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Arquivo da Categoria NBA

segunda-feira, 1 de outubro de 2012 NBA, outras | 23:26

NA NBA TÉCNICO NÃO GANHA MAIS QUE JOGADOR. NO FUTEBOL BRASILEIRO, SIM

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Tom Thibodeau assinou na tarde desta segunda-feira um novo contrato com o Chicago. Serão US$ 20 milhões por um acordo de quatro anos.

Isso vai dar a Thibs US$ 5 milhões por temporada. Por mês, US$ 416,67. Em nossa moeda, o salário anual do treinador do Bulls (foto) equivale a R$ 10,13 milhões. Se dividirmos por 12, teremos cerca de R$ 850 mil por mês.

Muricy Ramalho é o técnico mais bem pago do Brasil: renovou recentemente com o Santos por mais um ano em troca de R$ 750 mil e quando Neymar não joga, o aproveitamento da equipe é apenas 25,0% — melhor apenas do que o do Atlético-GO, lanterninha do campeonato, que tem 24,0%. Luís Felipe Scolari recebia do Palmeiras R$ 700 mil por mês. Pediu demissão há algumas semanas, pois não conseguia tirar o time da zona do rebaixamento. Tite (exceção neste deserto de competência) teve seu salário reajustado pelo Corinthians e receberá R$ 550 mil mensais. Wanderley Luxemburgo fatura R$ 520 mil do Grêmio e não ganha um campeonato importante desde 2004, quando foi campeão brasileiro com o Santos. Completando esse “top 5”, aparece Dorival Júnior, técnico do Flamengo, que recebe R$ 450 mil e não faz o time deslanchar: no returno, o rubro-negro é o 19º colocado.

Os salários de Muricy e Felipão se aproximam ao de Thibs. E olha que existe um abismo, uma distância colossal, entre os faturamentos da NBA e do futebol brasileiro.

Além disso, enquanto no basquete o técnico tem uma importância considerável, no futebol ela é muito pequena. No basquete, os treinadores podem tirar e colocar jogadores de acordo com a conveniência da partida, têm à disposição sete pedidos de tempo, mais os tempos da televisão, têm a seu favor o fato de a quadra ser bem menor do que o campo de futebol, o que permite uma interação maior entre treinadores e atletas. No futebol isso não existe. Os técnicos podem trocar apenas três jogadores, não têm os pedidos de tempo a seu favor e o campo é gigantesco se comparado com uma quadra de basquete.

Muricy (foto) mesmo costuma dizer que a importância de um treinador é de 25% no rendimento de um time de futebol. Se é tão pequena assim (e o depoimento é de um treinador que tem quatro títulos brasileiros e uma Libertadores), por que nossos cartolas pagam tanto para um treinador?

Aqui no Brasil, treinador ganha mais que a estrela do time. Vejam o caso de Neymar. O Santos paga a ele R$ 500 mil. Os outros R$ 2,5 milhões vêm de patrocinadores. Ou seja: Muricy ganha mais do que Neymar! Valdívia, maior salário do Palmeiras, ganha R$ 600 mil. Ou seja: Felipão também faturava mais do que a estrela da companhia. No Grêmio, Kléber é o maior salário: R$ 400 mil, R$ 120 mil a menos do que Luxemburgo.

Na NBA, nenhum treinador ganha mais do que a estrela do time.

Se Thibs vai ficar com US$ 5 milhões nesta temporada, Derrick Rose, o astro da franquia, tem garantido US$ 16,4 milhões. No Oklahoma City, Scott Brooks também acabou de renovar o contrato: US$ 16 milhões por quatro temporadas; US$ 4 milhões por campeonato trabalhado, enquanto que Kevin Durant, o melhor jogador do time, ganha US$ 16,6 milhões por ano. No Lakers, Mike Brown recebe US$ 4,5 milhões e Kobe Bryant US$ 27,8 milhões. Querem mais? Pois não: Doc Rivers ganha por ano do Boston US$ 7 milhões e Paul Pierce, maior salário do time, vai amealhar US$ 16,7 milhões; Gregg Popovich vai faturar US$ 6 milhões do San Antonio, já Manu Ginobili ficará com US$ 14,1 milhões.

Na Europa, treinadores também não ganham mais do que os astros. Tito Villanueva não recebe mais do que Messi; nem mesmo Pep Guardiola tinha um salário maior do que o argentino. Idem para Mourinho em relação a Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Não sei quanto ganha Roberto DiMateo, mas eu duvido que ele fatura mais do que Frank Lampard.

Enquanto isso, aqui no Brasil…

Tudo errado, minha gente. Escrevi esse post para mostrar outra das aberrações do futebol brasileiro, embora o nosso botequim seja um botequim de basquete. Mas o fiz traçando um paralelo com o basquete e principalmente com a NBA. Os cartolas brasileiros ainda não perceberam que técnico não entra em campo. Na Europa todos sabem disso; na NBA também.

Os treinadores no basquete, como disse, têm uma importância muito maior do que no futebol. Mesmo assim, eles não entram em quadra. E no futebol, onde a relação dos “professores” com o jogo é muito menor, aí é que eles têm que ganhar menos mesmo.

Nossos cartolas, lamentavelmente, ainda não se aperceberam disso. E lesam os combalidos cofres de suas respectivas agremiações pagando verdadeiras barbaridades para quem tem uma influência muito pequena no espetáculo.

