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segunda-feira, 1 de outubro de 2012 NBA, outras | 23:26

NA NBA TÉCNICO NÃO GANHA MAIS QUE JOGADOR. NO FUTEBOL BRASILEIRO, SIM

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Tom Thibodeau assinou na tarde desta segunda-feira um novo contrato com o Chicago. Serão US$ 20 milhões por um acordo de quatro anos.

Isso vai dar a Thibs US$ 5 milhões por temporada. Por mês, US$ 416,67. Em nossa moeda, o salário anual do treinador do Bulls (foto) equivale a R$ 10,13 milhões. Se dividirmos por 12, teremos cerca de R$ 850 mil por mês.

Muricy Ramalho é o técnico mais bem pago do Brasil: renovou recentemente com o Santos por mais um ano em troca de R$ 750 mil e quando Neymar não joga, o aproveitamento da equipe é apenas 25,0% — melhor apenas do que o do Atlético-GO, lanterninha do campeonato, que tem 24,0%. Luís Felipe Scolari recebia do Palmeiras R$ 700 mil por mês. Pediu demissão há algumas semanas, pois não conseguia tirar o time da zona do rebaixamento. Tite (exceção neste deserto de competência) teve seu salário reajustado pelo Corinthians e receberá R$ 550 mil mensais. Wanderley Luxemburgo fatura R$ 520 mil do Grêmio e não ganha um campeonato importante desde 2004, quando foi campeão brasileiro com o Santos. Completando esse “top 5”, aparece Dorival Júnior, técnico do Flamengo, que recebe R$ 450 mil e não faz o time deslanchar: no returno, o rubro-negro é o 19º colocado.

Os salários de Muricy e Felipão se aproximam ao de Thibs. E olha que existe um abismo, uma distância colossal, entre os faturamentos da NBA e do futebol brasileiro.

Além disso, enquanto no basquete o técnico tem uma importância considerável, no futebol ela é muito pequena. No basquete, os treinadores podem tirar e colocar jogadores de acordo com a conveniência da partida, têm à disposição sete pedidos de tempo, mais os tempos da televisão, têm a seu favor o fato de a quadra ser bem menor do que o campo de futebol, o que permite uma interação maior entre treinadores e atletas. No futebol isso não existe. Os técnicos podem trocar apenas três jogadores, não têm os pedidos de tempo a seu favor e o campo é gigantesco se comparado com uma quadra de basquete.

Muricy (foto) mesmo costuma dizer que a importância de um treinador é de 25% no rendimento de um time de futebol. Se é tão pequena assim (e o depoimento é de um treinador que tem quatro títulos brasileiros e uma Libertadores), por que nossos cartolas pagam tanto para um treinador?

Aqui no Brasil, treinador ganha mais que a estrela do time. Vejam o caso de Neymar. O Santos paga a ele R$ 500 mil. Os outros R$ 2,5 milhões vêm de patrocinadores. Ou seja: Muricy ganha mais do que Neymar! Valdívia, maior salário do Palmeiras, ganha R$ 600 mil. Ou seja: Felipão também faturava mais do que a estrela da companhia. No Grêmio, Kléber é o maior salário: R$ 400 mil, R$ 120 mil a menos do que Luxemburgo.

Na NBA, nenhum treinador ganha mais do que a estrela do time.

Se Thibs vai ficar com US$ 5 milhões nesta temporada, Derrick Rose, o astro da franquia, tem garantido US$ 16,4 milhões. No Oklahoma City, Scott Brooks também acabou de renovar o contrato: US$ 16 milhões por quatro temporadas; US$ 4 milhões por campeonato trabalhado, enquanto que Kevin Durant, o melhor jogador do time, ganha US$ 16,6 milhões por ano. No Lakers, Mike Brown recebe US$ 4,5 milhões e Kobe Bryant US$ 27,8 milhões. Querem mais? Pois não: Doc Rivers ganha por ano do Boston US$ 7 milhões e Paul Pierce, maior salário do time, vai amealhar US$ 16,7 milhões; Gregg Popovich vai faturar US$ 6 milhões do San Antonio, já Manu Ginobili ficará com US$ 14,1 milhões.

Na Europa, treinadores também não ganham mais do que os astros. Tito Villanueva não recebe mais do que Messi; nem mesmo Pep Guardiola tinha um salário maior do que o argentino. Idem para Mourinho em relação a Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Não sei quanto ganha Roberto DiMateo, mas eu duvido que ele fatura mais do que Frank Lampard.

Enquanto isso, aqui no Brasil…

Tudo errado, minha gente. Escrevi esse post para mostrar outra das aberrações do futebol brasileiro, embora o nosso botequim seja um botequim de basquete. Mas o fiz traçando um paralelo com o basquete e principalmente com a NBA. Os cartolas brasileiros ainda não perceberam que técnico não entra em campo. Na Europa todos sabem disso; na NBA também.

