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sexta-feira, 21 de setembro de 2012 NBA | 00:13

DOC RIVERS DIZ NÃO SE IMPORTAR COM O LAKERS E ESTIMULA O ÓDIO DO BOSTON AO MIAMI

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“Honestamente, eu não me importo com o Lakers… Eu olho diretamente para o Miami (…) Eu quero que eles (jogadores do Boston) os odeiem (jogadores do Heat). Eu quero que eles os vençam. Esse tem que ser o nosso foco”.

A frase, recortada, é do técnico Doc Rivers (foto). Ele já começou a preparar o C’s para esta temporada. Não apenas com treinos técnicos e táticos, mas mentalmente também. E esse tem que ser o trabalho de um treinador. Trabalhar todos os aspectos de um jogo. A gente bem sabe que uma partida de basquete, futebol, ou seja o que for, não se ganha apenas com treinamentos táticos e técnicos. O mental é componente importatíssimo, especialmente quando você vai forjar o caráter de uma equipe.

Ao contrário do resto do planeta, os americanos torcem de maneira diferente; civilizada eu diria. Lá não há os problemas que existem no resto do planeta quando o assunto são os torcedores de futebol.

Se José Mourinho viesse a público e dissesse que espera de seus jogadores ódio ao Barcelona, seria condenado violentamente. O mesmo para Alex Ferguson em relação ao sentimento de seus atletas quanto ao rival Manchester City. Já pensou Tite dizer que está alimentando a cólera em seu elenco ao São Paulo? E Abelão fizesse o mesmo quando o assunto fosse os confrontos contra o Flamengo? Idem para os duelos paranaenses, mineiros, gaúchos, baianos e pernambucanos.

Não dá; nem pensar. Na Europa, o treinador seria multado. Aqui no Brasil, criticado pela mídia, nada além disso, pois vivemos no paraíso da impunidade.

Na América do Norte, o maior problema que a polícia tem é conter a felicidade exacerbada de fãs na comemoração de um título. Derrotas, eliminações e perdas de campeonatos não resultam em nada; absolutamente em nada.

Nos EUA, não existem (pra sorte deles) torcidas organizadas. Essa mazela social e esportiva, além de impedir a convivência pacífica entre os fãs, deu forma às mais variadas manifestações de violência dentro e principalmente fora dos campos de futebol. Lá, eu dizia, por não haver essa praga não há que se garantir um percentual de assentos nos ginásios para torcedores adversários. Ninguém deixa sua cidade em bandos, escoltados pela polícia, para ir torcer no ginásio adversário. Se algum torcedor quiser ver seus times do coração fora de sua praça (ou se for torcedor de time de fora de sua cidade), ele compra ingressos normalmente (via internet) e senta onde o tíquete determina. Senta, vê o jogo, torce e não é molestado em nenhum momento sequer. Se for, é só chamar a segurança que ela põe pra fora do ginásio o animal que tenta inibir os sentimentos do torcedor oponente.

Por isso, Doc Rivers pode vir a público e dizer que está estimulando o ódio de seu elenco em relação ao Miami. Isso não se transfere jamais para as arquibancadas. Doc, aliás, disse já ter feito isso na temporada passada. E o resultado foi visto nos playoffs do Leste, quando o C’s foi caminhando, caminhando, caminhando e chegou à final da conferência. E, nela, vendeu caro o título ao Miami, entregando-o apenas no último e derradeiro confronto.

Mas, como disse acima, não é apenas estimulando a ira que Doc vai fazer do Boston uma ameaça ao reinado do Miami. O time tem que jogar também. É como aquela piada da mãe que foi ver o filho, lutador de boxe, numa luta decisiva. Ela sentou-se e viu que a seu lado havia um padre. O filho estava tomando uma surra e ela, desesperada, virou-se para o padre e disse: “Padre, por favor, reze para o meu filho sair dessa enrascada!” No que o padre respondeu: “Sim, eu rezo, mas seria bom se ele começasse a lutar também”.

Muitos entendem que o alviverde de Massachusetts está melhor nesta do que na temporada passada. Se não há mais Ray Allen, há o instinto matador de Jason Terry. Ele pode não ter a mão tão certeira quanto a de Allen, mas o mental de Terry é mais forte. Além disso, Jet não se incomoda nem um pouquinho sequer em sair do banco durante os jogos, papel que Doc Rivers tinha reservado a Ray-Ray e este não gostou nadinha, nadinha. Os dois “guards” do Celtics são Rajon Rondo (foto) e Avery Bradley. Jet entrará para o descanso de ambos e estará em quadra “down the stretch”, com certeza.

Além disso, há Courtney Lee também, que ajudará a formar um quarteto de “guards” para machucar o Miami e quem a aparecer pela frente. De que modo? Tirando o “front court” adversário de sua zona de conforto.

Na temporada passada, foi exitosa (desculpem o neologismo) a mudança de posição de Kevin Garnett. Por conta da contusão de Jermaine O’Neal e da falta de boas opções, Doc passou KG da ala de força para o pivô. E foi um sucesso. KG saía da área pintada e trazia consigo o pivô adversário, abrindo espaço para o jogo não apenas de Brandon Bass, que tornou-se o PF titular, mas também e principalmente do pessoal do “back court”.

Doc fará o mesmo nesta temporada. Abrirá não apenas KG, mas Bass também. E os armadores encontrarão espaços para infiltrar e pontuar. Dos quatro armadores do Boston, apenas Bradley não teve um duplo dígito de média na pontuação na temporada passada. Mas, não se esqueçam, ele foi entrando aos poucos no time por conta da lesão de Allen. Nesta temporada, com mais tempo de quadra, seguramente atingirá a meta.

Outro aspecto importante nessa tática é fazer os pixotes sofrerem faltas. Além de eles normalmente serem eficientes na linha fatal, bater lances livres, várias vezes, é tudo o que Rivers quer, pois, com isso, ele conseguirá posicionar sua defesa para o ataque adversário.

E não se esqueçam que Jeff Green está de volta depois da cirurgia no coração. Será o descanso que Paul Pierce tanto vai precisar nesta temporada. Um reserva que pode desempenhar o papel de titular quando Doc bem entender. Bola pra isso Green tem. E pode fazer um 2 e um 4 numa boa também. Um “swing player” dos bons!

Darko Milicic, recém-contratado do Wolves, o brasuca Fab Melo, o também novato Jared Sullinger e o veterano Chris Wilcox vão ajudar KG e Bass. E eu espero que Melo saiba aproveitar as chances que irão aparecer. Num primeiro momento, o primeiro reserva a entrar em quadra será Milicic.

O C’s, eu já disse isso, pra mim fará a final do Leste contra o Miami. Não acredito que o New York o faça e muito menos o Brooklyn Nets. E o Chicago sem Derrick Rose não terá forças também. O Boston é um time maduro, experiente. Conhece o caminho das pedras. É assíduo frequentador das finais. E, além disso, consegue mexer com o emocional do Miami. Paul Pierce não se intimida com LeBron James. Jet sabe o que fazer diante de Dwyane Wade. E Chris Bosh vai sofrer nas mãos de KG.

Este é o time que vai incomodar o Miami. Mas enquanto a bola não sobe, acho que o Boston, apesar de toda a sua ira e de sua competência tática e técnica, não passará de um incômodo para o time do sul da Flórida. Vai vender novamente caro o título do Leste; mas venderá. Isso, volto a dizer, antes de a bola subir.

Portanto, vamos aguardar. Pra encerrar, eu grito: volta NBA, volta logo!

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domingo, 16 de setembro de 2012 NBA | 14:08

BILL RUSSEL AGORA ELOGIA O MIAMI, QUE DEVERÁ TER O LAKERS COMO ADVERSÁRIO NA FINAL DA PRÓXIMA TEMPORADA

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Bill Russell, depois de ter rasgado elogios a Joakim Noah, a quem ele considera um dos jogadores que o fazem assistir atentamente a uma partida da NBA, Russell, dizia eu, agora falou sobre o Miami. Disse que o time do sul da Flórida está usando uma estratégia semelhante à de seu Boston Celtics. Seu Boston que na verdade era também do técnico Red Auerbach (ambos na foto acima), o grande mentor daquele esquadrão que formou a maior dinastia da história da NBA.

