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quinta-feira, 6 de outubro de 2011 basquete brasileiro, Basquete europeu | 20:20

O EQUÍVOCO CORINTIANO

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Oscar Schmidt (foto) será homenageado neste sábado (8) pelo Corinthians. Vai deixar para a posteridade suas mãos no concreto da Calçada da Fama Alvinegra.

Homenagem justa, mas precipitada. Sim, pois pelo que informa o Corinthians através de sua assessoria de imprensa, o nosso Mão Santa será o primeiro jogador da história do basquete corintiano a eternizar suas mãos.

Por que o Corinthians erra? Porque o primeiro jogador de basquete da história do Corinthians a ter suas mãos perpetuadas deveria ser Wlamir Marques e não Oscar Schmidt. Ninguém jogou mais ou foi mais importante para o Corinthians do que Wlamir.

Oscar não tem culpa, mas trata-se de uma gafe imperdoável da diretoria corintiana.

Vocês sabem do meu apreço e da minha admiração por Oscar Schmidt, mas ele não jogou mais e nem foi mais importante para o Corinthians do que Wlamir. Wlamir foi o maior jogador não só da história corintiana, mas do nosso basquete também.

Bicampeão Mundial com a seleção brasileira, duas medalhas de bronze em Olimpíadas e oito vezes campeão paulista pelo time corintiano, numa época em que o Campeonato Paulista era o torneio mais importante disputado no Brasil. Numa época em que o Paulista era o atual NBB. E, é importante ressaltar, naquele tempo nossos principais jogadores atuavam por aqui e ostentavam o status de melhores do mundo ao lado de americanos e soviéticos.

HISTÓRIA

Wlamir Marques (foto) jogou muito com a camisa 5 do Corinthians. Muitos foram os jogos inesquecíveis do nosso ala, mas um deles é considerado pelo próprio Wlamir como o jogo de sua vida com o fardamento alvinegro.

Ele aconteceu no dia 5 de julho de 1965. Local: Parque São Jorge. Adversário: Real Madrid. Foi um amistoso e no final deu Corinthians: 118-109.

ADVERSÁRIO

O Real Madrid tinha acabado de conquistar o bicampeonato europeu, que na época era chamado de Copa dos Campeões, hoje em dia batizado de Euroliga. Os merengues venceram o CSKA de Moscou na decisão.

Na primeira partida, realizada no dia 8 de abril, na capital da então União Soviética, o time da casa fez 88-81. Nada menos do que 15 mil pessoas compareceram ao Palácio dos Esportes de Moscou.

Cinco dias depois, os dois times voltaram a se enfrentar. O palco foi o acanhado Frontón “Fiesta Alegre” de Madrid, com capacidade para apenas três mil pessoas.

Pequenino, mas um caldeirão. Empurrado por três mil inflamados madrilenhos, o Real venceu facilmente por 76-62 e ganhou o campeonato pelo resultado agregado: 157-150.

Emiliano Rodriguez, um ala de 1,87m de altura, foi o grande destaque do Real no jogo decisivo. Marcou 24 pontos e foi o cestinha da peleja.

Mas muito contribuiu também para o título o desempenho do pivô norte-americano naturalizado espanhol Clifford Luyk. Na primeira partida, em Moscou, Luyk, do alto de seus 2,02m de altura, cravou nada menos do que 30 pontos e foi o cestinha do confronto.

Moncho Monsalve, que dirigiu a seleção brasileira antes de Rubén Magnano asumir o comando, fazia parte do Real Madrid. Mas, lesionado, não entrou em quadra em nenhuma das duas partidas.

(Na foto, lance da partida entre Real e Kisa-Toverit Helsinki, da Finlândia, vencida pelos espanhóis por 97-51.)

CARDÁPIO

Depois de conquistar o bicampeonato europeu, o Real Madrid presenteou seus jogadores com uma excursão pela América do Sul. Chegou a São Paulo para apenas uma partida, esta contra o Corinthians, em São Paulo.

Antes de desembarcar em terras tupiniquins, os madrilenhos fizeram três jogos na Argentina, dois no Chile e um no Uruguai. Trouxeram na bagagem, além de todo o fardamento de jogo, o pivô Bob Burgess contundido. Burgess tinha se machucado na vitória diante do União Espanhola do Chile.

O Corinthians acabara de conquistar o Campeonato Paulista. Manteve-se invicto durante todo o segundo turno. Era considerado pelos espanhóis como o maior adversário desta excursão pela América meridional.

Os espanhóis, no entanto, chegaram ao Brasil com a faixa carimbada. Isso porque perderam o primeiro jogo da excursão (mostrando nítido cansaço da viagem) para o Obras Sanitárias da Argentina.

PREOCUPAÇÃO

Wlamir Marques era dúvida para a partida contra o Real Madrid. Estava com uma alergia nos olhos fruto de um remédio que tomara um dia antes do jogo para combater um resfriado.

No dia da partida, à tarde, o médico do Corinthians foi até a casa de Wlamir e aplicou-lhe uma injeção antialérgica. Pra azar dos espanhóis, o medicamento foi eficaz: o inchaço desapareceu e Wlamir pôde jogar.

Entrou em quadra e barbarizou: marcou nada menos do que 40 pontos. Isso mesmo, 40 pontos no bicampeão europeu numa época em que não havia a linha dos três pontos.

Sua pontuação foi fundamental para que o Corinthians vencesse por 118-109.

Mas o jogo não foi eletrizante apenas por conta da atuação de Wlamir. Emiliano Rodriguez, considerado o melhor jogador europeu e que foi decisivo na final diante do CSKA, lembram-se?, foi um feroz adversário.

Rodriguez se destacou não apenas pelos 30 pontos anotados, mas principalmente por ter anulado um de nossos maiores jogadores: Rosa Branca. O brasileiro, em noite não muito feliz, não pontuava e nem conseguia conter o espanhol.

Apesar da grande atuação de Rodriguez, o cestinha do Real Madrid foi Clifford Luyk, a outra estrela do time merengue, que também foi decisivo na final europeia. Luyk anotou 33 pontos.

Moncho, recuperado da contusão, desta vez jogou. Terminou a partida com 15 pontos.

Até hoje, quando se conversa com Wlamir e o enredo se envereda pelo passado, ele faz questão de mencionar esse confronto. “Foi o maior jogo de minha carreira com a camisa do Corinthians”, diz Wlamir.

Ninguém duvida.

(Na foto, Amaury, Wlamir, Renê, Ubiratan e Rosa Branca.)

COMPARAÇÃO

Wlamir Marques gastou dez anos de sua carreira jogando pelo Corinthians. Ganhou oito títulos paulista, como vimos anteriormente. Repito: quando o Campeonato Paulista era o campeonato mais importante do Brasil.

Oscar Schmidt atuou apenas dois anos com a camisa do alvinegro do Parque São Jorge. Venceu o Brasileiro de 1996. Na época, o Brasileiro era, como hoje, o campeonato mais importante do país.

EPÍLOGO

Oscar Schmidt merece todas as homenagens que se faça a ele neste país. É um dos gigantes da história do basquete brasileira. As críticas que se fazem a ele, a meu ver, são injustas. Mas isso são outros quinhentos e no futuro a gente pode até discutir a questão.

A introdução do Mão Santa na Calçada da Fama Alvinegra é uma justiça que se faz a ele.

Mas ao justiçar um de seus grandes expoentes do basquete, o Corinthians comete uma grande injustiça com Wlamir Marques.

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