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quinta-feira, 9 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 00:23

UMA ANÁLISE SOBRE A NOSSA PARTICIPAÇÃO EM LONDRES. LEIAM E OPINEM

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Bem, vamos ao jogo. Não apenas ao jogo, mas a tudo. Como sempre faço, li todas as mensagens. Concordo com muito do que foi dito; discordo de outro tanto.

Acho que, pra começar, é importante deixar claro o seguinte: a Argentina é mais time que o Brasil. É mais time porque joga fácil. Faz o mesmo jogo o tempo todo e não se desespera, ao contrário do Brasil que quando fica atrás no marcador começa a forçar o jogo, especialmente com bolas de três.

É mais time porque joga junto há muito tempo. Por conta disso, é um time entrosado e confiante. E experiente. Já viveu essa situação muitas vezes. E até ouro olímpico tem.

É mais time porque conta com dois jogadores que o Brasil não tem: Luis Scola e principalmente Manu Ginobili. Como alguém disse aqui, Manu é um “franchise player”. E é mesmo. “Franchise player” desequilibra, atemoriza, confunde, rege. Manu faz tudo isso. Não temos esse jogador. Marcelinho Huertas é quem mais se aproxima deste conceito, mas, neste momento, está muito longe de ser esse jogador. E não acredito que um dia será. Mas o que Huertas faz é digno de se tirar o chapéu. Temos um dos melhores armadores do mundo, disso ninguém duvida.

Nosso último “franchise player” foi Oscar Schmidt; queiram ou não aqueles que não gostam do Mão Santa. Ele era esse jogador. Ele ganhava jogos, atemorizava os adversários, confundia a zaga adversária e regia o time em quadra. Ah, não marcava ninguém. Primeiro, que isso não é bem assim: Oscar não era um primor defendendo, mas sabia esconder essa deficiência. Segundo, perfeito era Michael Jordan, Magic Johnson etc e tal. Dirk Nowitzki não marca ninguém, mas é um terror na frente. Não preciso ir longe: Scola não marca ninguém, mas é trator no ataque.

Portanto, desde Oscar não temos esse jogador. Repito: queiram ou não aqueles que não o apreciam. Oscar é dos poucos jogadores reconhecidos e reverenciados nos EUA mesmo sem jamais ter jogado por lá. Falo isso não de ler, mas de ouvir as pessoas falaram. Até motorista de táxi sabia quem era Oscar quando eu dizia que era do Brasil. Falavam do Pelé e do Oscar.

Voltando ao jogo, muito se falou sobre os lances livres. Rubén Magnano, depois da partida, apontou seu dedo para este fundamento. Disse que não se corrige esse defeito com apenas 45 dias de treino. Isso tem que ser corrigido no andar da carruagem; ou seja, em todo o ano letivo.

Tenho dúvidas se o Brasil perdeu por conta dos lances livres. Claro que se eles tivessem caído num percentual maior talvez fosse preciso vencer. Mas mesmo nas vitórias nosso aproveitamento é esse. O fato é que não sabemos bater lance livre — e por N motivos. Desde a mecânica do arremesso que não é correta (e aqui a gente aponta o dedo para os treinadores na base) até a parte emocional (aqui não há o que se fazer).

Mais importante do que os lances livres, a meu ver, é a falta de um jogador que defina. Por que Varejão ficou tanto tempo no banco? Ora, porque ele não define. Varejão funciona maravilhosamente bem ao lado de LeBron James, Kobe Bryant ou Oscar Schmidt. Mas num time onde não há esse jogador, ele precisa ajudar no ataque.

Alguém pode dizer: Nenê fez apenas sete pontos. Verdade; muito pouco. Nenê justifica sua baixa produtividade ofensiva por conta dos 12 rebotes e por ter subtraído o jogo de Scola, que anotou 17 pontos, quando normalmente faz 30 quando joga contra o Brasil.

De todo o modo, Nenê tinha que ser nestes Jogos Olímpicos o que Dwight Howard é na NBA. Não tem nenhum pivô nestas Olimpíadas com o tamanho dele. Nenê tinha que se impor mais em quadra quando o assunto é o ataque. Tecnicamente Marc Gasol é melhor que Nenê, mas Gasol é flácido, não tem a força que Nenê tem. Na NBA, há alguns pivôs tecnicamente melhores do que D12, mas ele se impõe por conta de seu tamanho, de sua força, tamanho e força que Nenê também tem e deveria tirar proveito e não tira. Mas aqui não há o que fazer, pois Nenê não é esse cara que a gente gostaria que ele fosse. A seu modo, contribui demais com o time. Se fosse como a gente queria, ele estaria hoje no Lakers e não no Washington.

Outra coisa: Leandrinho, a meu ver, não merece as críticas que recebe. Como eu disse aqui, ele não se esconde. Procura sempre o jogo. Tenta definir. Faz o que pode, mas, infelizmente, o que pode não é suficiente, pois ele tem limitações. Mas, repito, é o único, ao lado de Huertas, a tentar definir.

Li alguns parceiros falarem em renovação. Respeito a opinião, mas quase caí de costas. Renovar??? Logo agora que temos um time? Custou a ser formado e quando conseguimos formar vamos jogar na lata do lixo todo o trabalho feito? Podem reparar: todo time campeão não é formado do dia para a noite. Ele tem um tempo de maturação. Ele trabalha junto por muito tempo até começar a colher frutos.

Michael Jordan foi campeão pela primeira vez com 28 anos. Ganhou seu último título aos 35. Manu tem 35 anos, Kobe Bryant tem 34 anos e Pau Gasol está com 32. Kevin Garnett tem 37 e Dirk Nowitzki tem os mesmos 34 de Kobe. E por aí vai.

Por isso, discordo de quem acha que Leandrinho, 30, não terá condições de jogar os Jogos do Rio com 34 anos. O mesmo para Nenê, que tem os mesmos 30 anos de LB. Varejão também está com 30. Alex Garcia tem 32, mas é um touro de forte e esbanja energia e saúde. Veterano está Marcelinho Machado, 37.

Repito: o time está pronto. Vamos enxertá-lo com jogadores jovens e que parecem ter muito futuro, como Scott Machado, que deve ocupar a vaga de Larry Taylor ou Raulzinho Neto, Fabrício Melo, que entra no lugar de Caio Torres, Rafael Hettsheimer, que também tem lugar no time e entra na vaga de Guilherme Giovannoni, que pode jogar como ala na vaga de Marcelinho Machado.

Enfim, não se pode mandar todo mundo embora da noite para o dia. Repito: o time está pronto e daqui para frente poderemos colher frutos melhores. E ter o seguinte elenco pensando no Mundial da Espanha, daqui a dois anos:

Marcelinho Huertas
Scott Machado
Leandrinho Barbosa
Alex Garcia
Marquinhos Vieira
Guilherme Giovannoni
Rafael Hettsheimer
Anderson Varejão
Nenê Hilário
Tiago Splitter
Fabrício Mello

Vejam que falta um jogador. Esse jogador tem que ser um ala de preferência. Infelizmente, não temos ninguém aparecendo na base. Temos que torcer para que haja um moleque nos EUA, jogando no “high school” ou no “college”. Lamentavelmente, não conseguimos produzir um jogador para esta posição.

