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Arquivo da Categoria basquete brasileiro

terça-feira, 11 de setembro de 2012 basquete brasileiro, NBA | 11:32

LEANDRINHO TREINA NO FLAMENGO PARA MANTER A FORMA. TALVEZ FIQUE POR LÁ MESMO

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Leandrinho está treinando no Flamengo (foto Site Oficial). O site oficial do clube diz: “De férias após as Olimpíadas de Londres, o jogador não quer perder o ritmo e seguirá a programação de treinamentos dos rubro-negros, na Gávea”. E Leandrinho complementa: “Muito bom voltar ao Flamengo e relembrar os bons momentos que vivi aqui no ano passado. Sou sempre muito bem recebido por aqui e tenho grande amigos no time”.

A situação de LB, como venho abordando aqui, é dramática. O tempo passa e ele não arruma time. Dramática e misteriosa. Toda matéria que lemos sobre ele é elogiosa. LB tem espaço e nome na liga. Mas não assina com ninguém.

Por quê?

A explicação que eu encontro é que Dan Fegan, seu agente, foi com muita sede ao pote. Mais do que isso: não conseguiu costurar acordo para encaixar LB no Lakers, por exemplo.

Fegan, na negociação de Dwight Howard com os amarelinhos, poderia ter condicionado a ida de LB para Los Angeles. Não conseguiu; ou nem tentou.

Como mencionei, talvez Fegan tenha sido guloso demais. Imaginou um contrato semelhante ou maior do que os mais de US$ 7 milhões que o brasileiro ganhou na última temporada. Como se sabe, os agentes ficam com 4% do acordo assinado. Quanto maior o contrato, maior o faturamento.

Não apareceu (até o momento) nenhum clube disposto a pagar isso — e nem vai aparecer. Primeiro porque esse dinheiro não está mais disponível em nenhuma franquia; segundo, porque todos os times têm no momento a faca e o queijo na mão. Ou seja, dirão a Fegan: é pegar ou largar.

Como já disse aqui, não é apenas LB que vive situação dramática. Há outros free-agents desempregados. Derek Fisher, pra mim, é o principal deles. Cinco anéis de campeão, líder nato, Fish (foto) ainda é muito bom de bola; e nada. Tracy McGrady não me comove, pois ele é um ex-jogador em atividade e se arrumar alguma coisa será nessas franquias em desespero, atrás de um sonho que não virá e da venda de tíquetes, pois T-Mac ainda ostenta um bom nome entre os fãs.

Leio que Mehmet Okur deve voltar para a Europa. É outro que também está sem time. Mas se voltar para o Velho Mundo deverá assinar com o Real Madrid, que ofereceu € 3 milhões (cerca de US$ 3,8 milhões) por um contrato de um ano.

Enquanto isso, LB apenas treina no Flamengo. Nem oferta ele recebeu, ao que tudo indica.

Ano passado, na época do locaute, apurei dia desses, LB recebeu R$ 150 mil mensais. E nem foi o clube da Gávea quem pagou o jogador: foi o banco BMG. Se a proposta for reapresentada, LB assinaria um contrato para receber R$ 1,8 milhão, o que daria cerca de US$ 890 mil. Menos do que o US$ 1,35 milhão do mínimo veterano e menos do que o US$ 1,95 milhão que o Lakers poderia oferecer usando a mid level exception.

Conversei por e-mail com Trapizomba, que mora em Los Angeles, para saber o que LB teria como gasto caso fosse para o Lakers. Trapizomba me disse que o leão californiano abocanha 10% do salário. “O maior problema são as taxas federais, em 39%. Isso é o que mata, mas é para todo o país”, completou Trapizomba.

Só de impostos Leandrinho deixaria para os cofres governamentais USS 195 mil para a Califórnia e US$ 760,5 mil para o governo federal, o que totalizaria US$ 955,5 mil. Ou seja: do total de US$ 1,95 milhão, LB receberia, na verdade, US$ 994,5 mil.

Mas não se esqueçam: em Los Angeles LB teria que alugar um imóvel, o que não aconteceria em caso de jogar no Flamengo (ele tem apartamento no Rio) ou mesmo se for jogar em outro time brasileiro, que daria moradia de graça para ele.

Morar na Califórnia é caríssimo. Tenho um amigo, Guto Guimarães, bauruense como eu, que vive em Tucson, pertinho de Phoenix. Não perdia um jogo do Suns na época do Leandrinho. Ele me contou, certa vez, que um amigo americano, brincando, disse: “Vendo minha casa aqui em Tucson e vou morar em um trailer na Califórnia”. Guto contou que o cara tem uma baita casa no Arizona. Fez a brincadeira para dizer ao Guto que morar na Califórnia é para poucos.

Trapizomba não soube me dizer quanto LB gastaria com aluguel de um imóvel em LA. Mas pelo que pesquisei pela internet, ele gastaria algo em torno de US$ 2,5 mil por mês, o que daria US$ 30 mil por ano.

Então, os US$ 994,5 mil cairiam para 964,5 mil, que traduzidos para nossa moeda seria algo em torno de R$ 1,95 milhão. Divididos em 12 parcelas teríamos R$ 162,5 mil.

Ou seja: praticamente a mesma grana para jogar no Flamengo — isso se o time carioca fizer uma oferta semelhante a feita na temporada passada. Ou, quem sabe, de repente em outra equipe de ponta do NBB.

Some-se a tudo isso o fato de que Samara Felippo, mulher de Leandrinho, atriz da Rede Record, em entrevista dada ao iG em 18 de julho passado, disse com todas as letras o seguinte: “Não quero morar nos EUA. Minha rotina lá é chata. Não é minha cultura, não é onde está minha família ou meus amigos. Ás vezes, a questão de não dominar a língua me irrita”.

E se Samara ficar por aqui boa parte da temporada (gravações da novela “Balacobaco”), Alicia, filha de LB, fica também. E o jogador é muito apegado à menina, que tem três anos. E ela, claro, adora o pai, como mostra a  foto (Instagram/Reprodução), onde Alicia tenta abraçar o pai vendo-o em entrevista na televisão.