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sábado, 29 de setembro de 2012 NBA | 11:53

DIRETOR EXECUTIVO DA NBPA ESTÁ NA MIRA DA JUSTIÇA DOS EUA

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Vocês pensam que bandalheira só tem aqui no Brasil? Engano; bandalheira tem em tudo quanto é lugar. A diferença é que aqui em nosso país ninguém é punido; nos outros lugares a punição existe.

Por que digo isso? Porque Billy Hunter, diretor executivo do sindicato dos jogadores (National Basketball Player Association — NBPA), um dos maiores idiotas da face da terra, o cara que sempre põe empecilho no momento das negociações e que sempre está atrás de pelo em ovo tumultuando o processo entre patrões (donos das franquias) e empregados (jogadores), Billy Hunter, eu dizia, está sob investigação por parte do Ministério Público dos EUA e de uma empresa de auditoria contratada pela NBPA.

Por que Hunter (foto) está na alça de mira? Porque além de ter faturado US$ 600 mil a mais do que no ano anterior, contabilizando um total de US$ 3 milhões em salários na temporada 2011-12, Hunter, desavergonhada e descaradamente, feito político, entulhou parentes na NBPA e em empresas que prestam serviços ao sindicato.

O levantamento foi feito pelo jornal “USA Today”.

Na folha de pagamento da NBPA aparecem Robyn Hunter, uma das filhas de Billy, bem como sua nora, Megan Inaba, a empresa de serviços financeiros Prim Capital, da qual o filho de Hunter é sócio, e o escritório de advocacia Steptoe & Johnson, que emprega Alexis Hunter, outra das filhas de Billy Hunter.

Uma vergonha.

O que se espera é que o veredito seja dado rapidamente e Hunter seja condenado por conta da evidência dos fatos.

O que se espera é que Hunter seja punido com a perda do cargo na NBPA, além de ter de prestar contas à Justiça por conduta inadequada e malversação de verbas.

E o que eu espero é que Hunter peça demissão imediatamente do cargo e se desculpe publicamente por conta de sua má conduta.

Bem, se tudo isso acontecer, o basquete profissional dos EUA estará livre de um dos sujeitos mais infames que já teve seu nome associado ao basquete profissional norte-americano.

RECADO

Fiquem atentos ao meu Twitter: @FRSormani. Estarei postando novidades por lá nos próximos dias.

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NBA | 00:46

NBA QUER PUNIR O ‘FLOPPING’ E CAMINHA PARA A ‘FUTEBOLIZAÇÃO’ DA LIGA

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A mídia norte-americana noticia que a NBA vai punir o “flopping”. Ou seja: a simulação. Ou, se você preferir, o teatro.

Traçando um similar com o nosso futebol, seria o que fazem Neymar e Valdívia. Embora Neymar tenha diminuído dramaticamente o “cai-cai” (ele toma porrada mesmo!), o chileno do Palmeiras ainda insiste no “flopping”.

Quem seriam os caras a serem atingidos pela medida? Anderson Varejão está entre eles. E, dizem, encabeça a lista. Eu não vejo assim. Pra mim, o “flopper gangster” da NBA é Manu Ginobili (foto). Mas como o argentino tem grande nome na liga e conta com três anéis, além de jogar no San Antonio, o bucha estoura pro lado do Varejão.

Derek Fisher é outro “flopper”. Luis Scola também. Idem para Shane Battier. Querem mais? Raja Bell, Blake Griffin, Paul Pierce e Kevin Martin. A lista não é grande.

O mestre da simulação foi Vlade Divac. O sérvio era irritante. Quando jogava pelo Sacramento e duelava com o Lakers, o pessoal de Los Angeles ia à loucura com Divac.

Por falar nele, lembro-me que em 2004 eu entrei em um “Johnny Rockets” que fica na Promenade, Santa Monica (Los Angeles), e ele estava lá, sentado em um dos bancos giratórios onde é possível debruçar-se sobre o balcão. Estava só. Bebia uma Coca-Cola. Jogava no Sacramento na época, mas morava em Los Angeles. Entre, vi-o e fui ter com ele. Apresentei-me; disse que era do Brasil. Disse que era amigo de Oscar Schmidt. Contava eu que, com isso, fosse quebrar o gelo. Enganei-me. Divac não deu a menor bola pra mim ou para a minha história. Minha mulher tirou um retrato meu com Divac, eu agradeci e fui comer o meu hambúrguer.

Sujeitinho metido, disse minha mulher. Eu concordei.

Mas voltando à nossa história, dizia que a NBA vai criar regras para proibir o “flopping”. E o que isso significa? Significa que os árbitros terão mais poderes. Sim, pois o “flopping” é algo que pode ser interpretativo. Pra você pode ter sido; pra mim não.

Acho péssimo isso. A NBA está trilhando um caminho perigoso. Ela está se futebolizando — se é que existe esse termo — com certeza não existe, mas eu tomo a liberdade para essa licença poética.

A TNT já tem comentarista de arbitragem. Steve Javie, árbitro aposentado, é o Arnaldo Cesar Coelho da emissora a cabo norte-americana. Ridículo; nunca gostei disso. Arbitragem é algo que tem que passar despercebido, a menos que o erro seja grotesco. E se for, tem que ser abominado.

