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sábado, 29 de setembro de 2012 NBA | 00:46

NBA QUER PUNIR O ‘FLOPPING’ E CAMINHA PARA A ‘FUTEBOLIZAÇÃO’ DA LIGA

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A mídia norte-americana noticia que a NBA vai punir o “flopping”. Ou seja: a simulação. Ou, se você preferir, o teatro.

Traçando um similar com o nosso futebol, seria o que fazem Neymar e Valdívia. Embora Neymar tenha diminuído dramaticamente o “cai-cai” (ele toma porrada mesmo!), o chileno do Palmeiras ainda insiste no “flopping”.

Quem seriam os caras a serem atingidos pela medida? Anderson Varejão está entre eles. E, dizem, encabeça a lista. Eu não vejo assim. Pra mim, o “flopper gangster” da NBA é Manu Ginobili (foto). Mas como o argentino tem grande nome na liga e conta com três anéis, além de jogar no San Antonio, o bucha estoura pro lado do Varejão.

Derek Fisher é outro “flopper”. Luis Scola também. Idem para Shane Battier. Querem mais? Raja Bell, Blake Griffin, Paul Pierce e Kevin Martin. A lista não é grande.

O mestre da simulação foi Vlade Divac. O sérvio era irritante. Quando jogava pelo Sacramento e duelava com o Lakers, o pessoal de Los Angeles ia à loucura com Divac.

Por falar nele, lembro-me que em 2004 eu entrei em um “Johnny Rockets” que fica na Promenade, Santa Monica (Los Angeles), e ele estava lá, sentado em um dos bancos giratórios onde é possível debruçar-se sobre o balcão. Estava só. Bebia uma Coca-Cola. Jogava no Sacramento na época, mas morava em Los Angeles. Entre, vi-o e fui ter com ele. Apresentei-me; disse que era do Brasil. Disse que era amigo de Oscar Schmidt. Contava eu que, com isso, fosse quebrar o gelo. Enganei-me. Divac não deu a menor bola pra mim ou para a minha história. Minha mulher tirou um retrato meu com Divac, eu agradeci e fui comer o meu hambúrguer.

Sujeitinho metido, disse minha mulher. Eu concordei.

Mas voltando à nossa história, dizia que a NBA vai criar regras para proibir o “flopping”. E o que isso significa? Significa que os árbitros terão mais poderes. Sim, pois o “flopping” é algo que pode ser interpretativo. Pra você pode ter sido; pra mim não.

Acho péssimo isso. A NBA está trilhando um caminho perigoso. Ela está se futebolizando — se é que existe esse termo — com certeza não existe, mas eu tomo a liberdade para essa licença poética.

A TNT já tem comentarista de arbitragem. Steve Javie, árbitro aposentado, é o Arnaldo Cesar Coelho da emissora a cabo norte-americana. Ridículo; nunca gostei disso. Arbitragem é algo que tem que passar despercebido, a menos que o erro seja grotesco. E se for, tem que ser abominado.

A NBA nunca teve isso e abre um sério precedente, pois está expondo a arbitragem de maneira covarde, como acontece no Brasil e no mundo do futebol com essas repetições em câmera lenta, onde tudo é falta, pois em câmera lenta tudo parece mesmo ser falta. Onde o tal do “tira-teima” condena um auxiliar num lance de centímetros. Covardia, como disse.

Agora vem essa história do “flopping”. A simulação nunca causou mal algum ao jogo. Nunca decidiu campeonato. Pra que fazer isso? Pra que dar esse poder ao árbitro, que, na verdade, só irá enterrá-lo aos olhos da opinião pública?

Sim, pois, como disse, o “flopping” é interpretativo. E se é interpretativo, pra mim pode ter sido e pra você não. Então, pra que isso? O que a NBA quer de fato? Quer criar polêmica? Quer, com isso, aumentar sua exposição na mídia e na boca dos torcedores?

Realmente, não gosto. Realmente, não aprovo.

É a futebolização da NBA.

Péssimo!

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terça-feira, 21 de agosto de 2012 basquete brasileiro | 22:43

VENEZUELA VAI SEDIAR A COPA AMÉRICA DO ANO QUE VEM. O BRASIL? DORME, COMO SEMPRE

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É impressionante a falta de ambição (para dizer o mínimo) da CBB (leia-se Carlos Nunes, seu presidente) em tentar massificar o basquete em nosso país. Sim, massificar, pois hoje o basquete sobrevive por conta da NBA. Pegamos carona na maior liga de basquete do planeta e ela acaba por inspirar a garotada para tentar um lugar ao sol usando a bola laranja para isso. Sim, pois o NBB ainda engatinha e embora tenha uma direção 200 vezes mais competente do que a CBB (que tem um produto melhor; leia-se: seleção brasileira), não consegue a mesma visibilidade por conta de anos negros do nosso basquete nas mãos do Gerasime “Grego” Bozikis, que afundou a modalidade, abrindo um espaço para que o vôlei crescesse e ocupasse o lugar que era do basquete num passado que já se faz perder em nossa memória.

Disse tudo isso porque acabei de saber que a Venezuela vai sediar a Copa América do ano que vem. O campeonato é classificatório para o Mundial de 2014 na Espanha. Os EUA não vão participar do torneio porque são os atuais campeões mundiais e, por causa disso, têm vaga assegurada na competição.

Quatro serão os países classificados para o Mundial. É claro que o Brasil estará entre eles, mesmo jogando na Cochinchina. Jogar em casa não será aliado para que possamos obter vaga. Jogar em casa, neste caso, volto a dizer, significa chamar a atenção de todos: mídia e principalmente dos torcedores — e principalmente dos jovens, aqueles que podem ser no futuro nossos representantes em Mundiais e Olimpíadas e/ou consumidores de uma modalidade que anda raquítica em termos de popularidade.

Nosso torcedor está carente de uma competição dessas. Há quanto tempo o Brasil não é sede de um torneio de porte no masculino? Eu já nem me lembro mais. Pesquiso e descubro: 1984, em São Paulo. Pode?

