Branca.)

COMPARAÇÃO

Wlamir Marques gastou dez anos de sua carreira jogando pelo Corinthians. Ganhou oito títulos paulista, como vimos anteriormente. Repito: quando o Campeonato Paulista era o campeonato mais importante do Brasil.

Oscar Schmidt atuou apenas dois anos com a camisa do alvinegro do Parque São Jorge. Venceu o Brasileiro de 1996. Na época, o Brasileiro era, como hoje, o campeonato mais importante do país.

EPÍLOGO

Oscar Schmidt merece todas as homenagens que se faça a ele neste país. É um dos gigantes da história do basquete brasileira. As críticas que se fazem a ele, a meu ver, são injustas. Mas isso são outros quinhentos e no futuro a gente pode até discutir a questão.

A introdução do Mão Santa na Calçada da Fama Alvinegra é uma justiça que se faz a ele.

Mas ao justiçar um de seus grandes expoentes do basquete, o Corinthians comete uma grande injustiça com Wlamir Marques.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011 basquete brasileiro, Seleção Brasileira | 18:26

ELEITA A SELEÇÃO BRASILEIRA DE TODOS OS TEMPOS

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O parceiro Márcio, frequentador assíduo deste botequim (Por favor, Labica, leve uma bem gelada pra ele; é por minha conta), perguntou-me qual seria a minha seleção brasileira de todos os tempos. O tema é polêmico por natureza.  E não tem jeito: injustiças serão cometidas.

Não apenas por mim, mas por quem se atrever a escalar seu quinteto de todos os tempos.

E basquete não é como futebol: são apenas cinco jogadores, como disse. No futebol, você improvisa e acomoda 11 atletas; é menos penoso e a chance de se cometer injustiça, creio, diminui dramaticamente.

Mas não posso me furtar de escalar meu quinteto brasileiro desde sempre. É um desafio que não apenas o Márcio me propõe, mas que alguns outros frequentadores deste boteco já o fizeram.

Vamos, então, a ele:

ARMADOR — AMAURY PASOS
Para muitos, o jogador mais completo do basquete brasileiro. Começou como pivô, passou para a ala e jogou também como armador. Isso na década de 1950/60, quando um jogador com seu 1,91m era pivô e ponto final. Mas a intimidade de Amaury com a bola era tamanha que ele não poderia ficar limitado a pegar rebotes ou pontuar ao lado da cesta. Seu jogo vistoso merecia horizontes. E isso aconteceu. Membro do Hall da Fama da Fiba. Títulos mais importantes: bicampeão mundial com a seleção brasileira (1959 e 1963), vice Mundial (1954) e duas vezes medalha de bronze nos Jogos Olímpicos (Roma-60 e Tóquio-64).

ALA-ARMADOR — WLAMIR MARQUES
O maior jogador da história do basquete brasileiro? A maior parte da comunidade basqueteira entende que sim. Era extremamente ágil e habilidoso. Seu arremesso era preciso, o que o fazia ultrapassar facilmente a marca dos 25, 30 pontos por jogo em uma época em que não havia a linha dos três pontos. Uma de suas grandes atuações ocorreu em julho de 1965, quando, no Parque São Jorge, com a camisa 5 do Corinthians, anotou 40 pontos e comandou a vitória do time alvinegro diante do Real Madrid, bicampeão europeu, por 118-109. Foi o cestinha nos Jogos Olímpicos de Roma-60 com 18,2 pontos de média. Títulos mais importantes: bicampeão mundial com a seleção brasileira (1959 e 1963), vice Mundial (1954 e 1970) e duas vezes medalha de bronze nos Jogos Olímpicos (Roma-60 e Tóquio-64).

ALA — MARCEL SOUZA
Um “iceman” em quadra. Vibrante, é certo, mas não se deixava levar pela emoção do jogo. Tinha um QI de basquete que o diferenciava dos concorrentes. Era extremamente racional. Sua cesta no segundo final do Mundial das Filipinas, em 1978, que deu a medalha de bronze ao Brasil (a última medalha brasileira em Mundiais) é o exemplo mais bem acabado de sua frieza em quadra em momentos decisivos. Na decisão dos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, diante dos EUA, anotou nada menos do que 31 pontos e dez rebotes. Em quadra, só não jogou de pivô, pois seus 2,01m não o possibilitava. Principais títulos: campeão mundial interclubes com o Sírio (1979), medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis (1987) e medalha de bronze no Mundial das Filipinas (1978).

ALA-PIVÔ — OSCAR SCHMIDT
Vou colocar o Mão Santa como ala de força, até porque, em muitos momentos de sua carreira, defendia na posição quatro e atacava como ala, sua posição de origem. Alguns consideram Oscar o maior jogador da história do basquete brasileiro. Muito embora não tenha conquistado nenhuma medalha olímpica, tornou-se o jogador com o maior número de participações em Olimpíadas (cinco) e tornou-se o maior cestinha desta competição com 1.093 pontos, único atleta, aliás, a ultrapassar a barreira dos mil pontos. É o maior cestinha da história do basquete com um total de 49.703 pontos. Comandou, ao lado de Marcel, a seleção na vitória de 120-115 diante dos EUA em Indianápolis, tendo anotado 46 pontos. Principais títulos: campeão mundial interclubes com o Sírio (1979), medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis (1987) e medalha de bronze no Mundial das Filipinas (1978).