Vocês querem saber o que eu acho? Se não aparecer nenhuma oferta milionária (e não deve aparecer mesmo, pois este é o cenário atual na NBA), LB tentará um acordo com o Flamengo ou com algum clube brasileiro — ou então tentará a Europa, o que é mais difícil, pois ele jamais atuou por lá. Ele ficaria uma temporada fora da NBA e enquanto isso Dan Fegan trabalharia no sentido de reencaixá-lo em alguma equipe da NBA na outra temporada. Ou assinaria um contrato com uma cláusula liberando-o imediatamente para algum time da liga norte-americana em caso de acerto.

Este é o cenário que eu vejo. Não consigo enxergar outro.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Seleção Brasileira | 11:39

HOJE COMEMORA-SE 25 ANOS DA MAIOR FAÇANHA DO NOSSO BASQUETE

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Hoje completa-se 25 anos da maior façanha do nosso basquetebol. Que me perdoem Wlamir Marques, Amaury Pasos e aquela geração extraordinária e maravilhosa que conquistaram duas medalhas de bronze olímpicas. Mas o feito de Oscar Schmidt, Marcel de Souza e Ary Vidal transcendeu fronteiras.

Hoje faz 25 anos que a seleção brasileira foi a Indianápolis e bateu os EUA na final dos Jogos Pan-americanos por 120-115.

Os que têm idade, como eu, e presenciaram o feito, sabe o que aquilo significou. Os que não têm e estão interessados na história, se sensibilizam, reconhecem o fato e se encantam igualmente com a efeméride. Os que não viram e são obtusos, perdem a chance de viver, mesmo que nas páginas da história, a grandiosidade daquele feito.

Há que se frisar dois pontos nessa história de gloriosa: 1) naquela época os Jogos Pan-americanos tinham uma grande dimensão e não era encarado como nos dias de hoje, como uma competição menor e apenas preparatória para Mundiais e Olimpíadas; 2) naquela época, os EUA jogavam com seus jogadores universitários todas as competições na qual participavam, fossem Pan-americanos, Mundiais e/ou Olimpíadas. A garotada bastava para que eles continuassem soberanos.

Até que chegou aquele 23 de agosto de 1987.

Pela primeira vez na história os EUA perderam dentro de casa. Pela primeira vez na história os EUA tomaram mais de cem pontos em uma partida (não importa se dentro ou fora de casa).

O feito, repito, é grandioso, o maior da história do nosso basquete. A Market Square Arena estava lotada. Saía gente pelo ladrão. Todos esperavam ver mais uma vitória do time norte-americano, que tinha a comandá-lo David Robinson, que dispensa apresentação, e Danny Manning, um ala que jogava em Kansas e que foi considerado um dos maiores desde sempre na história dos Jayhawks, campeão universitário em 1988 e MOP do Final Four e que jogou no Clippers e no Phoenix, entre outros. Além deles, havia Willie Anderson (que depois foi para o San Antonio), Rex Chapman (Charlotte), Pervis Ellison (Boston) e Pooh Richardson (Indiana).

O primeiro tempo terminou com os EUA na frente em 68-54. Esses 14 pontos de diferença subiram para 20 no começo do segundo tempo. Isso mesmo, 20 e no segundo tempo! Aí Oscar e Marcel resolveram barbarizar a defesa norte-americana, defesa, diga-se, que sempre foi orgulho dos gringos.

Oscar tinha anotado apenas 11 pontos no primeiro tempo. No segundo, anotou 35! Encaixou nada menos do que seis bolas de três e terminou a contenda com 46 pontos, tendo acertado 7-15 (46,7%) nas bolas de três. Marcel, seu fiel escudeiro, repetiu Oscar e marcou apenas 11 pontos na etapa inicial. Na final, adicionou mais 20 e terminou a partida com 35. Os dois, juntos, anotaram 55 dos 66 pontos do Brasil no segundo tempo. Isso mesmo, você não leu errado: o Brasil enfiou 66 pontos goela abaixo dos norte-americanos no segundo tempo, graças, principalmente, às bolas de três. Ao final da partida, o Brasil tinha anotado 39 pontos nas bolas triplas e os EUA apenas seis.

Naquela época, fazia apenas cinco anos que a linha dos três pontos tinha sido adicionada ao jogo de basquete. Era ainda inexplorada por muitos. Mas Marcel e principalmente Oscar tinham uma relação idílica com o arco e sempre que acabam os treinos eles ficavam horas a fio arremessando, arremessando e arremessando. E Ary Vidal, nosso treinador, assistindo a tudo, deu corda para os dois e incentivou-os a fazer esse tipo de jogo, pois ele percebeu que aquilo poderia ser um diferencial a nosso favor. E os tiros de três ficaram sendo a marca registrada principalmente na carreira de Oscar Schmidt.

Aqui cabe a abertura de um parêntese: muitos imputam a Oscar o momento negro de nosso basquete, período de sua aposentadoria até a chegada de Moncho Monsalve como treinador de nosso selecionado. Segundo muitos, Oscar foi o responsável único pela cultura do “crazy shots”. Visão míope, obviamente. Oscar não tem nada a ver com isso. Oscar fazia o que tinha que fazer; ou seja, usava sua melhor arma para vencer adversários e vencer na vida. Os maiores culpados pela cultura do “crazy shots” em nosso basquete foram nossos treinadores que deixaram nossos jogadores fazerem isso, principalmente nossos treinadores da base, que deveriam ter evitado isso e não evitaram. E no adulto, muitos deles, sem pulso, não conseguiram também inibir esse tipo de ação em quadra. Fecho aqui o parêntese, que, na verdade, nem deveria ser um parêntese, mas objeto de muita discussão para que, a bem da história e para justiçar uma figura genial como é a de Oscar Schmidt, esse assunto deveria ser discutido com mais profundidade e não pela superficialidade que nos caracteriza como povo.

Fechado o parêntese, há que se dizer que os jogadores brasileiros eram bem mais experientes que a garotada norte-americana. Oscar e Marcel contavam, com 29 anos e jogavam na Itália. Cadum Guimarães, um dos nossos armadores, tinha 28. Cadum, aliás, quando o Brasil começou a reagir na partida, ficava provocando os americanos. Foi um mestre no “trash talk”. Desestabilizou a armação adversária, principalmente Pooh Richardson. Ele gesticulava para os adversários, pedindo para eles virem pra cima; arremessarem. Eles vinham e se atrapalhavam; arremessavam e erravam.

