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terça-feira, 21 de agosto de 2012 NBA, outras | 19:36

LÁ COMO CÁ É TUDO IGUAL: SELEÇÃO LESA TIMES E FICA POR ISSO MESMO

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Lá como cá é tudo igual. Explico: por conta dos Jogos Olímpicos, o Clippers perdeu Chris Paul para o “training camp”, que começa no dia 29 de setembro próximo.

CP3 (foto) rompeu os ligamentos do dedão da mão direita durante a preparação do time norte-americano para os Jogos de Londres. Postergou a cirurgia para não perder a competição e hoje entrou na faca. Vai ficar dois meses em recuperação. E que se dane o Clips, que pagará a ele nesta temporada US$ 17,77 milhões.

CP3 vai perder o período de preparação e, com isso, não vai treinar com os novos companheiros, como Lamar Odom, Grant Hill, Ronnie Turiaf, Ryan Hollins e Jamal Crawford. Ou seja: perderá importante tempo para buscar entrosamento e decifrar as novas jogadas que serão criadas por conta da mudança da equipe.

Lá como cá, disse eu, é tudo igual. Jogador vai pra seleção, que não paga nem um centavo sequer ao time e ainda por cima o devolve machucado.

Aqui é assim também quando o assunto é esta desagradável seleção brasileira de futebol. Um porre; não tem nada mais inconveniente do que este selecionado que não para de jogar e arrebenta os times durante a temporada.

Vejam o caso do Neymar: o Santos o empresta gratuitamente à seleção, quando a seleção deveria pagar pelos dias que fica com o jogador. Não paga nada e ainda o entrega arrebentado. E o Santos pagará a Neymar nesta temporada R$ 36 milhões, que se traduzido em moeda norte-americana teremos algo em torno de US$ 18 milhões; ou seja, o mesmo salário de CP3 no Clips.

E não me venham com essa de que não é o Santos quem paga a totalidade deste salário. Verdade, o clube paga um terço disso, os outros dois terços vêm de receitas criadas pelo clube e não por nenhum benfeitor.

Além disso, neguinho que não torce para o Santos (ou para o São Paulo se o exemplo for o Lucas; ou para o Inter, se o exemplo for o Leandro Damião), neguinho não torce para qualquer um desses times ainda fica enchendo o saco se o jogador não atua bem. Ora, vão todos plantar batatas!

Lucas, Damião e Neymar (foto) não são da seleção. Eles pertencem a seus clubes, que os emprestam à seleção, que não paga nada, devolve jogador baleado e os caras ainda têm que ouvir encheção de saco de torcedor de outro clube que fica criticando os caras porque eles não ganharam a medalha de ouro olímpica!

É o que eu sempre digo: não está satisfeito, devolve os jogadores para seus clubes. Lá eles fazem muita falta.

Agora o mesmo se passa em LA com CP3. Vejam o prejuízo que o Clips vai ter ao perder seu armador por dois meses!

Com certeza o início da competição estará comprometido. Os caras vão ter que se entrosar jogando. As jogadas serão conhecidas à medida que o tempo passa.

E quem pagará por isso? Ninguém.

Dane-se o Clips, como danem-se o Santos, o São Paulo e o Inter.

Como tenho dito na Rádio Jovem Pan: bem que essa frescura de seleção poderia acabar. O ideal seria reunir os caras dois meses antes do Mundial e ponto final. Mas não, fica uma chupinhação de quatro anos, lesando clubes e torcedores.

O Atlético Mineiro faz uma campanha maravilhosa nesse primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Mas o Santos, o São Paulo e o Inter não puderam contar com seus principais jogadores durante quase todo esse turno inicial. Então eu pergunto: essa liderança do Galo realmente reflete a realidade?

Na NBA vai ocorrer o mesmo. Certamente o Clips vai perder jogos por conta disso tudo que eu disse acima. Aí eu volto a perguntar: será que seria assim se a lesão de CP3 não tivesse ocorrido?

Olimpíadas são muito legais, Copa do Mundo de futebol é muito legal também. Mas os times são muito mais importantes do que os selecionados.

Por isso eu discordo de David Stern quando ele propõe o limite de idade de 23 anos para o torneio de basquete. Se eu fosse a NBA, não liberaria os jogadores e faria os EUA disputarem as Olimpíadas novamente com os jogadores universitários.