O que acontece com nossos dirigentes? Ou melhor: o que acontece com Carlos Nunes? Por que tamanha indiferença? Por que esse descaso com o nosso basquete? O que ele entende por administrar bem a modalidade? Administrar bem a modalidade significa, entre outras coisas, popularizá-la, abrir espaço para ela na mídia e no coração dos torcedores.

Já pensaram a Copa América sendo disputada por aqui? Já imaginaram o espaço que o basquete conseguiria na mídia? Na grande mídia, essa mídia que martela a cabeça do torcedor, que influencia, que forma opinião. Já pensaram a Arena HSBC no Rio servindo de palco para o evento? Já imaginaram o Brasil fazendo a final contra a Argentina, mesmo uma Argentina sem Manu Ginobili e Luis Scola?

Será que a CBB não consegue ver isso? Será que a CBB não consegue dimensionar o fato?

Lamentável.

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terça-feira, 7 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 21:45

A VITÓRIA DAS MENINAS DO VÔLEI E O JOGO DE AMANHÃ CONTRA A ARGENTINA

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Agora em casa, mas muito cansado; “working like a dog”. Feliz, todavia. Com o trabalho e com o momento olímpico. Olimpíadas deveriam ter de dois em dois anos, vocês não acham? Eu acho.

Ainda estou com o jogo do vôlei feminino entre Brasil e Rússia na cabeça. Estávamos, eu e toda a galera da Record que trabalha no cinema 3D; estávamos, dizia, todos nós no Switcher vendo o jogo. Quando nossas meninas abriram 13-10 no tiebreak concordamos: o jogo já era.

Mas aí as russas fizeram uma corrida de 4-0 e levaram o marcador para 14-13. Vi a viola em cacos. Reinaldo Gottino, que apresenta e narra espetacularmente nossos eventos, comentou dia desses: “Muitas de nossas derrotas vêm por conta do nosso emocional. Muitas vezes perdemos para nós mesmos, mais do que para os nossos adversários”.

Essa observação do Gottino veio-me à mente assim que as russas tomaram a dianteira. Pensei cá com meus botões: perdemos; e mais uma vez para a Rússia! Lembrei-me de Atenas-04.

Mas nossas meninas foram guerreiras. Mais do que isso: souberam controlar os nervos. Deram um show, uma aula de como se deve comportar num momento desses. Não deixaram nenhum filminho passar por suas cabeças. Focaram apenas no jogo; focaram apenas na vitória, pois era isso o que elas queriam.

Do lado de fora, esse magnífico Zé Roberto Guimarães dando força pra elas, tratando-as como filhotas, comportando-se como paizão que é o que de fato ele é para elas num momento como esses. Ler o jogo, pensar no jogo, escrever o jogo era importante. Mas, como Gottino disse, nosso adversário não estava na quadra. Não era a Rússia. Nosso grande adversário naquele momento éramos nós mesmos. Ou seja: eram nossos traumas. Das meninas do vôlei e de todo o esporte brasileiro. Sempre foi assim, com raras exceções.

E nesta noite londrina, nossas meninas, comandadas por Zé Roberto e sua comissão, foram exceções.

Perdiam, como contei acima, para a Rússia de 14-13, depois de uma corrida de pontos de 4-0 das adversárias. Tiveram que aguentar nada menos do que seis “match points”. Suportaram porque foram não apenas guerreiras; suportaram porque estavam com os nervos no lugar e não em frangalhos, como eu imaginei que eles ficariam quando a Rússia abriu 14-13.

Tiveram que lidar com nada menos do que seis “match points”. Até que veio a virada espetacular. A contenda estava em 19-18 para as gélidas, espigadas e lindas meninas do leste europeu, de olhos azuis hipnotizantes. Saque delas; o Brasil não podia errar. Não errou; aliás, não errou mais.

Aí foi a vez de a nossa seleção fazer uma pequena corrida de 3-0.

Primeiro, com um ataque de fundo da Sheila (no saque russo), empatamos a partida em 19 pontos. Depois, no saque recheado de veneno da Fernanda Garay, recuperamos a dianteira no marcador: 20-19. Finalmente, em outro saque da Fê, uma vez mais repleto de malícia, elas foram obrigadas a nos devolver a bola do jeito que a gente queria, na medida para ser executada: cortada precisa da Fabiana, que nos levou à loucura.

Brasil 21-19 Rússia; Brasil 3 setes a 2. Brasil nas semifinais dos Jogos Olímpicos.

As meninas pulavam, se abraçavam, mas a cena mais espetacular foi do Zé Roberto: ele mandou às favas o protocolo, a compostura, e deu um peixinho espetacular (foto Getty Images). Se pudesse, eu teria feito o mesmo.

Foi, talvez, um dos momentos mais espetaculares destas Olimpíadas. Adrenalina lá em cima, a gente, no Switcher da Record, torcendo feito malucos, certo de que iríamos perder novamente para o emocional.

Não perdemos; vencemos.

Amanhã, diante da Argentina, tem que ser assim.

NERVOS 1

Por mais que a gente controle o jogo de Manu Ginobili e Luis Scola e faça o nosso fluir, temos que ter os nervos no lugar. Eles são mestres na arte da provocação. Manu é um “flop gangster”; Scola em menor proporção. Temos que lidar mais com isso do que com o jogo em si.

A Argentina é um baita time. Acho mesmo que um tanto melhor que o nosso, mas podemos vencer. Para isso, temos que nos comportar como nossas meninas, que não se deixaram vencer pelo emocional e com ele controlado puderam dobrar as russas.

Rubén Magnano não é brasileiro. Não deve ter se comovido com a vitória do nosso vôlei feminino. Mas ele deveria mostrar o quinto e decisivo set para nossos jogadores. Mostrar e fazer com que nossos atletas percebam o quão importante é o emocional num jogo tão igual como será este de amanhã diante da Argentina.

CONSTATAÇÃO

Os mais jovens talvez tenham ouvido falar; os mais velhos devem ter visto Ivan Lendl (foto) jogar. O então tenista tcheco, que ganhou oito títulos do Grand Slam e liderou o ranking da ATP por um bom tempo, costumava dizer que não existe diferença técnica entre os 50 melhores do mundo no ranking da ATP. A diferença está no mental.

Quem tem mais força mental consegue vencer. Consegue executar suas jogadas, desequilibrar o adversário e fechar as partidas.

