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quarta-feira, 20 de junho de 2012 NBA | 01:41

COMANDADO POR MARIO CHALMERS, MIAMI VOLTA A VENCER E PÕE MÃO E MEIA NA TAÇA

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O Miami está a uma vitória da conquista do título. Venceu o Oklahoma City por 104-98 e tem uma mão e meia na taça. Jamais, em toda a história da NBA, um time saiu de uma desvantagem de 1-3 para ganhar o campeonato. O score é este: 30-0. Nem mesmo conseguiu levar a série para o sétimo jogo; no máximo no sexto.

Como se costuma dizer no futebol, matematicamente a série ainda está aberta. Mas do jeito que se encontra o cenário, é muito difícil que o Miami deixe escapar a oportunidade na próxima quinta-feira. Está embalado, com moral elevado; e confiante. Confiança, costumam dizer os entendidos do esporte, é uma palavrinha mágica para se fazer de um jogador e de um time campeões. O Miami está transbordando confiança. E joga em casa, diante de seus torcedores, inflamados. E joga no conforto do lar, sabedor de que se não fechar a série neste próximo jogo, terá duas partidas fora de casa. Vai entrar em quadra como se fosse o sétimo jogo, como disse Dwyane Wade depois da partida.

O OKC, por seu lado, não se comporta como um time. No jogo desta terça-feira, Russell Westbrook foi o destaque com seus 43 pontos. Encestou 20 bolas, igualando o feito de Michael Jordan, nas finais de 1993, e de Shaquille O’Neal, em 2000. Em compensação, Kevin Durant voltou a desaparecer no último quarto: anotou apenas seis pontos, bem marcado que foi especialmente por LeBron James, que deixou o jogo, no finalzinho (foto Reuters), por conta, ao que parece, de cãibras. E James Harden, novamente, desapontou em que pese os dez rebotes: anotou apenas oito pontos (2-10). De Harden não se esperam rebotes; de Harden se esperam pontos, pois ele é um pontuador. Nos dois últimos jogos, no sul da Flórida, ele anotou 13 pontos. Sua média no campeonato foi de 16,6 pontos. Decepciona.

Decepciona assim como KD desapontou a mim, apesar de seus 28 pontos. Passou o primeiro tempo marcando os armadores do Miami, Mario Chalmers e Norris Cole. Tática de Scott Brooks para poupá-lo das faltas. Uma vergonha; jogador do nível, do status dele, não pode aceitar isso. Se repetir a dose no jogo desta quinta-feira, poderá ficar marcado por ser um molengão na marcação, um fraco que precisa ser escondido pelos companheiros. Como se dizia no interior de São Paulo quando lá eu morava em minha infância e adolescência, isso é coisa de “pozinho”. Não sabe do que se trata? Explico: coisa de menininha. Durant não pode deixar que isso se repita no próximo jogo. Tem que marcar LBJ do começo ao fim do jogo, como fez a partir do terceiro quarto, quando Harden ficou carregado em faltas. Durantula tem que marcar LBJ ou D-Wade. Esta é a sua missão nestas finais.

O Miami, em contrapartida, foi um time. Quatro jogadores tiveram um duplo dígito na pontuação. Embora LBJ tenha feito 26 pontos, 12 assistências e nove rebotes (quase um “triple-double”), embora D-Wade tenha voltado a jogar bem com seus 25 pontos e embora Chris Bosh tenha ajudado uma vez mais com seus 13 pontos, o nome do time e do jogo foi Mario Chalmers. O armador anotou inacreditáveis 25 pontos Sua atuação foi tão importante que a pontuação conjunta de KD e RW0, que combinaram para 71 pontos (56,9% de aproveitamento), contra 51 de LBJ e D-Wade (46,2%), acabou não sendo impactante.

Como disse Magic Johnson depois do jogo, Chalmers não foi importante por ter feito 25 pontos, mas sim quando ele fez a maioria desses 25 pontos. Dois deles foram emblemáticos e definiram o marcador: a 44,6 segundos do final, com o Miami sem LeBron em quadra, Chalmers fez uma infiltração espetacular e elevou o placar a 101-96, quando o OKC pressionava e o ataque do Heat mostrava-se vacilante.

O Miami jogou do começo ao fim como se fosse o sétimo jogo. E, por favor, não culpem RW0 pela derrota por conta da falta que ele fez em Chalmers a 13 segundos do final com o placar em 101-98 para o Miami. O Heat tinha apenas mais cinco segundos de posse de bola e West fez falta em Chalmers, achando que o relógio, depois do pulo-bola de Udonis Haslem e Thabo Sefolosha, tinha voltado aos 24 segundos. “Foi um vacilo meu”, admitiu West depois do jogo. Não foi; foi um vacilo de todos, especialmente do banco, do treinador, que deveria ter alertado a todos.

Enfim, esses vacilos acontecem. Mas, volto a dizer, não foi por causa dele que o OKC perdeu. O OKC perdeu porque, volto a dizer, o Miami jogou o quarto jogo da série como se fosse o sétimo.

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terça-feira, 19 de junho de 2012 NBA | 11:27

LEBRON: ‘ESTOU ME LIXANDO SE VAMOS SER CAMPEÕES JOGANDO UM BASQUETE FEIO’

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Jogadores e o técnico Erik Spoelstra foram bombardeados ontem pelos jornalistas. Motivo: os erros cometidos pelo time e o baixo aproveitamento nos arremessos no terceiro jogo da série. O jogo em questão foi vencido pelo Miami por 91-85, o que colocou o time do sul da Flórida na frente desta disputa pelo título da temporada em 2-1. Mas foram nove equívocos mostrados no último quarto (um deles, de Dwyane Wade, quase complicou a vitória) e um aproveitamento nos arremessos, ao longo de todo o cotejo, de apenas 37,8%.

“Nesta altura do campeonato, nem sempre os jogos vão ser bonitos”, disse o técnico Erik Spoelstra na sessão de mídia de ontem em Miami.

“À medida que a série caminha, fica cada vez mais difícil pra gente fazer as coisas que nós estamos acostumados a fazer”, adicionou Dwyane Wade.

LeBron James (foto AP) foi absolutamente sincero: “Estou me lixando para a maneira com que vamos vencer. Pode ser uma vitória de 32-31. Não importa como vamos chegar a quatro vitórias”.

O fato é que são dois times com os nervos à flor da pele; não apenas o Miami. A série caminha e não sabemos ainda se estamos perto do fim. O Heat ainda tem vivo na memória a debacle do ano passado diante do Dallas. O OKC lida pela primeira vez com o fato de estar disputando um título da NBA.

Exigir jogos de alto nível técnico do começo ao fim da série, penso eu, é exigir demais de seres humanos. Afinal de contas, como tenho dito aqui, não estamos tratando de partidas de videogames, como, aliás, muitos analisam hoje em dia um jogo de basquete. Os que assim o fazem deixam de lado talvez o componente mais importante de uma decisão: o emocional.

Por isso, quando me perguntam por que hoje eu penso assim e ontem eu pensava assado, eu respondo: porque lidamos com seres humanos e não com bonequinhos de videogames.

FALTAS

O problema das faltas em excesso de Kevin Durant tem tirado o sono não apenas do próprio jogador, mas de todo o OKC também. Segundo o técnico Scott Brooks, KD é um jogador muito agressivo. Por muito agressivo entenda-se, creio eu, um jogador que não consegue controlar seus impulsos quando tem que defender LeBron James.

Das 12 faltas cometidas por Durantula nestas finais, seis delas (a metade) foram em cima de LBJ. Será que Brooks vai tirar KD desta missão para evitar que ele volte a ficar boa parte do jogo no banco de reservas? Tirar Durant da marcação de LBJ e deixar a missão para Thabo Sefolosha?

Eu não acho que isso deva ocorrer. Um grande jogador também é conhecido por seu poder defensivo e não apenas ofensivo. Um grande jogador é conhecido por seu poder ofensivo, não apenas defensivo.

É o que eu tenho dito há anos aqui neste botequim: equilíbrio; ataque e defesa equilibrados. Este é o principal componente de um grande jogador. Ele tem que conhecer a arte de atacar e defender.

Michael Jordan era assim; Kobe Bryant é assim. LeBron James caminha para isso; Kevin Durant precisa encontrar esse caminho.

HISTÓRIA

Desde que em 1985 o formato 2-3-2 foi adotado, de 27 séries disputadas, em 13 delas o confronto abriu em 3-1. Dos últimos 12 vencedores, 11 ficaram com o título. O que isso quer dizer? Que o jogo desta noite pode determinar o campeão desta temporada.