A NBA nunca teve isso e abre um sério precedente, pois está expondo a arbitragem de maneira covarde, como acontece no Brasil e no mundo do futebol com essas repetições em câmera lenta, onde tudo é falta, pois em câmera lenta tudo parece mesmo ser falta. Onde o tal do “tira-teima” condena um auxiliar num lance de centímetros. Covardia, como disse.

Agora vem essa história do “flopping”. A simulação nunca causou mal algum ao jogo. Nunca decidiu campeonato. Pra que fazer isso? Pra que dar esse poder ao árbitro, que, na verdade, só irá enterrá-lo aos olhos da opinião pública?

Sim, pois, como disse, o “flopping” é interpretativo. E se é interpretativo, pra mim pode ter sido e pra você não. Então, pra que isso? O que a NBA quer de fato? Quer criar polêmica? Quer, com isso, aumentar sua exposição na mídia e na boca dos torcedores?

Realmente, não gosto. Realmente, não aprovo.

É a futebolização da NBA.

Péssimo!

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012 NBA | 23:56

ESPN GRINGA ACERTA AO ELEGER LEBRON JAMES O MELHOR JOGADOR DO MUNDO, MAS ERRA COM KOBE BRYANT

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CURITIBA — O site da ESPN gringa terminou na tarde desta sexta-feira seu ranking anual com os 500 melhores jogadores da NBA. O fez pelo segundo ano consecutivo. E pelo segundo ano consecutivo LeBron James (foto) foi eleito o melhor jogador da NBA.

Fanatismo à parte, incontestável. LBJ é mesmo hoje em dia o maior jogador de basquete do planeta. O que ele fez nos playoffs e nas finais da NBA no ano passado foi de deixar boquiaberto até mesmo aqueles que se deixam cegar pelo fanatismo. Queiram ou não os fãs de Kobe Bryant e Kevin Durant, King James é mesmo o maior jogador de basquete do planeta na atualidade.

Por falar em Durant, ele ficou em segundo. No ano passado, foi o sexto colocado. Novamente os jornalistas da ESPN, que votaram, acertaram em cheio. KD é de fato o segundo melhor jogador da NBA (e do planeta).

O problema vem a seguir.

Dwight Howard, que na eleição do ano passado ficou em segundo lugar (pra mim um equívoco), caiu para o terceiro posto. Chris Paul manteve-se na quarta posição e Derrick Rose, oitavo no ano passado, foi o quinto colocado. Kobe, sétimo em 2011, agora é o sexto.

Paro por aqui; e pergunto: vocês concordam com Kobe em sexto lugar?

Eu não concordo. E volto a perguntar: se você fosse dono de uma franquia, você começaria a montar seu time com Dwight Howard, Chris Paul, Derrick Rose ou Kobe Bryant?

Falo do momento. Não me venham com resposta do tipo: há, escolho o fulano porque Kobe está com 34 anos e não se pode começar uma franquia com jogador com essa idade. Não, não é isso o que eu perguntei.

Eu perguntei: HOJE (pois a eleição fala dos melhores da atualidade), apenas pra HOJE, você começaria seu time com D12, CP3, D-Rose ou Kobe?

Obviamente que qualquer um começaria com Kobe. Não imagino que alguém deixe LBJ ou KD, HOJE, atrás de Kobe. Mas ele atrás de D12, CP3 e D-Rose é demais!!!

Os caras da ESPN tinham tudo para desta vez acertarem na mosca. Mas voltaram a pisar na bola.

E o que dizer de Kevin Love é em sétimo?!?!?! E Deron Williams em décimo?!?!?!

O meu ranking dos dez melhores da atualidade ficaria assim:

1º LeBron James
2º Kevin Durant
3º Kobe Bryant
4º Tony Parker
5º Derrick Rose
6º Chris Paul
7º Rajon Rondo
8º Dwight Howard
9º Dwyane Wade
10º Russell Westbrook

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012 Basquete europeu, NBA, Seleção Brasileira | 10:10

NENÊ DEVE PERDER TODA A PRÉ-TEMPORADA DO WASHINGTON

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Nenê deve ficar de fora da pré-temporada do Washington. Motivo: seu crônico problema na planta do pé (não me lembro se no direito ou no esquerdo ou mesmo se nos dois pés).

Infelizmente, Nenê Hilário tem neste o seu maior adversário. Seus movimentos e seu tempo de quadra se reduzem dramaticamente por conta da enfermidade. Não fosse assim, seguramente seu desempenho seria outro.

Ele poderia ser mais eficiente na NBA. Poderia ter sido ainda mais eficiente nos Jogos Olímpicos.

Aliás, o problema se agravou por conta de ele ter disputado as Olimpíadas. A informação é do presidente da franquia, Ernie Grunfeld. O problema veio logo depois da estreia brasileira nos Jogos, diante da Austrália. Partida encerrada e Nenê (foto) começou a sentir dores. Foi assim até o término da competição.

“Nenê não teve muito tempo para descansar nas férias por conta de seu compromisso com a seleção do Brasil”, disse Grunfeld. “Portanto, nós teremos que ser muito, mas muito cautelosos mesmo com ele. Vamos aos poucos, até termos certeza de que ele está 100%”.

Nenê perdeu dez partidas consecutivas do Washington na temporada passada exatamente por causa desta enfermidade. Voltou no final da fase de classificação, quando jogou todas as cinco partidas derradeiras. Detalhe: cinco vitórias.