Foi uma festa. Foi muito emocionante e divertido ter visto tudo aquilo. Ver a cara frustrada de David Robinson ao final da partida, ele que anotou 20 pontos e pegou dez rebotes e nada pôde fazer para evitar aquele momento de constrangimento diante de toda a nação norte-americana. Foi emocionante ver Oscar e Marcel caídos na quadra, chorando e gritando: “Ganhamos!” Foi hilário ver Maury levar um dos maiores tombos de sua vida, ele que estava em pé na mesa da cronometragem e achando que ela se prolongava, pisou em falso e foi para o chão. Maury, aliás, recuperava-se de uma cachumba e não participou da competição.

Esse divertimento, essa alegria, até hoje é lembrada e comemorada por todos e por aquele grupo de pessoas diferenciadas. Eles merecem viver o que ainda vivem. A riqueza de nosso basquete passa por esses personagens que num primeiro momento pareciam ser quixotescos, mas que ao final da história transformaram-se em super-heróis.

HERÓIS

Nossos heróis foram:

Jorge Guerrinha
Marcel de Souza
Oscar Schmidt
Gerson Vitallino
Israel Andrade
(quinteto titular)
Cadum Guimarães
Maury de Souza
Paulinho Villas-Boas
Pipoka
Silvio Malvezi
André Stoffel
Rolando Ferreira
Ary Vidal (treinador)
José Medalha (assistente técnico)

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terça-feira, 21 de agosto de 2012 basquete brasileiro | 22:43

VENEZUELA VAI SEDIAR A COPA AMÉRICA DO ANO QUE VEM. O BRASIL? DORME, COMO SEMPRE

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É impressionante a falta de ambição (para dizer o mínimo) da CBB (leia-se Carlos Nunes, seu presidente) em tentar massificar o basquete em nosso país. Sim, massificar, pois hoje o basquete sobrevive por conta da NBA. Pegamos carona na maior liga de basquete do planeta e ela acaba por inspirar a garotada para tentar um lugar ao sol usando a bola laranja para isso. Sim, pois o NBB ainda engatinha e embora tenha uma direção 200 vezes mais competente do que a CBB (que tem um produto melhor; leia-se: seleção brasileira), não consegue a mesma visibilidade por conta de anos negros do nosso basquete nas mãos do Gerasime “Grego” Bozikis, que afundou a modalidade, abrindo um espaço para que o vôlei crescesse e ocupasse o lugar que era do basquete num passado que já se faz perder em nossa memória.

Disse tudo isso porque acabei de saber que a Venezuela vai sediar a Copa América do ano que vem. O campeonato é classificatório para o Mundial de 2014 na Espanha. Os EUA não vão participar do torneio porque são os atuais campeões mundiais e, por causa disso, têm vaga assegurada na competição.

Quatro serão os países classificados para o Mundial. É claro que o Brasil estará entre eles, mesmo jogando na Cochinchina. Jogar em casa não será aliado para que possamos obter vaga. Jogar em casa, neste caso, volto a dizer, significa chamar a atenção de todos: mídia e principalmente dos torcedores — e principalmente dos jovens, aqueles que podem ser no futuro nossos representantes em Mundiais e Olimpíadas e/ou consumidores de uma modalidade que anda raquítica em termos de popularidade.

Nosso torcedor está carente de uma competição dessas. Há quanto tempo o Brasil não é sede de um torneio de porte no masculino? Eu já nem me lembro mais. Pesquiso e descubro: 1984, em São Paulo. Pode?

O que acontece com nossos dirigentes? Ou melhor: o que acontece com Carlos Nunes? Por que tamanha indiferença? Por que esse descaso com o nosso basquete? O que ele entende por administrar bem a modalidade? Administrar bem a modalidade significa, entre outras coisas, popularizá-la, abrir espaço para ela na mídia e no coração dos torcedores.

Já pensaram a Copa América sendo disputada por aqui? Já imaginaram o espaço que o basquete conseguiria na mídia? Na grande mídia, essa mídia que martela a cabeça do torcedor, que influencia, que forma opinião. Já pensaram a Arena HSBC no Rio servindo de palco para o evento? Já imaginaram o Brasil fazendo a final contra a Argentina, mesmo uma Argentina sem Manu Ginobili e Luis Scola?

Será que a CBB não consegue ver isso? Será que a CBB não consegue dimensionar o fato?

Lamentável.

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sábado, 18 de agosto de 2012 basquete brasileiro, NBA | 11:21

BRASIL OU EUROPA PODE SER A MELHOR OPÇÃO PARA LEANDRINHO BARBOSA

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O velho Trapizomba fez um questionamento a respeito da situação do Leandrinho Barbosa que motivou este post. Perguntou ele: “Sormani, quanto é que um time do NBB poderia oferecer ao Barbosa? Dependendo do valor (e eu sei que brasileiro adora pagar o que não tem…), se for próximo de 1,5 milhão de doletas, não seria uma opção nem tão ruim voltar ao Brasil? Acabaria com a sua carreira na NBA, mas pela grana valeria a pena?”

Boa pergunta. E a resposta é sim, valeria a pena voltar ao Brasil pela grana.

Vamos pegar a calculadora…

O mínimo por temporada para um veterano na NBA é de US$ 1,35 milhão. Isso daria algo em torno de R$ 2,7 milhões. Divididos por 12 meses, teríamos R$ 225 mil. Muito dinheiro? Sim, para o basquete brasileiro é muito dinheiro, mas a gente bem sabe que o Flamengo, que repatriou LB na época do locaute, fez uma parceria com o Banco BMG e assinou um contrato com o jogador com duração até o final da greve na NBA (Foto Alexandre Vidal/Fla Imagem/Divulgação).

A informação que eu tenho é que LB ganhou R$ 200 mil por mês do time rubro-negro. Só que esses R$ 200 mil eram limpinhos da silva. Não incidiu imposto algum em cima desse dinheiro, pois a gente bem sabe que atleta neste país não paga imposto, principalmente jogador de futebol.

Na NBA, todos os salários são taxados pelo IR. Os contratos são vigiados pelo governo e lá não tem choro e nem vela. Nos EUA não tem esse negócio de receber por fora. US$ 1,35 milhão, dependendo do Estado, pode levar uma abocanhada do leão do IR de até 35%. Mas pode ser de 25%, dependendo de onde o jogador estiver, pois lá existem impostos estaduais e federais.