Se der Miami, o moral do OKC vai lá pra baixo. O Thunder teria que fazer três vitórias seguidas em um adversário mais experiente e que tem uma das melhores defesas da NBA e um trio, no papel, melhor que o seu. Se der Miami, o moral de seus jogadores vai lá pra cima e, impulsionado também pela empolgação dos torcedores, a chance de vencer o quinto jogo da série, em casa, é grande demais.

Se der OKC, o moral de seus jogadores eleva-se às alturas. Afinal, empata a série em 2-2 e terá recuperado o mando de quadra. E terá recuperado também o psicológico da série. Precisaria fazer duas vitórias para chegar ao título, sendo que dois jogos serão em Oklahoma. Se der OKC, o moral dos jogadores do Miami praticamente desaparece, pois o time se veria pressionado a vencer o quinto jogo em casa e ainda teria que buscar nova vitória em território alheio.

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segunda-feira, 18 de junho de 2012 NBA | 11:43

PERKINS E IBAKA REAGEM E OKC MOSTRA QUE PODE VENCER EM MIAMI

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Não houve necessidade alguma de Scott Brooks sacar Kendrick Perkins do time. A mudança veio com o próprio jogador. Mais ativo e atento no ataque, o pivô do Oklahoma City anotou oito pontos no primeiro tempo (igualou a pontuação dos dois jogos anteriores), pegou sete rebotes (quatro deles no ataque) e, com isso, o Thunder não se viu encaixotado pelo Miami no início da partida (como havia acontecido nos dois jogos anteriores). Levou o jogo no pau até o soar definitivo da buzina.

E mais: Serge Ibaka marcou mais em cima Shane Battier, esquecendo-se um pouco da ajuda a Perkins no garrafão. E o resultado foi que Battier, ao invés dos 17 pontos que fez em cada um dos dois jogos anteriores, anotou nove. No primeiro jogo da final arremessou quatro bolas de três; no segundo, cinco. Ontem, só duas.

A mudança de comportamento desses dois jogadores fez com que o OKC disputasse em pé de igualdade a partida do começo ao fim, ao contrário do que ocorreu nos dois jogos anteriores, quando o Thunder foi um desastre nos dois quartos iniciais. Um pivô que entrou em quadra com o ego machucado depois de ter lido e ouvido críticas a respeito de sua produtividade ofensiva. Um ala de força envergonhado por estar perdendo a batalha diante de um jogador que atua improvisado na posição.

Isso, apenas isso, repito, fez o OKC mudar da água para o vinho. Ontem, finalmente, pudemos ver um Thunder bem mais próximo daquele Thunder que passou por cima de Dallas, Lakers e San Antonio e chegou com méritos a esta final.

Perdeu, é verdade, perdeu por 91-85, mas deixou claro que pode recuperar o mando de quadra em um dos dois próximos jogos em Miami. O Heat vai ter que fazer ajustes para não passar o sufoco que passou ontem à noite, quando chegou a ficar dez pontos atrás no marcador durante o terceiro quarto.

Ótimo! A série estará garantida.

NÚMEROS

Ontem Russell Westbrook não arremessou 25 bolas contra a cesta adversária. Foram 18. Sete a menos. Mesmo assim o OKC perdeu. Kevin Durant arremessou 19 bolas, uma a menos do que no jogo um e três a menos do que no jogo dois. Mesmo assim, o OKC perdeu.

E por que perdeu? Muito pode ser explicado pelo baixo aproveitamento do OKC nos lances livres: 15-254 (62,5%). Enquanto isso, o Miami fez 31-35 (88,6%).

Mas tem mais: Kevin Durant jogou 6:19 minutos no terceiro quarto. Jogou menos do que o habitual porque cometeu sua quarta falta a 5:41 minutos do final. O OKC vencia a partida por 60-54. Daquele momento até o final, o Heat fez uma corrida de 15-7, recuperou-se no jogo, fechou o terceiro período na frente em 69-67 e entrou embalado no último quarto, vencendo-o por 22-18, fechando a partida em 91-85.

Foi o segundo jogo consecutivo que Durantula tem problemas com as faltas. Isso é grave, pois o OKC precisa dele em quadra e não sentado no banco de reservas, carregado de faltas.

COLAPSO

A falência do OKC no jogo se dá exatamente a partir da saída de Kevin Durant do jogo a 5:41 minutos do final do terceiro quarto. Somando esse tempo aos 12 minutos do quarto derradeiro, o Thunder teve um desempenho muito ruim. Além de ter perdido a vantagem de dez pontos no marcador (64-54, atingido logo depois de KD ir para o banco), a equipe anotou apenas 21 pontos em 16:30 minutos, com um aproveitamento de 7-25 nos arremessos (28,0%). Além disso, cometeu sete erros nesse espaço de tempo.

Convenhamos, não dá para vencer com um desempenho desses no momento crucial da partida, por mais que Kendrick Perkins e Serge Ibaka tenham mudado seus comportamentos.

MAGINÍFICOS

Novamente os Três Magníficos do Miami brilharam.

Novamente LeBron James (foto Getty Images) voltou a se destacar. LBJ marcou 29 pontos e foi o cestinha do time e do jogo. Pegou incríveis 14 rebotes, cinco deles de ataque.

Novamente Dwyane Wade jogou num nível que dele se espera. Fez 25 pontos, quatro a menos que LBJ, e ajudou ainda com seus sete rebotes e sete assistências. Nos dois últimos jogos, ou seja, nas duas últimas vitórias do Miami, D-Wade acumula médias de 24,5 pontos, 6,5 rebotes e 6,0 assistências. Números consistentes.

Novamente Chris Bosh voltou a mostrar que a contusão no abdômen é fato que pertence ao passado. Ontem foram dez pontos (3-12, esse foi o problema) e 11 rebotes, quatro deles ofensivos. Teve ainda dois tocos. Jogou 37:06 minutos. Nos dois últimos cotejos, quando recuperou o status de titular do time, CB1 ficou em quadra uma média de 39:04 minutos.

Os três juntos anotaram 64 dos 91 pontos do Miami. Ou seja, 70,3%.

EXTRA

No jogo passado, vitória em Oklahoma City, o banco do Miami fez oito pontos. Ontem, dobrou a pontuação. O maior responsável por isso foi James Jones, que ajudou com meia dúzia. Jones tem entrado aos poucos no time e tem correspondido. Em OKC foram apenas 5:35 minutos; ontem, 12:14. A continuar assim, merecerá mais minutos no jogo de amanhã, o que possibilitará a LBJ e D-Wade entrarem mais descansados no último quarto, quando tudo se resolve na maioria dos casos. E ontem, descansado, LBJ jogou os 12 minutos finais em cima KD e limitou o ala do OKC a apenas quatro pontos, ele que tinha marcado 17 no primeiro jogo e 16 no segundo.

XADREZ

Esta série final tem sido como um jogo de xadrez. Erik Spoelstra tem sido mais esperto que Scott Brooks, pois mexe melhor suas peças. Ontem, o técnico do OKC deu sinais de que não está derrotado.

Aguardemos, pois, pelos próximos capítulos.

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domingo, 17 de junho de 2012 NBA, outras | 12:47

MIAMI TENTA A PARTIR DESTA NOITE CONTRARIAR ESTATÍSTICA DA NBA

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Às 21h de Brasília a bola sobe para o terceiro jogo da série melhor de sete entre Miami e Oklahoma City. Desta vez — e nos dois outros jogos também —, o confronto será no sul da Flórida. Se o Heat, diante de seus fãs, vencer essas três contendas, faz 4-1 no embate e sagra-se campeão pela segunda vez em sua curta carreira como franquia da NBA.

Não é fácil. Desde que o formato 2-3-2 foi adotado, em 1985, em apenas duas ocasiões o time da casa venceu as três partidas: o Detroit em 2004 e o próprio Miami dois anos depois. E ambos os times ganharam o campeonato. Ou seja, em 26 ocasiões, em apenas duas delas o time da casa venceu seus três compromissos. Percentualmente: 7,7%.

Como disse, não é fácil. Mesmo dentro de casa. Em finais, não existe grande disparidade técnica entre as equipes e do mesmo jeito que se perde em casa, ganha-se fora. O OKC, creiam, estatisticamente está vivo; estatística e tecnicamente, pois o time é muito forte.

MUDANÇAS

Como disse no texto de ontem, o Thunder precisa fazer alguns ajustes no seu time. O principal deles passa por sacar Kendrick Perkins do time. Ele tem que ser opção de banco, para o descanso de companheiros ou mesmo para alguma mudança tática durante o cotejo. Perkins como titular, como foi explicado no post passado, não está funcionando.