Nos 11 confrontos de Nenê com a camisa 42 do Wizards, o time da capital dos EUA fez uma campanha de 7-4. As vitórias foram obtidas por uma margem de 10,3 pontos por jogo. E seus números com o Washington são: 14,5 pontos e 7,5 rebotes. Detalhe: em menos de 27 minutos por jogo.

Nenê joga muito. Acho que seu fã-clube deve ter aumentado aqui no Brasil depois que ele participou das Olimpíadas de Londres e foi, ao lado de Marcelinho Huertas, nosso principal jogador.

Nenê joga muito. Na NBA de hoje, ele fica atrás apenas de Dwight Howard e de Andrew Bynum. Os demais ele ou coloca no bolso ou duela de igual para igual. Dentre os que ele coloca no bolso e passa um zíper está Tyson Chandler, que tem um enorme e inexplicável número de admiradores no Brasil.

Vamos torcer para que Nenê se recupere rapidamente. Já estou com o meu League Pass adquirido. Esta vai ser uma temporada entusiasmante. E desgastante. Vou me acabar de tanto ver jogos. E minha atenção estará voltada para Washington, Cleveland, Houston, Boston e San Antonio. E para o Miami e o Lakers, é claro.

Gostaria de centrar minhas atenções para outro time caso Leandrinho Barbosa assine contrato. O que, convenhamos, parece cada vez mais difícil de acontecer. Infelizmente.

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terça-feira, 25 de setembro de 2012 NBA | 18:36

AS CRAVADAS EM CIMA DE PATRICK EWING E O ANIVERSÁRIO DE SCOTTIE PIPPEN

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A princípio pode soar como uma baita sacanagem pra cima desse que é um dos maiores pivôs da história do basquete mundial. Mas uma coisa tem que ser dita: Patrick Ewing era um “bobão” quando tentava evitar uma enterrada.

Como vocês vão constatar o vídeo abaixo, a galera fazia Ewing de gato e sapato quando o encarava dentro do garrafão. A enterrada derradeira do vídeo, eleita obviamente a melhor de todas, é realmente espetacular.

O assunto me veio à mente ontem, quando eu postei o vídeo do Hakeem (vocês sabiam que no princípio era Akeem e depois ele mudou para Hakeem?). Tem um monte de enterradas de The Dream na fuça de Ewing.

PRIMAVERAS

Há pouco, olhando os TTs, vi Ben Osborne, repórter da “SLAM”, dizer que sua enterrada favorita de todos os tempos é exatamente esta última do vídeo em cima de Patrick Ewing. E sabem por que ele até postou uma foto (que reproduzo)? Porque é uma cravada de Scottie Pippen em cima do ex-pivô do New York. Scottie Pippen, o aniversariante do dia. Osborne homenageia Pip por conta de seus 47 anos.

Pippen é o Coutinho do basquete. Ele foi para Michael Jordan o que Coutinho foi para Pelé. Era impossível imaginar um sem o outro.

Claro que a relação de MJ com Pip foi mais duradoura e nada tumultuada, ao contrário do relacionamento entre Pelé e Coutinho. Este era cascudo, vivia brigando com Pelé. Cortaram relações. Coutinho é um cara amargurado. No filme do centenário do Santos foi o único que não participou, pois exigiu grana para isso.

Pip nunca foi assim. Pip adorava MJ. Nunca se incomodou em ganhar menos do que o Pelé do basquete, porque sabia exatamente qual era a sua posição dentro da franquia.

Por isso, achei muito estranho quando ele, ano passado, declarou que LeBron James poderia se tornar o maior jogador de basquete de todos os tempos. Primeiro, que isso não deverá se concretizar, pois assim como jamais aparecerá outro Pelé, jamais aparecerá outro Michael Jordan. Segundo, mesmo que se fosse verdade, em nome da amizade entre eles, Pip jamais deveria ter dito o que disse.

JORNALZINHO

Assim como MJ, vi Pippen ao vivo em 16 oportunidades. Ele era espetacular. Assim como era difícil falar com MJ, era difícil falar com ele. Pip gozava do mesmo prestígio de MJ. A mídia o requeria com a mesma intensidade.

Lembro-me que certa vez, em Chicago, depois de uma partida, eu estava no vestiário. Fiz uma pergunta a ele. Eu segurava um gravador com a mão direita e na esquerda tinha uma edição do “NBA News”, um jornalzinho mensal que a NBA distribuía gratuitamente para os jornalistas. Pip respondeu a pergunta e olhou para o jornal. E perguntou para mim: “Onde eu acho um desses?” Eu disse: na sala de imprensa, mas pelo que vi, não tem mais. E ele apenas balbuciou: “Hum…”

Randy Brown, que era o armador reserva do Chicago naquela época, viu a cena. Virou-se para mim e disse: “Pip quer o jornal”. Eu disse: mas eu só tenho esse! Ele insistiu: “Mas ele quer”. E eu entreguei-o a Pippen, que agradeceu, sorrindo.

Nunca mais vou me esquecer desse acontecido. Vejam que há dois momentos nessa história. A reverência e o respeito de Brown a Pippen e a minha capitulação. Mas não havia como negar aquele jornalzinho a este que me deu muitas alegrias ao longo dos tempos.

Pip, feliz aniversário, meu velho! Mas não se esqueça: Michael Jordan era, é e sempre será o maior de todos.