Vamos supor que a taxação seja a mínima: 25%. Nesse caso, haveria um desconto de US$ 337,5 mil do salário de US$ 1,35 milhão. Ou seja: o jogador receberia líquido 1,01 milhão. Isso daria algo em torno de R$ 2,02 milhões por temporada, que se dividido por 12 representaria cerca de R$ 168,7 mil por mês.

Em outras palavras, se for para receber o mínimo na NBA, LB poderia arrumar mais dinheiro no Brasil numa operação semelhante a que foi feita no ano passado envolvendo Flamengo e BMG, quando o jogador amealhou R$ 200 mil mensais. Isso significa R$ 31,2 mil a mais por mês se comparado com o salário mínimo da NBA; R$ 374,4 mil a mais no total, o que representaria uma espécie de 13º salário.

Desta forma, se LB receber apenas propostas pelo mínimo na NBA, de repente ele pode faturar mais aqui no Brasil. Isso sem falar na Europa, que embora esteja em crise ainda tem dinheiro para oferecer a atletas, principalmente do calibre de LB, que tem um bom nome e enriqueceria qualquer time e qualquer liga da qual ele participasse.

Não se esqueçam que Marcelinho Huertas ganha € 2 milhões livres por temporada do Barcelona, algo em torno de R$ 4,9 milhões. Sim, eu sei, Huertas tem uma riquíssima história escrita no basquete europeu (principalmente no espanhol) e que, por conta disso, sempre será mais valorizado do que LB, que jamais atuou na Europa.

Portanto, em termos financeiros, LB pode faturar mais voltando para o Brasil ou mesmo indo para a Europa.

Aí entraria outro aspecto da abordagem do Trapizomba. Disse ele: “(Isso) acabaria com a sua carreira na NBA”.

Não creio. Há jogadores que deixam os EUA e vão para o exterior e voltam. LB tem uma história na liga profissional norte-americana. Ela não é pequena e nem tímida. Ele já foi eleito o melhor reserva da temporada e ao lado de Steve Nash, no Phoenix, barbarizou defesas adversárias. Ele pode fazer esse movimento, de ida e volta.

De repente, se nada de bom aparecer neste momento, talvez seja mesmo interessante dar uma guinada na carreira. Não acho que isso representaria um retrocesso e nem um declínio.

Como diz o velho ditado, às vezes você tem que dar um passo para trás para dar dois para frente.

RENOVAÇÃO

Mais um jogador que arruma a vida: Serge Ibaka. O ala de força assinou um novo contrato com o Oklahoma City. Ele será de quatro anos e por esse novo acordo o congolês naturalizado espanhol vai receber US$ 48 milhões…

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Seleção Brasileira | 22:18

ESCOLHIDO O VENCEDOR DA CAMISA AUTOGRAFADA DO BRASIL

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Bem, rapaziada, conforme prometi, no começo desta semana eu iria divulgar o vencedor do concurso cultural que premiou o felizardo com a camisa autografada do Brasil (foto). Os autógrafos são dos quatro brasileiros que atuam na NBA e que defenderam nosso selecionado nos Jogos Olímpicos de Londres: Nenê, Leandrinho, Varejão e Splitter.

Como eu disse a vocês, a ideia foi da Netshoes, que me procurou propondo a promoção. Eles e eu concordamos que o melhor para o concurso seria que vocês mandassem frases, impressões, poemas, o que vocês quisessem falar sobre o nosso selecionado. Vocês tiveram liberdade para criar.

Por haver um vínculo muito forte entre mim e vocês, passei a bola para os editores do iG. Pedi para que eles escolhessem o vencedor, o autor da manifestação mais emocionante sobre a seleção brasileira de basquete masculino.

Disseram-me que não foi uma tarefa das mais fáceis. Segundo eles (e eu concordo, pois li todas as mensagens), havia material farto, o que dificultou a escolha.

No final, depois de terem selecionado três mensagens (não me disseram quais), eles optaram pelo escrito do parceiro Marcos Gordinho. A mensagem vencedora foi esta que reproduzo abaixo:

Em cada passe “és belo”, em cada defesa “és forte”, em cada drible “impávido”, em cada toco “colosso”, a cada desafio “verás que um filho teu não foge a luta”, seleção de filhos da “pátria amada BRASIL”!!!

Parabéns, pois ao Marcos Gordinho. A Netshoes vai entrar em contato com você para enviar a camisa autografada do Brasil através do e-mail.

E eu quero aproveitar para agradecer a Netshoes pela ideia e por ter escolhido esse blog para fazer a promoção. E não se esqueçam: se vocês quiserem encontrar produtos da NBA, entrem no site da Netshoes (clique aqui).

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quinta-feira, 9 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Seleção Brasileira | 19:51

PROSSEGUE PROMOÇÃO QUE VAI DAR UMA CAMISA DA SELEÇÃO BRASILEIRA

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Bem, o Brasil está fora dos Jogos Olímpicos, mas concordamos: nosso selecionado deu um passo e tanto. Depois de 16 anos vendo tudo pela televisão, acabamos em quinto lugar.

Houve erros, claro. Mas houve também muitos acertos. E concordamos, pela manifestação da maioria, que estamos no caminho certo e que com acertos aqui e ali continuaremos progredindo.

Por isso, não vamos nos deprimir. O momento, embora não seja de euforia, é um bom momento. Não há motivo para tristeza.

E por conta disso imagino que vocês ainda estejam interessados na camisa da seleção autografada (foto). A promoção vai prosseguir até o final desta semana. Continuem mandando frases, impressões, poemas, o que vocês quiserem falar sobre o nosso selecionado.

Estarei, ao lado dos editores do iG, analisando o conteúdo e no começo da próxima semana estarei divulgando o nome do vencedor.

Lembrem-se que a camisa é uma cortesia da Netshoes, que conseguiu que os quatro brasileiros que estão na NBA a autografassem: Nenê, Leandrinho, Varejão e Splitter.

E não se esqueçam: se vocês quiserem encontrar produtos da NBA, entrem no site da Netshoes (clique aqui).

Continuo, pois, observando a verve criativa desta rapaziada de valor que frequenta o botequim.

Mãos à obra!, volto a dizer.