Os profissionais custam muito dinheiro às franquias. Essa lesada que elas sofrem, a mim, é um escândalo.

Claro que Stern e a NBA não querem isso. Eles querem seus jogadores enfrentando a molecada do resto do planeta e eles ganhando (como vão ganhar) a medalha de ouro. E o mundo dizendo que o futuro da NBA será sensacional por causa da medalha de ouro olímpica conquistada pela molecada norte-americana.

Repito: uma vergonha, uma chupinhação e uma encheção que não têm fim.

Lá e cá.

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 NBA, outras | 19:15

MINHA CONSCIÊNCIA PESA QUANDO O ASSUNTO É OKLAHOMA CITY E KEVIN DURANT

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Não tenho o hábito de ver o Oklahoma City Thunder jogar. Confesso que o time não me atrai. Custou para eu me render ao jogo de Kevin Durant. Mesmo assim, não o incluo entre os jogadores espetaculares desta liga, como LeBron James, Dwyane Wade, Derrick Rose e Kobe Bryant.

O Thunder está quase que perfeito. Desce redondo, como diz o reclame de cerveja. É o vice-líder da NBA com uma campanha de 24 vitórias e apenas sete derrotas. Está em segundo lugar porque o Miami, líder geral, fez uma partida a mais e venceu, chegando a 78.1% de aproveitamento, contra 77,4% do OKC.

Mas, sei lá, falta alguma coisa no time da terra dos tornados para me seduzir definitivamente.

Acho que é como comparar Neymar a Lucas. São dois grandes jogadores, mas Lucas não tem appeal — e, claro, joga menos bola do que Neymar. Mas trata-se de um grande jogador também. Mas não tem appeal. Ninguém deixa de fazer o que está fazendo para vê-lo jogar; mas muitos param de fazer o que estão fazendo para ver Neymar em ação.

KD é assim pra mim: é um baita jogador, mas eu não perco minhas horas de sono para vê-lo em exibição. Sinto que estou em débito com vocês e comigo mesmo. Mas eu não posso trair meus sentimentos, embora minha consciência esteja pesada.

Ontem, diante do Denver, Durant barbarizou. Pela primeira vez na carreira ultrapassou a barreira dos 50 pontos. Para ser exato, chegou aos 51. E fez 19-28 (67,9%) nos arremessos de um modo geral e 5-6 (83,3%) nas bolas de três. Nos lances livres, 8-10 (80,0%). Um espetáculo, como não; um espetáculo que eu não vi porque confessei a vocês que tenho estado refratário ao OKC.

Bobo de mim.

Mas não foi somente KD quem barbarizou e me deixou com a consciência ainda mais pesada: Russell Westbrook fez 40 pontos! Quatro dezenas de pontos que se somaram a nove assistências e o transformaram em um dos símbolos desta vitória do Thunder.

Os dois juntos, vocês devem ter percebido, anotaram 91 dos 124 pontos do OKC na vitória sobre o Denver, que anotou 118 e foi para o vestiário chupando o dedo. 91 pontos significam 73,4% da pontuação. Muita coisa.

Mas deixei para o final o que mais me chamou a atenção: o “triple-double” do espanhol Serge Ibaka: 14 pontos, 15 rebotes e 11 tocos! Isso mesmo: 11 tocos! Não é fácil dar 11 tocos, mas este nativo da República do Congo tem o dom de dar tocos. Isso nasce com o cara, pois há que se ter tempo de bola, impulsão e inteligência para perceber quando o trouxa vai cair na armadilha. Na foto AP, um deles em cima de Aaron Aflalo.

Fico imaginando esse time com Nenê Hilário no pivô. Sim, Nenê, pois Kendrick Perkins, por mais que a mídia americana queira atribuir qualquer virtude a seu jogo, ele não passa de um pivô fraquinho, fraquinho. Nenê daria o toque de qualidade que esse time precisa para ser encarado como um definitivo e sério contendor do Oeste.

É um dos melhores times da NBA? Claro que é. Mas é agora. Será que será quando os playoffs chegarem?

Esta é a minha dúvida.