MUNDO QUE GIRA

Vejam vocês aonde eu fui parar. Estava falando que Ewing era um “bobão”, pois cansou de levar cravadas na fuça e acabei desembocando no aniversário de Scottie Pippen porque ele foi o responsável pelo maior “in your face” em cima de Ewing.

O vídeo está aí. Creio que vocês vão curti-lo.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012 NBA | 20:58

HAKEEM ACREDITA QUE O MIAMI PODE VENCER TRÊS DOS PRÓXIMOS CINCO CAMPEONATOS

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Hakeem Olajuwon tem falado pelos cotovelos. E ele pode falar. Aliás, quando The Dream fala a gente para e ouve. Hakeem jogou muita bola.

Lembro-me de uma visita dele ao Brasil. Não me lembro do ano (êta memória!). Ele veio a São Paulo numa daquelas promoções não sei se da NBA ou de algum fabricante de material esportivo (de novo!).

Impressionava não apenas pelo tamanho, mas por emanar um fluido de sabedoria; sabedoria esportiva. E pela fala pausada, tranquila com que respondia a todos. Foi educado e atencioso com toda a mídia.

Lembro-me da visita de Kareem Abdul-Jabbar ao Brasil em 1994 (o ano agora eu me lembro). Kareem era bem diferente de Hakeem. Kareem era introspectivo, na dele. Não se esforçava nenhum pouco para ser agradável às pessoas. Mas, assim como Hakeem, tinha uma auréola em torno de sua cabeça, com o formato de uma bola de basquete.

Não, ambos não são santos. São seres humanos. Mas sempre pareceram divindades em quadra (foto).

PREVISÃO

Falo de Hakeem porque ele está falando pelos cotovelos. Depois de ter dito que os dois títulos conquistados por ele e pelo Houston foram merecidíssimos e que nem mesmo o Chicago de Michael Jordan teria roubado-lhes a glória, o nigeriano naturalizado norte-americano disse o seguinte para quem quiser ouvir: “O Miami pode ganhar três dos próximos cinco campeonatos da NBA”.

E agora, José? O que vocês me dizem?

JUSTIFICATIVAS

A previsão de Hakeem se dá por conta da presença de LeBron James. O ex-pivô do Houston treinou LBJ no verão passado.

King James foi atrás de um sonho: do sonho de ser campeão da NBA. Primeiro deixou o Cleveland e se juntou a Dwyane Wade e Chris Bosh em Miami. A decepção da perda do título para o Dallas fez LeBron dar o segundo passo: procurar Hakeem Olajuwon, pois ele queria realizar o sonho de ser campeão e de repetir Magic Johnson como um jogador completo, que pode jogar nas cinco posições com a mesma intensidade.

LBJ procurou Hakeem para que ele o ensinasse a jogar no “low post”, de costas para a cesta. Hakeem fazia isso com perfeição. Seu “fade-away jump” era espetacular. Seu “spin move” não ficava atrás. E os passes eram igualmente perfeitos. Patrick Ewing sofreu demais com isso nas finais da NBA de 1995. David Robinson sofreu a vida inteira. A mecânica dos movimentos de Kareem era perfeita.

LBJ aprendeu o macete do movimento e nos playoffs e na final da temporada passada ele encheu o picuá de tanto pontuar e dar assistências no “low post”.

Por conta disso, por conta de ver em quadra um jogador mais maduro e mais perfeito em seus movimentos, Hakeem não se surpreendeu com o título do Miami na temporada passada. “Nessa (temporada), ela estará mais à vontade ainda”, disse Olajuwon.

Mas não é apenas a questão técnica e tática que faz Hakeem apostar no Miami. Vejam o que ele falou: “Eu acho que vai ser muito mais fácil para ele. Toda aquela pressão, das pessoas perguntando ‘OK, ele pode fazer isso?’, isso agora é passado”.

Ou seja: LBJ já tem um anel no dedo e aquela obrigação de ter de provar que, “sim, eu posso”, já não existe mais. “O objetivo dele em quadra agora é outro”, disse Hakeem. “Ele não tem mais nada a provar para as pessoas. O que ele vai fazer agora é tirar proveito disso”.

E tirar proveito disso é continuar perseguindo o sonho de ganhar mais anéis. “Essa meta é muito realista”, disse Hakeem, respondendo a si mesmo quando conjecturou a possibilidade de LBJ ganhar três, quatro, cinco anéis ao longo da carreira. “De fato, isso é assustador”, completou.

SONHO?

E agora, José? O que vocês me dizem?

É apenas um devaneio de Hakeem?

DIVIRTAM-SE

Nos três vídeos abaixo, vejam na sequência: 1) Hakeem Olajuwon e todo seu arsenal. No começo tem muitas jogadas no “low post”; 2) LeBron James nesta mesma situação contra o Charlotte; 3) ideam diante do Chicago.

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domingo, 23 de setembro de 2012 Basquete europeu, NBA | 14:40

“SHAQSHEIMEIR” ASSINA COM O REAL MADRID DE OLHO NA NBA

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Alertado pelo parceiro GuiZo, vejo no site do “Marca” (diário oficial do Real Madrid) que o bravo Rafael Hettsheimeir assinou contrato com a equipe madrilenha. Rafa atuou no ano passado pelo Zaragoza.