O C’s de Russell, se você não sabe ou se esqueceu, ganhou nada menos do que 11 títulos. Era uma máquina de jogar basquete. Quer dizer: segundo a visão deste que para muitos é o segundo maior jogador da história da NBA (atrás apenas, obviamente, de Michael Jordan), o Heat está no caminho certo.

E no que consiste a tática do Miami? Contratar veteranos para gravitarem ao lado de seu núcleo, composto pelos Três Magníficos: LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh. Mas ele alertou: é preciso contratar os jogadores corretos; caso contrário, se eles não se engajarem no projeto (como costuma dizer Wanderley Luxemburgo), tudo se rui.

Há pelos menos três grandes jogadores permeando os Três Magníficos: Shane Battier (que completará sua segunda temporada), Ray Allen (campeão em 2008 com o C’s) e Rashard Lewis (um vice-campeonato com o Orlando em 2009).

O Miami está realmente muito forte. E pelo que vejo, parece-me o único time capaz de competir com o Lakers de Kobe Bryant, Pau Gasol e Dwight Howard em pé de igual; ou melhor, vejo o Heat num patamar acima em relação ao Lakers e isso se deve à presença de um jogador: LeBron James.

LBJ superou o trauma de “morrer na praia”. Ganhou o anel de campeão na temporada passada, conquistou sua segunda medalha olímpica em Londres e está cheio de moral. E de saúde também. É, sem dúvida alguma, o grande jogador da NBA na atualidade.

Sinceramente? Acho mesmo muito difícil que algum jogador da NBA no momento consiga suplantá-lo. Nem mesmo Kobe, que tenta provar que não está no ocaso de sua carreira.

A adição de D12, todavia, dará nova vida ao Lakers; e igualmente a Kobe e a Gasol também. Os dois irão se beneficiar de sua imponência no garrafão ofensivo. E no defensivo, D12, todos nós sabemos, é uma máquina de defender.

Aqui pode estar o calcanhar de Aquiles do Miami em relação ao Lakers. CB1, ao que tudo indica, será o pivô do time nos playoffs. Erik Spoelstra vai usar pivôs de ofício durante a fase de classificação, mas quando os playoffs chegarem, ele deverá passar Bosh para o pivô, usando LBJ, Battier e Lewis como ala de força (LBJ nem tanto), como, aliás, ele fez no campeonato passado.

Com isso, eu fico aqui matutando: CB1 terá forças para atacar o garrafão do Lakers com D12 lá dentro? Acho difícil; é como dar murros em ponta de faca, perdoem-me o clichê, mas ele é bem apropriado à situação. E o que CB1 tem que fazer? Abrir; ou seja: jogar aberto, tirar D12 de sua zona de conforto, obrigá-lo a correr. D12 é ágil, mas não sei se ágil o suficiente para marcar CB1 fora do garrafão.

Por isso, se o Miami, em uma provável final de NBA contra o Lakers, quiser machucar o time californiano, CB1 terá que ser esperto ofensivamente.

Mas e defensivamente? Bosh não tem a menor condição de marcar Dwight.

O Miami procura Susan desesperadamente; isto é, tenta encontrar outro pivô para ajudar Joel Anthony e Dexter Pittman, os dois únicos de ofício com contrato com a franquia. Falou-se naquele pivô de Kentucky que jogou a temporada passada pelo New York e que agora eu não me lembro o nome. Há Udonis Haslem, corajoso, mas ele é uma migalhinha perto de D12.

Portanto, como disse, o calcanhar de Aquiles do Miami está em encontrar soluções para driblar a presença de Dwight Howard. Gasol não é tão problemático assim, pois CB1 e Udonis vão brigar de igual para igual com ele. E Kobe será vigiado por LeBron e Battier.

Vamos inverter a análise? Vamos analisar o quadro do ponto de vista do Lakers?

Quem vai conter LBJ? Metta World Peace? Boa resposta; MWP é forte, valente e seu jogo mental é muito interessante. Não chega a ser um Dennis Rodman, pois ele, no calor de um embate, às vezes costuma perder as estribeiras. E quando isso acontece, ele prejudica o time. The Worm não fazia isso. Por isso também, para mim, ele é o maior PF que vi jogar e o maior na história da NBA. Minha opinião; ponto final; ninguém vai mudá-la. Portanto, não gastem saliva.

Voltando ao embate entre MWP e LBJ, o velho Ron-Ron pode ajudar a minar King James. Kobe? Nem pensar; Black Mamba tem que vigiar D-Wade. Por falar em Dwyane, será ele o encarregado de marcar Steve Nash? É… tem Nash também, como eu me esqueci? Quem vai marcá-lo? LBJ? LBJ não é onipresente — nenhum ser humano é, apenas Deus.

Portanto, se LBJ for marcar Kobe, alguém terá que grudar em Nash. Ou será que Spo vai deixar Shane em cima de KB e LBJ na cola do canadense? É, pode ser uma alternativa.

Mas voltando a LeBron, eu pergunto: e quando MWP cansar ou ficar carregado com faltas? O que fazer? Não há o que fazer, pois o Lakers não tem ninguém mais no elenco capaz de marcar LBJ. Nem Kobe. Kobe é bom para marcar D-Wade, esses shooting guards. Vigiar alas ele tem dificuldades, pois: 1) não tem tamanho; 2) está em declínio físico.

Se D12 é um problema para o Miami, LBJ será um tormento para o Lakers.

Enfim, rapaziada, neste domingo de muito sol, cerveja gelada, eu apenas comecei a conversar. Espero que vocês deem sequência ao assunto. Aguardo ansiosamente pelas mensagens.

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sábado, 25 de agosto de 2012 NBA | 22:46

PARA CHRIS BOSH, LAKERS TEM O MELHOR TIME DA NBA NO PAPEL. EU TAMBÉM ACHO, VOCÊ IGUALMENTE E O PLANETA IDEM

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Ontem, sexta-feira, Chris Bosh foi entrevistado pela rádio WQAM de Miami. Claro que entre N assuntos, o tema Dwight Howard-Lakers foi colocado à mesa. E sabem o que CB1 declarou?

Ele declarou o seguinte: “O Lakers, eu penso, neste momento, no papel, é provavelmente o melhor time no Oeste e provavelmente da liga”. E fez questão de frisar: “No papel; estou dizendo, no papel. Mas este é um campeonato muito, muito longo. E a melhor equipe (ao final da temporada) nem sempre é a melhor equipe”.

E CB1 não largou o microfone; seguiu falando: “Somos os atuais campeões, mas temos que começar do zero. Temos que buscar novo entrosamento. Chegar lá e começar tudo de novo. Sabemos que favoritos, essas coisas todas, pouco importam”.

Pensam que ele parou? Nada disso. Leiam o que ele adicionou ao seu discurso: “Éramos favoritos em 2010-11 e caímos nas finais diante do Dallas. Na temporada passada, não havia a mesma expectativa e fomos campeões”.

Disso tudo, digo: o Lakers tem sim senhor o melhor time no papel para esta temporada. E essa história de que não tem entrosamento, isso é bobagem. Os dois últimos times montados para brigar pelo título, assim como o Lakers, fizeram sucesso logo na primeira temporada.

O primeiro foi o Boston, que em seu primeiro ano de “Big Three” foi campeão em cima do Lakers em 2008. Depois, foi a vez do Miami, que em sua primeira temporada chegou à final da NBA, perdendo para o Dallas.

Desta forma, mesmo com um armador novo, um pivô novo e um sistema novo (“Princeton-Offense”), a temporada é longa e o entrosamento virá com o tempo. Se bobear, a fase de amistosos será suficiente para engrenar esse time que tem tudo para brilhar já nesta temporada.

O oponente? O Miami. O time do sul da Flórida segue sendo seu grande adversário. Não acredito que o Oklahoma City será páreo. Posso estar enganado, mas o Lakers passa pelo OKC.

Contra o Miami não há favorito, pois embora no papel o Lakers tenha melhor time que o Heat, na quadra o Heat é um timaço. E reforçado com Ray Allen e Rashard Lewis, jogadores que vão dar opções a Erik Spoelstra, aliviando o jogo em cima principalmente de Dwyane Wade.

LeBron James? Não pense nisso. LBJ parece Neymar: eles querem sempre estar ao lado da bola. São incansáveis.

Se eu tivesse o controle do relógio do tempo, eu o colocaria em junho do ano que vem. Não vejo a hora de o “NBA Finals” começar.