A saída de Perkins, a mim, significaria a entrada de James Harden, passando Kevin Durant para a ala de força quando o time estivesse defendendo. Desta forma, os chutes de três de Shane Battier seriam marcados, pois, como bem disse nosso parceiro Rodolfo, “com Perkins em quadra, a defesa de Battier fica com o (Serge) Ibaka, que fica mais preocupado em fechar o garrafão para as infiltrações de (Dwyane) Wade e LeBron (James) e em dar tocos, e acaba esquecendo Battier livre na linha dos três pontos”. Perfeito.

Some-se a disso o fato de que Durant, RW0 e Harden (foto Getty Images) jogaram juntos, nestes dois primeiros jogos, apenas 10:14 minutos dos 96 disponíveis. Ou seja, 10,5% do tempo. Isso foi limitado por problemas de faltas, mas também tem a ver com decisões de Brooks. Um equívoco. Os três, tidos como o sustentáculo da equipe, têm que estar juntos, em quadra, o maior tempo possível.

Outro dado importante para mandar Perkins para o banco: com um time mais baixo (com Perkins de fora), o OKC venceu o Miami por 127-103.

Vendo esta situação eu me lembro de uma frase do falecido presidente Vicente Matheus, que governou o Corinthians durante muitos anos, distribuídos em oito mandatos. Dizia Matheus: “Técnico não ganha jogo; mas perde”.

ESTILO

Russell Westbrook está no olho do furacão. Ou, se você preferir, na berlinda. Tudo por conta de seu estilo agressivo, de seu olhar fixo na cesta adversária. Ou, se você preferir, pelo seu estilo “fominha” de ser.

Nestes dois primeiros jogos finais, RW0 arremessou 50 bolas contra a cesta do Miami. Quatro a mais do que LeBron James, oito a mais do que Kevin Durant (cestinha das três últimas temporadas da NBA) e dois a menos do que James Harden, Thabo Sefolosha, Serge Ibaka e Derek Fisher juntos.

West arremessou 25 bolas no primeiro jogo e mais 25 no segundo. Dado interessante e importante: quando ele chuta 25 bolas em uma partida (incluindo os playoffs), o OKC tem um recorde de 7-7. Quando arremessa menos de 25, o recorde é de 53-16.

“Não vou mudar meu estilo de jogo, não importa o que as pessoas achem e não importa o que vocês (jornalistas) achem”, disse Westbrook na sessão de mídia de ontem à tarde, já em Miami. “O que eu vou continuar fazendo é dar 110% de mim em todos os jogos, como sempre fiz”.

Além de sacar Perkins do time, Scott Brooks precisa ter uma conversa séria com Westbrook. Não para pedir para ele arremessar menos, mas para pedir para ele ler com mais atenção as partidas.

TRANQUILIDADE

Enquanto o OKC queima a pestana para resolver seus problemas, o Miami navega em mares tranquilos.

LeBron James, apesar da queda de produção nos últimos quartos, tem tido um desempenho notável não apenas neste “NBA Finals”, mas em todos os playoffs também. Neles, LBJ tem médias de 30,8 pontos, 9,5 rebotes, 5,0 assistências e 2,0 desarmes. Diante do OKC, suas médias são 31,0 pontos, 8,5 rebotes, 4,5 assistências e 2,5 roubos de bola.

A performance de Dwyane Wade no segundo jogo diante do Thunder foi de lembrar o velho D-Wade. Anotou 24 pontos, com um aproveitamento de 10-20 nos arremessos. Ajudou também com mais seis rebotes e cinco assistências.

E Chris Bosh confirmou também neste segundo embate que não tem qualquer limitação física por conta da lesão muscular no abdômen. Foi titular pela primeira vez desde que saiu do departamento médico e jogou por 40:23 minutos. Marcou 16 pontos e pegou 15 rebotes, sete deles no ataque.

Se esses três jogadores atuarem em um nível de excelência, por mais que os três do OKC joguem no seu máximo, na somatória do desempenho o trio do Miami leva a melhor, pois é melhor, apesar da grandeza de Kevin Durant. Se isso acontecer, o Miami pode (repito: pode) fazer três vitórias em casa.

Isso tudo, no entanto, é teoria e teoria se encaixa bem no papel. Na quadra são outros quinhentos.

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sábado, 16 de junho de 2012 NBA | 14:21

KENDRICK PERKINS COMPROMETE OKLAHOMA CITY NESTE ‘NBA FINALS’.

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O mundo está criticando Russell Westbrook por conta de seu desempenho no segundo jogo da série contra o Miami. Quem puxa a fila é Magic Johnson. Comentei o tema ontem (se você não leu, clique aqui). Meu xará Fabio Balassiano também fala com propriedade sobre o assunto. Vai igualmente na linha de Magic (clique aqui).

Embora ambos não tenham dito taxativamente que West foi o responsável pela derrota, atribuíram a ele boa dose de culpa pelo revés. Eu, no entanto, vejo a questão sob outro prisma. Creio que a discussão não deva ser feito em cima do armador do OKC, que tem médias de 27,0 pontos, 9,0 assistências e 8,0 rebotes nestas finais. Quase um “triple-double”. A discussão, a meu ver, tem que ser em cima de outro jogador que, discretamente, tem comprometido o Thunder. E nos dois jogos. Seu nome? Kendrick Perkins.

O pivô do OKC (foto Getty Images) tem sido um desastre até o momento na série final da NBA. Nesta decisão, tem médias de 4,0 pontos, 7,5 rebotes e 0,0 assistência. Com ele em quadra, o OKC perde para o Miami. E isso tem ocorrido por conta dos inícios dos prélios.

No primeiro quarto do jogo 1 desta série final, o Heat fez 24-15 com Perkins no jogo. Ele saiu a 2:44 minutos (jogou 9:16 minutos) do final. No segundo quarto, atuou 6:01 minutos e o OKC fez 17-13. No terceiro, Perkins jogou mais 9:25 minutos e quando saiu, a 2:34 minutos do final, o OKC tinha feito 19-17. No último quarto, com o OKC na frente em 74-73, Perkins não jogou. E o Thunder fez 31-21 para fechar a partida em 105-94. Resumo da ópera: com Perkins jogando o Miami venceu o OKC por 54-51, sendo que o quarto inicial foi o responsável por essa debacle.

No segundo jogo o cenário foi devastador. O Miami iniciou com um 21-6 até Scott Brooks tirar Perkins de quadra, a 3:40 do final (atuou por 8:20 minutos). Ficou todo o segundo no banco, que terminou empatado em 28 pontos. No terceiro, Perkins jogou 11:03 minutos e o OKC fez 22-21. No último período, ele só entrou a sete segundos do final, quando LeBron James bateu os dois lances livres que confirmaram a vitória do Miami. Nele, igualmente sem Perkins, o OKC venceu o Heat por 29-22. Ou seja: no segundo jogo, com Kendrick em quadra, o Heat venceu o Thunder por 42-28.

O que mais compromete, como disse, são os inícios dos jogos. Nos dois confrontos realizados até agora, o Miami fez 45-21. No primeiro embate, o Thunder encontrou fôlego para reverter o marcador; no segundo, faltou ar.

Por que Perkins compromete? Porque não faz absolutamente nada no ataque. É peso morto.

No primeiro jogo, no quarto inicial, quando o Miami fez a tal da corrida em 24-15 com Perkins jogando 9:16 minutos, o pivô do OKC zerou na pontuação e pegou três rebotes defensivos. No segundo, nos 8:20 minutos em que participou da partida no quarto inicial, novamente não pontuou, embora tenha pegado seis rebotes (três deles ofensivos).

Como digo sempre, jogador tem que pontuar. Jogador que não pontua, não adianta. Limita a ação ofensiva de seu time, pois o adversário tem que marcar quatro ao invés de cinco jogadores.  Costuma flutuar em cima dele, facilitando a dobra nos outros quatros atletas.

O Miami não tem pivô. Às vezes joga com Chris Bosh e Udonis Haslem juntos. Em outras situações, com um dos dois e LeBron James ou Shane Battier como ala de força. Mesmo assim, Perkins não consegue tirar proveito de seu tamanho e de sua força diante dos “baixinhos” do Miami. Terminou o primeiro jogo com apenas quatro pontos; no segundo, repetiu a dose. E no jogo 2, não foi de grande valia nem na defesa, que, dizem, é seu forte. O Heat fez 48-32 nos pontos no garrafão.