Concordo: num nível desses, agora a partir das quartas-de-final, à exceção dos EUA e da Austrália, eu acho que as demais equipes são muito parelhas. Tática e tecnicamente.

Por isso, o mental poderá ser decisivo.

Que os nossos marmanjos se contagiem pelo que nossas meninas fizeram nesta terça-feira diante das russas.

TÁTICA

No texto que escrevi no dia 13 de julho passado, quando o Brasil bateu a Argentina na bola e no tapa em Foz do Iguaçu, fiz algumas observações sobre a partida. Uma delas eu reproduzo abaixo:

Não conseguimos marcar o “pick’n’roll” argentino, que quase sempre favorecia Luis Scola. Isso é o básico do basquete hoje em dia. É preciso, pois, treinar mais a defesa nesta jogada. Com troca ou sem troca? Magnano decide.

Marcar o P&R argentino é fundamental. A questão da troca é um problema. Se fizermos, poderemos proporcionar situação de “mismatch” para a Argentina e isso não é bom. Se optarmos pelo não, nosso armador tem que ser rápido a ponto de não deixar o armador deles em situação favorável para a bandeja.

Mas aí entra um fator que eu acho importante: a cobertura. A galera do “weak side” tem que estar esperta, para ajudar o armador de modo a fazer com que não haja a troca para não haver o “mismatch” e Scola arremessar à vontade.

Este é um ponto fundamental da partida de amanhã.

O outro é subtrair o jogo de Manu Ginobili. No confronto do Super 4 de Buenos Aires, quando os árbitros argentinos meteram a mão no time brasileiro, Alex Garcia estava controlando Manu. Aí os desprezíveis apitadores argentinos carregaram AG de falta, ele foi para o banco e tudo ficou mais fácil para os caras ganharem a contenda.

Amanhã é preciso que Alex tome cuidado. Manu é estrela de primeira grandeza. Goza de privilégios. Quando faz faltas elas não são marcadas; quando não sofre faltas, elas são apitadas.

Manu adora a infiltração da direita para o meio, finalizando com a canhota, sua mão favorita. Adora o “trap” para o arremesso de três. Tudo isso tem que ser muitíssimo bem vigiado. Sei que não é fácil, mas tem que ser feito se quisermos vencer.

NERVOS 2

E, é claro, que saibamos nos comportar como nossas meninas nos momentos de apuros numa partida de basquete. Que tendem a ser muitos.

NERVOS 3

Minhas mãos já estão suadas.

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segunda-feira, 6 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 21:28

BRASIL x ARGENTINA, QUARTA-FEIRA, 16H DE BRASÍLIA. ENTREM, O BOTEQUIM ESTÁ ABERTO!

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A organização dos Jogos Olímpicos acaba de divulgar: o Brasil pega a Argentina nesta quarta-feira, 16h, horário de Brasília. Amanhã eu confirmo, mas a chance de passarmos esse jogo em 3D é boa. Tudo vai depender dos ingleses, pois são eles quem determinam o que será gerado para o planeta em 3D. Cruzem, pois os dedos!

Amanhã eu digo a vocês se vamos ou não transmitir a partida em 3D. Se a resposta for positiva, quem puder ir a um dos cinemas da Rede Cinépolis espalhados pelo Brasil, vai poder acompanhar a partida em três dimensões (é simplesmente es-pe-ta-cu-lar!) e apreciar os comentários deste amigo que vos escreve neste momento.

ENTREGADA

Dito isso, vejo pela manifestação de vocês (a maioria, claro) que a Espanha entregou o jogo (foto Reuters Splitter x Gasol) ou, pra não ser tão incisivo, que ela não se comportou como devia. E mais: mal tinha chegado em casa e o celular tocou: era o Zé Boquinha.

Viu o jogo?, perguntou-me ele. Disse que não, pois estava trabalhando e me deliciando com o atletismo em 3D, neste trabalho espetacular da Rede Record com a Cinépolis. Os espanhóis entregaram, não é mesmo? Pelo menos eu fiquei com essa impressão vendo a partida de esgueio — disse ao Zé. Ele respondeu que ficou com esta impressão, mas ressaltou: o Brasil jogou com o time reserva um bom tempo e o Nenê não entrou em quadra. E completou: mas no final da partida, os caras (espanhóis) erravam bandeja, faziam falta de ataque, achei muito esquisito — completou Zé Boca. Se eles armaram, o Brasil caiu direitinho, complementou ele.

Discutimos mais umas coisas aqui e outras ali; no final ele me cobrou: você me deve uma pizza! E eu respondi: será o maior prazer pagá-la. Semana que vem, quando as Olimpíadas se encerrarem, propus ao Zé Boca. Fechado, respondeu ele, que mora em Campinas e não em São Paulo, assim como eu.

VERGONHA

Agora eu digo a vocês o que eu acho: acho lamentável um time se comportar desta maneira. É uma estratégia, alguém pode retrucar. Sim, é uma estratégia, mas é também uma trapaça. É vergonhoso um time fugir do outro. Campeão que é campeão não escolhe adversário. Os mais fracos, aqueles que não acreditam em suas forças, esses procuram artimanhas, como a Espanha parece ter feito lendo os comentários de vocês e ainda com a impressão do Zé Boquinha viva na minha memória.

E como a maioria de vocês, eu também vou torcer feito um louco para a França, para que a Espanha quebre a cara. O que os espanhóis fizeram foi pensar no futuro sem viver o presente. Ou seja: já se imaginam na semifinal sem ter jogado ainda com os franceses. Que esse comportamento ibérico redobre a vontade de ganhar de Tony Parker, Boris Diaw, Nicholas Batum e seus parceiros, que eles falem mais alto do que Pau Gasol e seus comparsas.

RIVAL

Já o Brasil terá pela frente a Argentina. Muitos dos parceiros deste botequim estão animados. O estado de euforia se dá, segundo percebo, pelo jogo que o Brasil fez diante da Argentina em Foz do Iguaçu e pela surra que os EUA deram nos argentinos há pouco em Londres: 126-97 (foto Fiba Westbrook dando uma enterrada espetacular no último quarto).