O acordo foi firmado por apenas uma temporada. Os merengues estariam preocupados com a cirurgia que “Shaqsheimier” fez no joelho poucos dias antes das Olimpíadas de Londres, que acabou por deixá-lo de fora do torneio londrino. Em seu Twitter, Rafa escreveu no dia 14 passado: “Estou na reta final de minha recuperação. Em 20 dias estarei à disposição”.

Essa, pelo menos, é a leitura que se faz num primeiro momento. Num segundo, podemos entender que foi Rafa quem pediu um acordo anual, pois tem em mente jogar na NBA na próxima temporada. Ele fez uns “tryouts” com o Dallas neste verão norte-americano, mas não vingou. Talvez os texanos tenham pedido a ele uma temporada no Madrid para depois contratá-lo; quem sabe?

Isso ou aquilo, não importa. O que interessa é que Rafa está com os joelhos saudáveis e vai jogar em uma equipe de ponta do basquete europeu. O “Marca” anuncia que Hetts torna-se o primeiro jogador brasileiro a atuar no Real Madrid. Mas Marcia Melsohn, minha ex-companheira de “Folha de S.Paulo”, basqueteira de primeira linha, faz a correção: segundo Marcia, na década de 1970, Ciço, morto precocemente, jogador do Continental, atuou pelo Real Madrid; ele sim, o primeiro brasuca a jogar pelos merengues.

O técnico Pablo Laso já avisou: será o pivô titular dos merengues.

Rafael Hettsheimeir está com 26 anos. Chegaria à NBA com 27. Ótima idade, já maduro e personalidade esportiva praticamente formada.

Seu grande adversário, no entanto, é o tamanho. Hetts tem 2,08m, mas ele é forte pra chuchu, diga-se. Mas se ele tivesse uns três centímetros a mais duelaria de igual para igual com qualquer pivô do planeta. Mas, sei não, sua atitude, sua bravura são tamanhas que mesmo com esses três centímetros a menos dá pra cravar que Rafa vai duelar, no futuro, de igual para igual com qualquer pivô do planeta. Até mesmo Dwight Howard.

Discorda?

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sábado, 22 de setembro de 2012 NBA | 01:06

E SE MICHAEL JORDAN NÃO FOSSE JOGAR BEISEBOL?

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O site Hoopsworld faz um “what if” que a gente já cansou de discutir aqui neste botequim: se Michael Jordan não tivesse deixado o basquete para brincar de jogar beisebol na segunda divisão da MLB, o Houston teria vencido dois campeonatos? Ou então: se MJ ficasse com o Bulls, teria conquistado oito ao invés de seis anéis?

Eu já dei minha resposta: sim. Se MJ não tivesse parado com o basquete para se aventurar no beisebol (o que diziam na época é que esta seria uma homenagem dele ao pai, assassinado meses antes, que gostaria muito de vê-lo como jogador de beisebol e não de basquete), o Chicago teria enfileirado oito títulos.

A diferença do Chicago para os outros times era grande demais. No segundo Three Peat o time melhorou ainda mais com a contratação de Dennis Rodman, e com um Toni Kukoc mais experiente e a chegada de Ron Harper, que era a grande estrela do Cleveland e que desembarcou em Chicago vindo como FA depois de três temporadas em Ohio.

Mas Kukoc chegou no ano em que MJ parou. Neste mesmo ano aportaram Steve Kerr, Bill Wennington e Luc Longley, que fizeram parte do segundo Three Peat. No ano seguinte, o time perdeu Horace Grant para o Orlando. Mas o núcleo estava intacto. Ou seja: ele, Scottie Pippen, John Paxson, BJ Armstrong, Bill Cartwright. O time estava lá e tinha ganhado um baita reforço em Kukoc.

Hakeem Olajuwon (foto marcando Shaquille O’Neal na final de 95), para muitos o maior pivô da história da NBA na era moderna, bicampeão com o Houston, discorda veementemente daqueles que cravam no sim, como eu. Diz Hakeem: “Qualquer pessoa que tem noção de basquete, que entende o jogo, sabe que teríamos vencido de qualquer maneira (…) As pessoas não dão crédito ao Orlando, que bateu o Chicago com Jordan”. Ou seja: o Orlando, na opinião de Hakeem, foi o legítimo representante do Leste.

Mas aqui é preciso um esclarecimento: Hakeem se refere ao segundo ano, quando MJ voltou no meio da temporada regular. Voltou com a camisa 45 (lembram-se?) e foi batido pelo Orlando nas semifinais dos playoffs por 4-2. Quando a série foi liquidada, Nick Anderson (foto marcando MJ), ala do Magic, declarou: “Esse Jordan 45 não tem nada a ver com o Jordan 23”. Ou seja: aquele MJ, ainda fora de forma, não era o verdadeiro MJ. Isso responde a Hakeem.

Se aquele fosse o MJ 23, o Orlando de Shaquille O’Neal, Penny Hardaway, Horace Grant e Nick Anderson não teria eliminado o Chicago. Tanto que no ano seguinte, com o mesmo time da temporada anterior e ainda mais experiente, o Orlando foi surrado pelo Chicago na final da conferência por 4-0. E MJ disse a Anderson depois da série: “O 23 está de volta”.

Hakeem disse também que o grande problema do Rockets era o Seattle e não o Chicago. “Quando a gente enfrentava o Chicago, eles sabiam que perderiam não só para nós, mas para o San Antonio também”.