FUTURO

Assim como no futuro, a meu ver, vão desaparecer os armadores obtusos, aqueles que acham que sua função é primeiro servir para depois pontuar (não existe ordem nenhuma durante uma partida. O armador tem que sentir o jogo e ver o que tem que ser feito: ou pontuar ou armar. O desenho do embate é que vai dizer isso. O que o armador tem que ter é sensibilidade para fazer a leitura correta do jogo), assim como no futuro vão desaparecer os armadores obtusos, esses pivôs que não sabem atacar, que apenas marcam, tenderão a desaparecer também.

Volto a dizer: jogador que não sabe o que fazer com a bola nas mãos não serve. É como relógio que atrasa: não adianta. Jogador de basquete, como está sempre no ataque e na defesa (ao contrário do futebol), tem que saber jogar no ataque e na defesa. Defender é importante; atacar também. Mas jogador que está na NBA e que participa de time que está na final da liga, tem que saber fazer as duas coisas. Perkins não consegue. Faz apenas corta-luz e briga por rebotes. Muito pouco.

O Miami ataca sempre com cinco jogadores. Os que estão em quadra sabem pontuar. O Heat não tem um jogador desses, como Perkins, que não sabe o que fazer quando tem a bola nas mãos e tem o dever de encestá-la, pois o horizonte se abre a ele.

Para valer a pena um jogador desses jogando, ele tem que fazer coisas extraordinárias. Ano passado, o limitado Tyson Chandler (foto Getty Images) defendeu muito. Ajudou nos “screens” e pontuou algumas vezes aproveitando-se do “pick’n’roll”. Mas o que Chandler fez mesmo foi compensar sua inabilidade ofensiva com muita defesa. Perkins, até o momento, não consegue ser o Tyson Chandler do OKC. Como vimos, pois com ele em quadra o Miami está à frente no marcador.

Desta forma, se eu fosse Scott Brooks, começaria o jogo deste domingo (21h de Brasília) com Kendrick Perkins no banco. Sairia com West, Thabo Sefolosha, James Harden, KD e Serge Ibaka. Colocaria Nick Collison no rodízio quando o Miami escalar Chris Bosh e Udonis Haslem ao mesmo tempo. E usaria Derek Fisher no rodízio dos alas. Faria como o Miami, que usa basicamente sete jogadores: Mario Chalmers, Dwyane Wade, Shane Battier, LeBron James, Chris Bosh, Udonis Haslem e Norris Cole.

O Heat parece ter achado sua formação ideal. Quase venceu o primeiro jogo destas finais e ganhou o segundo. O OKC tem que fazer o mesmo. Caso contrário, pode se complicar na busca do título inédito depois do novo batismo.

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sexta-feira, 15 de junho de 2012 NBA | 12:34

MIAMI FAZ MUDANÇAS, VENCE O OKLAHOMA CITY E EMPATA A SÉRIE FINAL DA NBA EM 1-1

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O Miami venceu o Oklahoma City por 100-96 na noite desta quinta-feira que passou. Empatou a série em 1-1. Poderia ter aberto 2-0. Jogou muito no primeiro confronto deste “NBA Finals” e entregou a vitória aos anfitriões, como bom visitante, no fim, exaurido e mal planejado. Na verdade, exaurido porque foi mal planejado. Ontem, a história teve outro desfecho porque o esquema foi mais bem engendrado.

Erik Spoelstra, o treinador do Miami que é odiado na mesma proporção de LeBron James, ontem acertou em suas decisões. Primeiro, porque colocou seus reservas para jogar. Com isso, poupou os titulares. Segundo, porque deve ter batido o pau na mesa e dito: vamos trabalhar jogadas, fazer “screens” e “pick’n’roll”, de modo a facilitar a vida de vocês mesmos.

Ninguém me tira da cabeça que esse jeito “peladeiro” de jogar do Miami é fruto das exigências de LeBron James. LBJ não jogou no “college”. Foi direto do “high school” para a NBA. O basquete universitário, além de ensinar fundamentos, disciplina o jogador. Ensina táticas do jogo para ele.

Jogadores que se dedicam ao basquete da NCAA têm fundamentos e leem a partida. Os demais gostam do jogo de playground, que é vistoso, mais agradável de ser visto, mas que quando encurralado dificilmente encontra soluções para arapucas armadas. Vejam a diferença entre Tim Duncan e LeBron. Timmy jogou quatro anos em Wake Forest. Se fosse deslumbrado como muitos que pulam para a NBA com apenas uma temporada no universitário, talvez não fosse esse jogador completo que a gente se acostumou a ver e a admirar.

Ontem, Spo bateu o pau na mesa, imagino eu. Imagino, pois não privei da intimidade do vestiário do Heat e nem vi os treinamentos. Mesmo se lá estivesse, não teria visto, pois os treinos são fechados para a mídia. Apenas os 15 minutos finais são liberados. Os jornalistas ficam na sala de imprensa, dentro do ginásio, e os quatro cantos que são acesso à quadra são obstaculizados por cortinas pretas. Ouve-se tudo, mas não se vê nada.

Mas, dizia eu, ocorreu ontem com o Miami o que não vinha ocorrendo até então: o jogo solidário, de ajuda ofensiva. Uma cesta a pouco menos de um minuto para o final do jogo foi emblemática: LBJ faz o “screen” (corta-luz) em cima de Thabo Sefolosha e Wade, desmarcado, infiltra e faz o passe em ponte-aérea para a enterrada de Chris Bosh, que levou o placar a 98-91 para o Heat.

O uso do banco, já disse, foi igualmente importante. Não do banco como um todo, mas sim de Norris Cole. O “rookie” jogou 13:17 minutos. Aparentemente pouco. Mas com ele em quadra Spo pôde descansar melhor sua dupla LBJ-Wade. Com Mike Miller, usado no confronto anterior, isso não foi possível por conta de Miller ser um ala. O Heat precisa de Norris, porque com ele Spo pôde descansar LBJ usando D-Wade e Shane Battier e Battier e LBJ como duplas nas alas. E ainda deixá-lo em quadra junto com Mario Chalmers, que faz um ala de arremesso e isso possibilita o descanso de Battier. James Jones também foi importante neste apoio com seus 5:35 minutos. Enfim, com Norris (principalmente) ficou mais fácil poupar as estrelas do time. Aqui pode estar a chave de um possível sucesso do Miami nestas finais.

Outro aspecto importante do jogo vitorioso do Miami foi o desempenho de Shane Battier. O “faz-tudo” do Heat (que posição ele joga?, diga-me?) está em todos os cantos da quadra. Ora marcando o armador; ora o ala-armador. Muitas vezes é visto vigiando o ala, para logo em seguida estar grudado no ala de força. Só não foi notado ainda marcando Kendrick Perkins. Mas se for preciso…

Além de ser um cão feroz na defesa do Heat, Battier tem sido importantíssimo no ataque. Suas bolas de três começaram a cair no momento exato. Ou seja: nestas finais. Ele tem 9-13 nas bolas de três nestas duas partidas contra o OKC, o que dá um excelente percentual de aproveitamento de 69,2%. Num comparativo, na final do Leste diante do Boston, Battier acertou 35,0% (14-40); na semifinal frente ao Indiana, 27,3% (6-22); e na primeira rodada, contra o New York, 31,8% deles (7-22).

Quando Battier foi contratado, no começo desta temporada, disse aqui neste botequim que o Miami se reforçava dramaticamente. Muitos disseram: que é isso? Esse cara não é isso tudo. É sim. Produto da Universidade de Duke, cunhado por Coach K, Battier conhece os fundamentos do jogo. Assim como Timmy, Shane ficou em Duke quatro anos. Ganhou um título universitário em 2001. “Sou daqueles jogadores que ninguém se importa”, disse ele no intervalo da primeira partida. “Gosto disso, pois, quando ninguém espera, eu meto minhas bolas de três”.

Pois é, parece que a ficha ainda não caiu do lado do OKC. Battier tem que ser marcado. Ele tem uma média de 17,0 pontos nestas finais contra 7,1 diante do Boston, 3,8 frente ao Indiana e 6,0 contra o NYK. Battier surge do nada aos olhos atentos do “staff” técnico do Thunder, que não imaginava ter que se preocupar com ele. O OKC concentra suas forças — corretamente — em LBJ e D-Wade. Mas isso não pode significar o esquecimento dos demais. E é o que vem ocorrendo no caso de Battier. Os números, como vimos, mostram isso.