Lá em Foz, o Brasil pegou uma Argentina sem Manu Ginobili. E a Argentina que enfrentou os EUA há pouco foi uma Argentina sem Pablo Prigioni e “desinteressada” pelo resultado, pois não havia como mudar o chaveamento, a menos que eles ganhassem dos EUA — o que eu acho que eles não estavam se importando neste momento. Portanto, não dá para traçarmos estratégias com base nestes dois cotejos.

O que sabemos é que o emocional será um componente deste jogo a ser levado muito em conta. O Brasil não pode entrar na catimba dos caras. Se eles se sentirem em inferioridade, vão apelar, usar estratégias para tentar desestabilizar nossos jogadores. Infelizmente, todos nós sabemos, nossos nervos ficam em frangalhos por qualquer coisa. E quando são os argentinos a nos provocar, a situação piora ainda mais por conta da rivalidade.

Desta forma, como disse, jogar com serenidade e tranquilidade será fundamental.

TÁTICA

Quanto ao jogo em si, temos que aproveitar nossos homens grandes, que são maiores e melhores do que os argentinos. Nosso jogo tem que se concentrar ali. Certamente eles responderão com uma defesa zona a maior parte do tempo, a nos provocar para os arremessos longos. Se eles caírem, ótimo; se não caírem, teremos problemas.

Temos que torcer para que Marcelinho Huertas esteja inspirado. E que não se canse. E que Larry Taylor mantenha um nível aceitável de jogo para descansar Huertas e não deixar a peteca cair quando estiver em quadra. Dependemos demais de Huertas.

Temos, obviamente, que ter cuidados extremados com o jogo deles. Cuidar de Manu Ginobili será fundamental. Alex Garcia terá essa missão. Vejo, no entanto, que Alex tem se mostrado um tanto afoito em alguns momentos do jogo. Isso não pode acontecer, pois Alex será importante para o nosso selecionado em quadra e não no banco, carregado em faltas. Ele terá a missão de vigiar Manu.

Enquanto isso, Huertas terá que marcar Pablo Prigioni. A defesa de Marcelinho é boa, mas não é o forte de seu jogo. Nosso armador conhece bem Prigioni, com quem já jogou no basquete espanhol e a quem já marcou inúmeras vezes. A vitalidade está a nosso favor; a experiência está a favor deles. Prigioni, não só pela idade, é um cara mais rodado que Marcelinho. Ele já viveu está situação várias vezes. Huertas respira sua primeira Olimpíada.

As bolas de três dos caras são um problema também. Marcar Carlos Delfino é obra para Marquinhos Vieira. Ele é maior e se encaixar uma boa marcação, pode subtrair um pouco do volume ofensivo de Delfino, bem como a Andres Nocioni, que não vive o melhor momento de sua carreira, mas que é um cara rodado e bom de bola também.

Finalmente, Luis Scola. Essa cara adora jogar contra o Brasil. Contra o Brasil seu jogo cresce demais. Adora ultrapassar a barreira dos 30 pontos. Fazer uma defesa “matchup” talvez seja uma boa, com o “front court” marcando zona, diminuindo os espaços de Scola no garrafão, e o “back court” marcando individualmente. Ou então, uma marcação “box one”, com apenas Alex marcando Ginobili individualmente.

São ideias; ideias que a gente tem pensando assim, rapidamente, no jogo. A estratégia está sendo engendrada neste momento por Rubén Magnano e sua comissão técnica. Temos uma boa vantagem nesse ponto, pois Magnano conhece bem a Argentina, pois foi ele quem criou esse time espetacular, medalha de ouro em Atenas 2004.

Mas vamos nos falando com o correr das horas. Certamente vocês terão ideias também. Certamente vocês vão traçar planos e estratégias. E eu vou querer ler. A todos, sem exceção.

Isso vai fazer as horas passarem. E nos ajudará a pegar no sono.

Que venham “Los Hermanos”!

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sábado, 14 de julho de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 13:14

A DEFINIÇÃO DO TIME BRASILEIRO E O FUTURO DA EQUIPE EM LONDRES

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Bem, o técnico Rubén Magnano definiu os 12 jogadores que irão a Londres. Depois do que vimos no torneio de São Carlos e nos dois Super 4, de Buenos Aires e Foz do Iguaçu, não ficou difícil concluir que Augusto Lima seria mesmo o cortado. Com isso, Caio Torres ficou no grupo olímpico.

O time brasileiro ficou assim, com as respectivas numerações:

4 – Marcelinho Machado
5 – Raulzinho Neto
6 – Caio Torres
7 – Larry Taylor
8 – Alex Garcia
9- Marcelinho Huertas
10 – Leandrinho Barbosa
11 – Anderson Varejão
12 – Guilherme Giovannoni
13 – Nenê Hilário
14 – Marquinhos Vieira
15 – Tiago Splitter

A opção por Caio Torres (foto CBB) é facilmente explicada: como não temos jogadores talentosos, do calibre dos norte-americanos, jogadores talentosos e fortes, altos, com boa impulsão, de modo a reunir o que se tem de melhor abrindo mão do aspecto físico, por não sermos assim, vamos dançar conforme a velha música, que manda colocar em quadra armadores, alas e pivôs. Os norte-americanos podem se dar ao luxo de levar apenas um pivô (Tyson Chandler), improvisando jogadores altos, forte e habilidosos na posição, entre eles LeBron James e Carmelo Anthony.

Nós não temos jogadores assim. Desta forma, numa Olimpíada, onde o confronto com escolas europeias vai exigir demais do garrafão, não havia mesmo como Magnano abrir mão de Caio Torres e deixar Augusto Lima, um ala de força, mas não tão corpulento quanto Torres, no grupo olímpico. E num possível embate contra a Argentina, podemos machucá-los exatamente neste setor.

De resto, nenhuma surpresa; ao contrário: alívio. Sim, pois ao entregar a camisa 14 a Marquinhos Vieira, Magnano deixa claro que a contusão do jogador não deverá tirá-lo dos Jogos de Londres.