No caso do San Antonio eu me lembro; no caso do Houston eu tenho dúvidas. Sempre que o Chicago jogava em San Antonio, invariavelmente perdia. David Robinson se transformava em um monstro e fechava completamente o garrafão. Lembro-me de uma ocasião em que ele deu um toco espetacular em cima de MJ. Ataque do Bulls do lado direito da câmera de televisão, Jordan na meia direita, cortando Vinnie Del Negro, indo para a enterrada e The Admiral fazendo como o velho Dikembe Mutombo.

Sim, o Bulls tinha sérios problemas contra o SAS de Robinson, Del Negro, Doc Rivers, Moses Malone e Sean Elliot quando o jogo era no Texas. Mas não me lembro de o Houston criar problemas para o Chicago.

E aquele SAS só parava diante do Rockets. David Robinson tinha traumas diante de Hakeem. O pivô do Rockets humilhava o oponente; sempre. Lembro-me que eu gostava de Robinson e torcia para que ele suplantasse Olajuwon. Mas não tinha jeito. O Houston passou pelo San Antonio por 4-2 naquela final do Oeste.

O jogo do SAS se encaixava com o jogo do Bulls, mas não tinha respostas para os problemas que o Houston apresentava. Talvez se a final fosse contra o Spurs o Bulls pudesse ter problemas; talvez; mas diante do Houston, jamais.

Hakeem limitou-se a falar da final de 1995. Na matéria, ele não fala sobre 94. Deveria. O Chicago de 94 parou no New York, que fez a final diante do Houston. Os texanos venceram por 4-2. Não teriam vencido se MJ lá estivesse. O NYK fez 4-3 diante do Indiana do menino Reggie Miller e do experiente Byron Scott e foi para a final enfrentar o Houston que tinha feito 4-1 no Utah de John Stockton e Karl Malone.

Aquele playoff do Oeste foi um playoff esquisito, pois não contou com a presença do Lakers. Os californianos eram um time sem identidade, que contava com um James Worthy em final de carreira e cujo quinteto titular era apenas razoável: Nick Van Exel, George Lynch, Doug Christie (que meu filho chamava de “triste”), Elden Campbell e Vlade Divac.

Mas não é do Lakers que falamos. Falamos do Houston. E volto a dizer: se MJ não tivesse deixado o basquete para brincar de jogar beisebol, o Bulls teria enfileirado oito títulos. E se ele não abandonasse em 1998, depois do segundo Three Peat, talvez fossem nove. Até porque aquele campeonato foi mais curto por causa do locaute. MJ, aos 36 anos, teria suportado numa boa.

A gente fala sempre em oito títulos. Na verdade, poderiam ter sido nove. E Hakeem e o Houston não teriam vencido nenhum. E o primeiro campeonato do San Antonio talvez não tivesse vindo.

Michael Jordan era realmente fenomenal. E aquele time dirigido por Phil Jackson era imbatível numa série melhor de sete. Não vi o Boston de Bill Russell jogar. Dos times que vi em ação, nenhum se comparou ao Chicago.

Nove títulos; isso mesmo, nove títulos. Não foram nove porque Jordan tinha umas manias que a gente nunca conseguiu entender.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012 NBA | 00:13

DOC RIVERS DIZ NÃO SE IMPORTAR COM O LAKERS E ESTIMULA O ÓDIO DO BOSTON AO MIAMI

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“Honestamente, eu não me importo com o Lakers… Eu olho diretamente para o Miami (…) Eu quero que eles (jogadores do Boston) os odeiem (jogadores do Heat). Eu quero que eles os vençam. Esse tem que ser o nosso foco”.

A frase, recortada, é do técnico Doc Rivers (foto). Ele já começou a preparar o C’s para esta temporada. Não apenas com treinos técnicos e táticos, mas mentalmente também. E esse tem que ser o trabalho de um treinador. Trabalhar todos os aspectos de um jogo. A gente bem sabe que uma partida de basquete, futebol, ou seja o que for, não se ganha apenas com treinamentos táticos e técnicos. O mental é componente importatíssimo, especialmente quando você vai forjar o caráter de uma equipe.

Ao contrário do resto do planeta, os americanos torcem de maneira diferente; civilizada eu diria. Lá não há os problemas que existem no resto do planeta quando o assunto são os torcedores de futebol.

Se José Mourinho viesse a público e dissesse que espera de seus jogadores ódio ao Barcelona, seria condenado violentamente. O mesmo para Alex Ferguson em relação ao sentimento de seus atletas quanto ao rival Manchester City. Já pensou Tite dizer que está alimentando a cólera em seu elenco ao São Paulo? E Abelão fizesse o mesmo quando o assunto fosse os confrontos contra o Flamengo? Idem para os duelos paranaenses, mineiros, gaúchos, baianos e pernambucanos.

Não dá; nem pensar. Na Europa, o treinador seria multado. Aqui no Brasil, criticado pela mídia, nada além disso, pois vivemos no paraíso da impunidade.

Na América do Norte, o maior problema que a polícia tem é conter a felicidade exacerbada de fãs na comemoração de um título. Derrotas, eliminações e perdas de campeonatos não resultam em nada; absolutamente em nada.