“Ele tem sido muito importante para o nosso time”, disse LBJ sobre Battier. “Shane está chutando muito bem da linha dos três. Está fazendo jogadas tanto ofensivamente como defensivamente. Vamos precisar dele, pois esta série vai ser apertada”.

Vai mesmo. Por isso, é bom dizer que nada está perdido. A série tende a ser longa, como eu disse. O time da terra dos tornados perdeu seu primeiro jogo nestes playoffs diante de seus apaixonados torcedores, mas pode se recuperar no sul da Flórida. É muito difícil ganhar três partidas seguidas mesmo dentro de casa. E se isso ocorrer, o Miami faria uma corrida de 4 vitórias a zero diante do OKC. Não é fácil; não acredito.

O principal ajuste que o Thunder precisa fazer, aos meus olhos, é entrar mais rapidamente no jogo. Nas duas primeiras partidas, o Miami abriu grande vantagem no primeiro quarto. Na primeira, o OKC conseguiu se recuperar; na segunda, não teve jeito. Se isso voltar a ocorrer em Miami, nesses três próximos jogos, diante de sua inflamada torcida, pode ser fatal.

No primeiro embate, o Heat chegou a estar 13 pontos na frente no primeiro tempo. Fez 10-2, depois 20-10, pra em seguida marcar 24-13. No segundo quarto, abriu 37-24.

Ontem, o Miami fez incríveis 18-2 a 4:39 minutos do final do primeiro quarto. No início do segundo, 33-17. A pouco mais de dois minutos do fechamento da cortina no primeiro tempo, a vantagem pulou para 17 pontos: 51-34.

Ao contrário do primeiro confronto, quando no intervalo a vantagem do Miami era de apenas sete pontos (54-47), ontem ela era de 12 (55-43). O desgaste do OKC foi grande no primeiro embate e maior ainda no de ontem. Por isso, não teve forças para a reação final, que quase veio. A nove segundos do final da partida, Kevin Durant tentou um arremesso da zona morta canhota, marcado por LeBron James. O placar marcava 98-96 para o Miami. A bola não caiu. KD reclamou de falta, mas a arbitragem nada marcou. LBJ pegou o rebote e sofreu falta. Cobrou seus dois últimos lances livres na partida e mandou o marcador para definitivos 100-96.

LBJ terminou o jogo com 32 pontos, oito rebotes e cinco assistências. Converteu todos os 12 lances livres cobrados. No último quarto, anotou seis pontos. Um a menos do que no quarto final do primeiro cotejo. Kevin Durant marcou 16, um a menos do que nos 12 minutos finais do jogo inicial desta série decisiva. Desta vez o dedo não será apontado para LBJ; afinal, o Miami venceu. Venceu porque ontem Dwyane Wade foi mais companheiro de LeBron do que no primeiro jogo. Ontem Wade deixou 24 pontos na redinha do OKC, contra 19 da primeira partida. Foi fundamental porque Battier voltou a marcar os mesmos 17 pontos do jogo inicial e Chris Bosh, corretamente escalado como titular (este foi outro dos acertos de Spo), marcou 16 pontos e ainda ajudou com 15 rebotes.

Ou seja: LeBron tem mesmo que assumir o controle do jogo e do time. Mas, como muitos parceiros disseram, é fundamental que ele encontre eco nos companheiros, principalmente em Dwyane Wade.

NÚMEROS

Kevin Durant, Russell Westbrook e James Harden combinaram para 80 pontos, enquanto que LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh fizeram juntos 72. Nos rebotes, o trio do OKC pegou 15 e o do Miami ficou com 29. Nas assistências, foram 10 do Thunder contra 11 do Heat.

Se o banco do OKC colaborou com 23 pontos (21 deles de James Harden), os reservas do Miami adicionaram apenas oito. Em compensação, os titulares do Thunder anotaram 73 pontos e os do Heat cravaram 92.

IRA

Magic Johnson disse ter ficado desapontado com Russell Westbrook (foto Getty Images). O armador do OKC (que para os tradicionalistas não é armador de ofício e sim um armador de arremesso) fez 27 pontos, pegou oito rebotes e deu sete assistências. Como reclamar de um desempenho desses? Simples: West foi muito mal nos arremesso: 10-26 (38,4%). E muitas vezes forçou o jogo, com arremessos desnecessários e infiltrações infrutíferas. A reclamação de Earvin procede, embora West tenha cometido apenas dois erros durante a partida.

Aliás, faço apenas esta singela observação, pois quem sou eu para discordar deste que é o maior jogador da história talvez do maior time da história da NBA?

Eu, hein!

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quinta-feira, 14 de junho de 2012 NBA | 16:52

QUESTÕES QUE O MIAMI (TAMBÉM) PRECISA RESOLVER PARA EVITAR SER VARRIDO PELO OKC

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Hoje à noite, 22h de Brasília, acontece o segundo jogo da série final desta temporada da NBA. Novamente em Oklahoma City, o OKC pega o Miami com o claro objetivo de fazer 2-0 no confronto. E poderá fazê-lo. E por alguns motivos, que trataremos a seguir.

No dia seguinte ao primeiro jogo decisivo, boa parte dos parceiros deste botequim reclamou de Dwyane Wade e reclamou de mim também. Porque poupei D-Wade das críticas e cobrei apenas de LeBron James um desempenho melhor no quarto final, quando Kevin Durant marcou 17 pontos e LBJ apenas sete. Não retiro nem uma palavra sequer do que disse sobre LeBron James, mas concordo que deveria ter abordado o trabalho de Wade e imputado a ele grande parte da culpa pela derrota do Miami.

Claramente D-Wade não correspondeu no primeiro jogo destas finais e nem vem correspondendo nestes playoffs. Tem deixado tudo nos ombros de LeBron. O ala-armador do Miami, que já ganhou um anel e foi MVP das finais de 2006, nem de longe se parece com este jogador relembrado. Nem mesmo com o atleta das finais do ano passado contra o Dallas, quando o Heat foi batido em 4-2 pelos texanos.

Se usarmos o argumento que muitos usam para justificar o trabalho de LeBron James, veremos que o jogo de Wade não é tão comprometedor assim. Em 19 partidas disputadas até este momento nos playoffs, D-Wade tem médias de 22,7 pontos, 4,9 rebotes e 4,3 assistências. Nada mau, concordam? Tem um aproveitamento de 46,5% nos arremessos.

O problema é que os números algumas vezes nos enganam, pois, como disse dia desses, não podemos analisar partidas e jogadores usando o videogame. Eu não consigo ver em quadra o mesmo Dwyane Wade da temporada passada; ou melhor, dos playoffs passados. Ele parece alheio ao jogo. Parece acomodado com a situação. Que situação? De ter se tornado o subchefe do time, o segundo jogador na hierarquia do time. Sim, pois o chefe hoje, claramente, é LBJ. King James é hoje o dono do Miami.

Antes do jogo primeiro desta decisão, em entrevista à ESPN, Wade disse com todas as letras: “LeBron é o melhor jogador de basquete do planeta. Nós jogamos para ele”. Não me pareceu contrariado. Mas, a gente bem sabe, muitas vezes as aparências enganam. Será mesmo que ele não está contrariado com seu novo posto no time?

Se Wade não entrar no jogo e voltar a ser “clutch” como ele sempre foi, LeBron, sozinho, não vai suportar o peso da pressão. O Miami vai vender caro as vitórias, mas vai acabar vendendo-as, como ocorreu no primeiro confronto.

Outra questão importante é a questão do banco de reservas. Magic Johnson, depois do primeiro jogo, observou que o banco do Miami é frágil e isso faz com que os jogadores do Heat cheguem exauridos no último quarto. Consequentemente, caem de produção e disso os adversários tiram proveito. Talvez por aí a gente até consiga explicar a queda de rendimento de LBJ no último quarto do primeiro compromisso. Tudo bem que Thabo Sefolosha é um excelente marcador, mas o principal jogador da liga não se pode curvar a ninguém. Michael Jordan não se curvava a ninguém. Messi não se curva a ninguém. E há algum tempo, Kobe Bryant também não. Portanto, por mais que Sefolosha seja exímio marcador (e é mesmo), tendo a atribuir mais ao cansaço (para não voltar a bater na tecla do bloqueio mental) a queda de rendimento do ala do Miami. Portanto, se o banco do Miami não jogar, vai ser muito complicado para o time do sul da Flórida obter sucesso nestas finais.