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domingo, 13 de novembro de 2011 Sem categoria | 12:42

STERN APONTA AGENTES DOS JOGADORES COMO EMPECILHO PARA FIM DO LOCAUTE

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Os jogadores devem dizer não à última e derradeira proposta recebida pelo sindicato na última quinta-feira. Com isso, poderemos ter cancelada toda a temporada. Será uma tragédia.

David Stern, o comissário da NBA, já encontrou um dos vilões da história: os agentes dos jogadores. Segundo ele, talvez o maior de todos, pois eles estariam sabotando o possível acordo.

Claro que os agentes não são o único “culpado” deste imbróglio todo, mas que Stern tem uma boa dose de razão, isso tem. Os agentes, todos nós sabemos são gananciosos, só pensam no dinheiro e, consequentemente, não estão nem aí para o aspecto esportivo, moral e social.

É assim na NBA e no futebol, por exemplo.

Vejam o caso do Neymar, atacante santista que além de driblar botinadas adversárias driblou a empáfia de europeus falidos que ainda insistem em sustentar a realeza na barriga.

Se dependesse de seu agente, Vagner Ribeiro, Neymar teria ido para o Real Madrid. E por um simples motivo: lá, a joia santista iria ganhar muito mais — se é que de fato iria mesmo ganhar muito mais.

Ribeiro (jocosamente chamado de Vagner Dinheiro) não considera o aspecto pessoal, a felicidade de seu cliente. Para ele, a grafia da palavra felicidade poderia ser mudada para feli$$idade.

Neymar, no Brasil, está ao lado da família e dos amigos. Neymar, no Brasil está ao lado do filho, Davi Lucas, por quem ele tem um amor de pai no sentido mais pleno do sentimento. Neymar, no Brasil, passeia de iate pela ilha do Guarujá, ao lado de duas portentosas mulheres, e não é censurado por ninguém.

Isso é viver. Como disse a manchete da “Folha de S.Paulo” da última quarta-feira: “Europa, pra quê?”

Certa vez eu li em um livro do deputado federal Fernando Gabeira (acho até que não é de cunho dele) onde ele dizia: “Trabalho pra viver; não vivo pra trabalhar”.

Perfeito.

Ser humano que pensa ao contrário, a meu ver, é um infeliz. Ser humano que tira férias e depois de dez dias não vê a hora de voltar a trabalhar, a meu ver, é um ser melancólico.

O trabalho é importante, mas não pode ser o único e nem o principal fator de felicidade do ser humano.

Voltando à NBA e ao locaute, os jogadores têm que estar à procura da felicidade. Claro que eles não podem se sujeitar à pressão patronal, mas também não podem se deixar levar pela ganân$ia dos agentes.

Quando Michael Jordan jogava, seu agente era um cara chamado David Falk. Falk tinha em mãos os principais jogadores da NBA na época. Tanto que a mídia dizia que era ele quem montava os times.

Falk (na foto entre MJ e Charles Barkley) agenciava, além de MJ e Barkley, Moses Malone, Allen Iverson, John Stockton, Dominique Wilkins, James Worthy, Patrick Ewing, Alonzo Mourning, Dikembe Mutombo, Glen Rice e Stephon Marbury, por exemplo.

Sua ganân$ia, o derrubou. Hoje, Falk tem em mãos jogadores medianos. Seu melhor cliente é Elton Brand.

Os jogadores podem dar atenção à palavra de seu agente, mas ela não pode ser a definitiva.

No contexto atual, os agentes atuais estão pre$$ionando os jogadores. E estão tramando também. Tanto que alguns deles já deixaram claro: se o locaute terminar, vão endurecer para negociar com os donos dos times que estão brigando por uma fatia maior no bolo do BRI (Basketball Related Income), que é tudo o que a NBA arrecada.

Elegeram Michael Jordan como principal vilão. Alguns chegaram a dizer que não vão deixar seus jogadores atuar no Charlotte de MJ.

Como assim não vão deixar? Jogador não tem voz-ativa? E a vontade e a felicidade dos jogadores, não conta?

David Stern tem razão: os agentes estão de fato dificultando o processo todo. Já disse a vocês e relembro, pois é importante relembrar uma vez que esta informação tem papel relevante na história: os agentes ficam com 4% do valor dos contratos assinados.