Nos EUA, não existem (pra sorte deles) torcidas organizadas. Essa mazela social e esportiva, além de impedir a convivência pacífica entre os fãs, deu forma às mais variadas manifestações de violência dentro e principalmente fora dos campos de futebol. Lá, eu dizia, por não haver essa praga não há que se garantir um percentual de assentos nos ginásios para torcedores adversários. Ninguém deixa sua cidade em bandos, escoltados pela polícia, para ir torcer no ginásio adversário. Se algum torcedor quiser ver seus times do coração fora de sua praça (ou se for torcedor de time de fora de sua cidade), ele compra ingressos normalmente (via internet) e senta onde o tíquete determina. Senta, vê o jogo, torce e não é molestado em nenhum momento sequer. Se for, é só chamar a segurança que ela põe pra fora do ginásio o animal que tenta inibir os sentimentos do torcedor oponente.

Por isso, Doc Rivers pode vir a público e dizer que está estimulando o ódio de seu elenco em relação ao Miami. Isso não se transfere jamais para as arquibancadas. Doc, aliás, disse já ter feito isso na temporada passada. E o resultado foi visto nos playoffs do Leste, quando o C’s foi caminhando, caminhando, caminhando e chegou à final da conferência. E, nela, vendeu caro o título ao Miami, entregando-o apenas no último e derradeiro confronto.

Mas, como disse acima, não é apenas estimulando a ira que Doc vai fazer do Boston uma ameaça ao reinado do Miami. O time tem que jogar também. É como aquela piada da mãe que foi ver o filho, lutador de boxe, numa luta decisiva. Ela sentou-se e viu que a seu lado havia um padre. O filho estava tomando uma surra e ela, desesperada, virou-se para o padre e disse: “Padre, por favor, reze para o meu filho sair dessa enrascada!” No que o padre respondeu: “Sim, eu rezo, mas seria bom se ele começasse a lutar também”.

Muitos entendem que o alviverde de Massachusetts está melhor nesta do que na temporada passada. Se não há mais Ray Allen, há o instinto matador de Jason Terry. Ele pode não ter a mão tão certeira quanto a de Allen, mas o mental de Terry é mais forte. Além disso, Jet não se incomoda nem um pouquinho sequer em sair do banco durante os jogos, papel que Doc Rivers tinha reservado a Ray-Ray e este não gostou nadinha, nadinha. Os dois “guards” do Celtics são Rajon Rondo (foto) e Avery Bradley. Jet entrará para o descanso de ambos e estará em quadra “down the stretch”, com certeza.

Além disso, há Courtney Lee também, que ajudará a formar um quarteto de “guards” para machucar o Miami e quem a aparecer pela frente. De que modo? Tirando o “front court” adversário de sua zona de conforto.

Na temporada passada, foi exitosa (desculpem o neologismo) a mudança de posição de Kevin Garnett. Por conta da contusão de Jermaine O’Neal e da falta de boas opções, Doc passou KG da ala de força para o pivô. E foi um sucesso. KG saía da área pintada e trazia consigo o pivô adversário, abrindo espaço para o jogo não apenas de Brandon Bass, que tornou-se o PF titular, mas também e principalmente do pessoal do “back court”.

Doc fará o mesmo nesta temporada. Abrirá não apenas KG, mas Bass também. E os armadores encontrarão espaços para infiltrar e pontuar. Dos quatro armadores do Boston, apenas Bradley não teve um duplo dígito de média na pontuação na temporada passada. Mas, não se esqueçam, ele foi entrando aos poucos no time por conta da lesão de Allen. Nesta temporada, com mais tempo de quadra, seguramente atingirá a meta.

Outro aspecto importante nessa tática é fazer os pixotes sofrerem faltas. Além de eles normalmente serem eficientes na linha fatal, bater lances livres, várias vezes, é tudo o que Rivers quer, pois, com isso, ele conseguirá posicionar sua defesa para o ataque adversário.

E não se esqueçam que Jeff Green está de volta depois da cirurgia no coração. Será o descanso que Paul Pierce tanto vai precisar nesta temporada. Um reserva que pode desempenhar o papel de titular quando Doc bem entender. Bola pra isso Green tem. E pode fazer um 2 e um 4 numa boa também. Um “swing player” dos bons!

Darko Milicic, recém-contratado do Wolves, o brasuca Fab Melo, o também novato Jared Sullinger e o veterano Chris Wilcox vão ajudar KG e Bass. E eu espero que Melo saiba aproveitar as chances que irão aparecer. Num primeiro momento, o primeiro reserva a entrar em quadra será Milicic.

O C’s, eu já disse isso, pra mim fará a final do Leste contra o Miami. Não acredito que o New York o faça e muito menos o Brooklyn Nets. E o Chicago sem Derrick Rose não terá forças também. O Boston é um time maduro, experiente. Conhece o caminho das pedras. É assíduo frequentador das finais. E, além disso, consegue mexer com o emocional do Miami. Paul Pierce não se intimida com LeBron James. Jet sabe o que fazer diante de Dwyane Wade. E Chris Bosh vai sofrer nas mãos de KG.

Este é o time que vai incomodar o Miami. Mas enquanto a bola não sobe, acho que o Boston, apesar de toda a sua ira e de sua competência tática e técnica, não passará de um incômodo para o time do sul da Flórida. Vai vender novamente caro o título do Leste; mas venderá. Isso, volto a dizer, antes de a bola subir.

Portanto, vamos aguardar. Pra encerrar, eu grito: volta NBA, volta logo!

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