A questão mais polêmica, aos meus olhos, eu deixei para o final: é a que envolve o técnico Erik Spoelstra. Odiado na mesma proporção de LeBron James, o treinador do Miami é acusado pelo planeta de não entender nada de basquete. Seu crime maior é o de não saber armar o jogo ofensivo do Heat de modo a poupar LeBron James. É acusado de não saber montar esquema com “screens” (ou “pick”) para que LBJ possa arremessar desmarcado ou em um “mismatch”, como aconteceu com Durant especialmente no último quarto do primeiro confronto. É acusado de não esquematizar um pick’n’roll envolvendo ele e D-Wade ou ele e um dos alas de força, especialmente Chris Bosh. É acusado usar e abusar do “isolation”, o que acaba por desgastar LBJ, pois os jogos acabam virando uma espécie de LeBron contra a rapa.

Tudo isso é verdade. Enquanto a gente vê em outros times jogadas em “screen” ou em “pick’n’roll”, não se vê nada disso no Miami. Tudo isso é verdade, repito. Mas eu pergunto: se nós, aqui neste botequim, meros mortais, conseguimos ver isso, será que Spoelstra não é capaz? Será que seus dois auxiliares diretos, Bob McAdoo e Ron Rothstein, também não veem? Além disso, o presidente da franquia é Pat Riley, dono de cinco anéis de campeão. Será que ele também não vê que o time é um bando em quadra se comparado ao San Antonio, por exemplo? Não me entra na cabeça que nenhuma dessas quatro pessoas não veja que falta tudo isso ao Miami quando ele tem a posse de bola. Então, a pergunta seguinte é: se eles sabem que o time precisa disso, por que não fazem algo para resolver o problema? Boa pergunta; não tenho resposta. Minha convicção é que os treinadores do Miami e seu presidente conhecem o jogo.

Dito tudo isso, finalizo o papo, pois o jogo começa logo mais, com a seguinte observação: o Miami precisa resolver rapidamente estas questões (omissão de D-Wade, banco inoperante e falta de jogadas ofensivas); senão, corre o risco de ser varrido pelo OKC. Se duas dessas questões forem resolvidas (não há ordem de importância nelas), o Miami leva a série adiante e a torna longa. Se vai vencer eu não sei.

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quarta-feira, 13 de junho de 2012 NBA | 11:40

KEVIN DURANT VENCE PRIMEIRO DUELO CONTRA LEBRON JAMES E OKC ABRE 1-0 NA DECISÃO DA NBA

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O jogo foi decidido no último quarto. Quando o terceiro acabou, o Oklahoma City tinha vencido o período por 27-19 e passado pela primeira vez na frente no marcador, levando o placar geral para 74-73.

Veio o último quarto. Kevin Durant tinha 19 pontos e LeBron James 23. Os dois (lembram-se do texto de ontem?) catalisavam (como vão catalisar) as atenções de todos. Não apenas dos 18.203 torcedores que lotaram a Chesapeake Arena, mas de fãs que se espalhavam pelo mundo e estavam petrificados diante do aparelho de tevê.

Como seriam aqueles 12 minutos finais? Quem levaria vantagem? Os times montaram seus estratagemas tentando subtrair o máximo possível do jogo de cada um deles. E quem acabou levando a melhor? OKC e Kevin Durant (foto Reuters).

O ala do OKC marcou nada menos do que 17 de seus 36 pontos neste quarto final e liderou o Thunder a uma corrida de 31-21. Com isso, o OKC fechou o primeiro jogo destas finais da NBA em 105-94 e abriu 1-0 na série decisiva. O próximo jogo está marcado para amanhã, quinta-feira, igualmente às 22h de Brasília.

KD esteve impossível no quarto derradeiro. Fez 6-10 nos arremessos, tendo acertado todos os quatro lances livres. Foi marcado por Shane Battier, que fez de tudo, mas não conseguiu conter a fúria ofensiva de Durantula.

LeBron James desapontou. Anotou apenas sete pontos no período (2-6) e não foi o jogador que todos esperavam e que vinha nos encantando até então com os 23 pontos já destacados. LBJ acabou sendo presa da marcação de Thabo Sefolosha, uma vez mais destacado por Scott Brooks (o treinador do OKC) para marcar o jogador mais importante do time adversário no momento derradeiro da partida (foi assim com Tony Parker, armador do San Antonio).

Agora, quero dizer o seguinte: por mais que Thabo seja um excelente marcador (e ele é mesmo), ele é Thabo Sefolosha. Um jogador como LeBron James, que pretende legitimamente ter seu nome vinculado aos grandes da história da liga, um jogador como LBJ não pode ser dominado por Thabo Sefolosha no momento mais importante da partida. Ora, faça-me o favor! Se isso ocorrer nesta série (como ocorreu no ano passado diante do Dallas, quando ele foi humilhado por DeShawn Stevenson, um dos muitos “manes” que existem na NBA), se isso ocorrer, repito, a gente tem que começar a rever o conceito que damos a LeBron James. Ontem, durante a partida, conversando com amigos pelo Twitter, postei o seguinte: “Sefolosha está anulando LeBron ou LeBron está se anulando?” Ou seja: até aonde o desempenho ruim de LBJ no último quarto tem a ver com a marcação de Sefolosha? Será que não tem mais a ver com o bloqueio de LeBron “down the stretch”? Ontem, durante a partida, conversando com amigos pelo Twitter, Charles Nisz postou o seguinte: “Média de LBJ no 4º quarto em playoffs: 8 pontos; em finais: 5”.

Observação feita, temos que deixar bem claro o seguinte: foi apenas o primeiro jogo. Não podemos tomá-lo pelo todo. Tem ainda muita coisa pela frente e esta série, concordamos, tende a ser longa. LBJ quer e pode se recuperar. A debacle no quarto final pode ser apagada nas próximas partidas. O que aconteceu ontem não significa que irá acontecer nas demais. Mas, é claro, uma vez mais eu e muitos ficaremos com um pé atrás, pois o que ocorreu no último quarto deixou-me preocupado e fez-me esquecer, momentaneamente, tudo o que de importante LBJ fez nas séries do Leste. Aliás, puxando pela memória, LeBron fez exatamente isso no ano passado: arrebentou nas séries do Leste e sucumbiu vergonhosamente na decisão diante do Dallas.

COMPLEMENTO

Russell Westbrook (foto Getty Images) não fez um bom primeiro tempo em se tratando de pontuação. Terminou o período com apenas nove pontos, tendo errado sete de seus dez arremessos. Em compensação, deu seis assistências no período.

Mas aí veio o segundo tempo e West começou a desequilibrar, auxiliando Kevin Durant na árdua missão de reverter o curso da partida, que estava todinho desembocando nas águas do Miami. O armador do OKC fez 12 pontos e liderou o time no terceiro quarto, vencido por 27-19, como vimos acima. No último deles, West contribuiu com mais seis pontos. No total nesta segunda metade da partida, Russell fez 18 pontos, seis rebotes e cinco assistências. Terminou a partida com 27 pontos, 11 assistências e oito rebotes. Por pouco, como vemos, não cravou um “triple-double”.

DEFESA

O basquete não é um esporte coletivo, todos nós sabemos. Além das atuações individuais, o coletivo do OKC no segundo tempo foi excelente. Especialmente na defesa.

No primeiro tempo, o Miami teve um aproveitamento de 51,2% nos arremessos de um modo geral, sendo que fez 6-10 nas bolas de três (60,0%). Veio o segundo tempo e tudo mudou. O OKC apertou a marcação e limitou o Heat a apenas 40,0%. Nas bolas de três, que desequilibraram o jogo em favor do time do sul da Flórida no primeiro tempo, como vimos, o desempenho do Miami foi decepcionante: 2-9 (22,2%). O melhor momento do OKC não foi nem no último quarto, quando Thabo Sefolosha anulou LeBron James. O melhor momento foi no terceiro, quando o Heat teve um aproveitamento de apenas 33,3% nos chutes (6-18) contra 47.1% do quarto derradeiro.

O resultado disso é que o OKC venceu o segundo tempo por 58-40. Isso mesmo, o Miami, depois de ter marcado 54 pontos no primeiro tempo, fez apenas 40 no segundo. Detalhe: Kevin Durant e Russell Westbrook, juntos, marcaram 41 nestes dois últimos quartos. No jogo, combinaram para 63 pontos.

SURPRESA

Não há como deixar em branco a atuação de Shane Battier. Além de ter se desgastado na marcação de Kevin Durant (decepcionou-me o fato de LeBron James não ter ido para o combate), o ala do Miami fez 17 pontos, com ótimo aproveitamento nas bolas de três: 4-6 (66,7%).