O time está pronto. A meu ver será este:

9 – Marcelinho Huertas
8 – Alex Garcia
14 – Marquinhos Vieira
11 – Anderson Varejão
13 – Nenê Hilário

A rotação será feita com Raulzinho/Larry, Leandrinho, Machado, Giovannoni e Splitter. Caio, embora no grupo, creio será o jogador menos aproveitado. Isso porque Magnano irá rodiziar Nenê, Varejão, Splitter e Giovannoni no garrafão brasileiro. Se houver problema com as faltas, Caio entrará em ação.

LB (foto CBB) vindo do banco, já disse aqui, é uma ótima opção. Ele funciona melhor assim. Além disso, por não ter na defesa seu forte, não pode entrar como titular. E mais: se titular for, isso significa Marquinhos no banco. E isso, a meu ver, não tem cabimento, pois Marquinhos, além de ser importante nas bolas longas (fará o papel de LB), é alto (2,07m) e ajuda nos rebotes. E marca melhor que Barbosa. Desta forma, quando LB entrar em quadra, vai ser para esparramar o time e bagunçar a defesa adversária com seu jogo veloz (não à toa foi apelidado de “The Blur” pelos norte-americanos) e também com seus arremessos atrás da linha dos três.

O grande problema é o reserva de Huertas. O Brasil, infelizmente, ainda não tem esse jogador. Raulzinho é ainda imaturo e, por isso mesmo, oscila muito numa partida. Larry fez apenas um bom jogo nos três torneios disputados. O fato de ter sido exatamente contra a Argentina, no entanto, nos dá esperança. Se ele reprisar nas Olimpíadas o que fez diante dos gringos, Huertas poderá descansar um pouco mais.

IMPERDÍVEL

O próximo passo do nosso selecionado é o jogo contra os EUA. Será em Washington, casa de Nenê Hilário, nesta segunda-feira, 21h de Brasília. O SporTV anuncia a transmissão da contenda.

Por favor, não vamos nos iludir e achar que nosso selecionado vai ganhar. Temos apenas que torcer para que não seja uma lavada, como aconteceu contra a República Dominicana na última quinta-feira.

A lógica manda que assim seja; a menos que o Brasil se vista de Nigéria e surpreenda a tudo e a todos. E mais: atingir o ápice agora não é bom negócio. Temos que bater de frente com os EUA num nível elevado em Londres. E tomara que isso aconteça na semi ou na final olímpica.

Já pensaram?

MOÇAS

Nossas meninas também jogarão na capital dos EUA contra a seleção norte-americana. O jogo será às 18h30 de Brasília. O SporTV também anuncia a transmissão.

Infelizmente, não dá para se esperar muito do nosso time de saias. O feminino brasileiro passa por um processo de transição. E, lamentavelmente, em algumas posições não há peças de reposição, especialmente na armação. Adrianinha Moisés, que havia se retirado da seleção, teve que voltar às pressas.

E, pra piorar, Hortência Marcari, nossa diretora de seleções, fala em naturalizar uma norte-americana para a posição. Triste. O certo seria investir na base e não apelar para esse paliativo.

PROBLEMAS

Luis Scola saiu contundido no confronto contra o Brasil em Foz do Iguaçu. O problema é no joelho direito. Dores internas. Os doutores argentinos disseram que vão esperar alguns dias para fazer o exame de ressonância magnética. Isso, segundo eles, é um bom sinal.

Outro drama para os argentinos é Carlos Delfino. O ala está na Itália acompanhando o nascimento de seu filho. Mas o problema mesmo é com o seguro. Até agora a confederação argentina não resolveu a questão e “El Lancha” não tem participação garantida em Londres. Os dirigentes da entidade, no entanto, garantiram que nesta semana que entra tudo será resolvido.

FELICIDADE

Ontem Pablo Prigioni foi apresentado oficialmente como jogador do New York Knicks. Chegou falando em inglês e, nesse ponto, foi aprovado. Achei muito esquisita a contratação de Prigioni num time que já tem Jason Kidd e deverá renovar com Jeremy Lin. A menos que Prigioni e J-Kidd se rodiziem em quadra e nos ensinamentos a Lin.

Sim, acho que deve ser isso.

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quinta-feira, 12 de julho de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 11:32

NENÊ VOLTOU! REFLEXÃO SOBRE A ARBITRAGEM NO JOGO DESTA NOITE CONTRA A ARGENTINA

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Não consegui ver o jogo do Brasil ontem contra a Espanha B do jeito que eu queria. Comentava a partida do Corinthians contra o Botafogo na Jovem Pan. Então, era um olho no futebol e outro no basquete.

O que chamou a atenção foi que nosso selecionado venceu com muita facilidade (101-68) um adversário que vendeu caro a vitória à Argentina no Super 4 de Buenos Aires, semana passada. Os argentinos fizeram 93-81; ou seja, venceram por apenas 12 pontos de diferença e em vários momentos do jogo houve equilíbrio.

Ontem o Brasil foi soberano praticamente do começo ao fim do jogo, salvo um aperto ibérico aqui e outro bem lá adiante.

Esqueçam os 23 pontos de Marcelinho Machado (Foto Colin Foster/Divulgação), os 15 de Leandrinho Barbosa ou os 14 de Guilherme Giovannoni. O que mais importou na partida de ontem não foi nem sequer o placar dilatado (33 pontos de vantagem). O que mais importou na contenda desta quarta-feira que já é passado foi a presença de Nenê Hilário em quadra.

O pivô do Washington Wizards, que não atuou no torneio argentino por conta da contusão no pé, ontem voltou a jogar. Não ficou tanto tempo em quadra assim; foram 17:33 minutos. Mas deu pra ver que ele vai jogar, que ele vai estar em Londres. Ótimo! A mim, pelo menos, ficou esta impressão. Nenê correu, pegou rebotes, fez bloqueios, deu assistências e pontuou. Pra deixar mais fácil o entendimento: foram quatro pontos, quatro rebotes e duas assistências. Mais do que tudo isso, ele jogou!

E com Nenê em quadra o jogo é outro. Já disse e repito: seu QI de basquete é muito superior ao dos demais, à exceção de Marcelinho Huertas. Com Nenê em quadra o adversário passa a olhar nosso selecionado de outra maneira. Com Nenê em quadra, nossos jogadores sentem-se mais confiantes e protegidos. Nenê tem poderes pra fazer tudo isso.