PIVÔ — UBIRATAN MACIEL
Único jogador brasileiro a figurar no Hall da Fama de Springfield, nos EUA, e no Hall da Fama da Fiba. Era conhecido como “Cavalo de Aço” por conta de sua força física. Seu grande momento deu-se no Mundial da Iugoslávia, em 1970, quando o Brasil ficou em segundo lugar (perdeu a final para os anfitriões por 66-64). Bira, como era conhecido, acabou como vice-cestinha do torneio com uma média de 22,1 pontos por jogo. Principais títulos: campeão mundial (1963), vice Mundial (1970) e bronze olímpico (Tóquio-64).

CONCLUSÃO

Espero não ter sido muito injusto; creio que não.

O tema está aberto para discussão.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011 basquete brasileiro, NBA, Seleção Brasileira | 19:19

HÁ 16 ANOS O BRASIL SE CLASSIFICAVA PARA OS JOGOS OLÍMPICOS DE ATLANTA

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No último sábado, olhava hoje eu em meus arquivos, comemorou-se 16 anos da conquista da vaga para os Jogos Olímpicos de Atlanta-96. Foi a última vez que o Brasil disputou as Olimpíadas com seu basquete masculino (na foto, jogo de estreia do Brasil diante de Porto Rico, vitória por 101-98).

De lá pra cá, passou em branco em Sydney-00, Atenas-04 e Pequim-08. Há, portanto, um hiato que já dura quase 16 anos.

Naquele Pré-Olímpico de Néuquen, na Patagônia argentina, os três primeiros colocados garantiam vaga para Atlanta. A classificação veio com uma fácil vitória diante do Canadá na disputa do terceiro lugar, uma vez que nas semifinais o Brasil perdeu para a Argentina, que se classificou para as Olimpíadas depois de 40 anos ausente.

DERROTA 1

A pressão era grande demais, pois nosso time havia perdido para os canadenses na fase de classificação por 104-99. Canadenses que contavam com o armador Steve Nash, que tinha apenas um ano de NBA.

O quinteto titular brasileiro, naquela derrota frente ao Canadá foi formado por Maury, Fernando Minucci, Oscar Schmidt, Pipoka e Israel. Oscar, apesar dos 37 anos, era a grande preocupação dos oponentes.

Três jogadores se revezaram na marcação do Mão Santa: os alas-pivôs Michael Meeks (2,05m) e Wayne Yearunod (2,03m) e o ala Dwint Walton (1,97m). Mesmo assim, diante de uma marcação fortíssima, o Mão Santa (2,04m) conseguiu marcar 30 pontos.

Nash terminou a partida com 13 pontos, mas o cestinha canadense foi Meeks com 17. No Brasil, além dos 30 pontos de Oscar, Israel fez 21, Josué cravou 16 e Minucci, 12.

PROBLEMAS

A derrota deixou o Brasil em situação crítica. Somente uma vitória diante de Porto Rico, combinada com derrota do Uruguai diante de Cuba (que não era uma boa seleção), levaria o Brasil para as semifinais e manteria vivo o sonho da seleção em seu classificar para Atlanta.

Mas uma combinação extraordinária de resultados acabou dando a vaga ao Brasil mesmo sem a necessidade de vencer Porto Rico. Cuba ganhou do Uruguai por 109-89 e a República Dominicana apanhou inacreditavelmente de Bahamas por 121-87.

O Brasil, vale lembrar, havia sido batido pelos uruguaios na estreia do torneio por 84-81 e pelos dominicanos por 100-98. Nesta partida, Tito Horford, pai de Al, anotou nove pontos, mas foi Felipe Lopez, um ala de St. John’s, que era um tremendo jogador no “college”, que acabou como cestinha da partida com 28 pontos. Oscar anotou 24.

Lopez acabou sendo recrutado pelo Vancouver (hoje Memphis) em 1998, passou pelo Washington e Minnesota, mas nunca conseguiu brilhar na NBA.

EXAUSTÃO

Com a classificação garantida, a partida contra Porto Rico, que seria de vida ou morte, tornou-se um amistoso. O Brasil perdeu por 89 a 83, mas Oscar jogou apenas 11 minutos, ele que tinha jogado todos os 40 minutos das oito partidas anteriores. Anotou diante dos porto-riquenhos apenas 12 pontos.

PITO

O técnico brasileiro, Ary Vidal, soltou os cachorros pra cima dos jogadores. Disse ele: “Não me lembro, em toda a minha carreira, de uma equipe minha que jogasse sem empenho”.

Sem mencionar nomes, o treinador brasileiro reclamava da falta de atitude de alguns jogadores, que nos momentos críticos procuravam Oscar ao invés de tentarem eles mesmos decidir.  Disse Vidal: “Oscar jamais foi instado a decidir como agora. Mesmo os mais experientes o procuram, quando podiam concluir as jogadas”.

DERROTA 2

Nas semifinais, o Brasil pegou a Argentina, de quem havia ganhado na fase de classificação por 83-78. Nosso selecionado, no entanto, perdeu por 87-82.