Ou seja: quanto mais de grande monta for, melhor.

Por que eles iriam incentivar os jogadores a dar voz a sentimentos como os de felicidade se eles podem incentivá-los a pensar em feli$$idade?

David Stern não é santo nessa história. História, aliás, que não tem santo em nenhum dos lados. Mas que os agentes são agentes que disseminam a discórdia, disso eu não tenho a menor dúvida.

Seria muito bom para o esporte que esse tipo de personagem fosse banido. Os jogadores poderiam se fazer representar, por exemplo, por advogados no momento de assinatura de contratos. O escritório de advocacia cobra X pelo trabalho e ponto final.

Infelizmente, o agente surgiu em determinado momento da história. Os olhos arregalado$ e gulo$os dos agentes são, de fato, um estorvo muito grande na NBA, no futebol e em qualquer outra modalidade esportiva.

Se os jogadores querem mesmo colocar um ponto final no locaute, eles devem ouvir a voz que vem do coração.

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sexta-feira, 7 de outubro de 2011 NBA, outras | 19:49

O EXEMPLO QUE VEM DA NBA

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Em sexta-feira de escassez no basquete, peço licença a vocês para falar do calendário do futebol brasileiro, divulgado no começo desta tarde pela CBF. Calendário? Não, na verdade um lixo foi divulgado pela CBF.

Se vocês não tomaram pé da notícia, clique aqui e veja o que a CBF divulgou.

Já passou da hora de se criar uma liga no futebol brasileiro. Infelizmente, a Lei Pelé vincula a criação da mesma à aprovação da CBF. Um erro, pois se os interesses dos clubes conflitarem com os da entidade, ela tem o poder de vetar a criação.

Mas, mesmo assim, com jeitinho, creio que os clubes conseguiriam aprovar a criação da liga por parte da CBF sem ter que recorrer a medidas extremas. Medidas extremas? Sim, como criar a liga à força, nem que isso representasse nos tornarmos marginais aos olhos da Fifa.

NBA

Aliás, se a gente for ver, a NBA sempre trabalhou à margem da Fiba. Ela não reconhecia o profissionalismo dos jogadores norte-americanos e, por conta disso, não permitia a participação dos mesmos em Mundiais e Jogos Olímpicos.

Quando a Fiba se tocou que o mundo tinha desviado seus olhos para a NBA, ela cedeu e resolver aceitar os profissionais em suas competições, abrindo as portas para que fosse criado o maior time de basquete de que se tem notícia: o “Dream Team” que participou e ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

Mais do que aceitar os profissionais norte-americanos, a Fiba adaptou regras da NBA para o basquete mundial, pois o basquete da NBA era muito mais atraente.

Relógio dos 24 segundos, oito segundos para se passar da defesa para o ataque, semicírculo dentro do garrafão, cronômetro não voltando para os 24 segundos quando o ataque recupera a posse de bola por conta de uma infração, linha dos três pontos mais distante do aro, jogo dividido em quartos e não em tempos — e por aí vai. Aliás, acho que não vai demorar muito para que a Fiba passe as partidas para 48 ao invés dos atuais 40 minutos.

O resultado desta aproximação da Fiba com a NBA é que o basquete passou a ter uma visibilidade maior em todo o planeta. Onde as estrelas da NBA jogavam, com a camisa dos EUA, havia (como há) grande histeria por parte dos fãs.

Não só os EUA, diga-se, mas seleções europeias, sul-americanas, asiáticas e oceânicas também. Sim, pois elas passaram a contar com jogadores da NBA, uma vez que a liga norte-americana, de olho no mercado mundial e no dinheiro do resto do planeta, começou a importar craques destes continentes.

REALIDADE

Voltando ao futebol, eu pergunto: interessaria para a Fifa deixar o Brasil à margem? Interessaria para a Fifa fazer uma Copa do Mundo sem o Brasil? Interessaria também para a Conmebol fazer uma Libertadores sem times brasileiros?

Antes de cobrir o Mundial da Alemanha, em 2006, eu achava que a Copa do Mundo aconteceria numa boa sem o Brasil. De fato, a Copa acontece sem o Brasil, mas perde muito de seu charme e de seu interesse ($).