Se nele não estiverem Lakers e Miami, será para mim uma grande surpresa.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012 NBA | 02:26

COM ATRASO DE UM ANO, MIAMI É O CAMPEÃO DA NBA

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Miami é o campeão da NBA. O título veio com um ano de atraso, mas veio. O Heat era para ter sido campeão na temporada passada. Perdeu para o Dallas por N motivos que não vale mais a pena a gente ficar debatendo.

A tunda aplicada em cima do Oklahoma City por 121-106 confirmou que o time do sul da Flórida é de fato o melhor da NBA neste momento. Fechou a série em 4-1; poderia ter varrido o OKC se não tivesse bobeado no primeiro jogo. Rajon Rondo postou em seu Twitter: “A verdadeira final foi entre Miami e Boston”. Concordo com ele. O Thunder não foi páreo para o Heat.

Quando esse time foi montado, no verão de 2010, fui um dos poucos (senão o único) que apostou que ele ganharia não apenas um, mas alguns campeonatos. Falei em três, talvez quatro. Muitos rebateram minhas previsões. Disseram que o time não tinha um técnico, que faltava um armador, que não havia pivôs e que a fogueira das vaidades iria arder até o final do contrato de LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh e, consequentemente, iria consumir a todos.

Rebati dizendo que com um time desses, com LBJ, D-Wade e CB1, não era preciso ter exatamente um Phil Jackson para conduzi-lo, que os jogadores, em quadra, resolveriam a parada. Claro que não foi bem assim, pois o trabalho de Erik Spoelstra, o tempo mostrou, é muito bom. Eu mesmo cheguei a duvidar, nesta temporada, acho que na série contra o Boston, da capacidade de Spo, mas o tempo mostrou que a minha primeira impressão era a correta. Muitos criticam o Miami por conta do “isolation” e da falta de “screens” e “pick’n’roll”.  De fato, o Heat não joga do jeito que muitos gostariam. O Heat faz a bola correr de mão em mão no ataque, mas ela sempre acaba nas mãos de quem está bem posicionado para o arremesso. De fato, alguns “picks” seriam importantes para facilitar a vida de LBJ e D-Wade. Quem sabe na próxima temporada?

Quanto a falta de armadores e pivôs, disse que apenas a seleção dos EUA era perfeita de cabo a rabo. Afirmei que D-Wade e principalmente LeBron James dariam conta de armar o jogo e que Mario Chalmers seria de grande valia. Foi a partir de então que eu comecei a defender a tese de que o futuro do basquete não teria lugar para armadores de ofício. O mesmo vale para os pivôs. Lembrei que CB1 seria o dono do garrafão do Miami e que Udonis Haslem lá estava para ajudar e muito. E que mais um grandalhão resolveria a parada.

Sobre a fogueira das vaidades, isso jamais ocorreu. A química, principalmente, entre LBJ e D-Wade sempre foi perfeita. Nunca houve um senão entre eles. Eles convivem como se fossem irmãos. E o discurso de Wade, depois do jogo, no pódio, confirma tudo isso: ele admitiu, uma vez mais, ter aberto mão do status de líder e dono do time, em favor de LeBron, para ganhar outro anel. Simples, sem vaidade alguma, reconhecendo que LBJ é mesmo o cara.

E CB1, o menos brilhante dos Três Magníficos, sempre foi um apoio para os dois. E em muitas situações segurou a onda, especialmente quando LBJ e D-Wade estavam mal.

Hoje, um ano mais velho, um ano mais experiente, com seus ferimentos cicatrizados, o Miami foi conduzido ao topo do pódio. E conduzido por LeBron James, que finalmente ganhou seu primeiro campeonato, depois de ter batido na trave em duas oportunidades, uma delas com o Cleveland. Com seu troféu de MVP das finais na mão, perguntado por Stuart Scott, da ESPN, qual a diferença entre o LeBron do ano passado para o LeBron deste ano, ele foi claro como a água: “Ano passado eu jogava com ódio, tentando provar uma série de coisas para as pessoas. Mas eu percebi que não tenho que provar nada a ninguém. Passei a jogar com amor”.

LBJ de fato sobrou neste campeonato como um todo. Se na fase de classificação Kevin Durant rivalizou com ele, nestas finais não teve pra ninguém. E mostrou na quadra, jogando, ou melhor, calou na quadra, jogando, seus críticos que insistiam que ele sofria de “bloqueio mental” nos finais das partidas. E sofria mesmo. Curou-se; hoje isso é passado. Curou-se; jogando e não vociferando. LBJ Anotou seu oitavo “triple-double” em playoffs, o primeiro nesta temporada, diga-se, ao cravar 26 pontos, 13 assistências e 11 rebotes. Iguala-se a Tim Duncan, James Worthy Larry Bird e Magic Johnson (duas vezes) que anotaram TD no último jogo das finais.

E tem mais: LBJ tornou-se também o terceiro jogador na história da NBA a liderar o time campão no “NBA Finals” em pontos, rebotes e assistências. Juntou-se a Tim Duncan e Magic Johnson.

Tornou-se também o décimo jogador na história da NBA a ganhar o MVP durante a fase de classificação e nas finais. Está agora ao lado de Tim Duncan, Shaquille O’Neal, Hakeem Olajuwon, Magic Johnson, Moses Malone, Kareem Abdul-Jabbar, Willis Reed, Larry Bird (duas vezes) e Michael Jordan (quatro vezes).

Digo uma vez mais: se o futuro vier do jeito que o presente se mostra, LBJ entrará para o rol dos maiores jogadores de todos os tempos da NBA. Digo uma vez mais: coloco-o no meu quinteto favorito na vaga de Larry Bird, ao lado de Magic Johnson, Michael Jordan, Bill Russell e Wilt Chamberlain.

LBJ joga muito. Domina todos os fundamentos do basquete. Por isso mesmo, pode jogar em todas as posições. É forte como um touro; sua saúde é de ferro. Vai ser dominante por alguns anos. Quando a idade começar a cobrar tributos, vamos ver como ele vai se renovar, como ele vai reconstruir seu jogo. Vamos ver se ele será capaz de se reinventar, como Michael Jordan e Kobe Bryant fizeram.

Quanto ao jogo, ele foi na verdade uma clínica. Se você preferir, uma aula de basquete. O Miami dominou o OKC de cabo a rabo. Além de LeBron, há que se destacar os 20 pontos e oito rebotes de D-Wade; os 24 pontos e 11 ressaltos (quatro de ataque) de CB1; os 11 pontos de Shane Battier e os dez de Mario Chalmers, que deu ainda sete assistências. Mas o cara que ajudou a fazer a diferença foi Mike Miller. Vindo do banco, anotou 23 pontos e acertou sete de seus oito tiros de três.

Finalmente, não há como não mencionar Pat Riley. Presidente da franquia, ele foi o mentor desse time e o homem que apostou em Erik Spoelstra. Sofreu um bocado no ano passado quando o Heat perdeu para o Dallas. Teve que ouvir um monte. Que montou mal o time e que apostou no técnico errado. Esta era a questão que mais o incomodava: Spo. O tempo mostrou que ele estava certo. Spo fez um grande trabalho. Liderar um time com três estrelas não é fácil. Ele sofreu no primeiro ano. Amadureceu no segundo e tornou-se melhor. E mais: segundo quem o circunda, Spo está sempre aberto a aprender. E tem que ser assim mesmo, pois tem apenas 42 anos. Phil Jackson ganhou seu primeiro campeonato aos 46 anos.

Veio com um ano de atraso, mas veio. O Miami é o legítimo campeão da NBA. O futuro promete ser promissor. Se ele vai ganhar mais dois ou três campeonatos, como previ, realmente não dá para saber. Até porque do outro lado surgiu um time que quando eu fiz a previsão dos títulos do Heat, esse time ainda não existia. Falo, obviamente, do Oklahoma City Thunder.

FUTURO

O futuro, já disse aqui, tende a colocar esses dois times frente a frente em outras finais. O OKC pagou pela inexperiência. Aliás, o time da terra dos tornados vem dando um passo de cada vez, como nos ensinou Michael Jordan em seu livro “Nunca Deixe de Tentar” (Editora Sextante, traduzido para o português).

Em 2010, em seu primeiro playoff, perdeu na primeira rodada para o Lakers. Ano passado, perdeu a final do Oeste para o Dallas. Este ano, perdeu a final para o Miami. Ano que vem, quem sabe, possa ganhar o título? Não tem ninguém com contrato encerrando. Portanto, o grupo será o mesmo para a próxima temporada. O mesmo, mas mais velho e mais experiente.