O jogo foi decidido apenas nos dois últimos minutos. Brasileiros e argentinos chegaram empatados em 70 pontos naquele momento. Mas os anfitriões fizeram uma corrida de 13-6 que foi decisiva. Além disso, a 38 segundos do final, o armador Maury levou uma falta técnica por reclamar de uma posse de bola que claramente era brasileira, mas que foi dada para os argentinos.

Com a derrota, o Brasil entrou em quadra no dia seguinte (27/08) precisando vencer o Canadá.

MOLEZA

A vitória veio; e veio mais fácil do que se esperava: 97 a 77. Oscar, uma vez mais, foi o cestinha da partida, com 27 pontos, seguido de Fernando Minucci, que anotou 24.

Pelos canadenses, Michael Meeks cravou 26, enquanto que Steve Nash teve uma atuação apagada e marcou só 12 pontos. Acreditem: foi completamente anulado pelos armadores brasileiros, Maury e Ratto.

“Ganhamos a vaga na defesa”, disse Ary Vidal ao final da partida. Na defesa e nos rebotes: o Brasil pegou ao todo 52 ressaltos (20 no ataque), contra 34 dos canadenses (13 ofensivos).

HOMENANGEM

Quando faltava menos de um minuto para o fim do jogo que garantiu nossa última participação em Olimpíadas, Ary Vidal tirou Oscar de quadra e colocou Rogério Klafke. “Foi uma homenagem a ele”, disse o treinador brasileiro. “Para que todos o aplaudissem no momento em que ele deixava a quadra. Oscar é um grande jogador e um grande homem”.

O Mão Santa terminou aquele Pré-Olímpico com uma média de 27,6 pontos por jogo. Em segundo lugar ficou o dominicano Felipe Lopez com 27,3. Com a vaga garantida, Oscar garantia, também, sua quinta participação em Jogos Olímpicos, tornando-se o primeiro e único jogador na história do basquete mundial a disputar cinco Olimpíadas.

PROMESSA

Os mais velhos hão de se lembrar, Oscar fez uma promessa para que a vaga viesse: “Só tomo Coca-Cola daqui um ano. Eu, o Márcio, o Rogério, o Caio e o Ratto. Só voltaremos a beber Coca-Cola quando as Olimpíadas começarem”.

COMANDANTE

É… Bons tempos aqueles. O Brasil tinha Oscar, mas tinha também Ary Vidal, um treinador criticado por alguns, mas que obteve resultados expressivos com nosso selecionado.

Entre eles, o terceiro lugar no Mundial das Filipinas em 1978, o quarto lugar no Mundial da Espanha em 1986, o quinto lugar nas Olimpíadas de Seul-88 e o sexto lugar nos Jogos de Atlanta-96.

Mas o resultado mais significativo obtido por Ary Vidal foi a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987. O Brasil venceu os EUA na decisão por 120-115. Foi a primeira derrota de um time dos EUA dentro de seu território e a primeira vez que um adversário anotou mais de 100 pontos nos norte-americanos.

REGRA

Se você é jovem e não sabe, eu conto: esta vitória brasileira precipitou um movimento dentro do Comitê Olímpico dos EUA que foi bater na porta da Fiba pedindo para a entidade maior do basquete mundial liberasse a participação dos profissionais em competições internacionais.

O processo foi longo. Cinco anos depois, Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird comandavam o Dream Team em Barcelona.

Tudo por causa de Oscar Schmidt, Marcel Souza (é bom destacar também) e Ary Ventura Vidal.

Como disse, ô tempinho baum!

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011 Basquete europeu, NBA | 21:06

UMA NOITE QUE DEVERIA SER APENAS DE ARVYDAS SABONIS

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Logo mais à noite, 22h de Brasília, a classe de 2011 será adicionada ao Salão da Fama do Basquete (Basketball Hall of Fame). A cerimônia acontecerá em Springfield, Massachusetts, onde o basquete foi criado na YMCA local no longínquo ano de 1891.

Já visitei o local em duas oportunidades. Pra nós que gostamos de basquete é um prato cheio.

Bem, mas dizia eu, logo mais à noite a classe de 2011 será adicionada ao HOF de Springfield. Os nomes são estes:

Chris Mullin — Medalha de ouro com os EUA nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984 e Barcelona, 1992;

Dennis Rodman — Cinco vezes campeão da NBA;

Artis Gilmore — Campeão da ABA (que foi encampada pela NBA) em 1975 com o Kentucky Colonels;

Tara VanDerveer — Quatro vezes eleita melhor treinadora da NCAA;

Teresa Edwards — Quatro vezes medalha de ouro nos Jogos Olímpicos;

Herb Magee — Treinador mais vitorioso na história da NCAA;

Tom “Satch” Sanders — Oito vezes campeão da NBA com o Boston Celtics;

Tex Winter — O inventor do sistema dos triângulos, que fez a fama de Phil Jackson;

Reece “Goose” Tatum — ex-jogador do Harlem Globetrotters.

Deixei de colocar o nome de outro homenageado desta noite. A não-inclusão foi proposital, pois, na minha opinião, ele deveria o centro das atenções da cerimônia desta sexta-feira.

Mas seguramente não será, pois o evento acontecerá nos EUA e os americanos não fazem muita ideia do que Arvydas Sabonis significou para o basquete.