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basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 00:23

UMA ANÁLISE SOBRE A NOSSA PARTICIPAÇÃO EM LONDRES. LEIAM E OPINEM

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Bem, vamos ao jogo. Não apenas ao jogo, mas a tudo. Como sempre faço, li todas as mensagens. Concordo com muito do que foi dito; discordo de outro tanto.

Acho que, pra começar, é importante deixar claro o seguinte: a Argentina é mais time que o Brasil. É mais time porque joga fácil. Faz o mesmo jogo o tempo todo e não se desespera, ao contrário do Brasil que quando fica atrás no marcador começa a forçar o jogo, especialmente com bolas de três.

É mais time porque joga junto há muito tempo. Por conta disso, é um time entrosado e confiante. E experiente. Já viveu essa situação muitas vezes. E até ouro olímpico tem.

É mais time porque conta com dois jogadores que o Brasil não tem: Luis Scola e principalmente Manu Ginobili. Como alguém disse aqui, Manu é um “franchise player”. E é mesmo. “Franchise player” desequilibra, atemoriza, confunde, rege. Manu faz tudo isso. Não temos esse jogador. Marcelinho Huertas é quem mais se aproxima deste conceito, mas, neste momento, está muito longe de ser esse jogador. E não acredito que um dia será. Mas o que Huertas faz é digno de se tirar o chapéu. Temos um dos melhores armadores do mundo, disso ninguém duvida.

Nosso último “franchise player” foi Oscar Schmidt; queiram ou não aqueles que não gostam do Mão Santa. Ele era esse jogador. Ele ganhava jogos, atemorizava os adversários, confundia a zaga adversária e regia o time em quadra. Ah, não marcava ninguém. Primeiro, que isso não é bem assim: Oscar não era um primor defendendo, mas sabia esconder essa deficiência. Segundo, perfeito era Michael Jordan, Magic Johnson etc e tal. Dirk Nowitzki não marca ninguém, mas é um terror na frente. Não preciso ir longe: Scola não marca ninguém, mas é trator no ataque.

Portanto, desde Oscar não temos esse jogador. Repito: queiram ou não aqueles que não o apreciam. Oscar é dos poucos jogadores reconhecidos e reverenciados nos EUA mesmo sem jamais ter jogado por lá. Falo isso não de ler, mas de ouvir as pessoas falaram. Até motorista de táxi sabia quem era Oscar quando eu dizia que era do Brasil. Falavam do Pelé e do Oscar.

Voltando ao jogo, muito se falou sobre os lances livres. Rubén Magnano, depois da partida, apontou seu dedo para este fundamento. Disse que não se corrige esse defeito com apenas 45 dias de treino. Isso tem que ser corrigido no andar da carruagem; ou seja, em todo o ano letivo.

Tenho dúvidas se o Brasil perdeu por conta dos lances livres. Claro que se eles tivessem caído num percentual maior talvez fosse preciso vencer. Mas mesmo nas vitórias nosso aproveitamento é esse. O fato é que não sabemos bater lance livre — e por N motivos. Desde a mecânica do arremesso que não é correta (e aqui a gente aponta o dedo para os treinadores na base) até a parte emocional (aqui não há o que se fazer).

Mais importante do que os lances livres, a meu ver, é a falta de um jogador que defina. Por que Varejão ficou tanto tempo no banco? Ora, porque ele não define. Varejão funciona maravilhosamente bem ao lado de LeBron James, Kobe Bryant ou Oscar Schmidt. Mas num time onde não há esse jogador, ele precisa ajudar no ataque.

Alguém pode dizer: Nenê fez apenas sete pontos. Verdade; muito pouco. Nenê justifica sua baixa produtividade ofensiva por conta dos 12 rebotes e por ter subtraído o jogo de Scola, que anotou 17 pontos, quando normalmente faz 30 quando joga contra o Brasil.

De todo o modo, Nenê tinha que ser nestes Jogos Olímpicos o que Dwight Howard é na NBA. Não tem nenhum pivô nestas Olimpíadas com o tamanho dele. Nenê tinha que se impor mais em quadra quando o assunto é o ataque. Tecnicamente Marc Gasol é melhor que Nenê, mas Gasol é flácido, não tem a força que Nenê tem. Na NBA, há alguns pivôs tecnicamente melhores do que D12, mas ele se impõe por conta de seu tamanho, de sua força, tamanho e força que Nenê também tem e deveria tirar proveito e não tira. Mas aqui não há o que fazer, pois Nenê não é esse cara que a gente gostaria que ele fosse. A seu modo, contribui demais com o time. Se fosse como a gente queria, ele estaria hoje no Lakers e não no Washington.

Outra coisa: Leandrinho, a meu ver, não merece as críticas que recebe. Como eu disse aqui, ele não se esconde. Procura sempre o jogo. Tenta definir. Faz o que pode, mas, infelizmente, o que pode não é suficiente, pois ele tem limitações. Mas, repito, é o único, ao lado de Huertas, a tentar definir.

Li alguns parceiros falarem em renovação. Respeito a opinião, mas quase caí de costas. Renovar??? Logo agora que temos um time? Custou a ser formado e quando conseguimos formar vamos jogar na lata do lixo todo o trabalho feito? Podem reparar: todo time campeão não é formado do dia para a noite. Ele tem um tempo de maturação. Ele trabalha junto por muito tempo até começar a colher frutos.

Michael Jordan foi campeão pela primeira vez com 28 anos. Ganhou seu último título aos 35. Manu tem 35 anos, Kobe Bryant tem 34 anos e Pau Gasol está com 32. Kevin Garnett tem 37 e Dirk Nowitzki tem os mesmos 34 de Kobe. E por aí vai.

Por isso, discordo de quem acha que Leandrinho, 30, não terá condições de jogar os Jogos do Rio com 34 anos. O mesmo para Nenê, que tem os mesmos 30 anos de LB. Varejão também está com 30. Alex Garcia tem 32, mas é um touro de forte e esbanja energia e saúde. Veterano está Marcelinho Machado, 37.

Repito: o time está pronto. Vamos enxertá-lo com jogadores jovens e que parecem ter muito futuro, como Scott Machado, que deve ocupar a vaga de Larry Taylor ou Raulzinho Neto, Fabrício Melo, que entra no lugar de Caio Torres, Rafael Hettsheimer, que também tem lugar no time e entra na vaga de Guilherme Giovannoni, que pode jogar como ala na vaga de Marcelinho Machado.