Portanto, mais importante do que os 25 pontos de MM, dos 15 de LB e dos 14 de Gui Giovannoni, bem como os oito rebotes de Tiago Splitter, muito mais importante do que isso foram os 17:33 minutos de Nenê Hilário com a camisa 13 do Brasil.

IMPERDÍVEL 1

Hoje o bicho vai pegar; hoje tem a argentina pela frente. E queremos a Argentina completa, com Pablo Prigioni e Manu Ginobili.

21h de Brasília, no SporTV. Imperdível. E como hoje não é sexta-feira, não precisamos driblar o mau humor da patroa.

IMPERDÍVEL 2

O trio que apitou o jogo do Brasil contra a Argentina no Super 4 de Buenos Aires era argentino. A atuação dos três foi repugnante. Eles apitaram com a camisa da Argentina por debaixo do uniforme. Foi uma vergonha. Tivessem sido imparciais, como a profissão exige, como o bom caráter manda, como a lealdade ordena, o Brasil poderia ter vencido o jogo. Mesmo sem Nenê Hilário e Marquinhos Vieira. E dentro de um Luna Park lotado.

Hoje a CBB, que organiza o Super 4 de Foz do Iguaçu (PR), deveria dar o troco. Não acredito que faça; mas deveria. Deveria responder na mesma moeda. Ou seja: escalar árbitros brasileiros e nem sequer pensar em colocar o argentino Alejandro Ramallo para fazer parte do trio.

Arbitragem brasileira nos moldes da arbitragem argentina, semana passada, em Buenos Aires. Em outras palavras: carregar Luis Scola em faltas logo no primeiro quarto e fazer o mesmo com Manu Ginobili, exatamente como eles fizeram com Alex Garcia, que marcava Manu e teve que deixar o jogo ainda no primeiro quarto por conta das infrações. E marcar faltas, faltas e mais faltas contra os argentinos, como eles fizeram lá. Levar o Brasil para a linha do lance livre, escandalosamente, como eles fizeram lá em favor da Argentina.

E se o jogo estiver apertado no fim, fazer o Brasil ganhar, como eles fizeram lá com a Argentina, que ganhou por causa da arbitragem.

Vocês me conhecem muito bem e sabem que eu não gosto disso. Que eu abomino a trapaça e nem gosto de falar de arbitragem, pois sei que arbitrar é muito difícil. Mas, repito, a arbitragem da semana passada foi uma vergonha. Portanto, é legítimo o Brasil se valer da “Lei do Talião”; ou seja: olho por olho, dente por dente. Há limites para tudo na vida.

O jogo de hoje tem que ser imperdível.

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012 NBA | 18:15

NBA PUNE KEVIN LOVE COM DOIS JOGOS DE SUSPENSÃO

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A NBA acabou de suspender Kevin Love por duas partidas por conta de um pisão que o ala-pivô do amor deu no argentino e que a liga entendeu ter sido intencional. O lance aconteceu no começo do terceiro quarto, 8:31 minutos para o final para ser bem preciso. E aconteceu depois de uma roubada de bola de KL exatamente sobre Scola.

É bom lembrar que nenhuma falta foi marcada, pois o trio de arbitragem 1) não viu; 2) se viu, achou que não foi proposital. A liga puniu Love por conta das imagens da televisão.

O Minnesota de Love vencia o Houston de Scola por 64-62. Love tinha até então 18 pontos e sete rebotes. Duelava incessantemente com Scola, que acumulava até então 16 pontos e quatro rebotes.

Ao que eu me lembre, Love não tem histórico de confusões, reclamações ou agressões a adversários. É um cara boa-praça, da paz. E seu time vencia a partida e ele, mais uma vez, era o destaque.

Por que Love pisou em Scola?

Resposta: porque no jogo anterior a esse, em Houston, ao tentar salvar uma bola que se perdia pela linha de fundo, Scola jogou-a no saco do jogador do Wolves, que foi ao chão contorcendo-se em dor. Isso mesmo: jogou a bola no saco de Kevin Love. Por que no saco e não nas pernas ou nos pés? Não sei, a gente precisaria perguntar pro Scola.

Love foi à forra e como dizia meu inesquecível pai, “chumbo trocado não dói”.

Love, no entanto, levou a pior este episódio, pois foi suspenso e terá ainda um desfalque em sua conta bancária no valor de US$ 83,6 mil por conta dos dias não trabalhados. Enquanto isso, nada aconteceu a Scola, que diz ter jogado a bola no saco de Love sem intenção, do mesmo jeito que Love disse que pisou em Scola sem intenção.

Mais um roteiro muito bem escrito pelos milongueiros argentinos, que são mestres em aprontar em quadra, em campos de futebol ou seja lá onde for e escaparem ilesos, sobrando a pena, quando ela ocorre, sempre para o lado inimigo.

Abaixo, veja o lance que custou a punição a Kevin Love.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 basquete brasileiro, NBA, Seleção Brasileira | 19:07

A ARGENTINA NAS OLIMPÍADAS E A LUCIDEZ DE OSCAR SCHMIDT

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A Argentina convocou ontem oito jogadores para os Jogos Olímpicos de Londres, que serão disputados de 27 de julho a 12 de agosto. Os outros quatro nomes restantes serão anunciados com o passar dos meses.

Ao mesmo tempo em que divulgou este octeto, a Confederação Argentina de Basquete revelou os nomes dos profissionais que vão compor a comissão técnica, encabeçada por Julio Lamas.

A novidade ficou por conta da adição de Sergio Hernandez (foto site CBAA, com Lamas à esq. e Hernandez à direita), que dirigiu o time principal até bem pouco tempo. Foi nas mãos de Hernandez que Los Hermanos ficaram em quarto lugar no Mundial do Japão e conquistaram um bronze nos Jogos de Pequim, em 2008.

Hernandez voltou, penso eu, à distância, e cá com meus botões, porque o desempenho da Argentina no Pré-Olímpico de Mal del Plata foi decepcionante. Os argentinos ganharam a competição, é verdade, mas perderam para o Brasil diante de 12 mil incrédulos torcedores na fase de classificação. E na decisão do torneio teve dificuldades para ficar com a medalha de ouro, apesar de apoiada pelos mesmo 12 mil fanáticos torcedores.