E virá com a faca nos dentes, com sangue nos olhos, tentando conquistar o que não conseguiu: o título de campeão.

A entrada dos jogadores no vestiário foi comovente. Kevin Durant, assim que pegou o corredor rumo aos aposentos do time, apareceu com lágrimas nos olhos. Quando viu a mãe e o irmão, abraçou-os e chorou feito criança. Kendrick Perkins, um título de campeão em 2008 com o Boston, veio logo atrás, chorando também. Idem para Serge Ibaka.

Ano passado, foram Chris Bosh, LeBron James e Dwyane Wade que choraram. Hoje eles sorriem. Amanhã, quem sabe, o riso possa ser ouvido no vestiário do OKC.

ESCLARECIMENTO

Depois do jogo, no ótimo debate que a ESPN promove, Jon Barry afirmou que não importa quantos anéis LeBron James venha conquistar, talvez fique nesse apenas, ele disse, para completar: eu o coloco no mesmo nível dos grandes jogadores, no mesmo nível de Michael Jordan.

A seu lado, Magic Johnson quase caiu da cadeira. Falou algo que os demais riram e eu não consegui entender (alguém entendeu?). E completou: “Nós vimos Michael Jordan dominar seis finais, três vezes seguidas em duas oportunidades. LeBron James não está no mesmo território de Michael Jordan. Kevin Durant também não. Nem mesmo Kobe Bryant está no nível de Michael Jordan”.

Desculpem-me os torcedores do Miami. Sei que a festa é de vocês. Mas este final era necessário.

FESTA

Dá-lhe Miami!

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quarta-feira, 20 de junho de 2012 NBA | 01:41

COMANDADO POR MARIO CHALMERS, MIAMI VOLTA A VENCER E PÕE MÃO E MEIA NA TAÇA

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O Miami está a uma vitória da conquista do título. Venceu o Oklahoma City por 104-98 e tem uma mão e meia na taça. Jamais, em toda a história da NBA, um time saiu de uma desvantagem de 1-3 para ganhar o campeonato. O score é este: 30-0. Nem mesmo conseguiu levar a série para o sétimo jogo; no máximo no sexto.

Como se costuma dizer no futebol, matematicamente a série ainda está aberta. Mas do jeito que se encontra o cenário, é muito difícil que o Miami deixe escapar a oportunidade na próxima quinta-feira. Está embalado, com moral elevado; e confiante. Confiança, costumam dizer os entendidos do esporte, é uma palavrinha mágica para se fazer de um jogador e de um time campeões. O Miami está transbordando confiança. E joga em casa, diante de seus torcedores, inflamados. E joga no conforto do lar, sabedor de que se não fechar a série neste próximo jogo, terá duas partidas fora de casa. Vai entrar em quadra como se fosse o sétimo jogo, como disse Dwyane Wade depois da partida.

O OKC, por seu lado, não se comporta como um time. No jogo desta terça-feira, Russell Westbrook foi o destaque com seus 43 pontos. Encestou 20 bolas, igualando o feito de Michael Jordan, nas finais de 1993, e de Shaquille O’Neal, em 2000. Em compensação, Kevin Durant voltou a desaparecer no último quarto: anotou apenas seis pontos, bem marcado que foi especialmente por LeBron James, que deixou o jogo, no finalzinho (foto Reuters), por conta, ao que parece, de cãibras. E James Harden, novamente, desapontou em que pese os dez rebotes: anotou apenas oito pontos (2-10). De Harden não se esperam rebotes; de Harden se esperam pontos, pois ele é um pontuador. Nos dois últimos jogos, no sul da Flórida, ele anotou 13 pontos. Sua média no campeonato foi de 16,6 pontos. Decepciona.

Decepciona assim como KD desapontou a mim, apesar de seus 28 pontos. Passou o primeiro tempo marcando os armadores do Miami, Mario Chalmers e Norris Cole. Tática de Scott Brooks para poupá-lo das faltas. Uma vergonha; jogador do nível, do status dele, não pode aceitar isso. Se repetir a dose no jogo desta quinta-feira, poderá ficar marcado por ser um molengão na marcação, um fraco que precisa ser escondido pelos companheiros. Como se dizia no interior de São Paulo quando lá eu morava em minha infância e adolescência, isso é coisa de “pozinho”. Não sabe do que se trata? Explico: coisa de menininha. Durant não pode deixar que isso se repita no próximo jogo. Tem que marcar LBJ do começo ao fim do jogo, como fez a partir do terceiro quarto, quando Harden ficou carregado em faltas. Durantula tem que marcar LBJ ou D-Wade. Esta é a sua missão nestas finais.

O Miami, em contrapartida, foi um time. Quatro jogadores tiveram um duplo dígito na pontuação. Embora LBJ tenha feito 26 pontos, 12 assistências e nove rebotes (quase um “triple-double”), embora D-Wade tenha voltado a jogar bem com seus 25 pontos e embora Chris Bosh tenha ajudado uma vez mais com seus 13 pontos, o nome do time e do jogo foi Mario Chalmers. O armador anotou inacreditáveis 25 pontos Sua atuação foi tão importante que a pontuação conjunta de KD e RW0, que combinaram para 71 pontos (56,9% de aproveitamento), contra 51 de LBJ e D-Wade (46,2%), acabou não sendo impactante.

Como disse Magic Johnson depois do jogo, Chalmers não foi importante por ter feito 25 pontos, mas sim quando ele fez a maioria desses 25 pontos. Dois deles foram emblemáticos e definiram o marcador: a 44,6 segundos do final, com o Miami sem LeBron em quadra, Chalmers fez uma infiltração espetacular e elevou o placar a 101-96, quando o OKC pressionava e o ataque do Heat mostrava-se vacilante.

O Miami jogou do começo ao fim como se fosse o sétimo jogo. E, por favor, não culpem RW0 pela derrota por conta da falta que ele fez em Chalmers a 13 segundos do final com o placar em 101-98 para o Miami. O Heat tinha apenas mais cinco segundos de posse de bola e West fez falta em Chalmers, achando que o relógio, depois do pulo-bola de Udonis Haslem e Thabo Sefolosha, tinha voltado aos 24 segundos. “Foi um vacilo meu”, admitiu West depois do jogo. Não foi; foi um vacilo de todos, especialmente do banco, do treinador, que deveria ter alertado a todos.

Enfim, esses vacilos acontecem. Mas, volto a dizer, não foi por causa dele que o OKC perdeu. O OKC perdeu porque, volto a dizer, o Miami jogou o quarto jogo da série como se fosse o sétimo.

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segunda-feira, 18 de junho de 2012 NBA | 11:43

PERKINS E IBAKA REAGEM E OKC MOSTRA QUE PODE VENCER EM MIAMI

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Não houve necessidade alguma de Scott Brooks sacar Kendrick Perkins do time. A mudança veio com o próprio jogador. Mais ativo e atento no ataque, o pivô do Oklahoma City anotou oito pontos no primeiro tempo (igualou a pontuação dos dois jogos anteriores), pegou sete rebotes (quatro deles no ataque) e, com isso, o Thunder não se viu encaixotado pelo Miami no início da partida (como havia acontecido nos dois jogos anteriores). Levou o jogo no pau até o soar definitivo da buzina.

E mais: Serge Ibaka marcou mais em cima Shane Battier, esquecendo-se um pouco da ajuda a Perkins no garrafão. E o resultado foi que Battier, ao invés dos 17 pontos que fez em cada um dos dois jogos anteriores, anotou nove. No primeiro jogo da final arremessou quatro bolas de três; no segundo, cinco. Ontem, só duas.

A mudança de comportamento desses dois jogadores fez com que o OKC disputasse em pé de igualdade a partida do começo ao fim, ao contrário do que ocorreu nos dois jogos anteriores, quando o Thunder foi um desastre nos dois quartos iniciais. Um pivô que entrou em quadra com o ego machucado depois de ter lido e ouvido críticas a respeito de sua produtividade ofensiva. Um ala de força envergonhado por estar perdendo a batalha diante de um jogador que atua improvisado na posição.

Isso, apenas isso, repito, fez o OKC mudar da água para o vinho. Ontem, finalmente, pudemos ver um Thunder bem mais próximo daquele Thunder que passou por cima de Dallas, Lakers e San Antonio e chegou com méritos a esta final.