Enfim, não se pode mandar todo mundo embora da noite para o dia. Repito: o time está pronto e daqui para frente poderemos colher frutos melhores. E ter o seguinte elenco pensando no Mundial da Espanha, daqui a dois anos:

Marcelinho Huertas
Scott Machado
Leandrinho Barbosa
Alex Garcia
Marquinhos Vieira
Guilherme Giovannoni
Rafael Hettsheimer
Anderson Varejão
Nenê Hilário
Tiago Splitter
Fabrício Mello

Vejam que falta um jogador. Esse jogador tem que ser um ala de preferência. Infelizmente, não temos ninguém aparecendo na base. Temos que torcer para que haja um moleque nos EUA, jogando no “high school” ou no “college”. Lamentavelmente, não conseguimos produzir um jogador para esta posição.

Quanto a Magnano, ele não é perfeito. Tem limitações e agora que estamos próximos de seu trabalho vemos que elas não são poucas. As mais graves, a meu ver, são sua dificuldade de mexer no time e ver o jogo. Na Argentina, ele tinha em Sergio Hernandez seu principal auxiliar. E outros assistentes também.

É sabido que os argentinos são melhores treinadores do que os brasileiros. E não apenas no basquete. Há exceções, é claro, como Bernardinho e Zé Roberto Guimarães no vôlei. Mas eles são melhores do que a gente no futebol e no basquete, por exemplo.

Por isso, Magnano pode estar sentindo falta de alguém mais a seu lado. Fernando Duro pode não estar sendo suficiente. Zé Neto é um treinador que tem tudo para crescer na profissão. Por isso, tem que tirar proveito de estar ao lado de Magnano. Mas tem que começar a mostrar serviço também e ter voz ativa na comissão. E ajudar Magnano, de modo a não deixá-lo a cometer equívocos que ele cometeu nestas Olimpíadas.

Acho que é isso. Espero pelas manifestações de vocês e seguir debatendo o nosso basquete. Vivemos um grande momento. Não podemos desperdiçá-lo. Mesmo com a eliminação nos Jogos Olímpicos.

Ah, sim, ficamos em quinto lugar. Posição espetacular pra quem ficou três ciclos olímpicos vendo tudo pela televisão.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 17:56

MAIS UMA VEZ, NÃO DEU!

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O Brasil caiu com dignidade, caiu com a cabeça em pé. O que dói é que foi diante da Argentina: 82-77.

O nosso selecionado foi eliminado depois de uma campanha de 4-2. Não dá pra reclamar e nem criticar ninguém. De uma maneira geral, o saldo foi positivo. O Brasil poderá terminar em quinto, sexto, não sei ainda — e nem quero saber neste momento.

O grande problema da partida foram os segundo e terceiro quartos, quando nos perdemos no ataque e fizemos apenas 28 pontos, 14 em cada um deles. Aliás o ataque foi sempre o nosso calcanhar de Aquiles. Melhoramos muito na defesa, mas perdemos o dom de atacar.

Mas é claro que tudo o que foi feito não pode ser desprezado ou jogado no lixo. O trabalho está atingindo apenas 30% de seu percurso. Rubén Magnano é um treinador excepcional e vai conseguir certamente encontrar respostas para os nossos problemas.

Depois, com mais calma, eu volto para falar do jogo em si. Quero saber o que vocês acharam de tudo o que aconteceu.

Uma pena, mas não deu novamente.

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terça-feira, 7 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 21:45

A VITÓRIA DAS MENINAS DO VÔLEI E O JOGO DE AMANHÃ CONTRA A ARGENTINA

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Agora em casa, mas muito cansado; “working like a dog”. Feliz, todavia. Com o trabalho e com o momento olímpico. Olimpíadas deveriam ter de dois em dois anos, vocês não acham? Eu acho.

Ainda estou com o jogo do vôlei feminino entre Brasil e Rússia na cabeça. Estávamos, eu e toda a galera da Record que trabalha no cinema 3D; estávamos, dizia, todos nós no Switcher vendo o jogo. Quando nossas meninas abriram 13-10 no tiebreak concordamos: o jogo já era.

Mas aí as russas fizeram uma corrida de 4-0 e levaram o marcador para 14-13. Vi a viola em cacos. Reinaldo Gottino, que apresenta e narra espetacularmente nossos eventos, comentou dia desses: “Muitas de nossas derrotas vêm por conta do nosso emocional. Muitas vezes perdemos para nós mesmos, mais do que para os nossos adversários”.

Essa observação do Gottino veio-me à mente assim que as russas tomaram a dianteira. Pensei cá com meus botões: perdemos; e mais uma vez para a Rússia! Lembrei-me de Atenas-04.

Mas nossas meninas foram guerreiras. Mais do que isso: souberam controlar os nervos. Deram um show, uma aula de como se deve comportar num momento desses. Não deixaram nenhum filminho passar por suas cabeças. Focaram apenas no jogo; focaram apenas na vitória, pois era isso o que elas queriam.

Do lado de fora, esse magnífico Zé Roberto Guimarães dando força pra elas, tratando-as como filhotas, comportando-se como paizão que é o que de fato ele é para elas num momento como esses. Ler o jogo, pensar no jogo, escrever o jogo era importante. Mas, como Gottino disse, nosso adversário não estava na quadra. Não era a Rússia. Nosso grande adversário naquele momento éramos nós mesmos. Ou seja: eram nossos traumas. Das meninas do vôlei e de todo o esporte brasileiro. Sempre foi assim, com raras exceções.

E nesta noite londrina, nossas meninas, comandadas por Zé Roberto e sua comissão, foram exceções.

Perdiam, como contei acima, para a Rússia de 14-13, depois de uma corrida de pontos de 4-0 das adversárias. Tiveram que aguentar nada menos do que seis “match points”. Suportaram porque foram não apenas guerreiras; suportaram porque estavam com os nervos no lugar e não em frangalhos, como eu imaginei que eles ficariam quando a Rússia abriu 14-13.

Tiveram que lidar com nada menos do que seis “match points”. Até que veio a virada espetacular. A contenda estava em 19-18 para as gélidas, espigadas e lindas meninas do leste europeu, de olhos azuis hipnotizantes. Saque delas; o Brasil não podia errar. Não errou; aliás, não errou mais.

Aí foi a vez de a nossa seleção fazer uma pequena corrida de 3-0.