Todos imaginavam que a Argentina fosse passear diante dos rivais, mesmo tendo perdido Andrés Nocioni no primeiro jogo e Leonardo Gutierrez, que com uma distensão muscular nem participou da competição. Mas não foi o que se viu.

E é sempre bom lembrar que o Brasil jogou sem Leandrinho Barbosa, Anderson Varejão e Nenê Hilário. E Tiago Splitter atuou lesionado, bem abaixo de sua capacidade.

Nossos desfalques foram em maior quantidade e em qualidade também. Nocioni e Gutierrez não estavam na época — e nem creio que hoje em dia — no mesmo nível de Nenê, Leandrinho e Varejão.

Por isso, Lamas patinou no comando da equipe. Quando procurou um ombro amigo, não tinha com quem contar.

Seu assistente mais próximo, Gonzalo García, técnico do Flamengo, deixa a desejar — pelo menos é o que diz em suas twitadas o competente Fabio Balassiano, dono do blog Bala na Cesta. “Ele não está à altura do time”, costuma dizer Bala em relação a Gonzalo no comando do Flamengo — e eu vou na opinião dele, pois não assisto muito aos jogos do NBB.

Por conta disso, deduzo eu, Hernandez voltou.

Mas vamos ao mais importante dessa história toda: os jogadores argentinos convocados. Como está a Argentina para as Olimpíadas?

ANÁLISE

Olhando os oito convocados por Lamas e tendo na retina o desempenho deles no Pré-Olímpico de Mar del Plata e nos dias de hoje, eu acho que o Brasil, bem treinado e disciplinado, entendendo o que Rubén Magnano quer, é mais time que a Argentina.

Vejamos:

1) Manu Ginobili (San Antonio Spurs) — Com a mão quebrada no momento, ficará no estaleiro até meados do mês que vem. No Pré de Mar del Plata, foi muito bem marcado por Alex Garcia e não conseguiu render. Manu (foto) chegará aos Jogos Olímpicos com 35 anos e trará consigo toda uma temporada na NBA. Pra mim, o gênio argentino dá sinais de cansaço.
2) Luis Scola (Houston Rockets) — Belíssimo atacante. Pode fazer uma média de 25 pontos por jogo. Mas em cima dele o adversário pode construir o mesmo número de pontos. Terá 32 anos em Londres.
3) Carlos Delfino (Milwaukee Bucks) — É uma espécie de desafogo da Argentina com suas bolas certeiras de três. Este é seu cartão de visita. Bem vigiado, é possível subtrair muito de seu jogo. Contará com 29 anos na época dos Jogos.
4) Andrés Nocioni (Philadelphia 76ers) — Qual Nocioni vai às Olimpíadas? Aquele de há quatro anos, que barbarizava em quadra ou o atual, que tem uma média de 5:20 minutos por partida com a camisa 5 do Sixers? Chegará a Londres com 32 anos.
5) Pablo Prigioni (Caja Laboral/ESP) — Nunca foi um jogador de grande nível. Trata-se de um armador correto, que não faz bobagens, mas que também não faz nada fora do convencional. Quando as Olimpíadas começarem estará com 35 anos.
6) Hernán Jasen (Cajasol Sevilla/ESP) — Nem foto dele na internet a gente encontra. E não é que não se encontra por ser um jovem promissor e que agora está despontando para o basquete. Jansen terá 34 anos nas Olimpíadas. Não se encontra foto dele na internet porque Jansen é apenas OK.
7) Leonardo Gutierrez (Peñarol/ARG) — Não participou, como disse, do Pré de Mar del Plata. Pra quem não sabe, é um ala-pivô de apenas 2,00m de altura, de bons recursos técnicos, mas, como se diz por aí, não é nenhuma brastemp, pois sofre por conta da baixa estatura. Estará com 34 anos quando o torneio olímpico começar.
8) Juan Pedro Gutierrez (Obras Sanitárias/ARG) — É outro jogador OK, nada além de OK. É o caçula dos convocados: terá 28 anos em Londres.

A força do jogo argentino está no conjunto da equipe e na genialidade de Ginobili. A Argentina não faz bobagens em quadra. marca muito bem e tem um ataque sincronizado. E quando as arapucas aparecem, surgem Ginobili e Scola para desarmá-las.

Mas eles estarão envelhecidos e o time, num todo, também. A média de idade desses oito jogadores é de 32,3 anos. E, tenha certeza, serão esses oito atletas que estarão em quadra a maior parte do tempo.

Envelhecimento que pode bambear pernas e braços durante uma competição que não dá descanso, pois serão jogos atrás de jogos. E pernas e braços cansados podem significar erros ofensivos e defensivos.

Um olhar, mesmo que à distância, traz-me essas imagens do selecionado argentino. Por isso, numa análise neste momento, entendo que o Brasil, se contar com seus melhores jogadores e estiver focado na competição, grupo unido e tudo o mais, pode se dar melhor do que a Argentina em Londres.

Mas, como costumo dizer, depois que o Dallas ganhou a final da NBA na temporada passada, qualquer coisa pode acontecer, ainda mais em um torneio de tiro curto como são as Olimpíadas.

ANÁLISE 2

Muita gente neste botequim quer saber das possibilidades brasileiras em Londres. Costumo dizer: se o Brasil for completo (e por completo eu quero dizer como Nenê, Leandrinho e Varejão), nosso selecionado briga do quinto ao oitavo lugar. Se estiver iluminado, pode disputar o bronze.

Quais seriam os adversários brasileiros?

EUA, óbvio, e Espanha, claro. Estes dois times são indiscutíveis.

Depois vêm a França, que já está em Londres, além de Grécia, Lituânia e Rússia, que eu acho que vão se classificar no Pré-Olímpico Mundial.

Acho todos esses quatro europeus mais fortes que o Brasil — mas isso não quer dizer que nosso selecionado não possa vencê-los.

Impossível de vencer são os EUA e a Espanha.

Mas para que o Brasil possa vencer os europeus, terá que jogar o seu melhor basquetebol. Caso contrário, esquece; é brigar do quinto ao oitavo lugares.