INÍCIO

Sabonis nasceu em Kaunas, Lituânia, no dia 9 de dezembro de 1964. Começou a carreira no Zalgiris, um dos mais famosos e populares times do país. Tinha apenas 17 anos quando entrou em quadra pela primeira vez jogando entre os adultos.

Foi tricampeão soviético com o Zalgiris. Sim, soviético, pois na época em que Sabonis nasceu, cresceu, aprendeu a jogar e desenvolveu seu basquete a Lituânia era uma das 15 repúblicas da União Soviética.

Sabonis ficou no Zalgiris até 1989, quando transferiu-se para o basquete da Espanha. Tinha sido, no entanto, recrutado pela NBA em 1985.

GUERRA FRIA

Arvydas Sabonis foi selecionado pelo Atlanta Hawks na 77ª posição, numa época que não havia o limite de duas rodadas no “NBA Draft”. O recrutamento de Sabonis, no entanto, foi invalidado, pois ele não tinha completado 21 anos e a NBA exigia isso.

No ano seguinte, mesmo tendo rompido dramaticamente o tendão de Aquiles, foi selecionado pelo Portland na 24ª posição. As autoridades soviéticas, no entanto, proibiram Sabonis ir para os EUA.

A Guerra Fria já dava sinais de arrefecimento, mas ainda vigorava. Sabonis ficou no meio deste fogo-cruzado e não pôde ir para a NBA quando mais queria.

Acabou na Espanha.

EUROPA

O primeiro time de Sabonis na Espanha foi o Valladollid. Lá ficou por três temporadas.

Transferiu-se para o Real Madrid em seguida. No time merengue, foi bicampeão espanhol e em seu derradeiro ano no time da capital espanhola tornou-se campeão europeu ao bater na final o Olympiakos da Grécia por 73 a 61.

Na decisão, Sabonis anotou 23 pontos e foi eleito o MVP das finais. Mas não foi seu único prêmio individual. Foi eleito o melhor jogador europeu em oito de suas 14 temporadas europeias antes de ir para a NBA.

Deixou a Europa aos 31 anos. Depois de cruzar o Oceano Atlântico, desembarcou nos EUA para atuar pelo Portland.

Mas não era mais aquele menino cheio de sonhos e seus dois tendões já haviam sido operados. Foram duas contusões graves. E os joelhos também o traíam.

Mesmo assim, a expectativa era grande nos EUA. Afinal de contas, além dos títulos pelo Zalgiris e Real Madrid e dos oito prêmios de melhor jogador da Europa, com a camisa da União Soviética Sabonis havia conquistado o campeonato mundial de 1982 (Colômbia), o europeu em 1985 (extinta Alemanha Oriental) e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1988 (Seul).

Além desses ouros, houve uma prata no Mundial da Espanha em 1982 e dois bronzes dos europeus disputados na França (1983) e na extinta Iugoslávia (1989).

LIMITADO

Como disse, Sabonis chegou à NBA com 31 anos. Chegou com os tendões comprometidos e os joelhos doendo demais. Segundo os que o acompanhavam, Sabonis chegou à NBA jogando apenas 30% do que jogava no auge de sua carreira na Europa.

Mesmo assim, em seu primeiro ano com o Portland, ajudou a levar a equipe aos playoffs. Na primeira rodada, o time do Oregon pegou o Utah Jazz: foi batido por 3-2 (naquela época, a primeira rodada dos playoffs era em melhor de cinco), mas mesmo derrotado, Sabonis deixou o confronto com médias de 23,6 pontos e 10,2 rebotes por partida.

Mesmo atuando apenas um terço do que podia, Sabonis impactou a NBA em seu primeiro ano. E aos 31 anos, ironicamente acabou eleito para o time dos “rookies”.

Foi motivo de piadas, claro; mas todas numa boa, zoando apenas a idade e não o jogador.

BEBIDA

Na mesma proporção em que fazia cestas, pegava rebotes e dava tocos, Sabonis bebia. E bebia feito um gambá.

Adorava vodka. E no verão, sua bebida favorita era a cerveja.

Nas ocasiões em que estive nas finais da NBA, conversando com jornalistas espanhóis, eles me contaram que Sabonis chegava para os treinos do Real Madrid carregando aquelas caixinhas de seis cervejas. Uma em cada mão.

Deixava a bebida em uma das geladeiras do vestiário. Quando o treino acabava, tomava todas. Não repartia com ninguém.

Na premiação nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, Sabonis não conseguiu subir no pódio para receber a medalha de bronze. Estava completamente bêbado.

Isso porque a partida que definiu o terceiro colocado foi antes da decisão entre o Dream Team e a Croácia. “Era muito tempo para ele esperar”, disse Donnie Nelson, filho de Don Nelson, que trabalhou como assistente técnico da Lituânia em Barcelona.

Sabonis comemorou a valer a vitória por 82-78 diante da CEI (o que restou da União Soviética). Sabonis não apenas celebrou o bronze, mas o fato de ir ido à forra diante do regime que o impediu de jogar na NBA no auge de sua forma, impediu-o de realizar seu grande sonho, numa época em que, para muitos, ele era o maior pivô do planeta.

MAIOR DE TODOS?

Certa vez, conversando com Claudio Mortari, ex-treinador da seleção brasileira e daquele timaço do Sírio que foi campeão do mundo, ele me disse: “Sabonis foi o maior pivô da história do basquete”.