Quanto a Magnano, ele não é perfeito. Tem limitações e agora que estamos próximos de seu trabalho vemos que elas não são poucas. As mais graves, a meu ver, são sua dificuldade de mexer no time e ver o jogo. Na Argentina, ele tinha em Sergio Hernandez seu principal auxiliar. E outros assistentes também.

É sabido que os argentinos são melhores treinadores do que os brasileiros. E não apenas no basquete. Há exceções, é claro, como Bernardinho e Zé Roberto Guimarães no vôlei. Mas eles são melhores do que a gente no futebol e no basquete, por exemplo.

Por isso, Magnano pode estar sentindo falta de alguém mais a seu lado. Fernando Duro pode não estar sendo suficiente. Zé Neto é um treinador que tem tudo para crescer na profissão. Por isso, tem que tirar proveito de estar ao lado de Magnano. Mas tem que começar a mostrar serviço também e ter voz ativa na comissão. E ajudar Magnano, de modo a não deixá-lo a cometer equívocos que ele cometeu nestas Olimpíadas.

Acho que é isso. Espero pelas manifestações de vocês e seguir debatendo o nosso basquete. Vivemos um grande momento. Não podemos desperdiçá-lo. Mesmo com a eliminação nos Jogos Olímpicos.

Ah, sim, ficamos em quinto lugar. Posição espetacular pra quem ficou três ciclos olímpicos vendo tudo pela televisão.

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terça-feira, 7 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 21:45

A VITÓRIA DAS MENINAS DO VÔLEI E O JOGO DE AMANHÃ CONTRA A ARGENTINA

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Agora em casa, mas muito cansado; “working like a dog”. Feliz, todavia. Com o trabalho e com o momento olímpico. Olimpíadas deveriam ter de dois em dois anos, vocês não acham? Eu acho.

Ainda estou com o jogo do vôlei feminino entre Brasil e Rússia na cabeça. Estávamos, eu e toda a galera da Record que trabalha no cinema 3D; estávamos, dizia, todos nós no Switcher vendo o jogo. Quando nossas meninas abriram 13-10 no tiebreak concordamos: o jogo já era.

Mas aí as russas fizeram uma corrida de 4-0 e levaram o marcador para 14-13. Vi a viola em cacos. Reinaldo Gottino, que apresenta e narra espetacularmente nossos eventos, comentou dia desses: “Muitas de nossas derrotas vêm por conta do nosso emocional. Muitas vezes perdemos para nós mesmos, mais do que para os nossos adversários”.

Essa observação do Gottino veio-me à mente assim que as russas tomaram a dianteira. Pensei cá com meus botões: perdemos; e mais uma vez para a Rússia! Lembrei-me de Atenas-04.

Mas nossas meninas foram guerreiras. Mais do que isso: souberam controlar os nervos. Deram um show, uma aula de como se deve comportar num momento desses. Não deixaram nenhum filminho passar por suas cabeças. Focaram apenas no jogo; focaram apenas na vitória, pois era isso o que elas queriam.

Do lado de fora, esse magnífico Zé Roberto Guimarães dando força pra elas, tratando-as como filhotas, comportando-se como paizão que é o que de fato ele é para elas num momento como esses. Ler o jogo, pensar no jogo, escrever o jogo era importante. Mas, como Gottino disse, nosso adversário não estava na quadra. Não era a Rússia. Nosso grande adversário naquele momento éramos nós mesmos. Ou seja: eram nossos traumas. Das meninas do vôlei e de todo o esporte brasileiro. Sempre foi assim, com raras exceções.

E nesta noite londrina, nossas meninas, comandadas por Zé Roberto e sua comissão, foram exceções.

Perdiam, como contei acima, para a Rússia de 14-13, depois de uma corrida de pontos de 4-0 das adversárias. Tiveram que aguentar nada menos do que seis “match points”. Suportaram porque foram não apenas guerreiras; suportaram porque estavam com os nervos no lugar e não em frangalhos, como eu imaginei que eles ficariam quando a Rússia abriu 14-13.

Tiveram que lidar com nada menos do que seis “match points”. Até que veio a virada espetacular. A contenda estava em 19-18 para as gélidas, espigadas e lindas meninas do leste europeu, de olhos azuis hipnotizantes. Saque delas; o Brasil não podia errar. Não errou; aliás, não errou mais.

Aí foi a vez de a nossa seleção fazer uma pequena corrida de 3-0.

Primeiro, com um ataque de fundo da Sheila (no saque russo), empatamos a partida em 19 pontos. Depois, no saque recheado de veneno da Fernanda Garay, recuperamos a dianteira no marcador: 20-19. Finalmente, em outro saque da Fê, uma vez mais repleto de malícia, elas foram obrigadas a nos devolver a bola do jeito que a gente queria, na medida para ser executada: cortada precisa da Fabiana, que nos levou à loucura.

Brasil 21-19 Rússia; Brasil 3 setes a 2. Brasil nas semifinais dos Jogos Olímpicos.

As meninas pulavam, se abraçavam, mas a cena mais espetacular foi do Zé Roberto: ele mandou às favas o protocolo, a compostura, e deu um peixinho espetacular (foto Getty Images). Se pudesse, eu teria feito o mesmo.

Foi, talvez, um dos momentos mais espetaculares destas Olimpíadas. Adrenalina lá em cima, a gente, no Switcher da Record, torcendo feito malucos, certo de que iríamos perder novamente para o emocional.

Não perdemos; vencemos.

Amanhã, diante da Argentina, tem que ser assim.

NERVOS 1

Por mais que a gente controle o jogo de Manu Ginobili e Luis Scola e faça o nosso fluir, temos que ter os nervos no lugar. Eles são mestres na arte da provocação. Manu é um “flop gangster”; Scola em menor proporção. Temos que lidar mais com isso do que com o jogo em si.

A Argentina é um baita time. Acho mesmo que um tanto melhor que o nosso, mas podemos vencer. Para isso, temos que nos comportar como nossas meninas, que não se deixaram vencer pelo emocional e com ele controlado puderam dobrar as russas.

Rubén Magnano não é brasileiro. Não deve ter se comovido com a vitória do nosso vôlei feminino. Mas ele deveria mostrar o quinto e decisivo set para nossos jogadores. Mostrar e fazer com que nossos atletas percebam o quão importante é o emocional num jogo tão igual como será este de amanhã diante da Argentina.

CONSTATAÇÃO

Os mais jovens talvez tenham ouvido falar; os mais velhos devem ter visto Ivan Lendl (foto) jogar. O então tenista tcheco, que ganhou oito títulos do Grand Slam e liderou o ranking da ATP por um bom tempo, costumava dizer que não existe diferença técnica entre os 50 melhores do mundo no ranking da ATP. A diferença está no mental.

Quem tem mais força mental consegue vencer. Consegue executar suas jogadas, desequilibrar o adversário e fechar as partidas.

Concordo: num nível desses, agora a partir das quartas-de-final, à exceção dos EUA e da Austrália, eu acho que as demais equipes são muito parelhas. Tática e tecnicamente.

Por isso, o mental poderá ser decisivo.

Que os nossos marmanjos se contagiem pelo que nossas meninas fizeram nesta terça-feira diante das russas.