LUCIDEZ

Em entrevista ao site da Fiba, Oscar Schmidt (foto Fiba) moderou seu discurso em relação a Nenê Hilário e Leandrinho Barbosa. Ao contrário das outras vezes, o Mão Santa disse o seguinte sobre a participação de ambos nos Jogos Olímpicos de Londres: “Moralmente, os dois não deveriam ir, mas racionalmente com eles nós ficamos mais fortes. Por isso, esta será uma decisão difícil para (Rubén) Magnano. Ele sabe disso”.

É por isso que eu sou fã declarado e de carteirinha do Oscar: além de ter sido um dos gênios do basquete em todos os tempos, como ser humano ele dá provas de que não é obtuso.

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sábado, 10 de dezembro de 2011 Sem categoria | 12:52

FATOS QUE MUDAM O CASO DA CONTRATAÇÃO DE CHRIS PAUL PELO LAKERS

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Leio na manhã deste sábado que Lakers, Houston e New Orleans vão melhorar a proposta de modo que ela seja melhor para o Hornets. Ops! Se os times estão fazendo isso é porque a proposta inicial não era boa para o time da Louisiana, concordam?

Aparentemente, o negócio foi muito bom para o NOH. Eu mesmo escrevi isso. Mas vejam só o que aconteceu nessa troca: o New Orleans assumiria US$ 31 milhões em salários com Luis Scola, Kevin Martin, Goran Dragic e Lamar Odom, e cederia apenas Chris Paul, cujo salário é de US$ 16,3 milhões.

Ou seja: para uma franquia claramente deficitária, que não conseguiu até o momento vender o “naming rights” de seu ginásio e que nem dono tem porque ninguém quer comprá-la por conta do prejuízo, o negócio, do ponto de vista financeiro, foi péssimo.

E eu pergunto: o New Orleans consegue arrecadar o suficiente para arcar com sua folha de pagamento? Pelo que se viu na temporada passada, não.

Nosso parceiro Trapizomba, torcedor do Lakers e morador de Culver City, Los Angeles, mandou-me um link de um artigo do jornalista Larry Coon, do site da ESPN norte-americana. Coon desce a lenha no comportamento de David Stern, o comissário da NBA que vetou o negócio dizendo que este foi danoso ao NOH — e pelos números a gente vê que foi mesmo.

Vejam bem: Stern em nenhum momento disse que vetou o negócio porque o Lakers sairia fortalecido no acordo. Ele disse que vetou o negócio porque ele não foi bom para o New Orleans e o New Orleans pertence à NBA.

No artigo, Coon confirma que os argumentos de Dan Gilbert, dono do Cleveland Cavaliers, são verdadeiros: o Lakers pegaria CP3 e iria economizar US$ 40 milhões em salários.

Esquisito, vocês não acham? Eu acho.

Quando a gente compra algo valioso, não dá pra sair com dinheiro no bolso; se sai é porque tem algo errado. Quando a gente compra algo valioso, a gente se endivida, seja na compra de uma casa, de um carro ou de um terreno há muito cobiçado. Ou de uma joia para a mulher amada.

Se o Lakers pegou Chris Paul e ainda economizou US$ 40 milhões, tem, repito, coisa errada. Dan Gilbert, no e-mail (e não carta) enviado a Stern, lembra o caso da contratação de Pau Gasol, negócio este na época condenado por todos (menos pelos torcedores do Lakers), mas que fez o time de Los Angeles receber “dezenas de milhões de dólares em salário adicional e em Luxury Tax”.

É certo que não houve nada de errado na troca da última quinta-feira. Já disse isso e faço questão de frisar. Tudo limpo aos olhos da lei vigente na NBA.

Mas que é muito esquisito, isso é.

Vejam o caso do Houston. Embora o Rockets tenha aberto mão de US$ 22,7 milhões em salários e assumido US$ 18,7 milhões do Pau Gasol, a diferença é pequena para justificar o desmanche de um time, que ainda perdeu um draft para o New Orleans.

Vejam que o Houston abriria mão de dois jogadores valiosos de seu time titular: Luis Scola e Kevin Martin.

Com o quebra-cabeça sendo montado (mas ainda incompleto), começo a pensar que a NBA deveria investigar o dono do Houston, Leslie Alexander, e seu gerente geral, Daryl Morey. Bem como Dell Demps, manager do NOH.

Acordo que, volto a repetir, aos olhos da lei é legítimo. Mas, pelo que vemos, foi imoral, pois acabou por beneficiar apenas uma equipe: o Lakers.

Por isso, até que novos fatos e elementos apareçam, a conclusão que chego é que ele foi muito bem vetado pela NBA.

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011 NBA | 01:56

PRESSIONADA POR DONOS DE EQUIPES PEQUENAS, NBA VETA IDA DE CHRIS PAUL PARA O LAKERS

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A troca envolvendo Lakers, New Orleans e Houston melou mesmo. A NBA, claramente pressionada pelos donos das equipes pequenas, capitulou à pressão e vetou o negócio.

E por que vetou?

Porque, segundo esses donos de franquias menores, se a NBA aprovasse a troca estaria ignorando o locaute que durou cinco meses e que ocorreu exatamente para evitar que a NBA se transforme num campeonato espanhol. Ou seja: os grandes cada vez maiores, os pequenos cada vez menores.

“Não é verdade que proprietários (de franquias) vetaram o negócio”, disse Mike Graves, porta-voz da NBA. “O negócio, aliás, nunca foi discutido no Conselho de Governadores (Board of Governors). A liga se recusou a fazer a troca por questões de basquete”.

Como dona do New Orleans, a NBA tem de fato o poder de se opor à negociação. Mas olhando sob a ótica do time da Louisiana, o negócio não foi ruim para o Hornets; muito pelo contrário.

Esse negócio, na verdade, foi ruim para o Houston, que ficou apenas com Pau Gasol e perdeu Luis Scola, Kevin Martin e Goran Dragic, além de sua segunda escolha no draft do ano que vem que veio via New York Knicks.

Então, por que vetar a negociação?

Repito: exatamente porque os donos das franquias pequenas pressionaram. E eu acho que eles têm razão: a NBA tem mesmo que evitar que seu campeonato se transforme num espanhol da vida.

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