Perdeu, é verdade, perdeu por 91-85, mas deixou claro que pode recuperar o mando de quadra em um dos dois próximos jogos em Miami. O Heat vai ter que fazer ajustes para não passar o sufoco que passou ontem à noite, quando chegou a ficar dez pontos atrás no marcador durante o terceiro quarto.

Ótimo! A série estará garantida.

NÚMEROS

Ontem Russell Westbrook não arremessou 25 bolas contra a cesta adversária. Foram 18. Sete a menos. Mesmo assim o OKC perdeu. Kevin Durant arremessou 19 bolas, uma a menos do que no jogo um e três a menos do que no jogo dois. Mesmo assim, o OKC perdeu.

E por que perdeu? Muito pode ser explicado pelo baixo aproveitamento do OKC nos lances livres: 15-254 (62,5%). Enquanto isso, o Miami fez 31-35 (88,6%).

Mas tem mais: Kevin Durant jogou 6:19 minutos no terceiro quarto. Jogou menos do que o habitual porque cometeu sua quarta falta a 5:41 minutos do final. O OKC vencia a partida por 60-54. Daquele momento até o final, o Heat fez uma corrida de 15-7, recuperou-se no jogo, fechou o terceiro período na frente em 69-67 e entrou embalado no último quarto, vencendo-o por 22-18, fechando a partida em 91-85.

Foi o segundo jogo consecutivo que Durantula tem problemas com as faltas. Isso é grave, pois o OKC precisa dele em quadra e não sentado no banco de reservas, carregado de faltas.

COLAPSO

A falência do OKC no jogo se dá exatamente a partir da saída de Kevin Durant do jogo a 5:41 minutos do final do terceiro quarto. Somando esse tempo aos 12 minutos do quarto derradeiro, o Thunder teve um desempenho muito ruim. Além de ter perdido a vantagem de dez pontos no marcador (64-54, atingido logo depois de KD ir para o banco), a equipe anotou apenas 21 pontos em 16:30 minutos, com um aproveitamento de 7-25 nos arremessos (28,0%). Além disso, cometeu sete erros nesse espaço de tempo.

Convenhamos, não dá para vencer com um desempenho desses no momento crucial da partida, por mais que Kendrick Perkins e Serge Ibaka tenham mudado seus comportamentos.

MAGINÍFICOS

Novamente os Três Magníficos do Miami brilharam.

Novamente LeBron James (foto Getty Images) voltou a se destacar. LBJ marcou 29 pontos e foi o cestinha do time e do jogo. Pegou incríveis 14 rebotes, cinco deles de ataque.

Novamente Dwyane Wade jogou num nível que dele se espera. Fez 25 pontos, quatro a menos que LBJ, e ajudou ainda com seus sete rebotes e sete assistências. Nos dois últimos jogos, ou seja, nas duas últimas vitórias do Miami, D-Wade acumula médias de 24,5 pontos, 6,5 rebotes e 6,0 assistências. Números consistentes.

Novamente Chris Bosh voltou a mostrar que a contusão no abdômen é fato que pertence ao passado. Ontem foram dez pontos (3-12, esse foi o problema) e 11 rebotes, quatro deles ofensivos. Teve ainda dois tocos. Jogou 37:06 minutos. Nos dois últimos cotejos, quando recuperou o status de titular do time, CB1 ficou em quadra uma média de 39:04 minutos.

Os três juntos anotaram 64 dos 91 pontos do Miami. Ou seja, 70,3%.

EXTRA

No jogo passado, vitória em Oklahoma City, o banco do Miami fez oito pontos. Ontem, dobrou a pontuação. O maior responsável por isso foi James Jones, que ajudou com meia dúzia. Jones tem entrado aos poucos no time e tem correspondido. Em OKC foram apenas 5:35 minutos; ontem, 12:14. A continuar assim, merecerá mais minutos no jogo de amanhã, o que possibilitará a LBJ e D-Wade entrarem mais descansados no último quarto, quando tudo se resolve na maioria dos casos. E ontem, descansado, LBJ jogou os 12 minutos finais em cima KD e limitou o ala do OKC a apenas quatro pontos, ele que tinha marcado 17 no primeiro jogo e 16 no segundo.

XADREZ

Esta série final tem sido como um jogo de xadrez. Erik Spoelstra tem sido mais esperto que Scott Brooks, pois mexe melhor suas peças. Ontem, o técnico do OKC deu sinais de que não está derrotado.

Aguardemos, pois, pelos próximos capítulos.

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domingo, 17 de junho de 2012 NBA, outras | 12:47

MIAMI TENTA A PARTIR DESTA NOITE CONTRARIAR ESTATÍSTICA DA NBA

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Às 21h de Brasília a bola sobe para o terceiro jogo da série melhor de sete entre Miami e Oklahoma City. Desta vez — e nos dois outros jogos também —, o confronto será no sul da Flórida. Se o Heat, diante de seus fãs, vencer essas três contendas, faz 4-1 no embate e sagra-se campeão pela segunda vez em sua curta carreira como franquia da NBA.

Não é fácil. Desde que o formato 2-3-2 foi adotado, em 1985, em apenas duas ocasiões o time da casa venceu as três partidas: o Detroit em 2004 e o próprio Miami dois anos depois. E ambos os times ganharam o campeonato. Ou seja, em 26 ocasiões, em apenas duas delas o time da casa venceu seus três compromissos. Percentualmente: 7,7%.

Como disse, não é fácil. Mesmo dentro de casa. Em finais, não existe grande disparidade técnica entre as equipes e do mesmo jeito que se perde em casa, ganha-se fora. O OKC, creiam, estatisticamente está vivo; estatística e tecnicamente, pois o time é muito forte.

MUDANÇAS

Como disse no texto de ontem, o Thunder precisa fazer alguns ajustes no seu time. O principal deles passa por sacar Kendrick Perkins do time. Ele tem que ser opção de banco, para o descanso de companheiros ou mesmo para alguma mudança tática durante o cotejo. Perkins como titular, como foi explicado no post passado, não está funcionando.

A saída de Perkins, a mim, significaria a entrada de James Harden, passando Kevin Durant para a ala de força quando o time estivesse defendendo. Desta forma, os chutes de três de Shane Battier seriam marcados, pois, como bem disse nosso parceiro Rodolfo, “com Perkins em quadra, a defesa de Battier fica com o (Serge) Ibaka, que fica mais preocupado em fechar o garrafão para as infiltrações de (Dwyane) Wade e LeBron (James) e em dar tocos, e acaba esquecendo Battier livre na linha dos três pontos”. Perfeito.

Some-se a disso o fato de que Durant, RW0 e Harden (foto Getty Images) jogaram juntos, nestes dois primeiros jogos, apenas 10:14 minutos dos 96 disponíveis. Ou seja, 10,5% do tempo. Isso foi limitado por problemas de faltas, mas também tem a ver com decisões de Brooks. Um equívoco. Os três, tidos como o sustentáculo da equipe, têm que estar juntos, em quadra, o maior tempo possível.

Outro dado importante para mandar Perkins para o banco: com um time mais baixo (com Perkins de fora), o OKC venceu o Miami por 127-103.

Vendo esta situação eu me lembro de uma frase do falecido presidente Vicente Matheus, que governou o Corinthians durante muitos anos, distribuídos em oito mandatos. Dizia Matheus: “Técnico não ganha jogo; mas perde”.

ESTILO

Russell Westbrook está no olho do furacão. Ou, se você preferir, na berlinda. Tudo por conta de seu estilo agressivo, de seu olhar fixo na cesta adversária. Ou, se você preferir, pelo seu estilo “fominha” de ser.

Nestes dois primeiros jogos finais, RW0 arremessou 50 bolas contra a cesta do Miami. Quatro a mais do que LeBron James, oito a mais do que Kevin Durant (cestinha das três últimas temporadas da NBA) e dois a menos do que James Harden, Thabo Sefolosha, Serge Ibaka e Derek Fisher juntos.

West arremessou 25 bolas no primeiro jogo e mais 25 no segundo. Dado interessante e importante: quando ele chuta 25 bolas em uma partida (incluindo os playoffs), o OKC tem um recorde de 7-7. Quando arremessa menos de 25, o recorde é de 53-16.