TÁTICA

No texto que escrevi no dia 13 de julho passado, quando o Brasil bateu a Argentina na bola e no tapa em Foz do Iguaçu, fiz algumas observações sobre a partida. Uma delas eu reproduzo abaixo:

Não conseguimos marcar o “pick’n’roll” argentino, que quase sempre favorecia Luis Scola. Isso é o básico do basquete hoje em dia. É preciso, pois, treinar mais a defesa nesta jogada. Com troca ou sem troca? Magnano decide.

Marcar o P&R argentino é fundamental. A questão da troca é um problema. Se fizermos, poderemos proporcionar situação de “mismatch” para a Argentina e isso não é bom. Se optarmos pelo não, nosso armador tem que ser rápido a ponto de não deixar o armador deles em situação favorável para a bandeja.

Mas aí entra um fator que eu acho importante: a cobertura. A galera do “weak side” tem que estar esperta, para ajudar o armador de modo a fazer com que não haja a troca para não haver o “mismatch” e Scola arremessar à vontade.

Este é um ponto fundamental da partida de amanhã.

O outro é subtrair o jogo de Manu Ginobili. No confronto do Super 4 de Buenos Aires, quando os árbitros argentinos meteram a mão no time brasileiro, Alex Garcia estava controlando Manu. Aí os desprezíveis apitadores argentinos carregaram AG de falta, ele foi para o banco e tudo ficou mais fácil para os caras ganharem a contenda.

Amanhã é preciso que Alex tome cuidado. Manu é estrela de primeira grandeza. Goza de privilégios. Quando faz faltas elas não são marcadas; quando não sofre faltas, elas são apitadas.

Manu adora a infiltração da direita para o meio, finalizando com a canhota, sua mão favorita. Adora o “trap” para o arremesso de três. Tudo isso tem que ser muitíssimo bem vigiado. Sei que não é fácil, mas tem que ser feito se quisermos vencer.

NERVOS 2

E, é claro, que saibamos nos comportar como nossas meninas nos momentos de apuros numa partida de basquete. Que tendem a ser muitos.

NERVOS 3

Minhas mãos já estão suadas.

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segunda-feira, 6 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 21:28

BRASIL x ARGENTINA, QUARTA-FEIRA, 16H DE BRASÍLIA. ENTREM, O BOTEQUIM ESTÁ ABERTO!

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A organização dos Jogos Olímpicos acaba de divulgar: o Brasil pega a Argentina nesta quarta-feira, 16h, horário de Brasília. Amanhã eu confirmo, mas a chance de passarmos esse jogo em 3D é boa. Tudo vai depender dos ingleses, pois são eles quem determinam o que será gerado para o planeta em 3D. Cruzem, pois os dedos!

Amanhã eu digo a vocês se vamos ou não transmitir a partida em 3D. Se a resposta for positiva, quem puder ir a um dos cinemas da Rede Cinépolis espalhados pelo Brasil, vai poder acompanhar a partida em três dimensões (é simplesmente es-pe-ta-cu-lar!) e apreciar os comentários deste amigo que vos escreve neste momento.

ENTREGADA

Dito isso, vejo pela manifestação de vocês (a maioria, claro) que a Espanha entregou o jogo (foto Reuters Splitter x Gasol) ou, pra não ser tão incisivo, que ela não se comportou como devia. E mais: mal tinha chegado em casa e o celular tocou: era o Zé Boquinha.

Viu o jogo?, perguntou-me ele. Disse que não, pois estava trabalhando e me deliciando com o atletismo em 3D, neste trabalho espetacular da Rede Record com a Cinépolis. Os espanhóis entregaram, não é mesmo? Pelo menos eu fiquei com essa impressão vendo a partida de esgueio — disse ao Zé. Ele respondeu que ficou com esta impressão, mas ressaltou: o Brasil jogou com o time reserva um bom tempo e o Nenê não entrou em quadra. E completou: mas no final da partida, os caras (espanhóis) erravam bandeja, faziam falta de ataque, achei muito esquisito — completou Zé Boca. Se eles armaram, o Brasil caiu direitinho, complementou ele.

Discutimos mais umas coisas aqui e outras ali; no final ele me cobrou: você me deve uma pizza! E eu respondi: será o maior prazer pagá-la. Semana que vem, quando as Olimpíadas se encerrarem, propus ao Zé Boca. Fechado, respondeu ele, que mora em Campinas e não em São Paulo, assim como eu.

VERGONHA

Agora eu digo a vocês o que eu acho: acho lamentável um time se comportar desta maneira. É uma estratégia, alguém pode retrucar. Sim, é uma estratégia, mas é também uma trapaça. É vergonhoso um time fugir do outro. Campeão que é campeão não escolhe adversário. Os mais fracos, aqueles que não acreditam em suas forças, esses procuram artimanhas, como a Espanha parece ter feito lendo os comentários de vocês e ainda com a impressão do Zé Boquinha viva na minha memória.

E como a maioria de vocês, eu também vou torcer feito um louco para a França, para que a Espanha quebre a cara. O que os espanhóis fizeram foi pensar no futuro sem viver o presente. Ou seja: já se imaginam na semifinal sem ter jogado ainda com os franceses. Que esse comportamento ibérico redobre a vontade de ganhar de Tony Parker, Boris Diaw, Nicholas Batum e seus parceiros, que eles falem mais alto do que Pau Gasol e seus comparsas.

RIVAL

Já o Brasil terá pela frente a Argentina. Muitos dos parceiros deste botequim estão animados. O estado de euforia se dá, segundo percebo, pelo jogo que o Brasil fez diante da Argentina em Foz do Iguaçu e pela surra que os EUA deram nos argentinos há pouco em Londres: 126-97 (foto Fiba Westbrook dando uma enterrada espetacular no último quarto).

Lá em Foz, o Brasil pegou uma Argentina sem Manu Ginobili. E a Argentina que enfrentou os EUA há pouco foi uma Argentina sem Pablo Prigioni e “desinteressada” pelo resultado, pois não havia como mudar o chaveamento, a menos que eles ganhassem dos EUA — o que eu acho que eles não estavam se importando neste momento. Portanto, não dá para traçarmos estratégias com base nestes dois cotejos.

O que sabemos é que o emocional será um componente deste jogo a ser levado muito em conta. O Brasil não pode entrar na catimba dos caras. Se eles se sentirem em inferioridade, vão apelar, usar estratégias para tentar desestabilizar nossos jogadores. Infelizmente, todos nós sabemos, nossos nervos ficam em frangalhos por qualquer coisa. E quando são os argentinos a nos provocar, a situação piora ainda mais por conta da rivalidade.

Desta forma, como disse, jogar com serenidade e tranquilidade será fundamental.

TÁTICA

Quanto ao jogo em si, temos que aproveitar nossos homens grandes, que são maiores e melhores do que os argentinos. Nosso jogo tem que se concentrar ali. Certamente eles responderão com uma defesa zona a maior parte do tempo, a nos provocar para os arremessos longos. Se eles caírem, ótimo; se não caírem, teremos problemas.

Temos que torcer para que Marcelinho Huertas esteja inspirado. E que não se canse. E que Larry Taylor mantenha um nível aceitável de jogo para descansar Huertas e não deixar a peteca cair quando estiver em quadra. Dependemos demais de Huertas.