Os treinadores no basquete, como disse, têm uma importância muito maior do que no futebol. Mesmo assim, eles não entram em quadra. E no futebol, onde a relação dos “professores” com o jogo é muito menor, aí é que eles têm que ganhar menos mesmo.

Nossos cartolas, lamentavelmente, ainda não se aperceberam disso. E lesam os combalidos cofres de suas respectivas agremiações pagando verdadeiras barbaridades para quem tem uma influência muito pequena no espetáculo.

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sexta-feira, 8 de julho de 2011 basquete brasileiro, outras, Seleção Brasileira | 16:29

POR FAVOR, VAMOS MUDAR O DISCO

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É cultural, não tem jeito. Time perde ou enfileira uma sequência de derrotas, pronto: a culpa é do treinador.

Vamos mudar o foco: sai o basquete e entra o futebol. Time: São Paulo. Técnico: Paulo César Carpeggiani.

Enquanto o gaúcho pôde contar com o que tinha de melhor, levou o São Paulo a cinco vitórias seguidas. Perdeu jogadores para a seleção, enfileirou três derrotas.

Foi demitido. Mas, pergunto: a culpa é toda dele mesmo por essa sequência de fracassos?

Claro que Carpeggiani tem sua parcela de culpa, mas ela é muito pequena. Ah, podia ter trancado o São Paulo na goleada diante do Corinthians (5×0). Trancar com quem? Zé Vitor? Ora, faça-me o favor.

A diretoria pediu para Carpeggiani rejuvenescer o time. Está toda enciumada com o Santos, que lança a molecada e ganha títulos. Só que pede para o treinador fazer isso e não considera a possibilidade de insucessos desse tipo.

Muricy Ramalho, o melhor treinador brasileiro no momento, sempre diz: “A parcela de um técnico num time é de 20%, o restante (80%) é dos jogadores”.

Quando a situação está complicada, aí Muricy aumenta em cinco por cento a parcela de responsabilidade do treinador: 25%.

Basquete é mais tático do que futebol, ninguém discute isso. Mas o trabalho do treinador está limitado também. Não sei quantificar, mas acho que chega no máximo em 30%, 35%. O resto é com os jogadores.

Como costumo dizer, treinador não entra em quadra. Mas não tem jeito: é cultural, time perde ou enfileira uma sequência de derrotas e pronto, a culpa é do treinador.

Agora, muitos parceiros deste botequim pedem a cabeça de Zé Neto, técnico da Sub 19. Ele tem culpa pelo insucesso do Brasil no Mundial Sub 19?

Sim, tem, claro que tem. Mas ele não entra em quadra; a culpa maior é dos jogadores.

Que culpa ele tem de Lucas Bebê ter se mostrado apático durante a competição? Que culpa ele tem de Bebê ainda ser um jogador cru, sem conhecimento de fundamentos importantes do basquete, como o drible de costas para a cesta? Que culpa ele tem de nossos jogadores não mostrarem a mesma vontade defensiva dos argentinos? Que culpa ele tem de o nosso jogador ter feito um “air ball” em seu arremesso de três para empatar o jogo, ao contrário do argentino, que encestou? Que culpa ele tem de Raulzinho Neto ter feito uma falta desnecessária no armador da Argentina quando o cronômetro mostrava seis segundos para o fim?

O armador argentino, é bom lembrar, estava desequilibrado, de costas para a cesta, e dificilmente conseguiria fazer algo de produtivo. Com a falta, houve a possibilidade do pedido de tempo e a Argentina se arrumou em quadra.

O erro de Zé Neto foi não ter mandado fazer a falta que levaria os argentinos para o lance livre. E o Brasil vencia por três pontos.

O treinador brasileiro apostou na defesa armada. Não deu certo.

Portanto, acho que está na hora de a gente parar de jogar a culpa em quem não tem tanta culpa no cartório. Repito: treinador não entra em quadra.

O Brasil fracassou contra a Argentina, fracassou no Mundial porque nossos jogadores falharam. Eles são os maiores responsáveis por isso.

Vamos jogá-los na fogueira? Claro que não. O time é promissor, tem futuro. Nossos jogadores pecaram pela juventude.

Que eles aprendam com seus erros. Que eles treinem mais, melhorem seus fundamentos. Que eles aprendam a ler o jogo com a bola em movimento.

Tudo isso, no entanto, demanda tempo. Eles são jovens demais e os erros demonstrados são perdoáveis. O que conta mesmo é que eles têm talento e potencial para no futuro continuarem fazendo de nosso selecionado um selecionado competitivo.

Com Zé Neto ou sem Zé Neto. São eles é que estão em quadra.

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