“Não vou mudar meu estilo de jogo, não importa o que as pessoas achem e não importa o que vocês (jornalistas) achem”, disse Westbrook na sessão de mídia de ontem à tarde, já em Miami. “O que eu vou continuar fazendo é dar 110% de mim em todos os jogos, como sempre fiz”.

Além de sacar Perkins do time, Scott Brooks precisa ter uma conversa séria com Westbrook. Não para pedir para ele arremessar menos, mas para pedir para ele ler com mais atenção as partidas.

TRANQUILIDADE

Enquanto o OKC queima a pestana para resolver seus problemas, o Miami navega em mares tranquilos.

LeBron James, apesar da queda de produção nos últimos quartos, tem tido um desempenho notável não apenas neste “NBA Finals”, mas em todos os playoffs também. Neles, LBJ tem médias de 30,8 pontos, 9,5 rebotes, 5,0 assistências e 2,0 desarmes. Diante do OKC, suas médias são 31,0 pontos, 8,5 rebotes, 4,5 assistências e 2,5 roubos de bola.

A performance de Dwyane Wade no segundo jogo diante do Thunder foi de lembrar o velho D-Wade. Anotou 24 pontos, com um aproveitamento de 10-20 nos arremessos. Ajudou também com mais seis rebotes e cinco assistências.

E Chris Bosh confirmou também neste segundo embate que não tem qualquer limitação física por conta da lesão muscular no abdômen. Foi titular pela primeira vez desde que saiu do departamento médico e jogou por 40:23 minutos. Marcou 16 pontos e pegou 15 rebotes, sete deles no ataque.

Se esses três jogadores atuarem em um nível de excelência, por mais que os três do OKC joguem no seu máximo, na somatória do desempenho o trio do Miami leva a melhor, pois é melhor, apesar da grandeza de Kevin Durant. Se isso acontecer, o Miami pode (repito: pode) fazer três vitórias em casa.

Isso tudo, no entanto, é teoria e teoria se encaixa bem no papel. Na quadra são outros quinhentos.

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sábado, 16 de junho de 2012 NBA | 14:21

KENDRICK PERKINS COMPROMETE OKLAHOMA CITY NESTE ‘NBA FINALS’.

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O mundo está criticando Russell Westbrook por conta de seu desempenho no segundo jogo da série contra o Miami. Quem puxa a fila é Magic Johnson. Comentei o tema ontem (se você não leu, clique aqui). Meu xará Fabio Balassiano também fala com propriedade sobre o assunto. Vai igualmente na linha de Magic (clique aqui).

Embora ambos não tenham dito taxativamente que West foi o responsável pela derrota, atribuíram a ele boa dose de culpa pelo revés. Eu, no entanto, vejo a questão sob outro prisma. Creio que a discussão não deva ser feito em cima do armador do OKC, que tem médias de 27,0 pontos, 9,0 assistências e 8,0 rebotes nestas finais. Quase um “triple-double”. A discussão, a meu ver, tem que ser em cima de outro jogador que, discretamente, tem comprometido o Thunder. E nos dois jogos. Seu nome? Kendrick Perkins.

O pivô do OKC (foto Getty Images) tem sido um desastre até o momento na série final da NBA. Nesta decisão, tem médias de 4,0 pontos, 7,5 rebotes e 0,0 assistência. Com ele em quadra, o OKC perde para o Miami. E isso tem ocorrido por conta dos inícios dos prélios.

No primeiro quarto do jogo 1 desta série final, o Heat fez 24-15 com Perkins no jogo. Ele saiu a 2:44 minutos (jogou 9:16 minutos) do final. No segundo quarto, atuou 6:01 minutos e o OKC fez 17-13. No terceiro, Perkins jogou mais 9:25 minutos e quando saiu, a 2:34 minutos do final, o OKC tinha feito 19-17. No último quarto, com o OKC na frente em 74-73, Perkins não jogou. E o Thunder fez 31-21 para fechar a partida em 105-94. Resumo da ópera: com Perkins jogando o Miami venceu o OKC por 54-51, sendo que o quarto inicial foi o responsável por essa debacle.

No segundo jogo o cenário foi devastador. O Miami iniciou com um 21-6 até Scott Brooks tirar Perkins de quadra, a 3:40 do final (atuou por 8:20 minutos). Ficou todo o segundo no banco, que terminou empatado em 28 pontos. No terceiro, Perkins jogou 11:03 minutos e o OKC fez 22-21. No último período, ele só entrou a sete segundos do final, quando LeBron James bateu os dois lances livres que confirmaram a vitória do Miami. Nele, igualmente sem Perkins, o OKC venceu o Heat por 29-22. Ou seja: no segundo jogo, com Kendrick em quadra, o Heat venceu o Thunder por 42-28.

O que mais compromete, como disse, são os inícios dos jogos. Nos dois confrontos realizados até agora, o Miami fez 45-21. No primeiro embate, o Thunder encontrou fôlego para reverter o marcador; no segundo, faltou ar.

Por que Perkins compromete? Porque não faz absolutamente nada no ataque. É peso morto.

No primeiro jogo, no quarto inicial, quando o Miami fez a tal da corrida em 24-15 com Perkins jogando 9:16 minutos, o pivô do OKC zerou na pontuação e pegou três rebotes defensivos. No segundo, nos 8:20 minutos em que participou da partida no quarto inicial, novamente não pontuou, embora tenha pegado seis rebotes (três deles ofensivos).

Como digo sempre, jogador tem que pontuar. Jogador que não pontua, não adianta. Limita a ação ofensiva de seu time, pois o adversário tem que marcar quatro ao invés de cinco jogadores.  Costuma flutuar em cima dele, facilitando a dobra nos outros quatros atletas.

O Miami não tem pivô. Às vezes joga com Chris Bosh e Udonis Haslem juntos. Em outras situações, com um dos dois e LeBron James ou Shane Battier como ala de força. Mesmo assim, Perkins não consegue tirar proveito de seu tamanho e de sua força diante dos “baixinhos” do Miami. Terminou o primeiro jogo com apenas quatro pontos; no segundo, repetiu a dose. E no jogo 2, não foi de grande valia nem na defesa, que, dizem, é seu forte. O Heat fez 48-32 nos pontos no garrafão.

FUTURO

Assim como no futuro, a meu ver, vão desaparecer os armadores obtusos, aqueles que acham que sua função é primeiro servir para depois pontuar (não existe ordem nenhuma durante uma partida. O armador tem que sentir o jogo e ver o que tem que ser feito: ou pontuar ou armar. O desenho do embate é que vai dizer isso. O que o armador tem que ter é sensibilidade para fazer a leitura correta do jogo), assim como no futuro vão desaparecer os armadores obtusos, esses pivôs que não sabem atacar, que apenas marcam, tenderão a desaparecer também.

Volto a dizer: jogador que não sabe o que fazer com a bola nas mãos não serve. É como relógio que atrasa: não adianta. Jogador de basquete, como está sempre no ataque e na defesa (ao contrário do futebol), tem que saber jogar no ataque e na defesa. Defender é importante; atacar também. Mas jogador que está na NBA e que participa de time que está na final da liga, tem que saber fazer as duas coisas. Perkins não consegue. Faz apenas corta-luz e briga por rebotes. Muito pouco.

O Miami ataca sempre com cinco jogadores. Os que estão em quadra sabem pontuar. O Heat não tem um jogador desses, como Perkins, que não sabe o que fazer quando tem a bola nas mãos e tem o dever de encestá-la, pois o horizonte se abre a ele.

Para valer a pena um jogador desses jogando, ele tem que fazer coisas extraordinárias. Ano passado, o limitado Tyson Chandler (foto Getty Images) defendeu muito. Ajudou nos “screens” e pontuou algumas vezes aproveitando-se do “pick’n’roll”. Mas o que Chandler fez mesmo foi compensar sua inabilidade ofensiva com muita defesa. Perkins, até o momento, não consegue ser o Tyson Chandler do OKC. Como vimos, pois com ele em quadra o Miami está à frente no marcador.

Desta forma, se eu fosse Scott Brooks, começaria o jogo deste domingo (21h de Brasília) com Kendrick Perkins no banco. Sairia com West, Thabo Sefolosha, James Harden, KD e Serge Ibaka. Colocaria Nick Collison no rodízio quando o Miami escalar Chris Bosh e Udonis Haslem ao mesmo tempo. E usaria Derek Fisher no rodízio dos alas. Faria como o Miami, que usa basicamente sete jogadores: Mario Chalmers, Dwyane Wade, Shane Battier, LeBron James, Chris Bosh, Udonis Haslem e Norris Cole.