Temos, obviamente, que ter cuidados extremados com o jogo deles. Cuidar de Manu Ginobili será fundamental. Alex Garcia terá essa missão. Vejo, no entanto, que Alex tem se mostrado um tanto afoito em alguns momentos do jogo. Isso não pode acontecer, pois Alex será importante para o nosso selecionado em quadra e não no banco, carregado em faltas. Ele terá a missão de vigiar Manu.

Enquanto isso, Huertas terá que marcar Pablo Prigioni. A defesa de Marcelinho é boa, mas não é o forte de seu jogo. Nosso armador conhece bem Prigioni, com quem já jogou no basquete espanhol e a quem já marcou inúmeras vezes. A vitalidade está a nosso favor; a experiência está a favor deles. Prigioni, não só pela idade, é um cara mais rodado que Marcelinho. Ele já viveu está situação várias vezes. Huertas respira sua primeira Olimpíada.

As bolas de três dos caras são um problema também. Marcar Carlos Delfino é obra para Marquinhos Vieira. Ele é maior e se encaixar uma boa marcação, pode subtrair um pouco do volume ofensivo de Delfino, bem como a Andres Nocioni, que não vive o melhor momento de sua carreira, mas que é um cara rodado e bom de bola também.

Finalmente, Luis Scola. Essa cara adora jogar contra o Brasil. Contra o Brasil seu jogo cresce demais. Adora ultrapassar a barreira dos 30 pontos. Fazer uma defesa “matchup” talvez seja uma boa, com o “front court” marcando zona, diminuindo os espaços de Scola no garrafão, e o “back court” marcando individualmente. Ou então, uma marcação “box one”, com apenas Alex marcando Ginobili individualmente.

São ideias; ideias que a gente tem pensando assim, rapidamente, no jogo. A estratégia está sendo engendrada neste momento por Rubén Magnano e sua comissão técnica. Temos uma boa vantagem nesse ponto, pois Magnano conhece bem a Argentina, pois foi ele quem criou esse time espetacular, medalha de ouro em Atenas 2004.

Mas vamos nos falando com o correr das horas. Certamente vocês terão ideias também. Certamente vocês vão traçar planos e estratégias. E eu vou querer ler. A todos, sem exceção.

Isso vai fazer as horas passarem. E nos ajudará a pegar no sono.

Que venham “Los Hermanos”!

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 21:32

CULPAR LARRY PELA DERROTA É UM GRANDE EQUÍVOCO. MAGNANO VOLTOU A COMETER ERROS

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Bom, agora mais calmo, vamos falar um pouco mais do jogo. Antes que eu me esqueça: VTC, c@*&$#!*!

Bem, li os comentários todos (como sempre faço) e concordo com muita coisa que foi dita, mas uma delas eu discordo e acho uma injustiça: culpar o Larry Taylor pela derrota sob o argumento de que se ele tivesse feito os dois lances livres o Brasil poderia ter vencido.

Eu fico me perguntando: por que algumas pessoas culpam o Larry e não fazem o mesmo com Marcelinho Huertas? Nosso armador, afinal de contas, cometeu uma andada a 39 segundos do final e se o Brasil tivesse pontuado naquele ataque poderia ter vencido a partida.

Mas não é uma coisa e nem outra. Errar faz parte do jogo. O que não se pode admitir é o erro grotesco, como uma bandeja perdida num contra-ataque, uma enterrada mal dada que dá aro e a bola não entra, tomar um “back door” no final da partida etc. E, principalmente, se esconder.

Larry errou os dois lances livres, mas, na sequência, o ala Alexey Shved fez o mesmo. Só pra lembrar: foi Shved quem acertou a bola de três que empatou o jogo em 72 pontos a 26 segundos do final, no ataque seguinte ao erro de Huertas. Huertas que fez a cesta que colocou o Brasil na frente em 74-72. Estão vendo?

Ou seja, não teve erro algum. O Brasil jogou bem, embora tenha feito apenas 56% nos lances livres (10-18).

Sobre a má sorte de Leandrinho, no final da partida, quando ele escorregou, significou, sem querer, a melhor defesa que o Brasil poderia fazer no arremessador russo, no caso Vitaly Fridzon (foto Reuters). Teoricamente, se ele arremessa parado, com LB na frente dele, a chance de a bola entrar era muito maior do que do jeito que ele arremessou, completamente desequilibrado, no canto da quadra, quase sem ângulo. A chance de aquela bola entrar era de uma em mil. Entrou.

Pode parecer que estou de marcação com Rubén Magnano (foto EFE), mas ele cometeu alguns erros importantes no final do jogo. Um deles foi tirar o Larry do jogo. Só por que ele errou os dois lances livres? Isso é comportamento de técnico de categoria de base. Larry estava bem na partida, confiante. Ele colocou Huertas, que tinha ido para o banco a 4:15 minutos para o final do terceiro quarto e não tinha mais voltado. Ou seja: estava completamente frio, sem ritmo. Huertas ficou nada menos do que 15:17 minutos do lado de fora. E na primeira bola que ele pegou, andou.

Além disso, Larry estava muito bem no jogo, confiante. Estávamos vendo em quadra o mesmo Larry Taylor do Bauru. Aquele jogador sem confiança que vestiu a camisa do Brasil em várias partidas tinha desaparecido. Por que, então, tirá-lo do jogo? Só por causa de dois lances? Alguém disse que LT tinha cometido sua quinta falta quando saiu. Não procede: Larry deixou a partida com quatro faltas.

Outro erro grave a meu ver: Magnano gastou seu último tempo antes do arremesso russo. Se não tivesse pedido, o Brasil faria a reposição de bola no meio da quadra e teria exatos quatro segundos para trabalhar uma jogada e arremessar. E quem sabe ganhar a partida. Outro erro de técnico de categoria de base.

Por outro lado, o Brasil só está jogando o que joga por conta do trabalho de Magnano. Ele fez o “upgrade” no nosso selecionado que nenhum dos treinadores brasileiros conseguiu e nem mesmo o espanhol Moncho Monsalve. O Brasil, hoje, tem uma das melhores defesas do planeta. O Brasil, hoje, é visto pelos adversários como um time forte e candidato a medalha nestes jogos. Ganhou esse status por conta do trabalho de Magnano.

Mas ele tem cometido erros do lado de fora que nos surpreendem. Para um treinador do nível dele, esses erros surpreendem e comprometem.

Alguns deles Magnano está corrigindo. Por exemplo: Marcelinho Machado tem perdido gradativamente seu tempo de quadra. O ideal, do jeito que ele está jogando, é colocá-lo apenas em situações de tranquilidade para a equipe, pois MM está comprometendo o time. Quem sabe, aos poucos, ele não recupera a confiança? Sim, MM, pra mim, parece-me um jogador sem confiança no momento.

No jogo desta quinta contra a Rússia, MM jogou apenas 5:51 minutos e contribuiu com apenas um ponto. Mais: com ele em quadra o Brasil perdeu por 16-4; sem ele o Brasil fez 70-59 na Rússia.

