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quarta-feira, 30 de maio de 2012 NBA, outras | 13:03

SAN ANTONIO FAZ 2-0 NA SÉRIE E DÁ SINAL DE QUE ELA PODE SER CURTA

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Estou começando a achar que a série será curta. O San Antonio passou pelo Oklahoma City com relativa facilidade. A vitória por 120-111 colocou o SAS na frente em 2-0 e, se bobear, poderemos ver o time texano roubando uma vitória do OKC no estado dos tornados e resolver a parada na quinta partida. Já vi manifestações de torcedores falando em varrida. Acho exagero; mas estou começando a achar que a série será curta. Posso estar enganado.

Se no primeiro jogo foi Manu Ginobili quem colocou a bola debaixo do braço e levou o time à vitória, desta vez foi outro estrangeiro, Tony Parker, o dono do jogo. O francês anotou nada menos do que 34 pontos e deu oito assistências. Tomou uma porrada de Russell Westbrook, ainda no primeiro tempo, daquelas porradas que o cara diz que vai na bola, mas aproveita e desce o braço, e que por isso deveria ter tomado uma técnica e não tomou, mas eu dizia que o armador do Spurs apanhou do armador do Thunder e não falou nada. Não passou recibo. Apenas cerrou os dentes e desandou a jogar mais ainda. Gosto de jogador assim: responde na bola as bordoadas que leva.

Foram 34 pontos e oito assistências. O aproveitamento foi incrível: 16-21 (76,2%). E sabem o que é assustador? Que, como disse, Parker (foto AP) é armador e fez a maioria de seus arremessos à meia-distância.

Mas Manu voltou a jogar bem. Aliás, durante o jogo, postei em meu Twitter (@frsormani) que considero Ginobili o maior estrangeiro a ter pisado em uma quadra da NBA. Alguns retrucaram dizendo que foi Hakeem Olajuwon, mas eu respondi dizendo que Hakeem jogou as Olimpíadas de Atlanta-96 com a camisa dos EUA e fez o “college” na Houston University. Teve formação americana. O mesmo vale pra Tim Duncan, que embora tenha nascido nas Ilhas Virgens, jogos Atenas-04 pelos EUA, estudou em Wake Forest e é americano e ninguém pode negar. Os que retrucaram com Drazen Petrovic e Dirk Nowitzki retrucaram bem. Os que falaram em Steve Nash, eu respondi que Nash, assim como Hakeem e Timmy, fez o “college” na universidade de Santa Clara, Califórnia e tem igualmente formação americana.

Manu jogou bem, eu estava dizendo antes desta digressão. Do banco veio e do banco trouxe 20 pontos (7-8 nos lances livres). Ajudou com mais quatro assistências. Timmy, completando o trio de tenores do SAS, desafinou: 11 pontos, com um aproveitamento de 2-11 nos arremessos. E ele é grandalhão e joga perto da cesta.

Mas vejam, mesmo com seu xerife jogando mal, o SAS ganhou. E ganhou, como disse, com relativa tranquilidade. Aí eu pergunto: imagina se ele joga bem também! Teria sido uma lavada? Quem sabe…

Quanto ao OKC, mesmo com Kevin Durant marcando 31 pontos, James Harden anotando 30 e 27 de Russell Westbrook, o time ficou na rabeira do placar o tempo todo, como eu disse. Se a gente considerar que esses três são titulares, o banco do Thunder colaborou com 12 pontos: dois de Thabo Sefolosha (reseva e não titular) e dez de Derek Fisher. Se considerarmos que Manu é titular no SAS, o banco texano respondeu com 28, pois neles eu acrescento os dez de Danny Green, que na verdade é reserva, pois nos momentos cruciais é o argentino quem está em quadra. Então, pra mim, ele é titular e não Green.

E não tem ninguém na NBA no momento que se aproveita melhor dos “pick’n’roll” e corta-luz do que Manu. Sua afinação com Tiago Splitter, por exemplo, é espetacular. E o brasileiro tem se aproveitado desta situação, pois muitas vezes a bola sobra pra ele. Além dos pontos (foram oito), ele tem melhorado o passe (foram três assistências).

Aliás, por falar em Tiago Splitter, não há como não mencionar o “Hack-a-Shaq” do Oklahoma City; ou melhor, de Scott Brooks. Já disse aqui: acho a prática nojenta. Mas se ela for aplicada contra Gregg Popovich, eu acho válido. Popovich precisa provar um pouco de seu veneno. Como disse no Twitter ontem no momento da partida tudo o que for feito contra Popovich eu aprovo. Não gosto dele, já disse aqui. Ele é genial, mas é gênio do mal. É adepto do “Hack-a-Shaq”, manda os caras jogarem sujo (“We need to get more nasty, play with more fiber and take it to these guys”, disse ele no primeiro jogo). Não gosto de gente assim. Popovich, pra mim, não é um desportista na extensão da palavra. Não gosto dele como não gosto do José Mourinho. Mourinho, assim como Popovich, é genial; mas é gênio do mal. Não aprovo as práticas do português. Minha natureza reprova esse tipo de procedimento. Quem acha isso válido, respeito, mas não sou assim.

O “Hack-a-Shaq” foi feito em cima de Tiago Splitter. O brasileiro fez 6-12 nos lances livres. O aproveitamento de 50% é ruim. Isso fez com que ele jogasse apenas 11:20 minutos. E aqui pode residir um problema para o SAS: o descanso de Timmy. Ele tem 36 anos e se a série se alongar (o que eu já estou duvidando, como disse), ele pode ter problemas. Ontem atuou por 36:18 minutos. Na primeira partida foram exatos 35 minutos. Só pra comparar, na série diante do Utah foram 30 minutos e subiu para 34 contra o Clippers. E na fase de classificação, 28 minutos. Claro que ele foi poupado na fase regular pra que Popovich tirasse o couro dele agora. Mas fica uma ponta de preocupação.

Por isso, Tiago Splitter tem que melhorar seu desempenho nos lances livres para ajudar a ele e ao time. Se não o fizer, atrapalhará no descanso de Timmy e pouco estará em quadra nestes playoffs.

Acho que é isso. Será que faltou alguma coisa? Ah, sim: o OKC tem que resolver a questão do “pick’n’roll” e do corta-luz do SAS. Se não o fizer, vai ser surrado neste confronto. E, pra encerrar mesmo: o SAS somou sua 20ª vitória consecutiva. Está invicto nos playoffs depois de dez partidas. Joga mesmo muuuuuuuita bola nestes playoffs.

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