Embora Dwyane Wade tenha feito 19 pontos e dado oito assistências, Battier foi o melhor parceiro de LBJ na partida de ontem, pois, repito, além dos pontos, foi o responsável pela marcação de Durantula.

ESTATÍSTICA

Dos times que ganharam o primeiro jogo das finais, 72,7% venceram o campeonato.

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terça-feira, 12 de junho de 2012 NBA | 09:39

UMA FINAL DE EMOCIONAR, COMO HÁ MUITO NÃO SE VIA NA NBA

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Desde que Michael Jordan deixou o Chicago eu nunca me emocionei tanto com uma final como agora. Em que pesem os dois confrontos decisivos entre Lakers e Boston, confronto que tem muita história, é verdade; mas que, convenhamos, foram encontros onde havia apenas uma estrela dessas de iluminar uma galáxia — Kobe Bryant —, pois o Big Three do C’s não tinha a mesma intensidade — nem juntando Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen — e por isso não terá os nomes de seus componentes gravados em ouro no panteão da NBA. Em que pesem os quatro títulos do San Antonio, capitaneados por Tim Duncan, este sim, uma dessas criaturas que dão asas à imaginação e nos ajudam a forjar seres mitológicos; mas que, convenhamos, foi ofuscado pelo basquete blasé do SAS, que a poucos teóricos encantou, pois era um basquete europeizado, travado, tático, chato de se ver, pois não estamos numa sala de aula de educação física e sim tentando nos divertir. Em que pesem os três títulos do Lakers conduzidos em quadra por Shaquille O’Neal, na verdade um MMA que sabia jogar basquete; e que, convenhamos, nunca encantou pela beleza do jogo.

Agora teremos dois gigantes em quadra medindo forças. Um duelo de titãs — se me permitem — como há muito não se via. Dois seres midiáticos — cada um a seu modo —, fazendo um combate maniqueísta, talvez o mais maniqueísta combate da história da NBA desde sempre.

Um catalisando a cólera da maioria, representando o mal, odiado não sei bem por quê; ou melhor, sei sim; odiado porque escolheu um caminho que para muitos era o caminho mais fácil, dos fracos, dos trapaceiros, dos charlatões, mas que, na verdade, é o único caminho conhecido para se chegar ao olimpo. Um caminho que se abriu para outros de maneira seminal, pois eles não foram jogados pelo destino em um labirinto. Bill Russell não precisou buscar seu Dwyane Wade; Kareem Abdul-Jabbar também não. Nem Magic Johnson, Larry Bird, Michael Jordan, Tim Duncan, Shaquille O’Neal e Kobe Bryant. O Dwyane Wade deles estava lá o tempo todo, bem a seus lados. O destino quis assim; o destino sorriu-lhes.

O outro, catalisando apenas bons fluidos, o amor dos fãs; de todos, diga-se. E nem há porque ser diferente, pois este outro encarna ou é a personificação do bem. Porque é bom moço, tem um jeitão “low profile” que torna-o tão midiático quanto seu oposto, pois ele é o contraponto que as histórias de mocinho e bandido tanto precisam. Tem uma mãezona que está sempre a seu lado, bem vestida, gordinha e simpática, que ele trata com tanto carinho, que enche de beijos sempre que o jogo acaba e ele acaba com o jogo. O outro; bem, o outro tem uma mãe complicada, que já foi parar na polícia e que, dizem, até “affair” já teve com companheiro de time.

É o confronto destas duas personalidades que cria a rivalidade e nos traz o enredo da história ideal, daquelas de nos amarrar na cadeira e não nos deixar levantar nem pra ir ao banheiro. Um não vive sem o outro. Um precisa do outro. É como Yan-Ying, essas duas forças que se complementam e trazem o equilíbrio à vida. No caso da NBA, muito dinheiro em caixa, traduzido na forma de venda de bilhetes, suvenires, audiência na NBA em todo o planeta e o que mais a gente puder imaginar. É o diagrama perfeito.

A partir de hoje teremos, pois, o duelo de dois jogadores extraordinários. Um duelo que não me emocionava desde que Michael Jordan livrou-se de Bryon Russell e derrubou aquela bola milagrosa no estouro do cronômetro e deu ao Bulls seu sexto título de campeão da NBA.

LeBron James, o ser odiado, é hoje o jogador mais completo da NBA. Pontua, pega rebotes, dá assistências, faz desarmes, dá tocos. Um time inteiro num cara só. Kevin Durant, o ser amado, é hoje o melhor jogador da NBA. “Clutch”, decisivo “down the stretch”, uma máquina de fazer pontos.

Os dois serão o alvo dos holofotes da mídia, da retina dos fãs em todo o planeta a partir desta noite. Estarão nesta condição por mais que existam Dwyanes, Chrisses, Russells e Jameses. Se o “script” não falhar, um dos dois vai definir este combate. E se o “script” não falhar, no sétimo e derradeiro jogo. E como numa história onde o ingrediente perfeito não pode faltar, os dois jogam na mesma posição, o que indica que ambos estarão se vigiando do começo ao fim desta campanha.

Quem ganhará esta queda de braço? Quando escuto e/ou leio essa pergunta logo me vem à mente a escultura “O Pensador” (foto), de Auguste Rodin. Essa pergunta, tivesse sido feita ao francês que viveu no século 19, ele teria respondido com sua mais famosa obra: um homem imerso em pensamento, tentando decifrar questões relativas ao saber, tentando encontrar respostas para questões enigmáticas. Questões como esta: quem vai vencer esse duelo? Durant ou James?

Alguém tem a resposta? Eu não tenho — e nem me atrevo, pois tentar responder é tentar adivinhar. E aqui eu não estou para adivinhar. LeBron James e Kevin Durant são daqueles jogadores que não podem ser analisados como jogadores de videogames, como muitos tentam analisar o basquete, como se o emocional não fizesse parte do jogo e ele fosse restrito a desenhos e números. Coisa de adolescente imaginar que é assim que funciona. Uma decisão é muito mais do que números e pranchetas. Apenas os mais velhos sabem disso; os jovens não, pois sofrem de uma doença que apenas a idade cura.

COMPARAÇÕES

LeBron pode subtrair Durant? Durant pode subtrair LeBron? LeBron é mais forte e mais ágil, mas Durant tem o equilíbrio que todo campeão necessita, e que ainda não vemos completamente em LeBron, que é mais experiente que Durant, diga-se.

O Oklahoma City pode subtrair LeBron? O Thunder tem mais alternativas do que o Miami em sua tentativa de conter LBJ. Além de Durant, Thabo Sefolosha e Nick Collison terão essa missão. Não creio que Ibaka o fará, pois o Miami joga praticamente sem pivô e, por isso, Kendrick Perkins poderá ficar sem muita função nesta série, o que transformaria Ibaka no grandalhão mais utilizado e, desta forma, jogando mais no pivô do que na marcação a LBJ.

O Miami pode subtrair Durant? O Heat tem menos alternativas. Além de LeBron, o único com cacife para isso é Shane Battier. James Jones não tem estofo para isso — nem mesmo creio em Dwayne Wade. Vai ser mesmo LeBron e Battier, apenas os dois, mas isso não quer dizer que não possam cumprir a missão.

Quem tem o melhor complemento? No papel, o Miami, pois Dwyane Wade e Chris Bosh são dois campeões olímpicos. Wade já foi campeão da NBA e até MVP da final já ganhou. Russell Westbrook e James Harden são dois meninos tentando ser homens, embora tenham personalidade de gente grande. Mas se Wade e Bosh são mais experientes e melhores, o Oklahoma City funciona melhor como time se comparado ao Miami.

Quem tem o melhor banco?  Se formos considerar James Harden reserva, claro que o OKC tem mais banco, pois de lá ainda vem a experiência de Derek Fisher e o auxílio inestimável de Nick Collison. O Miami responde com quem? Udonis Haslem? Muito pouco. Mesmo que Haslem seja titular e Chris Bosh saia do banco, é igualmente pouco, pois os demais jogadores não são exatamente jogadores que um treinador gostaria de puxar para mudar o cenário de uma partida. Norris Cole é um “rookie” que não cresceu como Kawhi Leonard. James Jones é instável no jogo e no emocional. Joel Anthony e Ronny Turiaf são esquentadores de banco. E Mike Miller pode tanto acertar sete bolas de três como errar todas. Teoricamente, o banco do OKC é melhor. Mas melhor o suficiente para impactar o jogo? Essa é a questão.