De resto, sinceramente, nada a acrescentar ou reclamar. Apenas a elogiar. E três elogios:

1) Alex Garcia tem defendido como gente grande que é. Foi muito bem no trabalho contra Andrei Kirilenko, como tinha feito em cima de Luol Deng;
2) Nenê Hilário está um monstro na defesa. Foram dez rebotes nesta partida, embora desta vez não tenha havido nenhum toco. Mas sua presença intimidadora no garrafão brasileiro tem colocado neguinho pra correr. E isso é muito bom. Precisa, no entanto, ser mais efetivo no ataque. Nenê sabe que pode fazer mais do que está fazendo;
3) Leandrinho Barbosa: foram novamente 16 pontos (cestinha do time). Tem ajudado muito. E tem selecionado melhor seus arremessos. Precisa, todavia, melhorar um pouquinho mais nas bolas de três. Neste jogo ele fez 2-7 (28,5%).

DIA RUIM

Marcelinho Huertas, nosso melhor jogador ao lado de Nenê Hilário, Marcelinho, um dos melhores armadores do mundo, desta vez não jogou no nível dele, aquele nível de excelência que o mundo conhece. Foram apenas oito pontos e seus “flots” não caíam de jeito nenhum. E também não conseguiu criar espaços para os companheiros pontuarem.

Acontece.

Como dizia Michael Jordan, não dá para jogar bem todas as noites. Na próxima, certamente, Huertas voltará a seu nível de excelência.

CONTA

Se o Brasil bater a China e a Espanha e os espanhóis vencerem a Rússia, haverá um tríplice empate. Neste caso o saldo de cestas vai definir o campeão do Grupo B. Portanto, o Brasil ainda pode terminar esta fase de classificação em primeiro lugar.

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quinta-feira, 19 de julho de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 19:57

EUA MASSACRAM A GRÃ-BRETANHA EM AMISTOSO NA INGLATERRA

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O time masculino dos EUA bateu há pouco a Grã-Bretanha, que está na chave do Brasil (Grupo B) nos Jogos de Londres. O cotejo foi disputado em Manchester e o placar final mostrou uma goleada em favor dos norte-americanos: 118-78. Foram nada menos do que 40 pontos de vantagem.

Normal.

Anormal foi a dificuldade que os EUA tiveram para vencer o Brasil na última segunda-feira, quando nos bateram por apenas 11 pontos de diferença: 80-69.

Isso mostra o quê? Que o Brasil, de fato, como disse no texto sobre a partida, está mais do que preparado para os Jogos Olímpicos; está preparadíssimo. Com o que mostramos frente aos norte-americanos, ganhamos o respeito do mundo. “O Brasil foi, de fato, um adversário para nós”, disse o presidente da USA Basketball, Jerry Colangelo, depois da partida, ainda impactado pelo que viu.

Voltando à partida desta quinta entre Grã-Bretanha e EUA, os 16.979 torcedores que estiveram presentes na Manchester Arena presenciaram um passeio dos norte-americanos, como disse. Deron Williams foi o cestinha com 19 pontos. A seguir vieram LeBron James (16) e Russell Westbrook (15).

Se você não sabe, Luol Deng, do Chicago Bulls, atua pelos britânicos. O ala anotou 25 pontos e foi o artilheiro do confronto.

Foi a terceira vitória dos EUA em três partidas. Anteriormente, antes de bater o Brasil, eles haviam vencido a República Dominicana por 113-59. Vejam como eles passearam diante dos dois outros oponentes.

O Brasil também está na Europa, mas no norte da França. Nosso time masculino prepara-se para a etapa final de seu treinamento visando os Jogos Olímpicos. Encontra-se na cidade de Estrasburgo, onde no sábado e no domingo terá dois jogos dificílimos pela frente. No sábado enfrenta os franceses, um dos favoritos a medalha. França que conta com o armador Tony Parker, não se esqueça. No dia seguinte o adversário será a Austrália, que também está no grupo do Brasil em Londres. Ótima oportunidade para medirmos um pouco de nossas forças e, se vencermos, acabar com essa história de que o nosso jogo não se encaixa com o jogo dos australianos.

“O time hoje está com cerca de 70% do que vai render nas Olimpíadas e será muito importante e bom jogar contra Austrália e França”, disse Alex Garcia. “Uma (Austrália) vamos enfrentar na estreia e a outra (França) pode ser adversária na fase seguinte, dependendo do cruzamento. Será bom para cada um conhecer seu adversário, como ele joga, saber quem vai marcar dentro de quadra. Isso pode facilitar para nós num jogo decisivo nas Olimpíadas”.

Estamos em contagem regressiva. Até o momento, nenhuma seleção nos deixou de queixo caído. Todas já atuaram e deixaram bem claro que dá para encará-las de frente.

Menos os EUA, é claro.

Apesar das dificuldades que os norte-americanos encontraram diante do nosso selecionado nas duas últimas apresentações (Mundial da Turquia e amistoso em Washington), sinceramente, quando o negócio for pra valer, eu acho que ninguém será páreo para eles.

De resto, acho que se encaixarmos um bom jogo, tudo pode acontecer. Até mesmo diante da Espanha.

Confesso, estou esperançoso, ao contrário de domingo passado, lembram-se?

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sábado, 7 de julho de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 00:12

JOGAMOS COMO NUNCA, PERDEMOS COMO… MAS O BRASIL JOGOU BEM. ERROS TERÃO QUE SER CORRIGIDOS

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Jogamos como nunca; perdemos como sempre. No Chile se diz isso quando eles nos enfrentam no futebol. Vale para nosso selecionado de basquete quando jogamos contra a Argentina. Brasil jogou muito bem diante da Argentina e de uma arbitragem tendenciosa. Mas perdeu (80-74), como tem perdido quase sempre, à exceção da fase de classificação do Torneio de Mar del Plata, que nos colocou nas Olimpíadas novamente.

É sempre bom dizer que nosso selecionado jogou sem dois de seus principais jogadores. Nenê Hilário, segundo o site da CBB, está com problemas no pé; Marquinhos Vieira, ainda de acordo com a mesma fonte de informação, tem dores no abdômen. E mais: jogou sem Alex Garcia praticamente durante todo o último quarto. Alex, o Monstro, torceu o tornozelo direito no momento em que fez uma enterrada espetacular.

Resta-nos torcer para que esses três lesionados não nos causem problemas ou apreensão. Vamos ver se os três entram em quadra no torneio quadrangular de Foz do Iguaçu (PR) nos dias 11 e 12 de julho próximo.

Quanto ao jogo, algumas observações:

1) Senti falta daquela marcação pressão na saída de bola do adversário que o Brasil tão bem fez em São Carlos;

2) Nossa troca no momento que o adversário faz o corta-luz está lenta e confusa, e talvez fosse o caso nem de se fazer;

3) Nossos “screens” não foram bem feitos em quase nenhum momento e por isso pouco (ou quase nada) o pessoal do “back court” se aproveitou deles;

4) Nenhum “pick’n’roll” foi visto;

5) Faltam jogadas com os pivôs;

6) Marcelinho Huertas, infelizmente, continua sem substituto, pois Larry Taylor voltou a decepcionar;

7) Nossa defesa marcou bem, mas tem pra onde crescer ainda, uma vez que Leandrinho Barbosa deixou muito a desejar quando teve que vigiar Manu Ginobili e não fechamos nosso garrafão como deveríamos, o que possibilitou muitas cestas da Argentina “in the paint”;

8) Marcar Ginobili é marcar a Argentina, pois ele faz de tudo por lá e é o verdadeiro armador do time deles.

