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sábado, 22 de setembro de 2012 NBA | 01:06

E SE MICHAEL JORDAN NÃO FOSSE JOGAR BEISEBOL?

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O site Hoopsworld faz um “what if” que a gente já cansou de discutir aqui neste botequim: se Michael Jordan não tivesse deixado o basquete para brincar de jogar beisebol na segunda divisão da MLB, o Houston teria vencido dois campeonatos? Ou então: se MJ ficasse com o Bulls, teria conquistado oito ao invés de seis anéis?

Eu já dei minha resposta: sim. Se MJ não tivesse parado com o basquete para se aventurar no beisebol (o que diziam na época é que esta seria uma homenagem dele ao pai, assassinado meses antes, que gostaria muito de vê-lo como jogador de beisebol e não de basquete), o Chicago teria enfileirado oito títulos.

A diferença do Chicago para os outros times era grande demais. No segundo Three Peat o time melhorou ainda mais com a contratação de Dennis Rodman, e com um Toni Kukoc mais experiente e a chegada de Ron Harper, que era a grande estrela do Cleveland e que desembarcou em Chicago vindo como FA depois de três temporadas em Ohio.

Mas Kukoc chegou no ano em que MJ parou. Neste mesmo ano aportaram Steve Kerr, Bill Wennington e Luc Longley, que fizeram parte do segundo Three Peat. No ano seguinte, o time perdeu Horace Grant para o Orlando. Mas o núcleo estava intacto. Ou seja: ele, Scottie Pippen, John Paxson, BJ Armstrong, Bill Cartwright. O time estava lá e tinha ganhado um baita reforço em Kukoc.

Hakeem Olajuwon (foto marcando Shaquille O’Neal na final de 95), para muitos o maior pivô da história da NBA na era moderna, bicampeão com o Houston, discorda veementemente daqueles que cravam no sim, como eu. Diz Hakeem: “Qualquer pessoa que tem noção de basquete, que entende o jogo, sabe que teríamos vencido de qualquer maneira (…) As pessoas não dão crédito ao Orlando, que bateu o Chicago com Jordan”. Ou seja: o Orlando, na opinião de Hakeem, foi o legítimo representante do Leste.

Mas aqui é preciso um esclarecimento: Hakeem se refere ao segundo ano, quando MJ voltou no meio da temporada regular. Voltou com a camisa 45 (lembram-se?) e foi batido pelo Orlando nas semifinais dos playoffs por 4-2. Quando a série foi liquidada, Nick Anderson (foto marcando MJ), ala do Magic, declarou: “Esse Jordan 45 não tem nada a ver com o Jordan 23”. Ou seja: aquele MJ, ainda fora de forma, não era o verdadeiro MJ. Isso responde a Hakeem.

Se aquele fosse o MJ 23, o Orlando de Shaquille O’Neal, Penny Hardaway, Horace Grant e Nick Anderson não teria eliminado o Chicago. Tanto que no ano seguinte, com o mesmo time da temporada anterior e ainda mais experiente, o Orlando foi surrado pelo Chicago na final da conferência por 4-0. E MJ disse a Anderson depois da série: “O 23 está de volta”.

Hakeem disse também que o grande problema do Rockets era o Seattle e não o Chicago. “Quando a gente enfrentava o Chicago, eles sabiam que perderiam não só para nós, mas para o San Antonio também”.

No caso do San Antonio eu me lembro; no caso do Houston eu tenho dúvidas. Sempre que o Chicago jogava em San Antonio, invariavelmente perdia. David Robinson se transformava em um monstro e fechava completamente o garrafão. Lembro-me de uma ocasião em que ele deu um toco espetacular em cima de MJ. Ataque do Bulls do lado direito da câmera de televisão, Jordan na meia direita, cortando Vinnie Del Negro, indo para a enterrada e The Admiral fazendo como o velho Dikembe Mutombo.

Sim, o Bulls tinha sérios problemas contra o SAS de Robinson, Del Negro, Doc Rivers, Moses Malone e Sean Elliot quando o jogo era no Texas. Mas não me lembro de o Houston criar problemas para o Chicago.

E aquele SAS só parava diante do Rockets. David Robinson tinha traumas diante de Hakeem. O pivô do Rockets humilhava o oponente; sempre. Lembro-me que eu gostava de Robinson e torcia para que ele suplantasse Olajuwon. Mas não tinha jeito. O Houston passou pelo San Antonio por 4-2 naquela final do Oeste.

O jogo do SAS se encaixava com o jogo do Bulls, mas não tinha respostas para os problemas que o Houston apresentava. Talvez se a final fosse contra o Spurs o Bulls pudesse ter problemas; talvez; mas diante do Houston, jamais.

Hakeem limitou-se a falar da final de 1995. Na matéria, ele não fala sobre 94. Deveria. O Chicago de 94 parou no New York, que fez a final diante do Houston. Os texanos venceram por 4-2. Não teriam vencido se MJ lá estivesse. O NYK fez 4-3 diante do Indiana do menino Reggie Miller e do experiente Byron Scott e foi para a final enfrentar o Houston que tinha feito 4-1 no Utah de John Stockton e Karl Malone.

Aquele playoff do Oeste foi um playoff esquisito, pois não contou com a presença do Lakers. Os californianos eram um time sem identidade, que contava com um James Worthy em final de carreira e cujo quinteto titular era apenas razoável: Nick Van Exel, George Lynch, Doug Christie (que meu filho chamava de “triste”), Elden Campbell e Vlade Divac.

Mas não é do Lakers que falamos. Falamos do Houston. E volto a dizer: se MJ não tivesse deixado o basquete para brincar de jogar beisebol, o Bulls teria enfileirado oito títulos. E se ele não abandonasse em 1998, depois do segundo Three Peat, talvez fossem nove. Até porque aquele campeonato foi mais curto por causa do locaute. MJ, aos 36 anos, teria suportado numa boa.

A gente fala sempre em oito títulos. Na verdade, poderiam ter sido nove. E Hakeem e o Houston não teriam vencido nenhum. E o primeiro campeonato do San Antonio talvez não tivesse vindo.

Michael Jordan era realmente fenomenal. E aquele time dirigido por Phil Jackson era imbatível numa série melhor de sete. Não vi o Boston de Bill Russell jogar. Dos times que vi em ação, nenhum se comparou ao Chicago.

Nove títulos; isso mesmo, nove títulos. Não foram nove porque Jordan tinha umas manias que a gente nunca conseguiu entender.

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