Isso foi no final dos anos 1980. Patrick Ewing estava no auge; David Robinson também.

Maior do que Ewing e Robinson?, cutuquei Mortari. “Não tenha dúvida disso”, respondeu ele, convicto de que seu depoimento não o faria cair no ridículo.

“Ele jogava muito mais do que esses caras, porque eu vi, ninguém me contou; eu vi”, disse-me Marcel Souza, um dos maiores jogadores da história no nosso basquete. “Vi o Sabonis acabar com esses caras no mano-a-mano”, completou Marcel, que chegou a enfrentar Sabonis em algumas ocasiões com a camisa da seleção brasileira.

“A primeira vez que eu vi o Sabonis jogar foi no Mundial de 1982, na Colômbia”, recorda-se Marcel. “Ele tinha apenas 22 anos e era reserva do (Vladimir) Tkachenko. Não jogava muito, mas quando entrava em quadra, barbarizava”.

Oscar Schmidt também jogou contra Sabonis. Não apenas com a camisa da seleção, mas também quando estava na Europa jogando pelo Caserta e o Sabonis no Real Madrid.

“Era um craque”, definiu este outro gênio do basquete brasileiro. “Se não tivesse tido problema nos dois tendões e tivesse ido cedo para a NBA, teria sido seguramente o maior pivô de todos os tempos, maior do que (Kareem Abdul) Jabbar, (Wilt) Chamberlain, (Bill) Russell, (Patrick) Ewing, maior do que todos esses”, decretou Oscar.

Bill Walton, certa vez, definiu assim Sabonis: “É o Larry Bird com 2,21m”.

E o que ele quis dizer com isso? Que Sabonis sabia fazer de tudo em quadra: apanhar rebotes, dar tocos, enterrar, pontuar dentro do garrafão, arremessar de meia e de longa distância. Suas bolas de três pontos eram mortais.

“A saída de contra-ataque dele, depois de pegar o rebote, era uma das coisas mais lindas que eu vi como jogador de basquete”, disse-me Oscar. “O passe longo que ele dava era perfeito”.

“Ele jogava como se tivesse apenas dois metros”, definiu Marcel.

EPÍLOGO

Arvydas Sabonis, infelizmente, enfrentou problemas ao longo de sua carreira. Seus dois tendões não deram sossego ao longo de toda a sua carreira. E o regime totalitário soviético, lamentavelmente, impediu-o de chegar à NBA no melhor momento de sua carreira.

Mas quem o viu jogar não vai esquecê-lo jamais. Quem o viu jogar no auge, a maioria dessas pessoas, garante que ele foi o maior pivô da história do basquete mundial.

Eu nunca vi Sabonis ao vivo; lamento muito por isso. Em Atlanta, 1996, onde trabalhei como repórter do SporTV, não consegui ver nenhum jogo da Lituânia.

Mas não vou me esquecer jamais do único momento em que Sabonis esteve a poucos metros de mim: foi no aeroporto internacional de Atlanta, eu voltando para o Brasil e Sabonis para a Lituânia. Sabonis passou bem do meu lado, acompanhando de Sarunas Marciulionis, que era armador do Golden State Warriors e também o seu melhor amigo.

Parei de empurrar o meu carrinho com as duas malas que abrigava roupas dos mais de 30 dias em que “morei” em Atlanta. Fiquei alguns minutos olhando para Sabonis, quase que petrificado, mal podendo acreditar que estava a alguns metros desta lenda do basquete mundial.

Parece que foi ontem.

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quarta-feira, 29 de junho de 2011 basquete brasileiro, NBA, Seleção Brasileira | 14:21

CRÍTICAS MERECIDAS?

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O assunto me cansa, mas vejo que não cansa a maioria. Cansa-me porque a situação pra mim é muito clara — aliás, já comentei isso aqui.

Essa história do patriotismo argentino conflitando com o “pouco caso” dos brasileiros em relação ao selecionado nacional precisa ser analisado com mais profundidade. Analisar a situação superficialmente corre-se o risco de se ser superficial e, consequentemente, não atacar o âmago da questão.

Vamos olhar em retrospecto. Ano: 2007. Competição: Pré-Olímpico de Las Vegas (EUA).

O torneio garantia vaga para os Jogos de Pequim. Apenas Luis Scola e Carlos Delfino, jogadores da NBA, apareceram para a competição. Manu Ginobili, Fabrício Oberto e Andres Nocioni não deram as caras.

Nosso selecionado foi completo. Até com Nenê, o que acabou por marcar sua última participação com a camisa do selecionado brasileiro.

Repito: Ginobili, Nocioni e Oberto não foram participar da competição qualificatória no Estado de Nevada. E não me lembro de ter lido qualquer manifestação de repúdio aos jogadores argentinos em seu país. Nem aqui no Brasil.

Os torcedores de lá entenderam a situação, respeitaram a decisão dos jogadores da NBA. E sabiam que se a vaga não viesse (mas veio) haveria a possibilidade do Pré-Olímpico Mundial, que foi disputado na Grécia.

Fosse aqui, logo depois de ter conquistado uma medalha de ouro olímpica (os argentinos eram os campeões olímpicos, lembram-se?), a maioria dos torcedores brasileiros iria dizer: “Bando de mascarados, só porque conquistaram a medalha de ouro fica se achando. Quem esses caras pensam que são?”