Constatei nas ruas da Alemanha uma infinidade de torcedores com a camisa do Brasil. E não eram apenas brasileiros: eram brasileiros e gente de todo tipo de nacionalidade.

As vitrines das lojas de material esportivo tinham fardamentos da Alemanha, Brasil e outras seleções que se revezavam. Os outdoors e cartazes espalhados pelo país divulgando o Mundial exibiam, basicamente, jogadores alemães e brasileiros.

Creiam, quando o assunto é futebol, o Brasil é atração por onde passa.

Eu achava que era “coisa de brasileiro” essa história de que Copa do Mundo sem o Brasil não tem graça. Mas depois do Mundial da Alemanha eu mudei de opinião.

Por isso, repito: interessa para a Fifa fazer uma Copa do Mundo sem o Brasil? Interessa para a Conmebol fazer uma Libertadores sem times brasileiros?

Uma ova!

Somos atrações de bilheteria. Jogos do Brasil estão sempre com sua lotação esgotada. E a Rede Globo paga fortunas por estas competições para exibi-las em nosso país.

EXTREMISMO

Assim, se uma atitude extrema, radical, tiver que ser tomada, que se tome. Está na hora de a CBF tratar com respeito nossos times.

Calendário que não prevê a paralisação do Campeonato Brasileiro quando a seleção joga tem que ser jogado no lixo. É isso que os clubes deveriam fazer.

Vejam o caso Neymar/Santos. Comenta-se que o jogador recebe R$ 1 milhão por mês. De acordo com o calendário, Neymar vai ficar quatro dos 12 meses do ano que vem na seleção. Ou seja: por ano, a CBF “rouba” do Santos R$ 4 milhões! Aliás, isso está ocorrendo este ano.

MODELO

A seleção de basquete dos EUA reúne-se dois meses antes de começar os Jogos Olímpicos e/ou Mundial. Depois, disputa a competição. A preparação começa em Las Vegas, depois eles partem para a Europa e finalmente chegam ao destino final.

Por que não fazer o mesmo com a nossa seleção de futebol? Aliás, isso aconteceu em 1970: nosso selecionado se reuniu três meses antes do Mundial do México e se transformou na maior seleção de futebol de todos os tempos.

É certo que já havia uma base, pois o Brasil participou das eliminatórias. Mas elas foram curtas: seis jogos contra Paraguai, Colômbia e Venezuela. Ou seja: seis datas apenas.

Mas mesmo que o Brasil não tivesse disputado as eliminatórias e Zagalo assumisse o comando do time a três meses do início do Mundial, o resultado seria o mesmo.

Reunindo-se às portas do Mundial não precisaríamos ter técnico exclusivo, os times não seriam lesados e os melhores jogadores naquele momento seriam chamados.

Seria muito simples.

UNIÃO

Mas seria importante que o mesmo fosse feito na Europa. Se os times europeus resolverem dar um basta nesta situação, a atitude seria mundial!

Eliminatórias sul-americanas com dez times divididos em três grupos (um deles ficaria com quatro, como foi em 70 com o grupo brasileiro). Brasil, Argentina e Uruguai seriam os cabeças-de-chave.

Eliminatórias europeias com fases preliminares (como é feito na Champions League) e os classificados se juntariam às grandes seleções, aquelas que importam mesmo e que chamam a atenção dos torcedores. Aquelas que vendem bilhetes e que tornam o preço dos direitos de televisão, rádio, internet, jornais e revistas caríssimos.

Assim, as eliminatórias seriam curtas em todo o planeta. Com poucas partidas, os times seriam pouquíssimos lesados, pois as seleções se reuniriam pouquíssimas vezes.

E quando chegasse o ano do Mundial, dava-se uma apertada nos campeonatos nacionais, de modo que as seleções pudessem ter um tempo maior de preparação.

FORÇA

Os clubes, infelizmente, não se tocaram para a força que têm e parecem não enxergar isso. Infelizmente, eles olham apenas para o micro quando deveriam olhar para o macro.

Lamentavelmente, os clubes olham apenas para si mesmo. Preocupam-se apenas com o seu quintal, não se apercebendo que o terreno é fértil e muito mais amplo do que seus olhos míopes conseguem enxergar.

Se isso fosse feito, creio que a maioria ficaria feliz. Claro que uma minoria, que se aproveita da situação, iria espernear.