RECLAMOS

Alguém pode dizer: poxa, mas a gente jogou bem e você só vê defeito? Eles existem e este é o momento para corrigi-los. É como se diz por aí: o verdadeiro amigo é aquele que diz as verdades e não bajula o compadre. É claro que o Brasil jogou bem, jogou bem sem dois titulares incontestáveis e ainda perdeu seu melhor marcador. Mas neste momento temos que olhar para os nossos defeitos com muita atenção, de modo a corrigi-los para que eles não apareçam tanto quando os Jogos Olímpicos começarem.

OBSERVAÇÕES 1

Todas as nossas seis bolas de três foram feitas no primeiro tempo, quando anotamos 6-14. No segundo, 0-7… Apenas três jogadores tiveram duplo-dígito na marcação: Leandrinho Barbosa (17), Marcelinho Huertas (15) e Alex Garcia (11)… Nossa defesa em cima de Manu Ginobili não foi eficiente, pois “El Narigón” anotou simplesmente 33 pontos e armou o jogo argentino… Tiago Splitter fracassou em sua tentativa de conter o pivô Juan Gutierrez, que apareceu do nada e do nada fez incríveis 26 pontos… O mesmo Splitter não conseguiu tirar Luis Scola do jogo, Scola que jogou praticamente todo o último quarto com quatro faltas…

OBSERVAÇÕES 2

Se alguém se lembrar de algo mais, mãos à obra!

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domingo, 10 de junho de 2012 NBA | 23:28

SELEÇÃO SE APRESENTA EM SÃO PAULO. NENÊ ESTÁ NO GRUPO

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A seleção brasileira masculina apresentou-se na tarde deste domingo aqui em São Paulo (foto CBB). Doze jogadores convocados por Rubén Magnano, menos Marcelinho Huertas, que está na Espanha disputando as finais da Liga ACB pelo Barcelona, e Tiago Splitter, que está em San Antonio à espera do nascimento de Benjamin, seu primeiro filho, nascimento esse que está marcado para o dia 14 próximo.

Sim, Nenê Hilário está no grupo. Respondo antes que me perguntem. E vamos cruzar os dedos e torcer para que tudo dê certo e ele continue até os Jogos de Londres; eu proponho.

Nenê é nosso principal jogador.

Huertas é inteligente e arma o jogo muito bem, mas está um nível abaixo. Anderson Varejão é o rei dos rebotes, especialmente os ofensivos, mas está um nível abaixo. Alex Garcia é um touro de forte e tem uma gana defensiva que poucos têm, mas está um nível abaixo. Leandrinho Barbosa é danado de bom nas bolas de três, mas está um nível abaixo. Cite o jogador que você quiser e eu direi: ele está pelo menos um nível abaixo.

Nenê é nosso principal jogador. Não pode ser desprezado e nem maltratado. Não porque ele é nosso principal jogador. Ele não pode ser desprezado e nem maltratado porque o destino conspirou contra ele nos últimos anos e ele não pôde jogar pela nossa seleção. O destino e desavenças com Grego, diga-se. Por isso, não há motivos para condená-lo, para apontar o dedo para ele ou maltratá-lo.

Nenê está de volta. Ele é nosso principal jogador. Com ele em quadra nossas chances são grandes. Sem ele, elas se reduzem. Não que ele seja um Tim Duncan da vida. Não é; e está longe de ser. Mas eu garanto: Nenê está pelo menos um nível acima dos demais jogadores da nossa seleção. Por isso ele não pode ser desprezado como muitos o desprezam.

Portanto, vamos tirar logo isso do caminho e focar nosso selecionado de maneira positiva. Temos chances de um bronze se jogarmos nosso melhor basquete e algum dos favoritos derrapar. Se isso acontecer, esta geração pode repetir a turma de Wlamir Marques e Amaury Pasos foi bronze em Roma-60 e Tóquio-64.

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sábado, 2 de junho de 2012 basquete brasileiro, NBB | 16:10

BRASÍLIA GANHA SEU QUARTO TÍTULO NACIONAL. NOSSO BASQUETE AINDA PRECISA CRESCER

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O Brasília ganhou na manhã deste sábado seu terceiro título brasileiro consecutivo. Dizem que ele é tricampeão do NBB. O pessoal da Liga Nacional de Basquete, que gera o campeonato nacional desde há quatro anos, não pode cometer o pecado de se esquecer do passado.

O torneio em âmbito nacional começou a ser disputado em 1965. Era a chamada Taça Brasil de Basquete. Seu primeiro campeão foi o Corinthians. Viveu com este nome até 1989, sendo que no ano da graça de 1976 o torneio não foi disputado — e não me perguntem por que, pois eu não me lembro. O Sírio ganhou sete títulos; o Monte Líbano, cinco; Franca, quatro; Corinthians três; Palmeiras, Botafogo-RJ, Vila Nova-GO e São José ficaram com um título cada um.

A partir daí, começou a ser disputado o Campeonato Brasileiro. Foi até 2008, quando, em 2009, foi criado o NBB. De 1990 até 2008, os campeões foram: Franca (seis títulos), Vasco da Gama (dois), Rio Claro (dois) e Corinthians-SP, Corinthians-RS, Bauru, Uberlândia, Flamengo, Brasília e Rio de Janeiro (um título cada).

Em 2006, por conta de uma briga jurídica, o campeonato não teve vencedor.

Agora, controlado pela LNB, quatro torneios foram jogados, sendo que o Flamengo venceu o primeiro e Brasília ganhou os três últimos.

Desta forma, no ranking dos campeões brasileiros temos o seguinte:

1) Franca – dez títulos
2) Síro – sete títulos
3) Monte Líbano – cinco títulos
4) Brasília – quatro títulos
5) Corinthians-SP – quatro títulos
6) Vasco da Gama – dois títulos
7) Flamengo – dois títulos
8) Rio Claro – dois títulos
9) Rio de Janeiro – um título
10) Botafogo-RJ – um título
11) Bauru – um título
12) Uberlândia – um título
13) Ribeirão Preto – um título
14) Corinthians-RS – um título
15) São José – um título
16) Palmeiras – um título
17) Vila Nova – um título

Este é o verdadeiro ranking dos campeões brasileiros. Nosso passado não pode ser esquecido e ignorado, como a CBF fez com a Taça Brasil, Robertão e Taça de Prata, reconhecendo-os (antes tarde do que nunca) como campeonato brasileiro apenas no ano passado.

Claro que nós, da mídia, temos responsabilidade sobre isso. Noticiar o feito do Brasília e dizer que esse foi o quarto título brasileiro do time do Distrito Federal.

DECISÃO

Não houve jogo. O Brasília foi melhor que o São José de cabo a rabo. No segundo quarto, quando venceu por 19-15, o time do Vale do Paraíba tentou esquentar as coisas, mas não teve estofo esportivo para manter-se vivo no jogo.

Como disse no meu Twitter durante a partida (@FRSormani), time que tem Alex Garcia e Guilherme Giovannoni dificilmente perde para qualquer adversário neste momento. Os dois, além de bons de bola, têm um QI de basquete muito grande. Por isso, são superiores aos seus concorrentes.