Infelizmente, somos assim. Não respeitamos decisões particulares que conflitem com nossas expectativas. Não sabemos nos frustrar. Quando somos frustrados, partimos para a violência física e/ou verbal.

E quando acionamos nossa metralhadora giratória, atingimos a tudo e a todos sem pensar em consequências. E elas existem.

Ou vocês, como disse, acham que os caras não ficam sabendo o que nós dizemos sobre eles? E quando digo nós, refiro-me a TODOS nós: torcedores, jornalistas e cartolas. E quando falo em torcedores, coloco nesse balaio ex-jogadores.

Os que me conhecem sabem o quanto admiro e respeito Oscar Schmidt por tudo o que ele fez para o nosso basquete. Mas eu acho que ele comete um equívoco muito grande quando ele ataca os jogadores brasileiros que atuam na NBA.

E volto a dizer o que o Oscar me disse certa vez: “Se a NBA pagasse mais do que eu ganhava na Itália eu ia para a NBA”. Ele me disse isso! Infelizmente, não tenho a gravação desta fala, para postar aqui nesse blog para que vocês ouvissem.

Ou seja: se a NBA pagasse a ele o que ele queria, ele iria para a NBA e nunca mais teria vestido a camisa da seleção brasileira, pois naquela época os profissionais não podiam jogar nas Olimpíadas e Mundiais.

Oscar estaria cometendo um erro? Estaria traindo a pátria? Claro que não: ele tinha mesmo que cuidar de sua vida.

Eu até entendo quando se critica Nenê. De fato, ele não tem jogado em nossa seleção. Isso provoca frustração em todos nós e quando nos frustramos a gente sabe muito bem o que acontece.

Os motivos dele, para mim, são justificáveis, mas entendo também quem pensa o contrário por entender que ele deveria se esforçar um pouco mais para vestir a nossa camisa.

Leandrinho Barbosa: ele de fato “pisou na bola” uma vez ao não se “proteger” dos torcedores e da mídia ao participar de um jogo de futebol em Nova York logo depois de ter pedido dispensa da seleção que iria disputar o Pré-Olímpico de Atenas por causa de uma contusão no joelho direito. Mas depois disso, que eu me lembro, ele esteve em todas as convocações.

Aí eu leio manifestações de torcedores criticando Anderson Varejão. Varejão??? Caramba, não me lembro de ele ter recusado convocação para torneio importante.

Já vi até críticas a Tiago Splitter. Pode? Tanto pode que criticaram também.

Então, volto a perguntar: vocês acham que os caras não ficam sabendo dessas críticas, a maioria delas, a meu ver, gratuitas? Claro que ficam.

E os caras, a meu ver também, têm todo o direito de se indignar com ataques pra mim muitas vezes gratuitos, digo uma vez mais. E devem pensar: “Pra que vestir a camisa da seleção? Pra correr o risco de perder e ser chamado de mercenário e ‘americano’? Vale a pena?”

Volto a dizer: os argentinos idolatram e reverenciam seus ídolos. Nós, ao contrário, adoramos atacar. Como costumo dizer, o exercício favorito do brasileiro é acordar de criticar o Pelé.

O argentino faz isso com Maradona? Não; ao contrário, tratam o ex-jogador com deus. Aliás, é o apelido dele.

Ah, o Pelé fala muita bobagem, alguém pode dizer. Mais do que o Maradona?

Não estou dizendo que eles estão fazendo isso, mas se um desses atletas der um pé na bunda da seleção, a gente tem que entender. Nós não merecemos que eles vistam nossa camisa.

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sexta-feira, 17 de junho de 2011 basquete brasileiro, Seleção Brasileira | 21:07

A CONVOCAÇÃO DE LARRY TAYLOR

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Rubén Magnano, treinador argentino que dirige a seleção brasileira, convocou na manhã desta sexta-feira 20 jogadores que vão fazer parte de um trabalho inicial visando o Pré-Olímpico de Mar del Plata,

O torneio argentino será disputado de 30 de agosto até 11 de setembro. Reserva duas vagas para os Jogos Olímpicos de Londres no ano que vem.

Magnano convocou na manhã desta sexta-feira 20 jogadores e entre eles selecionou o norte-americano Larry Taylor. O chamamento do jogador do Bauru foi o assunto do dia.

Uns discordaram, outros concordaram. O que eu acho? Eu achei ótimo, pois o Brasil precisa mesmo de um armador para ajudar Marcelinho Huertas a carregar o piano da armação, já que os armadores ainda não foram extintos do basquete.

Já disse, meio que por cima, neste botequim, acreditar que no futuro (não sei se distante ou não) os melhores times de basquete não contarão mais com armadores. Eu os considero raça em extinção.

Mas esse não é o assunto de momento. O assunto de momento é Larry Taylor.

Os que torceram o nariz para a convocação do americano o fizeram: 1) nacionalismo; 2) falta de identificação do jogador com o país.

No primeiro caso, entendo, respeito, mas não concordo. Sou da opinião do Oscar Schmidt, um dos maiores nacionalistas deste país: o Brasil precisa buscar alternativas para sair do buraco em que se encontra.