Mas, como disse, é minoria. E a vontade da minoria não pode jamais prevalecer diante dos interesses da maioria.

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sábado, 1 de outubro de 2011 Basquete europeu, NBA, outras | 15:49

O PRIMEIRO TÍTULO DE MARCELINHO HUERTAS E O EXEMPLO DE JUAN CARLOS NAVARRO

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Marcelinho Huertas ganhou há pouco seu primeiro título com a camisa 9 do Barcelona. Bateu na final da Supercopa da Espanha sua ex-equipe, o Caja Laboral, por 82-73.

O paulistano anotou dez pontos e deu três assistências nos 30:21 minutos em que esteve em quadra. Aí eu vejo que ele teve 10 em valoração.

Por favor, se alguém puder me explicar o que isso significa, eu agradeço.

A valoração de Huertas (foto Liga ACB) foi a terceira melhor do Barça, que conquistou sua terceira Supercopa consecutiva. Ficou atrás do pivô nigeriano Boniface Ndong (24 de valoração; 12 pontos e dez rebotes) e de Juan Carlos Navarro, que teve 26.

Continuo curioso para saber o que isso significa e como é que se chega a esse número.

Valoração à parte, Navarro jogou pra burro. Anotou 27 pontos e 3/5 nas bolas de três. Foi eleito merecidamente o MVP do torneio.

Mas Huertas não ficou atrás. Com um mês de casa, joga como se estivesse no Barcelona há muito tempo. É um tormento para o adversário com seu basquete rápido e inteligente.

Agora leiam o que o jornalista Daniel Barranquero escreveu sobre Marcelinho no site da ACB: “Huertas faz cestas como se masca chicletes”.

Sensacional, não é mesmo?

NBA

Juan Carlos Navarro jogou apenas uma temporada na NBA: 2007/08. Participou das 82 partidas que o seu Memphis Grizzlies fez durante a fase de classificação. O time, no entanto, não chegou aos playoffs: foi o terceiro pior da competição.

“La Bomba”, como é chamado pelos companheiros, começou devagar, mas aos poucos foi se encontrando com a camisa 2 do Memphis. Ao final da temporada, teve médias de 11 pontos por jogo e quase 26 minutos em quadra.

Jogava ao lado de Pau Gasol e muitos acreditavam que isso pudesse deixá-lo à vontade para fazer seu jogo decolar.

Navarro não foi mal, longe disso, tanto que anotou ao longo do campeonato 156 bolas de três, duas a menos do que Kerry Kittles cravou na temporada 1996/97, estabelecendo o recorde para um “rookie”. O espanhol ainda entrou para o segundo time dos novatos e esteve no “All-Star Weekend” atuando pelo time dos “rookies” contra os sophomores.

Recrutado originalmente pelo Washington Wizards em 2002, “La Bomba” preferiu continuar no Barcelona por mais cinco anos. Ao final deste período, anunciou que iria para a NBA, mas seus direitos eram do Memphis, que o tinha negociado com o Washington.

Mas depois de uma temporada na terra de Elvis Presley, Navarro voltou para a Espanha onde assinou novo contrato de cinco anos com o Barça. Contrato este que estará vencendo ao final da temporada 2012-13.

Navarro está feliz em Barça e na Espanha. Adora jogar os torneios da ACB e a Euroliga.

Ele não precisa da NBA para ser feliz. Ele se realiza na Europa.

Vejo o caso de Navarro e ele me remete ao futebol. Neymar se realiza no Santos. No momento, ele não precisa da Europa para se completar.

Quando digo realizar, falo em bola e não em dinheiro. Mas mesmo em se tratando de dinheiro Neymar ganha aqui no Brasil quase o que o Real Madrid está oferecendo a ele por um contrato que ainda não foi assinado.

Navarro deve ganhar um bom dinheiro na Espanha. Não faço a menor ideia do valor. Na NBA, ele teria tudo para ganhar boa grana também, mas não sei se seria muito maior do que ele ganha no Barça.

Então, pra que deixar o conforto do lar, o carinho dos amigos e parentes para jogar na NBA? Só se este for realmente o desejo de Navarro; mas não é. Por isso, “La Bomba” voltou para a Espanha.