Disse também no Twitter que ambos, Alex e Guilherme, foram os dois únicos que participaram da decisão que têm bola para jogar em nível internacional. Os demais são para consumo doméstico — o que não é demérito para nenhum deles.

Guilherme terminou o jogo com 26 pontos. Foi o cestinha do time e da partida. Pegou ainda oito rebotes. Alex marcou 15 pontos e 11 rebotes.

Vale mencionar também o trabalho do pivô Murilo Becker, do São José: 20 pontos e 14 rebotes, sendo oito deles no ataque.

A decepção ficou por conta do armador Fúlvio Chiantia: nove pontos (0-7 nas bolas triplas) e três assistências. Muitos parceiros aqui defendem Fúlvio na seleção brasileira. Lembro-me dele em épocas passadas em nosso selecionado e ele nunca me arrancou suspiros. O tempo passa, ele amadureceu, mas não sei se evoluiu para jogar em nível internacional. Se depender do que vimos na manhã deste sábado a resposta é não.

TELEVISÃO

A decisão foi mostrada ao vivo pela Rede Globo. Jogo único, decisão da emissora carioca. Nada tenho contra jogo único. O Final Four do basquete universitário é disputado em jogo único; a Champions League também.

Torço o nariz apenas para o horário: 10h da manhã. Depois, pegam o Ibope e veem que a audiência foi baixa e o sharing (números de aparelhos de TV ligados) também e reclamam do produto. Também pudera, sábado, 10h da manhã, muita gente de ressaca por conta da noitada de sexta-feira, não tem como esses números serem expressivos.

O basquete precisa da TV. A Globo foi a única que pagou para ser parceira da LNB, segundo dirigentes da liga. Mas a LNB tem que se impor mais no momento da negociação. Dez da manhã, definitivamente, não é um bom horário.

BOLA

Outra coisa: essa bola de foca que a liga usou em seus quatro campeonatos é feia demais. Proponho a volta da bola toda laranja, como é feito na NCAA e na NBA.

E que alguém vá até os EUA e compre redinhas para serem usadas nos aros das tabelas de todos os ginásios do NBB. As de lá também são muito mais bonita.

Essas pequenas coisas ajudam a embelezar o produto. E o que o basquete precisa neste momento é saber embalar seu produto. Se não o fizer, o cara que está com o controle remoto nas mãos passa pelo canal e segue em frente com seu dedão nervoso.

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sexta-feira, 18 de maio de 2012 Jogos Olímpicos de Londres | 17:45

UM BATE-PAPO COM MAGNANO E O TIME TITULAR DO BRASIL NOS JOGOS OLÍMPICOS DE LONDRES

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Conversei com Rubén Magnano por alguns minutos, ontem, depois da entrevista coletiva, onde ele anunciou os 13 jogadores que vão brigar por 12 vagas visando os Jogos de Londres. Treze jogadores e, se alguém se destacar no Sul-Americano, entra também nesta lista e engrossa-a.

Magnano (foto), que renovou seu contrato por mais um ciclo olímpico (e eu achei isso sensacional) não entra em dividida. Ou seja, não é polêmico. Responde a tudo e a todos sem se comprometer. Alguém perguntou a ele se a ira de muitos torcedores e a repercussão negativa por conta dos pedidos de dispensa de Nenê Hilário e Leandrinho Barbosa teriam mexido com eles. Magnano disse: “Não sei, como eu posso responder por eles? Você tem que fazer a pergunta a eles”. Ou seja: não conjecturou; e com isso evitou tirar do guarda-roupas uma saia justa.

Eu faria o mesmo. Por estar nesta profissão há mais de três décadas, sei exatamente como um entrevistado deve se comportar diante do(s) entrevistador(es). Estes adoram jogar cascas de bananas para entrevistados, especialmente os deslumbrados. Mas isso são outros quinhentos.

Vamos entrar no assunto de uma vez, pois sei que vocês estão querendo falar sobre a nossa seleção. Abaixo os tópicos que considerei mais importante da nossa conversa:

NENÊ E LEANDRINHO — “Conversei com ambos antes do Pré-Olímpico. Fui a Denver e falei com o Nenê e a Toronto para falar com Leandrinho. E nunca mais”.

Foi a resposta que ele me deu quando perguntei se havia conversado com ambos. Ou seja: faz um tempão. Perguntei para saber se eles aceitariam a convocação, de modo a evitar constrangimentos, como o jogador ser convocado e pedir dispensa logo em seguida. Assim é que é feito nos EUA: Jerry Colangelo, presidente da USA Basketball, liga para os jogadores e pergunta se eles querem jogar pela seleção. Se não quiserem, nem os convoca. Por isso, quando a lista americana é anunciada, ninguém pede dispensa, pois foi consultado antes da convocação.

SCOTT MACHADO E FAB MELO — “Machado pediu dispensa do Sul-Americano porque está participando de ‘try-outs’ nos EUA, pois espera ser recrutado pela NBA. Machado é um tremendo armador, tem estilo de jogo dos armadores europeus. Melo foi convocado, mas não nos deu qualquer resposta. Não sabemos nada dele”.

Ou seja: Machado poderia estar no grupo que vai brigar por 12 vagas para Londres, mas por causa do draft da NBA ele recusou a seleção neste momento. Mas, pelo que Magnano falou, ele tem futuro em nosso selecionado. Quanto a Fab Melo, o desapontamento pelo mutismo do jogador é muito grande. Sinceramente, acho que esse cara é problema. Pelo histórico dele em Syracuse e agora por nem sequer dar um telefonema ou mandar um e-mail para agradecer a convocação. Poderia ter feito isso, dizer que está de olho na NBA faz os mesmos “try-outs” de Machado e, por isso, não pode atender a convocação neste momento. Uma pena, pois Melo parece ser promissor.

SITUAÇÃO DE VAREJÃO — “Ele me disse que a recuperação está indo muito bem. Está no Rio de Janeiro no momento se cuidando. Creio que não haverá qualquer problema com ele. De todo o modo, a gente sabe que a franquia (Cleveland) costuma pressionar para que o jogador não atue pela seleção de seu país, especialmente num caso como o de Varejão que se contundiu muito nos últimos dois anos. Mas ninguém falou nada com a gente. No entanto, a gente sabe que eles pressionam o agente do atleta e o próprio jogador”.

Eu perguntei se Magnano havia conversado com algum médico de Varejão e ele me disse que não. Nem ele e nem a CBB. Achei estranho. Eu, no lugar dele, estaria em contato todos os dias com o médico que cuida de Varejão.

FAVORITOS A MEDALHAS — “Espanha e EUA estão em um nível acima. O patamar deles é outro. Abaixo há algumas seleções que se destacam, como Austrália e França. O Brasil está um pouco abaixo, mas não muito, de modo que temos condições de brigar de igual para igual com todos eles. Eu, quando entro em uma competição, entro com expectativa alta. Não chego para os meus jogadores e digo: vamos brigar do quinto ao oitavo lugares. Isso acomoda os jogadores”.