O Heat parece ter achado sua formação ideal. Quase venceu o primeiro jogo destas finais e ganhou o segundo. O OKC tem que fazer o mesmo. Caso contrário, pode se complicar na busca do título inédito depois do novo batismo.

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sexta-feira, 15 de junho de 2012 NBA | 12:34

MIAMI FAZ MUDANÇAS, VENCE O OKLAHOMA CITY E EMPATA A SÉRIE FINAL DA NBA EM 1-1

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O Miami venceu o Oklahoma City por 100-96 na noite desta quinta-feira que passou. Empatou a série em 1-1. Poderia ter aberto 2-0. Jogou muito no primeiro confronto deste “NBA Finals” e entregou a vitória aos anfitriões, como bom visitante, no fim, exaurido e mal planejado. Na verdade, exaurido porque foi mal planejado. Ontem, a história teve outro desfecho porque o esquema foi mais bem engendrado.

Erik Spoelstra, o treinador do Miami que é odiado na mesma proporção de LeBron James, ontem acertou em suas decisões. Primeiro, porque colocou seus reservas para jogar. Com isso, poupou os titulares. Segundo, porque deve ter batido o pau na mesa e dito: vamos trabalhar jogadas, fazer “screens” e “pick’n’roll”, de modo a facilitar a vida de vocês mesmos.

Ninguém me tira da cabeça que esse jeito “peladeiro” de jogar do Miami é fruto das exigências de LeBron James. LBJ não jogou no “college”. Foi direto do “high school” para a NBA. O basquete universitário, além de ensinar fundamentos, disciplina o jogador. Ensina táticas do jogo para ele.

Jogadores que se dedicam ao basquete da NCAA têm fundamentos e leem a partida. Os demais gostam do jogo de playground, que é vistoso, mais agradável de ser visto, mas que quando encurralado dificilmente encontra soluções para arapucas armadas. Vejam a diferença entre Tim Duncan e LeBron. Timmy jogou quatro anos em Wake Forest. Se fosse deslumbrado como muitos que pulam para a NBA com apenas uma temporada no universitário, talvez não fosse esse jogador completo que a gente se acostumou a ver e a admirar.

Ontem, Spo bateu o pau na mesa, imagino eu. Imagino, pois não privei da intimidade do vestiário do Heat e nem vi os treinamentos. Mesmo se lá estivesse, não teria visto, pois os treinos são fechados para a mídia. Apenas os 15 minutos finais são liberados. Os jornalistas ficam na sala de imprensa, dentro do ginásio, e os quatro cantos que são acesso à quadra são obstaculizados por cortinas pretas. Ouve-se tudo, mas não se vê nada.

Mas, dizia eu, ocorreu ontem com o Miami o que não vinha ocorrendo até então: o jogo solidário, de ajuda ofensiva. Uma cesta a pouco menos de um minuto para o final do jogo foi emblemática: LBJ faz o “screen” (corta-luz) em cima de Thabo Sefolosha e Wade, desmarcado, infiltra e faz o passe em ponte-aérea para a enterrada de Chris Bosh, que levou o placar a 98-91 para o Heat.

O uso do banco, já disse, foi igualmente importante. Não do banco como um todo, mas sim de Norris Cole. O “rookie” jogou 13:17 minutos. Aparentemente pouco. Mas com ele em quadra Spo pôde descansar melhor sua dupla LBJ-Wade. Com Mike Miller, usado no confronto anterior, isso não foi possível por conta de Miller ser um ala. O Heat precisa de Norris, porque com ele Spo pôde descansar LBJ usando D-Wade e Shane Battier e Battier e LBJ como duplas nas alas. E ainda deixá-lo em quadra junto com Mario Chalmers, que faz um ala de arremesso e isso possibilita o descanso de Battier. James Jones também foi importante neste apoio com seus 5:35 minutos. Enfim, com Norris (principalmente) ficou mais fácil poupar as estrelas do time. Aqui pode estar a chave de um possível sucesso do Miami nestas finais.

Outro aspecto importante do jogo vitorioso do Miami foi o desempenho de Shane Battier. O “faz-tudo” do Heat (que posição ele joga?, diga-me?) está em todos os cantos da quadra. Ora marcando o armador; ora o ala-armador. Muitas vezes é visto vigiando o ala, para logo em seguida estar grudado no ala de força. Só não foi notado ainda marcando Kendrick Perkins. Mas se for preciso…

Além de ser um cão feroz na defesa do Heat, Battier tem sido importantíssimo no ataque. Suas bolas de três começaram a cair no momento exato. Ou seja: nestas finais. Ele tem 9-13 nas bolas de três nestas duas partidas contra o OKC, o que dá um excelente percentual de aproveitamento de 69,2%. Num comparativo, na final do Leste diante do Boston, Battier acertou 35,0% (14-40); na semifinal frente ao Indiana, 27,3% (6-22); e na primeira rodada, contra o New York, 31,8% deles (7-22).

Quando Battier foi contratado, no começo desta temporada, disse aqui neste botequim que o Miami se reforçava dramaticamente. Muitos disseram: que é isso? Esse cara não é isso tudo. É sim. Produto da Universidade de Duke, cunhado por Coach K, Battier conhece os fundamentos do jogo. Assim como Timmy, Shane ficou em Duke quatro anos. Ganhou um título universitário em 2001. “Sou daqueles jogadores que ninguém se importa”, disse ele no intervalo da primeira partida. “Gosto disso, pois, quando ninguém espera, eu meto minhas bolas de três”.

Pois é, parece que a ficha ainda não caiu do lado do OKC. Battier tem que ser marcado. Ele tem uma média de 17,0 pontos nestas finais contra 7,1 diante do Boston, 3,8 frente ao Indiana e 6,0 contra o NYK. Battier surge do nada aos olhos atentos do “staff” técnico do Thunder, que não imaginava ter que se preocupar com ele. O OKC concentra suas forças — corretamente — em LBJ e D-Wade. Mas isso não pode significar o esquecimento dos demais. E é o que vem ocorrendo no caso de Battier. Os números, como vimos, mostram isso.

“Ele tem sido muito importante para o nosso time”, disse LBJ sobre Battier. “Shane está chutando muito bem da linha dos três. Está fazendo jogadas tanto ofensivamente como defensivamente. Vamos precisar dele, pois esta série vai ser apertada”.

Vai mesmo. Por isso, é bom dizer que nada está perdido. A série tende a ser longa, como eu disse. O time da terra dos tornados perdeu seu primeiro jogo nestes playoffs diante de seus apaixonados torcedores, mas pode se recuperar no sul da Flórida. É muito difícil ganhar três partidas seguidas mesmo dentro de casa. E se isso ocorrer, o Miami faria uma corrida de 4 vitórias a zero diante do OKC. Não é fácil; não acredito.

O principal ajuste que o Thunder precisa fazer, aos meus olhos, é entrar mais rapidamente no jogo. Nas duas primeiras partidas, o Miami abriu grande vantagem no primeiro quarto. Na primeira, o OKC conseguiu se recuperar; na segunda, não teve jeito. Se isso voltar a ocorrer em Miami, nesses três próximos jogos, diante de sua inflamada torcida, pode ser fatal.

No primeiro embate, o Heat chegou a estar 13 pontos na frente no primeiro tempo. Fez 10-2, depois 20-10, pra em seguida marcar 24-13. No segundo quarto, abriu 37-24.

Ontem, o Miami fez incríveis 18-2 a 4:39 minutos do final do primeiro quarto. No início do segundo, 33-17. A pouco mais de dois minutos do fechamento da cortina no primeiro tempo, a vantagem pulou para 17 pontos: 51-34.

Ao contrário do primeiro confronto, quando no intervalo a vantagem do Miami era de apenas sete pontos (54-47), ontem ela era de 12 (55-43). O desgaste do OKC foi grande no primeiro embate e maior ainda no de ontem. Por isso, não teve forças para a reação final, que quase veio. A nove segundos do final da partida, Kevin Durant tentou um arremesso da zona morta canhota, marcado por LeBron James. O placar marcava 98-96 para o Miami. A bola não caiu. KD reclamou de falta, mas a arbitragem nada marcou. LBJ pegou o rebote e sofreu falta. Cobrou seus dois últimos lances livres na partida e mandou o marcador para definitivos 100-96.