Se Neymar tiver o mesmo pensamento de Navarro, ele não deixará o Santos.

Portanto, que o exemplo de Navarro seja seguido não apenas pela joia santista, mas também pelo seu companheiro Paulo Henrique Ganso, pelo são-paulino Lucas e pelos colorados Leandro Damião e Oscar. E também por outros moleques que estarão aparecendo futuramente.

Jogar futebol na Europa tem um preço que pode ser caro demais. Jogar na NBA também. Há os que estão dispostos a pagar por isso e começa a aparecer, mesmo que timidamente, os que não estão dispostos.

Estou muito curioso para ver o que o futuro vai nos revelar.

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010 NBA, outras | 23:35

UM MODELO A SER SEGUIDO

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Na edição desta quinta-feira, o jornal “Marca Campeão” publicou uma matéria com Neymar. O eixo da notícia é que o Santos, time pelo qual o jogador atua, contratou uma especialista em mídia para ensinar o jogador a se comportar durante uma entrevista.

É o chamado “Mídia Training”. Assim foi definido o projeto pelos santistas. O curso, segundo a matéria assinada pelo repórter Fernando Prandi, terá duração de dois dias e será ministrado por Vilma Silveira, da Agência Comunicado.

Peço licença ao jornal e ao Fernando para reproduzir parte de declarações de Vilma: “(…) o clube passa para a empresa como pretende que o jogador se porte nas entrevistas e ele será treinado para isso (…) treina-se na teoria e na prática, como passar mensagens chaves positivas, além de evitar situação de desgaste da imagem”.

A preocupação da direção santista é extremamente louvável. Os clubes têm que zelar pelo seu patrimônio. Não deve se preocupar apenas com o campo de jogo. É preciso um olhar mais abrangente, que transcenda a fronteira esportiva.

Há clubes no Brasil, como São Paulo, Atlético Paranaense, Cruzeiro, Santos, Internacional, Flamengo, entre outros, que investem muito nas categorias de base. Há mais de uma centena de garotos que moram em seus alojamentos. Talvez até mais.

E o que eles fazem por lá além de jogar bola? Não sei, mas deveriam estudar. Treina-se de manhã e à tarde. À noite, escola. E depois do almoço, lição de casa.

Algo que se aproximaria do modelo norte-americano, onde os atletas, TODOS, são forjados nas escolas.

Falo tudo isso porque ao ler esta notícia no “Marca Campeão”, lembrei-me de um trecho do livro “Michael Jordan – A história de um campeão e o mundo que ele criou”, escrito por David Halberstam.

MJ, pra quem não sabe, é fruto da University of North Carolina. Ainda no começo de sua história, o autor fala sobre as exigências do técnico Dean Smith, que treinou Jordan (foto Getty Images) na universidade. Leiam:

“Os rapazes de Dean Smith tinham que assistir às aulas, e sua frequência era monitorada de perto. Eles tinham também que ir à igreja, a não ser que apresentassem uma carta dos pais dizendo que não tinham esse costume em casa. Havia todo tipo de lições que nada tinham a ver com basquete. Lições sobre como conversar com a imprensa, como olhar nos olhos dos repórteres e pensar antes de falar com eles. Eles aprendiam a lidar com o assédio das pessoas, a se vestir, a fazer o pedido num restaurante e a se levantar quando uma senhora se aproximava da mesa”.

Pois bem, o que o Santos pretende fazer com Neymar em dois dias, os atletas de North Carolina aprendem durante a faculdade. É pouco, com certeza, mas o que o Santos faz é um começo. Quem sabe daqui a alguns anos a gente não veja nestes CTs algo que se aproxime do modelo americano: bola e estudo; bola e preparação para a vida, pois, a gente bem sabe, nem todos que lá estão vão virar jogadores profissionais. E o que fazer depois da desilusão?

É pouco o que o Santos faz, mas realmente é um começo.

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domingo, 19 de setembro de 2010 outras, Seleção Brasileira | 16:12

NEYMAR E IZIANE, O QUE ELES TÊM EM COMUM?

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Carlos Colinas definiu neste domingo as 12 jogadoras que vão participar do Mundial da República Checa. Adicionou ao grupo a ala Iziane Castro e a pivô Érika de Souza.