Magnano não citou nominalmente a Argentina, mas, certamente, sabe que seus irmãos de sangue estão entre os favoritos. Concordo com ele, à exceção da Austrália. Sinceramente, não creio que os da Oceania vão fazer belo papel em Londres. Por belo papel eu entendo brigar por medalha.

LEANDRINHO — “Há jogadores que quando vêm do banco rendem mais do que quando saem jogando. Na Argentina, quando eu era o treinador, o (Luis) Scola vinha do banco, pois os titulares eram (Fabricio) Oberto e (Rubén) Wolkowski. Não sei se esse é o caso do Leandrinho”.

Magnano respondeu a pergunta que fiz sobre esta situação que LB vive na NBA e ela não seria proveitosa também para a nossa seleção.

TIME TITULAR — “Não está longe disso”.

Foi a resposta que Magnano me deu quando eu disse a ele que usaria Leandrinho vindo do banco e que meu quinteto titular seria:

Marcelinho Huertas
Alex Garcia
Marquinhos Vieira
Nenê Hilário
Anderson Varejão

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terça-feira, 6 de março de 2012 basquete brasileiro, Seleção Brasileira | 20:28

UMA LUZ SOBRE OS PRÉ-OLÍMPICOS, AS OLIMPÍADAS E AS CHANCES DO BRASIL

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A NBA está a todo o vapor e o NBB também. É claro que neste botequim o papo versa mais sobre o torneio norte-americano, mas há os que gostam também da competição nacional.

A NBA está a todo o vapor e o NBB também, mas no final de julho próximo começam as Olimpíadas. Alguns parceiros perguntam sobre datas e seleções classificadas. Perguntam também sobre os Pré-Olímpicos, masculinos e femininos.

Vamos, pois, clarear a situação.

O torneio masculino começa no dia 29 de julho e termina em 12 de agosto. No feminino, a bola sobe pela primeira vez um dia antes; ou seja, em 28 de julho, com a decisão da medalha de ouro marcada para 11 de agosto.

Os dois torneios são compostos de 12 seleções cada.

Do lado dos marmanjos, nove selecionados já garantiram vaga em Londres, restando, pois, três vagas. Vamos aos classificados:

Grã-Bretanha (sede)
EUA (campeão mundial)
Argentina (América)
Brasil (América)
Espanha (Europa)
França (Europa)
Austrália (Oceania)
China (Ásia)
Tunísia (África)

De 2 a 8 de julho, em Caracas, Venezuela, será disputado o Pré-Olímpico Mundial dos homens. Doze países estarão brigando pelas três últimas vagas. São eles: Grécia, Lituânia, Macedônia, Rússia, República Dominicana, Porto Rico, Venezuela, Coreia do Sul, Jordânia, Angola, Nigéria e Nova Zelândia.

Estes 12 países foram divididos em quatro grupos com três componentes cada. A saber:

Grupo A
Grécia
Jordânia
Porto Rico

Grupo B
Lituânia
Nigéria
Venezuela

Grupo C
República Dominicana
Coreia do Sul
Rússia

Grupo D
Angola
Macedônia
Nova Zelândia

As equipes se enfrentam dentro do grupo e os dois primeiros colocados se classificam para a fase quartas de final. Os quatro vencedores avançam para as semifinais e os vencedores, além de decidirem o título, garantem vaga para as Olimpíadas. Quem ficar com a medalha de bronze (disputa do terceiro lugar) garante-se também em Londres.

Do lado das moças, os selecionados já garantidos em Londres são sete. Vamos a eles:

Grã-Bretanha (sede)
EUA (campeão mundial)
Brasil (América)
Rússia (Europa)
Austrália (Oceania)
China (Ásia)
Angola (África)

De 25 de junho a 1º de julho será disputado o Pré-Olímpico Mundial das mulheres. Local: Ankara, Turquia. Doze seleções estarão brigando por cinco vagas. São elas: Croácia, República Tcheca, França, Turquia, Argentina, Canadá, Porto Rico, Japão, Coreia do Sul, Mali, Moçambique e Nova Zelândia.

Esta dúzia de seleções estará dividida em quatro grupos de três:

Grupo A
Japão
Porto Rico
Turquia

Grupo B
Argentina
República Tcheca
Nova Zelândia

Grupo C
Croácia
Coreia do Sul
Moçambique

Grupo D
Canadá
França
Mali

Os selecionados se enfrentam dentro de seus respectivos grupos e os dois primeiros colocados se garantem nas quartas de final. As quatro equipes que passarem para a fase semifinal carimbam passaporte para Londres. Os outros quatro times, derrotados nas quartas, disputarão a última vaga.

BRASIL

Muito se fala das possibilidades brasileiras. Medalha?

Bem, no masculino, se todos os nossos jogadores se dispuserem a jogar (falo principalmente dos quatro que jogam na NBA, Anderson Varejão, Nenê Hilário, Tiago Splitter e Leandrinho Barbosa), o Brasil deve disputar do quinto ao oitavo lugar.

Agora, caso o técnico Rubén Magnano consiga extrair o máximo de cada um de nossos atletas e algum dos selecionados favoritos (EUA, Espanha, França e Argentina) der uma patinada, o Brasil pode brigar pela medalha de bronze.

Se eu fosse Magnano escalaria este quinteto titular:

Marcelinho Huertas (foto Reuters)
Alex Garcia
Marquinhos Vieira
Nenê Hilário
Anderson Varejão

Atribuiria a Leandrinho o mesmo papel que lhe cabe desde que chegou à NBA: ser o nosso sexto homem, vindo do banco, bagunçando as defesas adversárias com sua velocidade e seus arremessos de três. E Splitter seria o descanso perfeito para Varejão e Nenê.

No feminino as coisas andam meio complicadas. Enio Vecchi, que fez um ótimo trabalho no Pré-Olímpico das Américas, disputado em Neiva (Colômbia), não teve seu contrato renovado com a CBB. Hortência Marcari, responsável pelos selecionados femininos, optou trocá-lo por Luis Cláudio Tarallo.

A bem da verdade, Hortência nunca escondeu de ninguém que Tarallo era seu técnico favorito. Num primeiro momento, no entanto, o treinador não pôde aceitar o convite, que acabou no colo de Vecchi.

As chances do Brasil são mínimas para não dizer nenhuma. Nosso time pode brigar, na melhor das hipóteses, por um quinto lugar. Medalha, acho muito difícil, pois há seleções muito mais fortes, como os EUA, Rússia, Austrália e China.

Além de ter um treinador novo, o Brasil ainda conta com a indefinição de Iziane Castro (foto Fiba). A ala brasileira deve ir para o Seattle Storm, da WNBA, e se isso acontecer ela só teria condições de se apresentar 15 dias antes do torneio de Londres. O mesmo vale para a nossa pivô Érika de Souza, que deve jogar novamente pelo Atlanta Dream.

Eu abriria este precedente, pois nosso selecionado não pode abrir mão das duas. Com elas será bem difícil; sem elas será impossível brigar por um lugar honroso.

Se eu fosse Tarallo escalaria o seguinte quinteto titular:

Adrianinha Pinto
Palmira Marçal
Iziane Castro
Damiris Amaral
Érika de Souza

Por que Palmira? Sei que muitos devem estar se perguntando. Porque ela defende muito e num torneio como esse você tem que ter uma jogadora com este caráter.

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