Verdade, o Brasil não tem sido mais o mesmo. No século passado, num ranqueamento feito pela Fiba, nosso selecionado masculino ficou em quarto lugar se não me engano, atrás apenas de EUA, Rússia, que ficou com os resultados da extinta URSS, e Sérvia, que ficou com os resultados da igualmente extinta Iugoslávia. Depois veio o Brasil.

Mas esse Brasil não existe mais. Não conseguimos produzir jogadores que saibam pensar o jogo e conduzir a bola. Nossa produção se limita atualmente a brutamontes — não que eles não sejam importantes, claro que são; mas só brutamontes não dá.

Por conta disso, a presença de Taylor (Foto Site Oficial) em nosso selecionado será muito bem vinda.

No segundo caso, de fato não deve existir muita afinidade de Larry com o Brasil. Tanto que ele se encontra nesse momento nos EUA.

Mas até que ponto isso pode prejudicar o trabalho do armador norte-americano com o selecionado brasileiro? Pode prejudicar se ele não compreender o espanhol de Magnano ou o português do resto do grupo.

Claudio Mortari, ex-treinador do Sírio campeão do mundo na década de 1970, e da seleção brasileira na década seguinte, disse que essa falta de identificação pode sugerir falta de comprometimento.

Disse Mortari: “Jogador estrangeiro, quando perde, vai para o aeroporto, pega o avião e vai embora”.

Mortari trabalhou com muitos “gringos” na carreira. Deve saber o que fala. Mas eu pergunto: será que vale para Larry Taylor?

Não sei.

O que sei é que o Brasil precisava mesmo de um jogador para a posição. Shamell Stallworth, do Pinheiros, é ala-armador e não armador. Não é o que Magnano precisa.

Shamell tem grande afinidade com o Brasil e assim como Taylor está em processo de naturalização. Ele é casado com uma brasileira e seus filhos são brasileiros. E fala um português fluente.

Mas Shamell não é armador, ele é ala-armador. E como Magnano acha que armadores não estão em extinção, Shamell ficou de fora e Larry foi convocado.

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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011 NBA | 17:31

LAKERS: UMA VITÓRIA EMBLEMÁTICA

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Agora sim: o que o Lakers jogou ontem diante do Celtics, em Boston, o credencia ao título. Até então, nas últimas semanas, o time jogava um basquete de enervar qualquer cristão. E de envergonhar os torcedores que observam com olhar crítico os jogos de basquete.

O time angelino fez de tudo em quadra. Mas o mais importante foi saber sair de uma situação adversa. Chegou a estar 15 pontos atrás no marcador quando Ray Allen (a estrela da noite) deu uma enterrada e colocou o Celtics na frente em 45 a 30, na metade do segundo quarto.

O TD Garden, que estava em chamas por conta do recorde de Allen (tornou-se o maior artilheiro de três na história da NBA), quase foi abaixo. Esta vantagem de 15 pontos perdurou até Kevin Garnett fazer 49 a 34 a 3:31 minutos do final do segundo quarto.

Como um campeão, do alto de seu título, o Lakers foi reagindo, reagindo, fez uma corrida de 21 a 4 (Derek Fisher sete pontos; Kobe Bryant, 6; Pau Gasol, 4; Shannon Brown, 2; e Andrew Bynum, 2) e pulou na frente em 55 a 53, logo no comecinho do terceiro quarto.

Com isso, equilibrou o jogo e calou os enfurecidos torcedores do Celtics, talvez os mais violentos da NBA. Não concorda? Ora, você se esqueceu das histórias de chacoalhar e atirar pedras no ônibus do Lakers sempre que o time de Los Angeles vai à capital de Massachusetts? É o único lugar no mapa da NBA onde eu tive notícias desse tipo.

Mas eu dizia que o Lakers ao fazer esta corrida de 21 a 4 equilibrou o jogo e calou os enfurecidos torcedores do Celtics. O jogo foi assim até o final do terceiro quarto, finalizado em 72 a 68 para o Lakers.

O quarto final acabou com o placar de 20 a 18 para o time californiano, mas deveria ter acabado com 22 a 16 se Lamar Odom não tivesse perdido várias oportunidades debaixo da cesta no finalzinho da partida. No contra-ataque, Allen enterrou mais uma bola, sem marcação alguma por parte dos jogadores do Lakers, deu números finais ao quarto (20 a 18) e à partida (92 a 86).

Era a vitória que o Lakers precisa para recuperar a auto-estima, intimidar os adversários e mostrar aos mais céticos (como eu) que o time está mais vivo do que nunca no campeonato.

RAIO-X

Alguns fatores levaram o Lakers à vitória.