COACHES

22h de Brasília. É a partir desta hora que tudo vai começar. É a partir desta hora que a decisão começará a ser jogada e resolvida, muito mais na quadra do que no banco, pois, pelo segundo ano consecutivo, os treinadores não ocupam espaço exagerado na mídia. Pelo segundo ano consecutivo, pouco se fala deles. Prefiro assim. Sou do tempo em que se associava o time ao jogador e não ao treinador. O basquete é tático, muito mais do que o futebol. O treinador é figura importante, mas não mais do que o jogador. O basquete permite interferências e dá ao treinador muitos poderes, mas ele não entra em quadra. O jogador é quem decide. E numa decisão, como disse, o emocional, a parte mental, eles contam muito.

O confronto desta temporada, uma temporada que quase não foi jogada por conta do locaute, este confronto será definido na quadra, portanto — assim o vejo. E quando ele se encerrar, não estaremos falando de treinadores, mas sim dos jogadores. Que assim seja — sempre —, pois eles são as verdadeiras estrelas do espetáculo.

PERGUNTA

LeBron James ou Kevin Durant? Não sei.

O que sei é que desde Michael Jordan eu nunca me emocionei tanto com uma final da NBA como agora.

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domingo, 10 de junho de 2012 NBA | 11:30

MIAMI VENCE O BOSTON, VAI À FINAL CONTRA O OKC E UMA NOVA RIVALIDADE PODE SURGIR NA NBA

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Estava dando a impressão de que o Miami iria perder novamente em casa depois de LeBron James ter carregado nas costas o time em Boston, na vitória da última quinta-feira por 98-79. Estava dando esta impressão porque LBJ fez um primeiro tempo muito abaixo do que dele se esperava (havia anotado 45 pontos no jogo passado dentro do TD Garden de Boston) e Dwyane Wade seguia apagado. E o Boston, mesmo sem jogar um grande basquete, mantinha-se na frente do marcador e o jogo ia se encaminhando para o seu final.

Aí veio o quarto decisivo. O Miami, que fazia um jogo de recuperação, conseguiu empatar a partida em 73 pontos quando a buzina estridente soou indicando que o terceiro período havia terminado. LBJ acumulou 20 pontos nestes 36 minutos, mas mostrava um aproveitamento ruim nos arremessos se comparado com o que havia feito em Massachusetts: 41,6% (5-12). É bom dizer que a defesa do C’s teve muito a ver com o desempenho de LeBron. Doc Rivers, como havia prometido, mudou o marcador: ao invés do cansado Paul Pierce (o que fazer com um cara que tem garantido US$ 16,8 milhões na próxima temporada e que na hora de a onça beber água teve média de 18,0 pontos por jogo e aproveitamento de apenas 34,4% nos arremessos?), ao invés de Pierce o ala-pivô Brandon Bass foi designado para marcar LBJ. O fez a maior parte do tempo, tendo contado com auxílio de Mickael Pietrus quando foi preciso descansar. Doc talvez tenha encontrado a fórmula tarde demais; não fosse isso, talvez a derrota de Massachusetts tivesse sido evitada. Talvez; não sabemos.

Mas eu relatava que o quarto decisivo estava por vir. LBJ já somava 20 pontos, o jogo estava empatado em 73 depois de o Miami ter ficado atrás no marcador o tempo todo. O quarto decisivo veio, o Boston sentiu o peso da idade, o Miami não. O Big Three do Boston, quando a partida ia ser decidida, anotou apenas sete pontos e teve um desempenho nos arremessos de 3-10 (30,0%), com 1-5 (20,0%) nos tiros longos. Pior: mostrando fragilidade, não bateu nenhum lance livre. Era praticamente Rajon Rondo contra a rapa. O armador do C’s, que terminou a partida com um “triple-double” (22 pontos, 14 assistências e 10 rebotes), fez seis pontos neste quarto (3-6; 50,0%).

Enquanto isso, os Três Magníficos do Miami anotaram nestes 12 minutos finais, quando a parada foi resolvida, nada menos do que 28 pontos (10-17; 58.8%). O Miami venceu o quarto por 28-15 e fechou a contenda por 101-88 e classificou-se, pelo segundo ano consecutivo às finais da NBA. E sempre é bom lembrar que há dois anos o trio foi reunido no sul da Flórida. Muitos, quando isso aconteceu, apostaram que não iria dar certo porque o time a) não tem técnico; b) não tem armador; c) não tem pivô; d) faltariam bolas para os três em quadra; e) outras coisas mais que eu já não me lembro; f) o ódio por LeBron James era (como ainda é) grande demais.

LeBron James , disparado o melhor jogador do Heat nesta final do Leste, encerrou a partida com 31 pontos e 12 rebotes. Dwyane Wade deu um pouco mais o ar da graça ao apresentar os seguintes números: 23 pontos, seis rebotes e igual número de assistências. E Chris Bosh, mostrou que está definitivamente curado da distensão no abdômen: 19 pontos (3-4 nas bolas de três; 75,0%) e oito rebotes. Quanto as bolas de três, a performance de ontem à noite foi a melhor da carreira. Até então, com a camisa 1 do Miami, tinha feito 13-56 (23,2%).

O Miami ganhou a série por 4-3 porque LeBron James (foto acima Getty Images) jogou como um MVP tem que jogar. Desta vez não houve bloqueio mental. E sem bloqueio mental seu jogo fluiu, pois confiança não era artigo em falta em sua prateleira. Terminou estas finais com médias de 33,6 pontos e 11,0 rebotes. Não fosse LBJ e o Miami teria sucumbido neste enfrentamento diante do Celtics. Repito: King James jogou estas finais o tempo todo com o cetro na mão e a coroa na cabeça.

Do lado oposto, como já disse, o peso da idade foi companheiro inseparável da equipe. Enquanto o trio do Miami fez 73 pontos no jogo de ontem, o Big Three do Boston ficou em 48. Enquanto o trio do C’s fez 79 pontos nos dois últimos e decisivos jogos da série, LeBron James, sozinho, marcou 76. Os três juntos, neste duo decisivo de contendas, anotaram nada menos do que 142 pontos. Ou seja, 63 pontos a mais. Muita coisa; muita diferença.

O Boston sucumbiu por conta do peso da idade de seus principais jogadores. O San Antonio provou do mesmo dissabor na série diante do Oklahoma City. O OKC valeu-se da jovialidade e do talento de seu trio avassalador (Kevin Durant, Russell Westbrook e James Harden). O Miami também. Filosofia barata à parte, é importante dizer que a vida é assim mesmo: tudo tem começo meio e fim. É a ordem de tudo, é a lei da vida quando o assunto envolve seres humanos e não baratas, essa praga que ninguém consegue acabar e que habita esse mundo desde que ele é mundo. Não posso afirmar que os trios de Boston e San Antonio estão no fim, mas que estão perto do fim, isso eles estão. Quanto tempo mais eles vão durar eu não sei, mas dure enquanto durar, dificilmente terão condições de suplantar a energia dos trios de Oklahoma e da Flórida. O Boston provocou pelo segundo ano consecutivo esse contratempo. O SAS sentiu na pele pela primeira vez.

Chegou a final que muitos queriam e esperavam: OKC x Miami. Essas duas equipes podem fazer o que Boston e Lakers fizeram por muito tempo e dominar a cena da NBA por mais de meia década. O time do OKC é jovem e terrivelmente espetacular; a equipe do Miami é igualmente sensacional, e embora mais velha demonstra ter energia de sobra em seu tanque de combustível. Boston e SAS, como vimos, envelheceram, enquanto o Lakers apoia-se em Kobe Bryant, um jogador que está igualmente entrando na fase do envelhecimento e que, por conta disso, não sabemos se terá forças para ajudar na reconstrução da franquia. E o Chicago tornou-se um grande ponto de interrogação por conta da contusão de Derrick Rose. OKC e Miami, ao contrário, friso uma vez mais, são times bem mais jovens. Por isso, a tendência é de se ver criar uma rivalidade que vai durar algumas temporadas.

E quem vai levar a melhor nesta primeira final entre eles? O time da terra dos tornados tem a vantagem de quadra por ter feito a melhor campanha, seria favorito por isso? Ou é favorito porque Durant é melhor que LBJ? Ou não é? LBJ é melhor, pois é o MVP? E quem tem o trio mais gabaritado? E a experiência de já ter disputado uma final poderá ter peso importante na balança em favor do Miami? E no banco, quem tem o treinador mais esperto? E o banco melhor, é de quem?

São perguntas que começarão a ser respondidas a partir da próxima terça-feira, 22h de Brasília. Façam suas apostas!

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