As duas brasileiras foram muito bem na recém-encerrada temporada da WNBA. Os números comprovam isso.

Érika teve médias de 12,4 pontos e 8,3 rebotes por partida. Iziane chegou a 16,9 tentos por jogo disputado. Ambas sagraram-se vice-campeãs da liga feminina norte-americana com o Atlanta Dream, que foi derrotado na final pelo Seattle Storm.

Na quadra, justificaram a preferência do treinador espanhol que comanda o selecionado feminino brasileiro. Colinas limou da lista final Tássia e Micaela.

Sempre que falo ou ouço falar sobre Iziane me vem à mente o episódio do Pré-Olímpico da Espanha, em 2008.

MEMÓRIA

Se você não sabe ou não se lembra, conto o que houve.

Paulo Bassul era o treinador brasileiro e sacou Iziane do time num jogo contra a Bielorrússia. Quando pediu que ela voltasse, a maranhense, disse não.

Em função disso, Bassul afastou a jogadora do restante do campeonato. Iziane (foto CBB/Divulgação) jamais derramou nem uma lágrima sequer de arrependimento. Não se desculpou com ninguém: nem com o técnico e nem com suas companheiras – e muito menos com os brasileiros que acompanhavam a competição que daria uma vaga para os Jogos de Pequim.

Iziane não fez nada disso; foi mais longe ainda em sua rebeldia: disse que enquanto Bassul fosse treinador, não jogaria mais com a camisa brasileira. E cumpriu a promessa.

Com a mudança no comando da CBB (Carlos Nunes sucedeu Gerasimi Bozikis, o Grego), Hortência Marcari, nossa eterna rainha, foi chamada para comandar as seleções femininas.

Entre seus primeiros atos, foi atrás de Iziane. Queria saber dela se ela toparia voltar à seleção. Iziane deu a mesma resposta: enquanto Bassul for o treinador, não.

Hortência demitiu Bassul. Contratou Colinas. E Iziane voltou

COMPARAÇÃO 1

Este fato traz um bom paralelo com o que aconteceu com Neymar nesta semana que está se acabando. Na última quarta-feira, o novato atacante santista rebelou-se contra o treinador Dorival Júnior e contra alguns companheiros.

Tudo porque o comandante santista impediu-o de cobrar uma penalidade, conforme o que fora combinado entre eles. Tudo porque Neymar havia desperdiçado cinco delas nesta temporada e estava sendo “queimado” por conta disso.

Neymar fez um escarcéu quando o treinador determinou que outro atleta cobrasse o pênalti. Xingou o treinador e alguns companheiros, entre eles o capitão do time, o zagueiro Edu Dracena. Dentro do vestiário, depois da partida, continuou com seus faniquitos.

No dia seguinte, a direção santista, pela hora do almoço, anunciou que o jogador seria multado em 40% de seu salário. No meio da tarde, o jogador veio a público para pedir “perdão” pelo que fez.

Mas o caso não terminou aí: o treinador, insatisfeito com a punição, exigiu que o jogador fosse afastado. A diretoria aceitou e Neymar nem joga neste domingo diante do Guarani.

Iziane e Neymar; o que eles têm em comum?

COMPARAÇÃO 2

Iziane e Neymar são seres humanos vaidosos que perdem a compostura por se sentir acima do bem e do mal.

Os dois episódios são diferentes, mas semelhantes ao mesmo tempo. Dois fatos aparentemente diferentes e com desfechos diferentes.

Neymar envergonhou-se do que fez e pediu perdão; Iziane não desceu do alto de sua arrogância e conseguiu o seu intuito: derrubou o treinador Paulo Bassul.

Dois fatos diferentes e com desfechos diferentes. Enquanto a direção santista puniu a desobediência e tenta educar seu jogador, Hortência e a CBB legitimaram o erro, a indisciplina, ao ir lamber um ser humano vaidoso, entendendo, talvez, que o fim justifica os meios.

CONCLUSÃO

Deixo claro minha admiração pelo jogo de Iziane. Sem dúvida alguma ela é o que temos de melhor hoje em dia. Não à toa, brilha na WNBA, onde joga entre as melhores do mundo.

Jogaria fácil no meu time. Desde, é claro, que jogasse no lixo toda sua soberba.

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