LBJ terminou o jogo com 32 pontos, oito rebotes e cinco assistências. Converteu todos os 12 lances livres cobrados. No último quarto, anotou seis pontos. Um a menos do que no quarto final do primeiro cotejo. Kevin Durant marcou 16, um a menos do que nos 12 minutos finais do jogo inicial desta série decisiva. Desta vez o dedo não será apontado para LBJ; afinal, o Miami venceu. Venceu porque ontem Dwyane Wade foi mais companheiro de LeBron do que no primeiro jogo. Ontem Wade deixou 24 pontos na redinha do OKC, contra 19 da primeira partida. Foi fundamental porque Battier voltou a marcar os mesmos 17 pontos do jogo inicial e Chris Bosh, corretamente escalado como titular (este foi outro dos acertos de Spo), marcou 16 pontos e ainda ajudou com 15 rebotes.

Ou seja: LeBron tem mesmo que assumir o controle do jogo e do time. Mas, como muitos parceiros disseram, é fundamental que ele encontre eco nos companheiros, principalmente em Dwyane Wade.

NÚMEROS

Kevin Durant, Russell Westbrook e James Harden combinaram para 80 pontos, enquanto que LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh fizeram juntos 72. Nos rebotes, o trio do OKC pegou 15 e o do Miami ficou com 29. Nas assistências, foram 10 do Thunder contra 11 do Heat.

Se o banco do OKC colaborou com 23 pontos (21 deles de James Harden), os reservas do Miami adicionaram apenas oito. Em compensação, os titulares do Thunder anotaram 73 pontos e os do Heat cravaram 92.

IRA

Magic Johnson disse ter ficado desapontado com Russell Westbrook (foto Getty Images). O armador do OKC (que para os tradicionalistas não é armador de ofício e sim um armador de arremesso) fez 27 pontos, pegou oito rebotes e deu sete assistências. Como reclamar de um desempenho desses? Simples: West foi muito mal nos arremesso: 10-26 (38,4%). E muitas vezes forçou o jogo, com arremessos desnecessários e infiltrações infrutíferas. A reclamação de Earvin procede, embora West tenha cometido apenas dois erros durante a partida.

Aliás, faço apenas esta singela observação, pois quem sou eu para discordar deste que é o maior jogador da história talvez do maior time da história da NBA?

Eu, hein!

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quinta-feira, 14 de junho de 2012 NBA | 16:52

QUESTÕES QUE O MIAMI (TAMBÉM) PRECISA RESOLVER PARA EVITAR SER VARRIDO PELO OKC

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Hoje à noite, 22h de Brasília, acontece o segundo jogo da série final desta temporada da NBA. Novamente em Oklahoma City, o OKC pega o Miami com o claro objetivo de fazer 2-0 no confronto. E poderá fazê-lo. E por alguns motivos, que trataremos a seguir.

No dia seguinte ao primeiro jogo decisivo, boa parte dos parceiros deste botequim reclamou de Dwyane Wade e reclamou de mim também. Porque poupei D-Wade das críticas e cobrei apenas de LeBron James um desempenho melhor no quarto final, quando Kevin Durant marcou 17 pontos e LBJ apenas sete. Não retiro nem uma palavra sequer do que disse sobre LeBron James, mas concordo que deveria ter abordado o trabalho de Wade e imputado a ele grande parte da culpa pela derrota do Miami.

Claramente D-Wade não correspondeu no primeiro jogo destas finais e nem vem correspondendo nestes playoffs. Tem deixado tudo nos ombros de LeBron. O ala-armador do Miami, que já ganhou um anel e foi MVP das finais de 2006, nem de longe se parece com este jogador relembrado. Nem mesmo com o atleta das finais do ano passado contra o Dallas, quando o Heat foi batido em 4-2 pelos texanos.

Se usarmos o argumento que muitos usam para justificar o trabalho de LeBron James, veremos que o jogo de Wade não é tão comprometedor assim. Em 19 partidas disputadas até este momento nos playoffs, D-Wade tem médias de 22,7 pontos, 4,9 rebotes e 4,3 assistências. Nada mau, concordam? Tem um aproveitamento de 46,5% nos arremessos.

O problema é que os números algumas vezes nos enganam, pois, como disse dia desses, não podemos analisar partidas e jogadores usando o videogame. Eu não consigo ver em quadra o mesmo Dwyane Wade da temporada passada; ou melhor, dos playoffs passados. Ele parece alheio ao jogo. Parece acomodado com a situação. Que situação? De ter se tornado o subchefe do time, o segundo jogador na hierarquia do time. Sim, pois o chefe hoje, claramente, é LBJ. King James é hoje o dono do Miami.

Antes do jogo primeiro desta decisão, em entrevista à ESPN, Wade disse com todas as letras: “LeBron é o melhor jogador de basquete do planeta. Nós jogamos para ele”. Não me pareceu contrariado. Mas, a gente bem sabe, muitas vezes as aparências enganam. Será mesmo que ele não está contrariado com seu novo posto no time?

Se Wade não entrar no jogo e voltar a ser “clutch” como ele sempre foi, LeBron, sozinho, não vai suportar o peso da pressão. O Miami vai vender caro as vitórias, mas vai acabar vendendo-as, como ocorreu no primeiro confronto.

Outra questão importante é a questão do banco de reservas. Magic Johnson, depois do primeiro jogo, observou que o banco do Miami é frágil e isso faz com que os jogadores do Heat cheguem exauridos no último quarto. Consequentemente, caem de produção e disso os adversários tiram proveito. Talvez por aí a gente até consiga explicar a queda de rendimento de LBJ no último quarto do primeiro compromisso. Tudo bem que Thabo Sefolosha é um excelente marcador, mas o principal jogador da liga não se pode curvar a ninguém. Michael Jordan não se curvava a ninguém. Messi não se curva a ninguém. E há algum tempo, Kobe Bryant também não. Portanto, por mais que Sefolosha seja exímio marcador (e é mesmo), tendo a atribuir mais ao cansaço (para não voltar a bater na tecla do bloqueio mental) a queda de rendimento do ala do Miami. Portanto, se o banco do Miami não jogar, vai ser muito complicado para o time do sul da Flórida obter sucesso nestas finais.

A questão mais polêmica, aos meus olhos, eu deixei para o final: é a que envolve o técnico Erik Spoelstra. Odiado na mesma proporção de LeBron James, o treinador do Miami é acusado pelo planeta de não entender nada de basquete. Seu crime maior é o de não saber armar o jogo ofensivo do Heat de modo a poupar LeBron James. É acusado de não saber montar esquema com “screens” (ou “pick”) para que LBJ possa arremessar desmarcado ou em um “mismatch”, como aconteceu com Durant especialmente no último quarto do primeiro confronto. É acusado de não esquematizar um pick’n’roll envolvendo ele e D-Wade ou ele e um dos alas de força, especialmente Chris Bosh. É acusado usar e abusar do “isolation”, o que acaba por desgastar LBJ, pois os jogos acabam virando uma espécie de LeBron contra a rapa.

Tudo isso é verdade. Enquanto a gente vê em outros times jogadas em “screen” ou em “pick’n’roll”, não se vê nada disso no Miami. Tudo isso é verdade, repito. Mas eu pergunto: se nós, aqui neste botequim, meros mortais, conseguimos ver isso, será que Spoelstra não é capaz? Será que seus dois auxiliares diretos, Bob McAdoo e Ron Rothstein, também não veem? Além disso, o presidente da franquia é Pat Riley, dono de cinco anéis de campeão. Será que ele também não vê que o time é um bando em quadra se comparado ao San Antonio, por exemplo? Não me entra na cabeça que nenhuma dessas quatro pessoas não veja que falta tudo isso ao Miami quando ele tem a posse de bola. Então, a pergunta seguinte é: se eles sabem que o time precisa disso, por que não fazem algo para resolver o problema? Boa pergunta; não tenho resposta. Minha convicção é que os treinadores do Miami e seu presidente conhecem o jogo.

Dito tudo isso, finalizo o papo, pois o jogo começa logo mais, com a seguinte observação: o Miami precisa resolver rapidamente estas questões (omissão de D-Wade, banco inoperante e falta de jogadas ofensivas); senão, corre o risco de ser varrido pelo OKC. Se duas dessas questões forem resolvidas (não há ordem de importância nelas), o Miami leva a série adiante e a torna longa. Se vai vencer eu não sei.

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