1) Jogo coletivo — Nada menos do que cinco jogadores tiveram duplo-dígito na pontuação: Kobe Bryant, 23; Pau Gasol, 20; Andrew Bynum, 16; Shannon Brown, 12; e Lamar Odom, 10;

2) Bynum, Lamar e Gasol jogaram muita bola. Pegaram 31 dos 47 rebotes da equipe. E juntos anotaram 46 pontos. Em contrapartida, Kevin Garnett, Kendrick Perkins e Glen Davis fizeram 31 pontos e pegaram 25 rebotes;

3) Com o garrafão controlado, o Lakers contou com a atitude alucinada de Ray Allen em quadra, que queria porque queria (como diz o Galvão Bueno) bater o recorde de Reggie Miller nas bolas triplas. Allen, que acabou batendo o recorde, fez 3-8 nas bolas de três e comprometeu o desempenho ofensivo do time;

4) Kobe Bryant (foto AP) mais uma vez não forçou o jogo. Foi tudo naturalmente. Cravou 9-17 (52,9%) nos arremessos. Dos últimos cinco jogos, o Lakers venceu quatro. Perdeu só para o San Antonio. Nas vitórias diante de Houston, New Orleans, Memphis e Boston, Kobe fez 38-81 nos arremessos, o que dá um desempenho de 46,9%. Muito bom! Na derrota para o Spurs, ele fez 5-18 (27,7%). É isso: é só Kobe não forçar o jogo que as vitórias surgirão bem mais do que as derrotas.

Creio que isso explique a vitória do Lakers.

Maiúscula, pra recuperar a auto-estima, intimidar os adversários e mostrar aos mais céticos que o time está mais vivo do que nunca no campeonato.

MILESTONE

Faltava 1:48 minuto para o final do primeiro quarto quando Ray Allen acertou uma bola de três da meia direita do ataque do Boston. Levou o placar em 22 a 14 em favor do Celtics e entrou para a história da NBA como o maior artilheiro de bolas longas. Foi saudado até mesmo pelo seu maior desafeto na liga, Kobe Bryant (foto Getty Images).

Atingiu naquele momento 2.561 tiros triplos corretos em sua carreira de 14 anos na NBA. Miller fez 2.560 em 18 anos. Allen precisou de 6.430 chutes para atingir a marca, enquanto que Miller solicitou 6.846 arremessos.

Um parceiro aqui do nosso botequim perguntou-me quem eu acho que são os cinco maiores cestinhas de três da história da NBA.

Pela ordem eu respondo:

1) Ray Allen
2) Reggie Miller
3) Steve Kerr (pela frieza e eficiência nos momentos decisivos)
4) Robert Horry (idem)
5) Oscar Schmidt

Sim, eu sei, o Mão Santa jamais jogou na NBA. Mas se tivesse jogado, com 2,04m (na época os alas eram bem menores), braços longos, encaixe da bola perfeito nas mãos, personalidade forte e infalível atrás do arco dos três, certamente Oscar teria entrado para a história da NBA neste fundamento.

Scottie Pippen, que o marcou nos Jogos Olímpicos de Barcelona-92 e Atlanta-96 reconhece a genialidade de Oscar. Barkley é outro que estende o tapete vermelho para o nosso ídolo.

Sem falar em Kobe Bryant, que depois do pai, Joe, tinha em Oscar o seu maior ídolo na infância.

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sábado, 1 de novembro de 2008 NBA | 12:59

NENÊ ARREBENTA EM VITÓRIA DO DENVER EM LA

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Os números são dignos de um grande jogador. Nenê (foto AP) arrebentou ontem na vitória do Denver sobre o Clippers (113-103), na prorrogação. O brasileiro marcou 22 pontos, apanhou 11 rebotes e deu três tocos. Tudo isso em 34:45 minutos. Só não ficou mais tempo em quadra porque deixou o jogo com seis faltas.

Este foi o lado ruim da história escrita ontem à noite em Los Angeles: pela segunda vez em dois jogos Nenê saiu mais cedo da partida. Tudo bem que ontem ele cometeu sua falta derradeira a 30 segundos do final da prorrogação com o Denver na frente em 110-100; mas é preciso tomar cuidado.

O fato indica, no entanto, duas coisas: 1) Nenê não está se poupando em quadra, numa demonstração inequívoca de que tem a saúde 100% boa e não teme cara feia; 2) É preciso saber dosar essa agressividade para não deixar o time na mão no futuro em momento delicado do embate.

A vitória foi suada; o time precisou do tempo extra para realizá-la, como vimos. O Nuggets teve que tirar uma desvantagem de 18 pontos ao final do primeiro tempo. Houve defeitos, especialmente defensivos durante todo o período inicial, mas é mais fácil fazer os ajustes com vitórias do que com derrotas.

Importante dizer: Carmelo Anthony completou ontem seu segundo jogo da punição por dirigir embriagado no final de abril. Mas se o Denver não pôde contar com seu ala fominha e talentoso, o time californiano praticamente jogou sem seus dois principais jogadores, o armador Baron Davis e o pivô Marcus Camby. Davis, na verdade, atuou 13 dos 53 minutos que durou a partida, pois contundiu-se no início do segundo quarto, enquanto que Camby, também lesionado, nem em quadra entrou.

Com números apagados (9-19 nas bolas duplas, 1-5 nas triplas e 6-10 nos lances livres), Allen Iverson deixou a partida como herói. Tudo porque fez nove de seus 25 pontos na prorrogação. Ou melhor: nos últimos 3:35 minutos.

Como sempre diz Oscar Schmidt: cestinha tem que ser cara de pau, mesmo com a mão descalibrada, tem que continuar tentando. E foi o que Iverson fez.

Para quem a gente vai dar o motorrádio como melhor jogador em quadra? Como um dia disse Dadá Maravilha, o rádio vai para Iverson e a moto para Nenê.

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