Primeiro, com um ataque de fundo da Sheila (no saque russo), empatamos a partida em 19 pontos. Depois, no saque recheado de veneno da Fernanda Garay, recuperamos a dianteira no marcador: 20-19. Finalmente, em outro saque da Fê, uma vez mais repleto de malícia, elas foram obrigadas a nos devolver a bola do jeito que a gente queria, na medida para ser executada: cortada precisa da Fabiana, que nos levou à loucura.

Brasil 21-19 Rússia; Brasil 3 setes a 2. Brasil nas semifinais dos Jogos Olímpicos.

As meninas pulavam, se abraçavam, mas a cena mais espetacular foi do Zé Roberto: ele mandou às favas o protocolo, a compostura, e deu um peixinho espetacular (foto Getty Images). Se pudesse, eu teria feito o mesmo.

Foi, talvez, um dos momentos mais espetaculares destas Olimpíadas. Adrenalina lá em cima, a gente, no Switcher da Record, torcendo feito malucos, certo de que iríamos perder novamente para o emocional.

Não perdemos; vencemos.

Amanhã, diante da Argentina, tem que ser assim.

NERVOS 1

Por mais que a gente controle o jogo de Manu Ginobili e Luis Scola e faça o nosso fluir, temos que ter os nervos no lugar. Eles são mestres na arte da provocação. Manu é um “flop gangster”; Scola em menor proporção. Temos que lidar mais com isso do que com o jogo em si.

A Argentina é um baita time. Acho mesmo que um tanto melhor que o nosso, mas podemos vencer. Para isso, temos que nos comportar como nossas meninas, que não se deixaram vencer pelo emocional e com ele controlado puderam dobrar as russas.

Rubén Magnano não é brasileiro. Não deve ter se comovido com a vitória do nosso vôlei feminino. Mas ele deveria mostrar o quinto e decisivo set para nossos jogadores. Mostrar e fazer com que nossos atletas percebam o quão importante é o emocional num jogo tão igual como será este de amanhã diante da Argentina.

CONSTATAÇÃO

Os mais jovens talvez tenham ouvido falar; os mais velhos devem ter visto Ivan Lendl (foto) jogar. O então tenista tcheco, que ganhou oito títulos do Grand Slam e liderou o ranking da ATP por um bom tempo, costumava dizer que não existe diferença técnica entre os 50 melhores do mundo no ranking da ATP. A diferença está no mental.

Quem tem mais força mental consegue vencer. Consegue executar suas jogadas, desequilibrar o adversário e fechar as partidas.

Concordo: num nível desses, agora a partir das quartas-de-final, à exceção dos EUA e da Austrália, eu acho que as demais equipes são muito parelhas. Tática e tecnicamente.

Por isso, o mental poderá ser decisivo.

Que os nossos marmanjos se contagiem pelo que nossas meninas fizeram nesta terça-feira diante das russas.

TÁTICA

No texto que escrevi no dia 13 de julho passado, quando o Brasil bateu a Argentina na bola e no tapa em Foz do Iguaçu, fiz algumas observações sobre a partida. Uma delas eu reproduzo abaixo:

Não conseguimos marcar o “pick’n’roll” argentino, que quase sempre favorecia Luis Scola. Isso é o básico do basquete hoje em dia. É preciso, pois, treinar mais a defesa nesta jogada. Com troca ou sem troca? Magnano decide.

Marcar o P&R argentino é fundamental. A questão da troca é um problema. Se fizermos, poderemos proporcionar situação de “mismatch” para a Argentina e isso não é bom. Se optarmos pelo não, nosso armador tem que ser rápido a ponto de não deixar o armador deles em situação favorável para a bandeja.

Mas aí entra um fator que eu acho importante: a cobertura. A galera do “weak side” tem que estar esperta, para ajudar o armador de modo a fazer com que não haja a troca para não haver o “mismatch” e Scola arremessar à vontade.

Este é um ponto fundamental da partida de amanhã.

O outro é subtrair o jogo de Manu Ginobili. No confronto do Super 4 de Buenos Aires, quando os árbitros argentinos meteram a mão no time brasileiro, Alex Garcia estava controlando Manu. Aí os desprezíveis apitadores argentinos carregaram AG de falta, ele foi para o banco e tudo ficou mais fácil para os caras ganharem a contenda.

Amanhã é preciso que Alex tome cuidado. Manu é estrela de primeira grandeza. Goza de privilégios. Quando faz faltas elas não são marcadas; quando não sofre faltas, elas são apitadas.

Manu adora a infiltração da direita para o meio, finalizando com a canhota, sua mão favorita. Adora o “trap” para o arremesso de três. Tudo isso tem que ser muitíssimo bem vigiado. Sei que não é fácil, mas tem que ser feito se quisermos vencer.

NERVOS 2

E, é claro, que saibamos nos comportar como nossas meninas nos momentos de apuros numa partida de basquete. Que tendem a ser muitos.

NERVOS 3

Minhas mãos já estão suadas.

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segunda-feira, 6 de agosto de 2012 basquete brasileiro, Jogos Olímpicos de Londres, Seleção Brasileira | 21:28

BRASIL x ARGENTINA, QUARTA-FEIRA, 16H DE BRASÍLIA. ENTREM, O BOTEQUIM ESTÁ ABERTO!

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A organização dos Jogos Olímpicos acaba de divulgar: o Brasil pega a Argentina nesta quarta-feira, 16h, horário de Brasília. Amanhã eu confirmo, mas a chance de passarmos esse jogo em 3D é boa. Tudo vai depender dos ingleses, pois são eles quem determinam o que será gerado para o planeta em 3D. Cruzem, pois os dedos!

Amanhã eu digo a vocês se vamos ou não transmitir a partida em 3D. Se a resposta for positiva, quem puder ir a um dos cinemas da Rede Cinépolis espalhados pelo Brasil, vai poder acompanhar a partida em três dimensões (é simplesmente es-pe-ta-cu-lar!) e apreciar os comentários deste amigo que vos escreve neste momento.

ENTREGADA

Dito isso, vejo pela manifestação de vocês (a maioria, claro) que a Espanha entregou o jogo (foto Reuters Splitter x Gasol) ou, pra não ser tão incisivo, que ela não se comportou como devia. E mais: mal tinha chegado em casa e o celular tocou: era o Zé Boquinha.

Viu o jogo?, perguntou-me ele. Disse que não, pois estava trabalhando e me deliciando com o atletismo em 3D, neste trabalho espetacular da Rede Record com a Cinépolis. Os espanhóis entregaram, não é mesmo? Pelo menos eu fiquei com essa impressão vendo a partida de esgueio — disse ao Zé. Ele respondeu que ficou com esta impressão, mas ressaltou: o Brasil jogou com o time reserva um bom tempo e o Nenê não entrou em quadra. E completou: mas no final da partida, os caras (espanhóis) erravam bandeja, faziam falta de ataque, achei muito esquisito — completou Zé Boca. Se eles armaram, o Brasil caiu direitinho, complementou ele.

Discutimos mais umas coisas aqui e outras ali; no final ele me cobrou: você me deve uma pizza! E eu respondi: será o maior prazer pagá-la. Semana que vem, quando as Olimpíadas se encerrarem, propus ao Zé Boca. Fechado, respondeu ele, que mora em Campinas e não em São Paulo, assim como eu.

VERGONHA

Agora eu digo a vocês o que eu acho: acho lamentável um time se comportar desta maneira. É uma estratégia, alguém pode retrucar. Sim, é uma estratégia, mas é também uma trapaça. É vergonhoso um time fugir do outro. Campeão que é campeão não escolhe adversário. Os mais fracos, aqueles que não acreditam em suas forças, esses procuram artimanhas, como a Espanha parece ter feito lendo os comentários de vocês e ainda com a impressão do Zé Boquinha viva na minha memória.

E como a maioria de vocês, eu também vou torcer feito um louco para a França, para que a Espanha quebre a cara. O que os espanhóis fizeram foi pensar no futuro sem viver o presente. Ou seja: já se imaginam na semifinal sem ter jogado ainda com os franceses. Que esse comportamento ibérico redobre a vontade de ganhar de Tony Parker, Boris Diaw, Nicholas Batum e seus parceiros, que eles falem mais alto do que Pau Gasol e seus comparsas.

RIVAL

Já o Brasil terá pela frente a Argentina. Muitos dos parceiros deste botequim estão animados. O estado de euforia se dá, segundo percebo, pelo jogo que o Brasil fez diante da Argentina em Foz do Iguaçu e pela surra que os EUA deram nos argentinos há pouco em Londres: 126-97 (foto Fiba Westbrook dando uma enterrada espetacular no último quarto).

Lá em Foz, o Brasil pegou uma Argentina sem Manu Ginobili. E a Argentina que enfrentou os EUA há pouco foi uma Argentina sem Pablo Prigioni e “desinteressada” pelo resultado, pois não havia como mudar o chaveamento, a menos que eles ganhassem dos EUA — o que eu acho que eles não estavam se importando neste momento. Portanto, não dá para traçarmos estratégias com base nestes dois cotejos.

O que sabemos é que o emocional será um componente deste jogo a ser levado muito em conta. O Brasil não pode entrar na catimba dos caras. Se eles se sentirem em inferioridade, vão apelar, usar estratégias para tentar desestabilizar nossos jogadores. Infelizmente, todos nós sabemos, nossos nervos ficam em frangalhos por qualquer coisa. E quando são os argentinos a nos provocar, a situação piora ainda mais por conta da rivalidade.

Desta forma, como disse, jogar com serenidade e tranquilidade será fundamental.

TÁTICA

Quanto ao jogo em si, temos que aproveitar nossos homens grandes, que são maiores e melhores do que os argentinos. Nosso jogo tem que se concentrar ali. Certamente eles responderão com uma defesa zona a maior parte do tempo, a nos provocar para os arremessos longos. Se eles caírem, ótimo; se não caírem, teremos problemas.

Temos que torcer para que Marcelinho Huertas esteja inspirado. E que não se canse. E que Larry Taylor mantenha um nível aceitável de jogo para descansar Huertas e não deixar a peteca cair quando estiver em quadra. Dependemos demais de Huertas.

Temos, obviamente, que ter cuidados extremados com o jogo deles. Cuidar de Manu Ginobili será fundamental. Alex Garcia terá essa missão. Vejo, no entanto, que Alex tem se mostrado um tanto afoito em alguns momentos do jogo. Isso não pode acontecer, pois Alex será importante para o nosso selecionado em quadra e não no banco, carregado em faltas. Ele terá a missão de vigiar Manu.

Enquanto isso, Huertas terá que marcar Pablo Prigioni. A defesa de Marcelinho é boa, mas não é o forte de seu jogo. Nosso armador conhece bem Prigioni, com quem já jogou no basquete espanhol e a quem já marcou inúmeras vezes. A vitalidade está a nosso favor; a experiência está a favor deles. Prigioni, não só pela idade, é um cara mais rodado que Marcelinho. Ele já viveu está situação várias vezes. Huertas respira sua primeira Olimpíada.

As bolas de três dos caras são um problema também. Marcar Carlos Delfino é obra para Marquinhos Vieira. Ele é maior e se encaixar uma boa marcação, pode subtrair um pouco do volume ofensivo de Delfino, bem como a Andres Nocioni, que não vive o melhor momento de sua carreira, mas que é um cara rodado e bom de bola também.

Finalmente, Luis Scola. Essa cara adora jogar contra o Brasil. Contra o Brasil seu jogo cresce demais. Adora ultrapassar a barreira dos 30 pontos. Fazer uma defesa “matchup” talvez seja uma boa, com o “front court” marcando zona, diminuindo os espaços de Scola no garrafão, e o “back court” marcando individualmente. Ou então, uma marcação “box one”, com apenas Alex marcando Ginobili individualmente.

São ideias; ideias que a gente tem pensando assim, rapidamente, no jogo. A estratégia está sendo engendrada neste momento por Rubén Magnano e sua comissão técnica. Temos uma boa vantagem nesse ponto, pois Magnano conhece bem a Argentina, pois foi ele quem criou esse time espetacular, medalha de ouro em Atenas 2004.

Mas vamos nos falando com o correr das horas. Certamente vocês terão ideias também. Certamente vocês vão traçar planos e estratégias. E eu vou querer ler. A todos, sem exceção.

Isso vai fazer as horas passarem. E nos ajudará a pegar no sono.

Que venham “Los Hermanos”!

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